antena hiperlumínica

Você se sente frustrado pelos delays dos sinais de satélite? Acha que os grandes atrasos nas comunicações interplanetárias é que são o verdadeiro impedimento à conquista do espaço? Uma solução seria transmitir sinais a uma velocidade maior do que a da luz. Mas se você acha que não existe tecnologia para isso, não conhece a Hyper-light-speed antenna. Trata-se de

Um método para transmitir e receber ondas eletromagnéticas compreendendo a geração de campos magnéticos opostos com um plano de força máxima correndo perpendicular a um eixo longitudinal do campo magnético; a geração de uma fonte de calor ao longo de um eixo paralelo ao eixo longitudinal do campo magnético; a geração de um acelerador paralelo a e em grande proximidade da fonte de calor, criando assim uma porta de entrada e saída; e geração de um sinal de comunicação na porta de entrada e saída, eviando assim o sinal a uma velocidade mais rápida do que a luz.

O resumo da patente apresentada em 2 de outubro de 1997 por David L. Strom (de Aurora, Colorado) não poderia ter uma linguagem mais obscura. Porém, ao definir o campo da invenção, Mr. Strom foi mais claro:

A presente invenção está relacionada a um novo tipo de antena para transmissão e recepção de sinais de R[ádio]F[requência]. A presente invenção pode ser usada para substituir antenas convencionais. Acredita-se que esta invenção pode transmitir energia a uma velocidade mais rápida que a luz e sobre uma maior distância que as antenas convencionais de mesma potência.

Ótima ideia, mas como isso é feito? Será que Mr. Strom foi um gênio que já havia descoberto neutrinos supralumínicos no quintal de casa? Será que ele usa fusão a frio como fonte de energia? Será que ele tem um DeLorean voador? Bem, aparentemente ele parece ter sido inspirado por dimensões superiores:

A presente invenção descobriu a aparente existência de uma nova dimensão, capaz de agir como meio para sinais RF. Os benefícios iniciais de penetrar essa nova dimensão incluem o envio de sinais RF mais rápidos que a velocidade da luz, ampliando a distância efetiva dos transmissores de RF, penetrando conhecidos aparelhos de proteção contra RF e acelerando o crescimento de plantas expostas à energia que é subproduto das transmissões de RF.

Isso mesmo, além de apelar para uma suposta dimensão extra — que foi detectada apenas pelo inventor e por mais ninguém — o sistema de transmissão inventado ainda tem o curioso efeito colateral de acelerar o crescimento de vegetais. Aparentemente, Mr. Strom quer resolver não só os problemas das comunicações interplanetárias, mas também burlar sistemas contra sinais de celulares em presídios e ainda solucionar a fome no mundo com frutas e verduras gigantes. Mais parece um cientista maluco saído de um conto de ficção-científica pulp dos anos 1930. Até porque os meios e mesmo a linguagem que ele usa para tão revolucionária tecnologia de ponta são surpreendentemente simples:

Primeiro você precisa criar uma superfície quente a mais de 1000 graus Fahrenheit. Depois, é necessário um intenso campo magnético. Aí você precisa de um acelerador, seguido de um ponto de injeção eletromagnética. Para comunicações ou dados, você precisa de dois aparelhos. Cada aparelho é conectado a um transmissor e receptor. Isso permite que a energia eletromagnética entre numa dimensão para viajar a velociadas mais rápidas do que a luz.

Os campos magnéticos são focalizados no aparelho gerador de calor. O ponto de injeção eletromagnética é o plano gerado pelos dois campos magnéticos opostos.

Foi observado pelo inventor e testemunhas que o crescimento acelerado de plantas pode ocorrer com o uso da presente invenção.

Para o crescimento acelerado de planta você precisa, primeiro, criar uma superfície quente a mais de 1000 garus Fahrenheit. Depois, você precisa de um intenso campo magnético. Apenas um aparelho é necessário para essa função. Isso permite que a energia de outra dimensão influencie o crescimento das plantas.

Não se assuste com os tais 1000 graus — ou exatos 537,777778 graus centígrados, o que significa que você também vai precisar de um termômetro bem exato se não for americano. Segundo o texto da patente, recomenda-se “uma lâmpada halógena de 620 watts” como fonte de calor.

Como em todo conto de ficção-científica barato, nem o acesso à dimensão superior nem os motivos para o bizarro crescimento vegetal são bem explicados. No entanto, para quem ainda duvida, David L. Strom não é mero personagem. É o detentor da patente nº. 6.025.810, emitida em 15 de fevereiro de 2000 pelo U.S. Patent Office. Evidentemente, nenhum físico deve ter sido consultado durante os quase dois anos e meio entre a aplicação e a emissão de tal patente.


0 comentário

João Carlos · 7 de abril de 2012 às 19:22

É evidente!… Ele emprega os mesmos princípios da “física quântica” que explicam a homeopatia.

Patentes Patéticas (nº. 143) | hypercubic · 17 de maio de 2014 às 21:37

[…] que não deixa de ser uma pena. Combinada com a Antena Hiperlumínica de Strom, a Pirâmide de Elfouly estaria pronta pra resolver os maiores problemas do século XXI. Maldita […]

Patentes Patéticas (nº. 143) - Numinalabs · 20 de maio de 2014 às 12:37

[…] que não deixa de ser uma pena. Combinada com a Antena Hiperlumínica de Strom, a Pirâmide de Elfouly estaria pronta pra resolver os maiores problemas do século XXI. […]

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