{"id":1085,"date":"2011-11-18T16:02:00","date_gmt":"2011-11-18T19:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/hypercubic\/2011\/11\/o-incidente-de-kersey\/"},"modified":"2011-11-18T16:02:00","modified_gmt":"2011-11-18T19:02:00","slug":"o-incidente-de-kersey","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/hypercubic\/2011\/11\/o-incidente-de-kersey\/","title":{"rendered":"&gt;O Incidente de Kersey"},"content":{"rendered":"<p>&gt;<\/p>\n<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"margin-left: auto;margin-right: auto;text-align: center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/hypercubic\/files\/2012\/11\/Kersey-19571.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"259\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/hypercubic\/files\/2012\/11\/Kersey-19571.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center\">Kersey em 1957. Aquarela de Jack Merriot.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify\">Pensando bem, aquele sil\u00eancio era mesmo uma coisa muito estranha: os sinos das igrejas pararam de tocar e at\u00e9 os patos se calaram e ficaram quietos no pequeno riacho no come\u00e7o da rua principal enquanto o trio de cadetes navais se aproximava do vilarejo. Mais tarde, segundo a recorda\u00e7\u00e3o dos garotos, at\u00e9 o canto outonal de um p\u00e1ssaro de desvaneceu \u00e0 medida que eles se aproximavam das primeiras casas. Nenhuma folha se movia nas \u00e1rvores que, ali\u00e1s, pareciam n\u00e3o ter sombras. At\u00e9 mesmo o vento parecia ter deixado de existir.<\/p>\n<p>A rua em si estava bem deserta. Isso n\u00e3o seria surpresa numa manh\u00e3 de domingo de 1957, ainda mais no cora\u00e7\u00e3o rural da Inglaterra. No entanto, mesmo os mais remotos vilarejos brit\u00e2nicos j\u00e1 mostravam ent\u00e3o sinais de modernidade \u2014 carros estacionados nas cal\u00e7adas, linhas telef\u00f4nicas suspensas ao lado das ruas e antenas espalhadas pelos tetos. Mas n\u00e3o havia nada disso naquela vila. De fato, todas as casas daquela rua pareciam antiqu\u00edssimas: eram grosseiras, com estruturas de madeira, e \u201cquase medievais em apar\u00eancia\u201d, pensava um dos garotos.<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p><a name='more'><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><b><span>Um incidente temporal?<\/span><\/b><br \/>Os tr\u00eas jovens, que eram cadetes da Royal Navy, aproximaram-se da constru\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima e meteram seus rostos nas janelas encardidas, esfor\u00e7ando-se para ver alguma coisa. O que dava para ver era algum tipo de a\u00e7ougue, mas o interior era ainda mais perturbador. Segundo um dos meninos, em depoimento ao escritor Andrew MacKenzie:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<blockquote><p><span>N\u00e3o havia mesas ou balc\u00f5es, apenas duas ou tr\u00eas carca\u00e7as interias de boi que haviam sido esfoladas e em alguns lugares j\u00e1 estavam esverdeadas de velhas. Havia uma porta pintada de verde e janelas com diminutos pain\u00e9is de vidro, uma na frente e uma do lado, com um ar um tanto sujo. Eu me recordo que enquanto olh\u00e1vamos incr\u00e9dulos atrav\u00e9s daquela janela para as carca\u00e7as mofadas e emboloradas&#8230; o sentimento geral era um de descren\u00e7a e irrealidade&#8230; Quem acreditaria que em 1957 as autoridades sanit\u00e1rias permitiriam tais condi\u00e7\u00f5es?<\/span><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Eles espiaram em outra casa tamb\u00e9m. Que, tamb\u00e9m, tinha janelas esverdeadas e gordurosas e que parecia igualmente desabitada. As paredes pareciam ter sido toscamente caiadas, mas os c\u00f4modos estavam vazios. Os garotos n\u00e3o conseguiam ver nenhuma mob\u00edlia ou objeto e pensavam que as salas em si \u201cn\u00e3o seriam de qualidade moderna\u201d. Assustados, os cadetes voltaram as costas de deram no p\u00e9 para fora da estranha vila. A trilha que seguiram subia por uma pequena colina e eles n\u00e3o olharam para tr\u00e1s at\u00e9 alcan\u00e7ar o topo da pequena eleva\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, segundo um dos tr\u00eas se lembrou, \u201csubitamente pod\u00edamos ouvir os sinos tocando novamente e vimos fuma\u00e7a elevando-se das chamin\u00e9s, embora nenhuma chamin\u00e9 estivesse fumando quando est\u00e1vamos no vilarejo&#8230; N\u00f3s corremos por uma centena de jardas como que para nos sacudir do sentimento de estranhamento.\u201d <span style=\"font-size: x-small\">[MacKenzie, pp. 6-9]<\/span><\/p>\n<p>O que aconteceu com esses tr\u00eas rapazes numa manh\u00e3 de outubro h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo ainda permanece um tanto misterioso (ou n\u00e3o). Eles participavam de um exerc\u00edcio de leitura de mapa que deveria ser bastante simples. A ideia era faz\u00ea-los se orientar atrav\u00e9s de quatro ou cinco milhas de uma \u00e1rea rural at\u00e9 um ponto determinado. Depois, eles voltariam \u00e0 base e relatariam o que encontrassem \u2014 o que, de acordo com o plano, seria a pitoresca vila de Kersey, no condado de Suffolk. Mas quanto mais pensavam no assunto, mas os cadetes se convenciam de que algo muito estranho havia ocorrido. Anos mais tarde, William Laing, o rapaz escoc\u00eas que liderava o trio, colocou as coisas nestes termos:&nbsp;<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<blockquote class=\"tr_bq\">\n<div style=\"text-align: justify\">Era uma vila fantasma, por assim dizer. Era quase como se tiv\u00e9ssemos andado para tr\u00e1s no tempo&#8230; Eu experimentei uma sensa\u00e7\u00e3o esmagadora de tristeza e depress\u00e3o em Kersey, mas tamb\u00e9m uma sensa\u00e7\u00e3o de hostilidade de observadores ocultos que dariam frio na espinha de qualquer um&#8230; Eu me perguntava que, se n\u00f3s batessemos em uma porta para fazer uma pergunta, quem a teria respondido? N\u00e3o suporto ter de pensar nisso.<\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify\">Laing, que viera de Pertshire, nas <i>Highlands <\/i>da Esc\u00f3cia, era um estrangeiro para essas bandas do leste da Inglaterra. Assim tamb\u00e9m eram seus colegas Michael Crowley (de Worcestershire) e Ray Baker (londrino da gema). Esse era o problema. Os tr\u00eas tinham s\u00f3 15 anos e haviam acabado de se alistar na Royal Navy. Isso os tornava facilmente engan\u00e1veis pelos oficiais respons\u00e1veis pelo treinamento. Seus superiores, segundo Laing, estavam \u201cum tanto c\u00e9ticos\u201d quando ouviram sobre aquela experi\u00eancia, mas logo estavam \u201crindo bastante, concordando que hav\u00edamos visto Kersey corretamente.\u201d <span style=\"font-size: x-small\">[MacKenzie, pp. 8-9]<\/span><\/p>\n<p>O incidente de Kersey ficou esquecido at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1980, quando Laing e Crowley \u2014 que agora viviam na Austr\u00e1lia \u2014 conversaram por telefone e remoeram a hist\u00f3ria toda. Laing sempre foi perturbado pelo acontecimento. Crowley, por sua vez, n\u00e3o se lembrava com tantos detalhes quanto o colega, mas pensava que alguma coisa estranha havia mesmo ocorrido e recordava-se do quadro geral de sil\u00eancio, aus\u00eancia de antenas e postes e especialmente do a\u00e7ougue bizarro. Isso foi o bastante para fazer Laing escrever ao autor de um livro que ele havia lido: Andrew MacKenzie, que era um dos l\u00edderes da <i>Society for Psychical Research<\/i>.<\/p>\n<p><b><span>Retrocogni\u00e7\u00e3o? <\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">MacKenzie ficou intrigado com a carta de Laing e reconheceu um poss\u00edvel caso de <i>retrocogni\u00e7\u00e3o<\/i>. Observando cuidadosamente os detalhes, ele pensou que os cadetes haviam visto Kersey n\u00e3o como era em 1957, mas como era s\u00e9culos antes. MacKenzie e Laing trocariam correspond\u00eancias por dois anos. Pesquisas em bibliotecas locais com aux\u00edlio de um historiador levaram MacKenzie a confirmar sua hip\u00f3tese. Em 1990, o ex-cadete retornou \u00e0 Inglaterra e visitou novamente o vilarejo, acompanhado do pesquisador.<\/p>\n<p>O que torna esse caso particularmente interessante \u00e9 que a <i>retrocogni\u00e7\u00e3o <\/i>\u00e9 o mais raro dos supostos fen\u00f4menos paranormais. O n\u00famero de casos relatados n\u00e3o passa de uma m\u00e3o cheia. Muitos fatores levaram MacKenzie a considerar como genu\u00edna a experi\u00eancia dos garotos: a sinceridade \u00f3bvia de Laing e Crowley (Ray Baker foi procurado sobre o assunto, mas disse n\u00e3o se recordar da experi\u00eancia); os detalhes de suas recorda\u00e7\u00f5es; e algumas descobertas persuasivas.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Entre os detalhes que mais impressionaram o investigador foi o fato de que a cada que Laing identificava como o a\u00e7ougue \u2014 que era uma resid\u00eancia particular tanto em 1957 quanto em 1990 \u2014 datava de cerca de 1350 e realmente havia sido um a\u00e7ougue at\u00e9 por volta de 1790. MacKenzie tamb\u00e9m se impressionou com uma sugestiva mudan\u00e7a de esta\u00e7\u00e3o sentida pelos garotos ao entrar no vilarejo \u2014 dentro de Kersey, segundo Laing, \u201cestava verdejante&#8230; as \u00e1rvores estavam naquela cor verde magn\u00edfica que se encontra na primavera ou no come\u00e7o do ver\u00e3o\u201d. Intrigante tamb\u00e9m era a quest\u00e3o da igreja da vila. Laing notou como o grupo n\u00e3o a viu ap\u00f3s entrar na vila sob um manto de sil\u00eancio. Ali\u00e1s, ele lembra-se explicitamente de que \u201cn\u00e3o havia sinal de uma igreja. Eu certamente deveria t\u00ea-la visto, j\u00e1 que tinha um campo de observa\u00e7\u00e3o de 360 graus\u201d no topo do morro. Crowley tamb\u00e9m se recorda de \u201cnada de igreja ou pub.\u201d<span style=\"font-size: x-small\"> [MacKenzie pp. 4, 6, 11]<\/span><\/p>\n<p><span><b>Contradi\u00e7\u00f5es Hist\u00f3ricas<\/b><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Tudo isso, por\u00e9m, parece inexplic\u00e1vel. A Igreja de Santa Maria de Kersey data do s\u00e9culo XIV e \u00e9 o principal edif\u00edcio do distrito, sendo bem vis\u00edvel a qualquer um que passe pela rua principal. No entanto, MacKenzie v\u00ea nisso uma evid\u00eancia da data em que Laing e sua turma \u201cvisitou\u201d o local. Segundo ele, a constru\u00e7\u00e3o da torre do templo foi interrompida por um surto de Peste Negra (1348-9) que matou metade da popula\u00e7\u00e3o de Kersey. Para MacKenzie, os meninos viram o local como estava ap\u00f3s a praga, quando a torre da igreja semiconstru\u00edda estava escondida em meio \u00e0s \u00e1rvores. Mas MacKenzie, contradit\u00f3rio como todo investigador de paranormalidade, tamb\u00e9m diz que a data mais prov\u00e1vel seria por volta de 1420. Isso porque por essa \u00e9poca Kersey come\u00e7ava a enriquecer como com\u00e9rcio de l\u00e3 <span style=\"font-size: x-small\">[Kerridge p.5]<\/span>, o que permitiria o aparecimento das primeiras janelas de vidro.<\/p>\n<p>No entanto, essa simples contradi\u00e7\u00e3o de datas joga por terra a hip\u00f3tese de que os garotos tenham se perdido no tempo. Kersey \u00e9 exatamente o tipo de lugar que poderia causar confus\u00f5es em visitantes novatos e estrangeiros. Quanto \u00e0 falta de postes e antenas, h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o bastante racional para isso. No come\u00e7o dos anos 1950 a <i>Suffolk Preservation Society<\/i> lutou pela preserva\u00e7\u00e3o da paisagem local <span style=\"font-size: x-small\">[<em>Electrical Review<\/em> p.414; <em>Electrical Times<\/em> p.300]<\/span>. O resultado dos protestos a favor da preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de Kersey podem ser encontrados em relat\u00f3rios do Parlamento Brit\u00e2nico da \u00e9poca, que falam de \u201cnegocia\u00e7\u00f5es que resultaram na transfer\u00eancia das linhas a\u00e9reas para o fundo das casas de cada lado da rua ou o enterro do cabo no subsolo no ponto onde a rua precisa ser cruzada.\u201d <span style=\"font-size: x-small\">[Command Papers p.96]<\/span> Ou seja, havia sim linhas el\u00e9tricas. Elas apenas estavam escondidas por motivos tur\u00edsticos.<\/p>\n<p>E quanto aos outros detalhes? Janelas de vidro, mesmo que toscas, eram bastante caras e portanto raras nos s\u00e9culos XIV e XV <span style=\"font-size: x-small\">[Cantor p.139].<\/span> Mesmo que a Kersey supostamente visitada fosse rica, porque suas casas estariam abandonadas e sem m\u00f3veis? Se o local houvesse sido repentinamente abandonado por causa de uma praga, ningu\u00e9m teria tempo de levar sua mob\u00edlia.<\/p>\n<p><b><span style=\"font-size: large\"><span>O a\u00e7ougue bizarro <\/span><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Quanto ao a\u00e7ougue, esse \u00e9 um ponto crucial e demonstra a superficialidade das pesquisas hist\u00f3ricas de MacKenzie. A quest\u00e3o \u00e9: um vilarejo medieval <i>teria <\/i>um a\u00e7ougue? Isso n\u00e3o quer dizer que tais estabelecimentos n\u00e3o existissem. Mas eles normalmente ficavam em cidades maiores, onde havia mais demanda. Isso porque a carne, nessa \u00e9poca, era um alimento bem caro. A maioria dos camponeses (e vil\u00f5es) tinha uma dieta quase exclusivamente vegetariana. Quando se abatia um animal numa vila, o consumo deveria ser imediato, j\u00e1 que n\u00e3o havia muitos m\u00e9todos de armazenar carne. <span style=\"font-size: x-small\">[Mortimer pp.10-13, 93-4]&nbsp;<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">O consumo de carne pode at\u00e9 ter aumentado bastante no s\u00e9culo XIV (passando de \u201cum d\u00e9cimo ou menos do or\u00e7amento alimentar para um quarto ou um ter\u00e7o do total\u201d), mas h\u00e1 evid\u00eancias de que tal consumo era ocasional: em Norfolk, n\u00e3o muito longe de Suffolk, apenas <i>tr\u00eas <\/i>cabe\u00e7as de gado foram abatidas em <i>um ano<\/i> por volta daquela \u00e9poca. <span style=\"font-size: x-small\">[Dyer pp.85-6]<\/span> Portanto, parece absurdo supor que um lugar t\u00e3o pequeno quanto Kersey tivesse n\u00e3o apenas um a\u00e7ougue, mas um a\u00e7ougue com <i>duas <\/i>ou talvez <i>tr\u00eas <\/i>carca\u00e7as inteiras por volta de 1420. Nessa \u00e9poca Kersey j\u00e1 tinha uma feira semanal onde seria muito mais f\u00e1cil encontrar carne fresca em pequenas quantidades.<\/p>\n<p><b><span style=\"font-size: large\"><span>Confus\u00e3o mental <\/span><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Portanto, tudo parece indicar que os cadetes tiveram sim uma experi\u00eancia excepcional \u2014 mas uma experi\u00eancia puramente psicol\u00f3gica, a <i>derrealiza\u00e7\u00e3o<\/i>. A derrealiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica na qual o mundo real subitamente aparenta ser irreal. A favor dessa hip\u00f3tese h\u00e1 os elementos-chave do incidente: o sil\u00eancio, a aus\u00eancia de vida, as \u201c\u00e1rvores sem sombra\u201d relatados pelos garotos s\u00e3o comuns em casos de derrealiza\u00e7\u00e3o. As causas podem ser diversas, mas nesse caso tudo n\u00e3o passaria de uma forte impress\u00e3o de irrealidade causada talvez pelo estresse a que os cadetes haviam sido submetidos durante seu exerc\u00edcio de localiza\u00e7\u00e3o. Assustados por estarem em um local desconhecido no espa\u00e7o, ele teriam tido a impress\u00e3o de estarem perdidos no tempo \u2014 o que s\u00f3 foi refor\u00e7ado pela quietude de uma manh\u00e3 de domingo em um vilarejo pacato do interior da Inglaterra.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div><b><span style=\"font-size: large\">Refer\u00eancias<\/span><\/b><\/div>\n<ul>\n<li>Andrew Mackenzie. <em>Adventures in Time<\/em>. London: Athlone Press, 1997<\/li>\n<li>Eric Kerridge. <em>Textile Manufactures in Early Modern England<\/em>. Manchester: MUP, 1988<\/li>\n<li> <em>Electrical Review <\/em> vol. 145 (1949);&nbsp;<em>Electrical Times<\/em> vol.116 (1949)<\/li>\n<li>Command papers. Great Britain: Parliament: House of Commons. London: HMSO, 1951. Vol. XX<\/li>\n<li> Leonard Cantor. <em>The Changing English Countryside, 1400-1700<\/em>. London: RKP, 1987<\/li>\n<li>Ian Mortimer. <em>The Time Traveller\u2019s Guide to Medieval England<\/em>. London: Vintage, 2009<\/li>\n<li> Christopher Dyer. <em>Everyday Life in Medieval England.<\/em> London: Vantage, 2000<\/li>\n<\/ul>\n<div style=\"text-align: justify\"> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&gt; Kersey em 1957. Aquarela de Jack Merriot. Pensando bem, aquele sil\u00eancio era mesmo uma coisa muito estranha: os sinos das igrejas pararam de tocar e at\u00e9 os patos se calaram e ficaram quietos no pequeno riacho no come\u00e7o da rua principal enquanto o trio de cadetes navais se aproximava do vilarejo. 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