{"id":9781,"date":"2018-02-01T19:00:12","date_gmt":"2018-02-01T21:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/hypercubic\/?p=9781"},"modified":"2018-02-01T19:00:12","modified_gmt":"2018-02-01T21:00:12","slug":"o-que-andei-vendo-no-netflix-em-janeiro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/hypercubic\/2018\/02\/o-que-andei-vendo-no-netflix-em-janeiro-2\/","title":{"rendered":"O que andei vendo no Netflix em janeiro"},"content":{"rendered":"<h4 align=\"justify\">A vida do \u00faltimo homem a pisar na Lua ao lado dos capit\u00e3es que nos levaram onde nenhum homem jamais esteve; os conflitos africanos que amea\u00e7am os gorilas-das-montanhas e criam maratonistas; os mestres da levita\u00e7\u00e3o que usam guinchos ou truques m\u00e1gicos. Os paralelismos deste m\u00eas s\u00e3o inevit\u00e1veis.<\/h4>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"margin-right: auto;margin-left: auto;float: none\" src=\"https:\/\/static.rogerebert.com\/uploads\/review\/primary_image\/reviews\/the-last-man-on-the-moon-2016\/hero_Last-Man-on-the-Moon-2016.jpg\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/80087933\"><em>The Last Man on the Moon<\/em><\/a> (96 min., 2014) \u2014<\/strong> Ele \u00e9 um senhor t\u00edpico do interior dos Estados Unidos: diverte-se em rodeios, cavalgadas e pescarias, faz churrasco com os amigos, gosta de bater papo ao redor de uma fogueira. No entanto, n\u00e3o se deixe enganar: esse mesmo velhinho ainda viaja ao redor do mundo e pilota um bimotor sempre que pode. Desde o princ\u00edpio, Eugene &#8220;Gene&#8221; Cernan foi marcado por essa duplicidade entre o rural e o universal. Nascido em Chicago, Cernan vivia no s\u00edtio dos av\u00f3s no interior do Winsconsin, onde n\u00e3o havia nem eletricidade nem tratores. Mesmo assim, aos 20 e poucos anos, tornou-se piloto de avia\u00e7\u00e3o naval no porta-avi\u00f5es USS <em>Shangri-La<\/em>. Pego de surpresa com o in\u00edcio dos voos espaciais tripulados, Gene entrou para a NASA ap\u00f3s uma liga\u00e7\u00e3o secreta e uma reuni\u00e3o digna de filme de espionagem. Depois de treinamentos de sobreviv\u00eancia na selva e no deserto, estudos de astrodin\u00e2mica e geologia, ele estava pronto para voar ao espa\u00e7o \u2014 mas ficou relegado como <em>backup<\/em> da <em>Gemini 9<\/em>. Entretanto, ele acabou no espa\u00e7o gra\u00e7as a um tr\u00e1gico acidente com seus colegas e fez uma estressante caminhada espacial de duas horas. Como todos os astronautas da \u00e9poca, ele lutava para ser o primeiro a ir \u00e0 Lua. Com a <em>Apollo X<\/em>, ele at\u00e9 foi \u00e0 Lua, mas n\u00e3o desceu. Outras reviravoltas do destino acabaram por fazer de Cernan o \u00faltimo homem a pisar em nosso sat\u00e9lite natural, durante a <em>Apollo XVII<\/em>, em 1972. Dirigido por Mark Craig e com base em sua autobiografia de mesmo nome, este document\u00e1rio retrata a vida de Cernan por meio de ricas imagens de arquivo \u2014 Gene sempre fez muitos filmes caseiros \u2014 acompanhadas de m\u00fasicas dos anos 1960. Cernan compartilha suas recorda\u00e7\u00f5es durante visitas a lugares que marcaram sua vida, como San Diego, sua casa na \u00e9poca de astronauta, as instala\u00e7\u00f5es do projeto Apollo, museus e seu rancho no Texas. Com entrevistas com sua esposa, Barbara, uma ex-aeromo\u00e7a, e colegas de trabalho como um ex-piloto naval, Jim Lovell (<em>Apollos VIII<\/em> e <em>XIII<\/em>), Dick Gordon e Alan Bean (<em>Apollo XII<\/em>), Tom Stafford (<em>Gemini 9<\/em> e <em>Apollo X<\/em>) e Christopher Kraft, ex-comandante do programa espacial americano este filme foca mais em sua vida profissional que pessoal \u2014 o que \u00e9 compreens\u00edvel, dado que Gene sempre teve que colocar a carreira acima da fam\u00edlia. No entanto, faltam algumas coisas: n\u00e3o se explica como o menino de fazenda virou piloto de ca\u00e7a em porta-avi\u00f5es e apenas a sua filha mais velha, Tracy, participa do document\u00e1rio. Incans\u00e1vel, Eugene Cernan jamais sossegou \u2014 ap\u00f3s seus voos espaciais, passou a vida fazendo viagens e palestras de divulga\u00e7\u00e3o astron\u00e1utica \u2014 e faleceu h\u00e1 praticamente um ano, aos 82 anos de idade.<\/p>\n<p align=\"justify\">[youtube_sc url=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NS3uldKUx90&#8243; autohide=&#8221;1&#8243; nocookie=&#8221;1&#8243;]<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px currentcolor;margin-right: auto;margin-left: auto;float: none\" src=\"https:\/\/occ-0-999-1001.1.nflxso.net\/art\/c90c3\/89e4d7f8aca241b4ea267388727816c74e7c90c3.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em><a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/70187715\">The Captains<\/a><\/em> (96 min., 2011) \u2014<\/strong> Enquanto os verdadeiros astronautas chegavam \u00e0 Lua para abandon\u00e1-la logo em seguida, os primeiros astronautas da TV ousavam ir onde nenhum homem jamais esteve. Apresentado, roteirizado e dirigido por William Shatner, este document\u00e1rio nos apresenta um pouco da vida e da obra dos atores que deram vida ao Capit\u00e3o da Frota Estelar em <em>Star Trek (ST)<\/em>. O pr\u00f3prio Shatner foi o primeiro, atuando na s\u00e9rie original de <em>Jornada nas Estrelas<\/em> (1966-69) como James T. Kirk, e busca entender como foram escolhidos seus sucessores e que impacto eles tiveram sobre esse papel (e esse papel sobre eles). Para descobrir isso, Shatner conversa com o shakesperiano Sir Patrick Stewart, que deu vida ao Cap. Jean-Luc Picard em <em>ST: The Next Generation<\/em>; o m\u00fasico de jazz Avery Brooks foi o Cap. Benjamin Sisko em <em>ST: Deep Space Nine<\/em>; a Cap. Kathryn Janeway de <em>ST: Voyager<\/em> foi interpretada pela disciplinada Kate Mulgrew; Scott Bakula deu vida ao Cap. Jonathan Archer em <em>ST: Enterprise<\/em> e Chris Pine \u00e9 a vers\u00e3o mais jovem de Kirk no filme de 2009. Em meio a viagens entre os EUA e a Europa para fazer as entrevistas, Shatner tamb\u00e9m fala de sua pr\u00f3pria carreira e de como obteve o papel que o tornaria mundialmente famoso. Al\u00e9m dos capit\u00e3es, tamb\u00e9m h\u00e1 entrevistas com f\u00e3s e com outros membros dos diversos elencos de ST. Carism\u00e1tico e brincalh\u00e3o, Shatner garante muitos momentos divertidos ao longo de sua produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o deixa de lado a discuss\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, como as longas jornadas de filmagens da franquia e o impacto negativo disso na vida familiar dos atores. Por fim, o ex-capit\u00e3o Kirk procura saber como cada um de seus colegas v\u00ea a morte e admite algo que sempre escondeu: ele passou muitos anos envergonhado por ser reconhecido por seu papel no <em>Star Trek<\/em> original. Mais do que uma comemora\u00e7\u00e3o da longevidade da s\u00e9rie, Shatner produziu esse document\u00e1rio justamente para acertar suas contas com Kirk.<\/p>\n<p align=\"justify\">[youtube_sc url=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=o-0qM-11kjM&#8221; autohide=&#8221;1&#8243; nocookie=&#8221;1&#8243;]<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px currentcolor;margin-right: auto;margin-left: auto;float: none\" src=\"https:\/\/virunga.org\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/NetFlix-Poster1.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/80009431\"><em>Virunga<\/em><\/a> (100 min., 2014) \u2014<\/strong> Astronautas e atores que fazem papel de astronautas podem ter um trabalho dif\u00edcil, mas n\u00e3o tanto quanto o dos funcion\u00e1rios do Parque Nacional de Virunga, no leste do Congo. Mundialmente conhecido por ser o lar dos \u00faltimos gorilas-das-montanhas, Virunga j\u00e1 foi cen\u00e1rio de diversos document\u00e1rios, mas essa produ\u00e7\u00e3o original da Netflix \u00e9 diferente. Dirigido por Orlando von Einsiedel, este filme abre com uma prociss\u00e3o f\u00fanebre e uma r\u00e1pida contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Congo, pa\u00eds rico em recursos minerais mas que justamente por isso tem sido palco de sangrentos conflitos desde que foi praticamente privatizado pela B\u00e9lgica em 1885. Embora apresente a hist\u00f3ria e a recupera\u00e7\u00e3o de quatro gorilas-das-montanhas \u00f3rf\u00e3os, o foco deste document\u00e1rio est\u00e1 nas pessoas \u2014 tanto nas que buscam proteg\u00ea-los, como os funcion\u00e1rios do parque quanto as que os amea\u00e7am de extin\u00e7\u00e3o, como ca\u00e7adores ilegais, grupos paramilitares e principalmente os apoiadores da SOCO, uma petroleira brit\u00e2nica disposta a fazer de tudo para explorar as supostas reservas de petr\u00f3leo que teriam sido descobertas no parque. Apesar do sucesso da recupera\u00e7\u00e3o do parque ap\u00f3s a mais recente guerra civil do pa\u00eds e do crescente apoio da popula\u00e7\u00e3o local, que come\u00e7a a compreender os benef\u00edcios da preserva\u00e7\u00e3o ambiental e do turismo, o governo congol\u00eas pouco se importa: concede quase todo a \u00e1rea do parque \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da SOCO. Enquanto isso, homens ligados \u00e0 petroleira buscam sabotar o parque, distribuindo propinas e fazendo neg\u00f3cios escusos com o M23, um dos grupos paramilitares que infestam a regi\u00e3o. S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de trabalho desesperadoras, mas Emmanuel de Merode, diretor do parque, o guarda-florestal Rodrigue Katembo e o cuidador Andr\u00e9 Bauma mant\u00eam a cabe\u00e7a no lugar e buscam proteger o parque e seus habitantes \u2014 al\u00e9m dos gorilas, elefantes, le\u00f5es e outros \u00edcones da fauna africana, h\u00e1 milhares de pessoas, como pescadores e refugiados dos conflitos \u00e9tnicos da vizinha Ruanda. Com recursos limitados, Merode busca documentar a corrup\u00e7\u00e3o que o cerca e para isso lan\u00e7a m\u00e3o de entrevistas com c\u00e2meras escondidas feitas por Rodrigue. Fora do parque, o mesmo m\u00e9todo \u00e9 usado por M\u00e9lanie Gouby, uma jovem jornalista francesa que veio para educar as mulheres da comunidade, mas ficou para registrar o crescente conflito causado pelo avan\u00e7o do M23 e a chegada da SOCO \u2014 e ela descobre ind\u00edcios de liga\u00e7\u00f5es perigosas entre funcion\u00e1rios da petroleira, paramilitares e autoridades do governo congol\u00eas. Um desses funcion\u00e1rios chega a dizer que seria melhor para todo mundo se o Congo fosse recolonizado; outro duvida do comprometimento dos ambientalistas que protegem os macacos e diz que s\u00f3 se interessaria por eles se &#8220;cagassem diamantes e mijassem min\u00e9rio de ferro&#8221;. De fato, quando o conflito estoura ao redor do parque, as a\u00e7\u00f5es da SOCO sobem enquanto dezenas de pessoas s\u00e3o baleadas, mutiladas e mortas. O cen\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o estressante que at\u00e9 um dos gorilas \u00f3rf\u00e3os mantidos pelo parque acaba morrendo. De uma maneira ou de outra, n\u00e3o faltam mortes em <em>Virunga<\/em>, onde 140 guardas-florestais j\u00e1 foram mortos nos \u00faltimos anos e 9 gorilas foram massacrados em 2007. Ap\u00f3s denunciar as amea\u00e7as e os esquemas de corrup\u00e7\u00e3o em Virunga, Rodrigue \u00e9 preso e torturado por 17 dias; Merode sofre um atentado mas sobrevive ap\u00f3s ser baleado diversas vezes. Nem tudo \u00e9 viol\u00eancia, por\u00e9m: o filme, indicado ao Oscar em 2015, tamb\u00e9m mostra as rela\u00e7\u00f5es de afeto entre os gorilas e seus cuidadores e entre esses funcion\u00e1rios e seus familiares \u2014 o sonho de Rodrigue \u00e9 fazer do filho um cientista.<\/p>\n<p align=\"justify\">[youtube_sc url=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wxXf2Vxj_EU&#8221; autohide=&#8221;1&#8243; nocookie=&#8221;1&#8243;]<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px currentcolor;margin-right: auto;margin-left: auto;float: none\" src=\"https:\/\/do1pouckcwxot.cloudfront.net\/argentina\/uploads\/2017\/03\/01214105\/gun-runners.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em><a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/80124947\">Gun Runners<\/a><\/em> (89 min., 2015) \u2014<\/strong> A viol\u00eancia armada tamb\u00e9m persiste em outro pa\u00eds africano, o Qu\u00eania. E no entanto \u00e9 de l\u00e1 que v\u00eam alguns dos melhores velocistas e maratonistas do mundo. Como pode? Para descobrir como isso \u00e9 poss\u00edvel, basta assistir esse document\u00e1rio co-produzido pelo Canad\u00e1 e o Qu\u00eania. Dirigido e roteirizado por Anjali Nayar, esse filme acompanha as trajet\u00f3rias de Julius Arile e Robert Matanda, dois amigos de inf\u00e2ncia e ex-ladr\u00f5es de gado. Depois de uma juventude marcada por uma vida de crime e esconderijos improvisados no mato, Arile e Matanda entregam suas armas em troca de anistia e\u2026 t\u00eanis de corrida. Pode parecer um mau neg\u00f3cio, mas esse programa de desarmamento \u2014 apoiado por Tegla Loroupe, primeira africana a vencer a maratona de Nova York \u2014 funciona ao ressocializar os ex-criminosos como atletas. Ou quase. Arile se d\u00e1 bem no come\u00e7o da nova carreira e depois de ganhar uma prova de prov\u00edncia, representa sua comunidade numa corrida de ativistas anti-armamentistas em Nova York. Encantado com a perspectiva de uma carreira internacional e sonhando com uma vit\u00f3ria na maratona nova-iorquina, Arile abandona a fam\u00edlia para viver entre centros de treinamento cuja maior qualidade \u00e9 ter \u00e1gua e esgoto e tentativas de ganhar dinheiro em competi\u00e7\u00f5es no exterior. Matanda, por sua vez, segue um rumo diferente. Apesar de acostumado a correr muito quando ladr\u00e3o, ele n\u00e3o consegue manter o n\u00edvel que se exige de atletas e, aos poucos, vai passando de ativista para l\u00edder comunit\u00e1rio e acaba se lan\u00e7ando em outro tipo de corrida, a eleitoral. Embora n\u00e3o sejam inteiramente bem-sucedidos em suas novas carreiras (o que gera cr\u00edticas e desconfian\u00e7a de seus familiares), Matanda e Arile certamente conseguem uma vida melhor e mais est\u00e1vel do que a que tinham quando viviam armando emboscadas no meio do mato. Longe de ser aquele document\u00e1rio cheio de clich\u00eas inspiradores, <em>Gun Runners<\/em> mostra que a ressocializa\u00e7\u00e3o pode ser ao mesmo tempo mais simples e mais complicada do que se imagina: trocar armas por t\u00eanis ajuda, mas \u00e0s vezes falta algo mais. No caso de Arile, falta-lhe estabilidade tanto f\u00edsica quanto emocional enquanto Matanda carece talvez de educa\u00e7\u00e3o e ceticismo \u2014 ao atuar como cabo eleitoral, tem certeza que ser\u00e1 feito ministro ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es. Com boas reconstru\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, este filme tamb\u00e9m conta com entrevistas com Joshua Chesire, treinador; Jeroeen Deen, fisioterapeuta; Zane Branson, agente e empres\u00e1rio, al\u00e9m dos familiares de Matanda e Arile. Participa\u00e7\u00f5es especiais de Tegla Loroupe e Kofi Annan, ex-secret\u00e1rio-geral da ONU.<\/p>\n<p align=\"justify\">[youtube_sc url=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=m-Ki5FewD94&#8243; autohide=&#8221;1&#8243; nocookie=&#8221;1&#8243;]<\/p>\n<hr \/>\n<h4 align=\"justify\">Reality-shows<\/h4>\n<p align=\"justify\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px currentcolor;margin-right: auto;margin-left: auto;float: none\" src=\"https:\/\/media.apnarm.net.au\/media\/images\/2017\/08\/09\/b88911420z1_20170809165543_000gp0o3d1m2-0-gvt6op3wpt92870zpo2_fct1455x1080x229_ct620x465.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em><a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/80204885\">Towies<\/a><\/em> (2016\u00a0| 1 temporada) \u2014<\/strong> \u00c9 verdade que j\u00e1 recomendei programas desse tipo, que mostram a rotina de trabalho dos motoristas de caminh\u00f5es-guincho e reboques. Mas dessa vez \u00e9 diferente. A principal diferen\u00e7a est\u00e1 no cen\u00e1rio, pois <em>Towies<\/em> se passa na Austr\u00e1lia (o t\u00edtulo \u00e9 &#8220;rebocador&#8221; em &#8220;australian\u00eas&#8221;). Se opera\u00e7\u00f5es de resgate e transporte de destro\u00e7os de ve\u00edculos acidentados do Canad\u00e1 (vide <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/hypercubic\/2016\/12\/o-que-andei-vendo-no-netflix-em-dezembro\/\"><em>Highway thru Hell<\/em><\/a>, por exemplo) j\u00e1 nos chamam a aten\u00e7\u00e3o pelo clima que nos \u00e9 ex\u00f3tico e hostil, o trabalho dos australianos pode nos parecer mais familiar. Como aqui, l\u00e1 boa parte dos acidentes deve-se mais \u00e0 imprud\u00eancia do que ao mau tempo. Os obst\u00e1culos tamb\u00e9m s\u00e3o mais parecidos com os nossos: o calor escaldante do ver\u00e3o, capaz de sobreaquecer os ve\u00edculos de resgate, e as areias fofas das praias, que podem gerar situa\u00e7\u00f5es ins\u00f3litas como um guincho encalhado ao tentar rebocar um barco tamb\u00e9m encalhado. Sim, porque al\u00e9m de virar caminh\u00f5es tombados e tirar carros que ca\u00edram nas valas \u00e0 beira das pistas, os <em>towies<\/em> tamb\u00e9m t\u00eam que lidar com ve\u00edculos marinhos acidentados ou autom\u00f3veis afogados num canal. Talvez por isso, <em>Towies<\/em> tem um ritmo mais fren\u00e9tico: os 10 epis\u00f3dios s\u00e3o curtos mas alternam-se entre dois ou at\u00e9 tr\u00eas acidentes em aproximadamente 20 minutos. Diferente das outras s\u00e9ries do tipo que j\u00e1 recomendamos, esta se concentra apenas numa \u00fanica empresa familiar de guinchos, o que abre espa\u00e7o para o lado mais pessoal e humano dos funcion\u00e1rios e funcion\u00e1rias \u2014 embora geralmente trabalhem no escrit\u00f3rio, \u00e0s vezes as mo\u00e7as australianas p\u00f5em a m\u00e3o na massa e fazem servi\u00e7os muitas vezes desprezados pelos homens.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"border: 0px currentcolor;margin-right: auto;margin-left: auto;float: none\" src=\"http:\/\/www.tvwatchus.com\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/penn-teller-fool-us.png\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em><a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/title\/80124949\">Penn &amp; Teller: Fool Us<\/a> <\/em>(2015\u00a0|\u00a02 temporadas) \u2014<\/strong> Shows de calouros voltaram \u00e0 moda nos \u00faltimos anos, mas agora s\u00e3o mais espec\u00edficos: em <em>The Voice<\/em> e <em>The Voice Kids<\/em>, mant\u00e9m-se o mesmo modelo de cantores que aspiram \u00e0 fama, mas o modo de julgar (ou jogar) \u00e9 novo; em <em>Master Chef<\/em> e similares, mestre-cucas caseiros s\u00e3o desafiados semanalmente por cozinheiros profissionais. Como seria, ent\u00e3o, um espet\u00e1culo de calouros que tem a m\u00e1gica como tema? Quem quiser descobrir pode assistir esse programa apresentado por Jonathan Ross, onde o famoso <em>duo<\/em> de ilusionistas\/c\u00e9ticos Penn &amp; Teller deve ser enganado pelos tr\u00eas ou quatro concorrentes de cada epis\u00f3dio (~40 min. cada, exceto o piloto, que tem mais de 1 hora). Ap\u00f3s uma breve perfil pr\u00e9-gravado, cada m\u00e1gico, ilusionista ou <em>con artist<\/em> (homens e mulheres de todas as idades, profissionais ou n\u00e3o) tem o direito de apresentar um n\u00famero que consideram capaz de embasbacar Penn &amp; Teller. Eles podem contar com o aux\u00edlio de Ross, de algu\u00e9m da plateia ou, em alguns casos, dos pr\u00f3prios julgadores. O julgamento \u00e9 feito de modo simultaneamente simples e enigm\u00e1tico: Penn faz coment\u00e1rios com refer\u00eancias \u00f3bvias ao profissionais mas obscuras ao p\u00fablico ou Teller faz um desenho esquem\u00e1tico que apresenta ao convidado (mas n\u00e3o ao p\u00fablico) antes de destru\u00ed-lo (o desenho, n\u00e3o o convidado \u2013 se bem que isso seria divertido de se ver). Quem engana os dois mestres no palco ganha o direito de se apresentar com o grandalh\u00e3o Penn e o mudo Teller por uma noite em Las Vegas, al\u00e9m de levar pra casa um singelo trof\u00e9u. Por fim, a dupla din\u00e2mica tamb\u00e9m apresenta um n\u00famero, geralmente de forma bem-humorada e \u00e0s vezes revelando o segredo por tr\u00e1s de seus truques.<\/p>\n<p align=\"justify\">[youtube_sc url=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ej&#8211;yceErpg&#8221; autohide=&#8221;1&#8243; nocookie=&#8221;1&#8243;]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida do \u00faltimo homem a pisar na Lua ao lado dos capit\u00e3es que nos levaram onde nenhum homem jamais esteve; os conflitos africanos que amea\u00e7am os gorilas-das-montanhas e criam maratonistas; os mestres da levita\u00e7\u00e3o que usam guinchos ou truques m\u00e1gicos. Os paralelismos deste m\u00eas s\u00e3o inevit\u00e1veis. 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