{"id":179,"date":"2026-07-21T16:26:29","date_gmt":"2026-07-21T19:26:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/?p=179"},"modified":"2026-07-21T16:26:30","modified_gmt":"2026-07-21T19:26:30","slug":"goiania-e-o-cesio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/2026\/07\/21\/goiania-e-o-cesio\/","title":{"rendered":"Goi\u00e2nia e o c\u00e9sio"},"content":{"rendered":"<p>Em 2027, o acidente radiol\u00f3gico de Goi\u00e2nia far\u00e1 40 anos. Em homenagem aos profissionais que atuaram na crise e \u00e0s v\u00edtimas, a Netflix lan\u00e7ou uma <a href=\"https:\/\/www.adorocinema.com\/series\/serie-1000000955\/\">miniss\u00e9rie<\/a> contando um pouco da viv\u00eancia das pessoas do local, al\u00e9m de medidas tomadas ao longo do tempo.<\/p>\n<p>No texto de hoje, vamos falar sobre esse momento da hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<blockquote>\n<p><i>\u201cUm deles [paciente] internado fazia correla\u00e7\u00e3o com uma pe\u00e7a que estava depositada sobre uma cadeira na vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria e que essa pe\u00e7a era um cilindro envolto dentro de um saco e que era o que \u2018tava causando intoxica\u00e7\u00e3o nas pessoas.\u201d\u00a0<\/i>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ipen\/pt-br\/assuntos\/clipping-de-noticias\/quem-e-o-fisico-que-identificou-o-acidente-com-cesio-137-em-goiania\">Walter Mendes Ferreira<\/a>, primeiro profissional a identificar o C\u00e9sio radioativo em 1987, em Goi\u00e2nia. (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AFWZ45EXRjA\"><i>Se n\u00e3o n\u00f3s, quem?<\/i>, Epis\u00f3dio 1<\/a>)<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Piloto<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria, tanto na fic\u00e7\u00e3o quanto na realidade, come\u00e7a com o abandono indevido de um material de radioterapia em Goi\u00e2nia, no terreno onde ficava o Instituto Goiano de Radioterapia. Esse aparelho foi aberto, espalhando o p\u00f3 de C\u00e9sio no ambiente. Ap\u00f3s a primeira contamina\u00e7\u00e3o, o p\u00f3 foi compartilhado com outras fam\u00edlias, causando a contamina\u00e7\u00e3o de cada vez mais pessoas.\u00a0<\/p>\n<p>O p\u00f3, \u00e0 primeira vista, apenas branco e fino, n\u00e3o parece ter nada de especial. Por\u00e9m, ele chamava aten\u00e7\u00e3o ao ser visto no escuro, emitindo uma luz azul forte.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/1ac0\/live\/e13be900-22de-11f1-9c64-25f36d76b36f.jpg.webp\" alt=\"Cena de Emerg\u00eancia Radioativa mostra personagem em ilumina\u00e7\u00e3o escura, com o rosto parcialmente vis\u00edvel e a boca entreaberta, enquanto pequenas part\u00edculas brilhantes \u2014 c\u00e9sio-137 \u2014 se espalham e reluzem na regi\u00e3o de seu pesco\u00e7o.\" \/><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4g7gex458no\"><span>Cena de\u00a0<\/span><i class=\"css-gj22v3\">Emerg\u00eancia Radioativa<\/i><\/a><span>, s\u00e9rie que reconta a trag\u00e9dia com c\u00e9sio-137 em Goi\u00e2nia\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a primeira identifica\u00e7\u00e3o de que se tratava de um material radioativo, funcion\u00e1rios da Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e m\u00e9dicos do hospital trabalharam intensamente no tratamento de v\u00edtimas e na conten\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, al\u00e9m das centenas de v\u00edtimas, o acidente causou <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/go\/goias\/noticia\/2026\/03\/24\/o-que-aconteceu-com-as-vitimas-do-cesio-137.ghtml\">quatro mortes diretamente da radia\u00e7\u00e3o<\/a>: Israel Batista dos Santos, Admilson Alves de Souza (que removeram o chumbo que continha o C\u00e9sio), Maria Gabriela Ferreira (a pessoa respons\u00e1vel por levar o material \u00e0 vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria e tentar impedir maiores contamina\u00e7\u00f5es) e Leide das Neves Ferreira (uma crian\u00e7a de 6 anos que faleceu por ter brincado e ingerido p\u00f3).<\/p>\n<p>Os rejeitos somam 6 toneladas de materiais radioativos e as v\u00edtimas sobreviventes ainda s\u00e3o monitoradas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/0567\/live\/986fc830-22df-11f1-934f-036468834728.jpg.webp\" alt=\"\u00c1rea externa de um ferro-velho com v\u00e1rios tambores met\u00e1licos amarelos espalhados pelo ch\u00e3o, enquanto pessoas usam roupas de prote\u00e7\u00e3o para manuse\u00e1-los; ao fundo, h\u00e1 um muro com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cO Ponto do Ferro Velho\u201d e \u00e1rvores ao redor, em uma opera\u00e7\u00e3o de descontamina\u00e7\u00e3o.\" \/><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4g7gex458no\"><span>Ferro-velho em Goi\u00e2nia de onde o c\u00e9sio-137 se espalhou<\/span><\/a><\/p>\n<h2>Bastidores<\/h2>\n<p>Atualmente, caso um acidente como o de Goi\u00e2nia ocorresse, a institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel seria a Autoridade Nacional de Seguran\u00e7a Nuclear (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ansn\/pt-br\">ANSN<\/a>), \u00f3rg\u00e3o regulador independente respons\u00e1vel pela regula\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a nuclear e radiol\u00f3gica no Brasil, criado em 29 de agosto de 2025.<\/p>\n<p>Quando a produ\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie iniciou os contatos para a consultoria t\u00e9cnica, no in\u00edcio de 2025, essas atribui\u00e7\u00f5es ainda eram exercidas pela CNEN. Por isso \u2014 e tamb\u00e9m porque, \u00e0 \u00e9poca do acidente, a institui\u00e7\u00e3o foi convocada a atuar \u2014, a equipe procurou seus pesquisadores para colaborar com a leitura do roteiro e prestar assessoria t\u00e9cnica ao longo da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe title=\"Emerg\u00eancia Radioativa | Trailer oficial | Netflix Brasil\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s0wVghg4vS4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ansn\/pt-br\/canais-de-atendimento\/assessoria-de-imprensa\">Ana Paula Freire Artaxo Netto<\/a>, atualmente coordenadora-geral de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da ANSN \u2013 na \u00e9poca, coordenadora de Comunica\u00e7\u00e3o Social da CNEN \u2013, foi quem assumiu, naquela institui\u00e7\u00e3o, o papel de interlocutora com os produtores. Ela comenta que o interesse na consultoria\u00a0 foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de um trabalho comprometido com o rigor t\u00e9cnico, em sua percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p><i>&#8220;Se voc\u00ea me perguntar: &#8216;Voc\u00ea tinha convic\u00e7\u00e3o de que a s\u00e9rie teria uma abordagem positiva?&#8217;, eu diria o seguinte: quando percebi o interesse da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o em contar com cientistas da CNEN para acompanhar o roteiro, fazer a leitura t\u00e9cnica e prestar consultoria, entendi que eles queriam construir um trabalho s\u00e9rio, comprometido com os fatos, e n\u00e3o uma narrativa sensacionalista.&#8221;<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Apesar da imagem positiva, a s\u00e9rie n\u00e3o deixa de retratar como o medo e a desconfian\u00e7a fizeram parte do cotidiano das pessoas, na \u00e9poca. Ana Paula destaca que as pessoas de Goi\u00e2nia foram muito discriminadas, todo o estado foi estigmatizado. Por conta disso, um dos pontos cruciais na crise foi um atendimento humanizado com as v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m comenta o sentimento amb\u00edguo de quem atuou no acidente. A resposta \u00e0 trag\u00e9dia de Goi\u00e2nia representou um marco para a CNEN e motivou, nos anos seguintes, a estrutura\u00e7\u00e3o de mecanismos permanentes de coordena\u00e7\u00e3o para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, constru\u00eddos a partir das li\u00e7\u00f5es aprendidas durante o pr\u00f3prio atendimento ao acidente.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 orgulho pelo trabalho realizado e pela forma como a equipe conseguiu conduzir uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, mesmo sem um plano pr\u00e9vio. Ao mesmo tempo, permanece a mem\u00f3ria dolorosa das mortes, do sofrimento das v\u00edtimas e das profundas marcas deixadas pelo acidente, resgatadas pela s\u00e9rie.<\/p>\n<h2>Goi\u00e2nia e Chernobyl<\/h2>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre Goi\u00e2nia e Chernobyl \u00e9 frequentemente feita, inclusive a s\u00e9rie reproduz o sentimento \u00e0 \u00e9poca: o medo constante de o acidente ser o \u201cnovo Chernobyl\u201d, ainda mais pela proximidade temporal \u2013 Chernobyl ocorreu cinco meses antes, em 26 de abril. Apesar disso, h\u00e1 fatos cruciais que diferenciam ambos:<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, trata-se de materiais radioativos distintos. O acidente de Chernobyl, ocorrido em 1986, envolveu a explos\u00e3o de um reator nuclear, que liberou diversos radionucl\u00eddeos no ambiente, entre eles o Ur\u00e2nio-238. J\u00e1 o acidente de Goi\u00e2nia envolveu exclusivamente uma fonte de C\u00e9sio-137 utilizada em radioterapia.<\/p>\n<p>A meia-vida \u00e9 um par\u00e2metro importante para compreender quanto tempo um material radioativo leva para reduzir sua radioatividade a n\u00edveis muito baixos. O C\u00e9sio-137 possui meia-vida de cerca de 30 anos. Isso significa que, a cada 30 anos, sua atividade radioativa e, consequentemente, a quantidade de n\u00facleos radioativos presentes, \u00e9 reduzida \u00e0 metade. J\u00e1 o ur\u00e2nio-238 possui meia-vida de aproximadamente 4,5 bilh\u00f5es de anos.\u00a0<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o da natureza do acidente e da variedade de radionucl\u00eddeos liberados, algumas \u00e1reas ao redor da usina de Chernobyl permanecer\u00e3o sob restri\u00e7\u00f5es de uso por muito tempo. No caso de Goi\u00e2nia, por envolver uma \u00fanica fonte radioativa que p\u00f4de ser localizada, removida e descontaminada, a recupera\u00e7\u00e3o ambiental foi significativamente mais r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a fundamental \u00e9 a classifica\u00e7\u00e3o dos eventos. Chernobyl foi um acidente nuclear, pois ocorreu em uma usina nuclear e envolveu danos ao reator, com libera\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de material radioativo para a atmosfera. J\u00e1 Goi\u00e2nia foi um acidente radiol\u00f3gico, causado pelo manuseio inadequado de uma fonte radioativa fora de uma instala\u00e7\u00e3o nuclear. Apesar dessa diferen\u00e7a, o acidente de Goi\u00e2nia \u00e9 reconhecido como o maior acidente radiol\u00f3gico do mundo ocorrido fora de uma usina nuclear.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/GMD1pcCfEc1E9rwueiUVAAFFJRI=\/0x0:1700x1065\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/E\/R\/hj0iqbRtSoK6wRtJeuBA\/copia-de-copia-de-copia-de-padrao-foto-g1-goias-16-.jpg\" alt=\"Pessoas passam por triagem e monitoramento de radia\u00e7\u00e3o durante atendimento no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico ap\u00f3s contamina\u00e7\u00e3o pelo C\u00e9sio 137 \u2014 Foto: Acervo\/O Popular\" \/><\/p>\n<div id=\"chunk-34ih1\">\n<div class=\"row medium-uncollapsed content-media content-photo\" data-block-type=\"backstage-photo\" data-block-id=\"17\">\n<div class=\" mc-column  content-media__container\">\n<p class=\"content-media__description  \"><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/go\/goias\/noticia\/2026\/04\/05\/cesio-137-foi-um-acidente-radioativo-ou-radiologico.ghtml\">Pessoas passam por triagem e monitoramento de radia\u00e7\u00e3o durante atendimento no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico ap\u00f3s contamina\u00e7\u00e3o pelo C\u00e9sio 137 \u2014 Foto: Acervo\/O Popular<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"chunk-45ofn\">\n<h2 class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"18\"><span style=\"color: revert;font-size: revert;font-weight: revert\">&#8220;Se n\u00e3o n\u00f3s, quem?&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<p>A repercuss\u00e3o da s\u00e9rie da Netflix motivou o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) a revisitar esse epis\u00f3dio hist\u00f3rico sob uma perspectiva pouco explorada: a dos pesquisadores e profissionais que atuaram diretamente na resposta \u00e0 emerg\u00eancia radiol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A iniciativa partiu do Servi\u00e7o de Comunica\u00e7\u00e3o Social (SECOS), que idealizou e produziu a s\u00e9rie documental &#8220;Se n\u00e3o n\u00f3s, quem?&#8221;.<\/p>\n<p><iframe title=\"Se n\u00e3o n\u00f3s, quem? | Trailer Oficial\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-0E3MOGlcOI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>As grava\u00e7\u00f5es ocorreram, em sua maior parte, nas instala\u00e7\u00f5es do IEN. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi a entrevista com o diretor da s\u00e9rie &#8220;Emerg\u00eancia Radioativa&#8221;, Fernando Coimbra, realizada na Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, estabelecendo um di\u00e1logo entre a produ\u00e7\u00e3o documental do instituto e a obra que despertou o interesse renovado pelo tema.<\/p>\n<p>Inicialmente concebido como um document\u00e1rio de 15 a 20 minutos, o projeto cresceu \u00e0 medida que os depoimentos e materiais reunidos revelavam a riqueza das hist\u00f3rias e experi\u00eancias dos participantes. O volume e a qualidade do conte\u00fado levaram \u00e0 decis\u00e3o de transformar a produ\u00e7\u00e3o em uma s\u00e9rie de tr\u00eas epis\u00f3dios, com aproximadamente 13 minutos cada, disponibilizados no <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TTfPr8v66Gc&amp;list=PLGv6JI5ar6sKEiE0UcVF1GJlJchlSSvh-\">canal do IEN no YouTube<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>Ao priorizar os relatos dos pr\u00f3prios participantes, o document\u00e1rio constr\u00f3i uma narrativa centrada na experi\u00eancia humana daqueles que estiveram na linha de frente da emerg\u00eancia. O resultado \u00e9 uma abordagem que valoriza o conhecimento t\u00e9cnico, o compromisso profissional e a responsabilidade dos especialistas envolvidos, contribuindo para romper estigmas associados ao acidente e reconhecer a atua\u00e7\u00e3o daqueles que impediram que a trag\u00e9dia alcan\u00e7asse propor\u00e7\u00f5es ainda maiores.<\/p>\n<h2>Reprise?<\/h2>\n<p>Ao final de maio, foi confirmado um pequeno <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia\/noticia\/2026\/06\/12\/tecnecio-99-o-que-e-o-material-radiativo-envolvido-em-incidente-na-usp-e-para-que-e-usado.ghtml\">vazamento de material radioativo na sede do Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (IPEN), unidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica da CNEN, localizada na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/a> Apesar de essa not\u00edcia nos causar um espanto em um primeiro momento, o acidente foi rapidamente contido, com possibilidades muito pequenas de se tornar um novo acidente radiol\u00f3gico nas propor\u00e7\u00f5es em que Goi\u00e2nia se tornou. Isso se d\u00e1 por dois principais motivos:<\/p>\n<ol>\n<li>O acidente da vez aconteceu com o elemento Tecn\u00e9cio, de massa 99. O Tecn\u00e9cio-99 tem meia-vida de 6 horas, em contraponto com o C\u00e9sio &#8211; 137, com meia-vida de cerca de 30 anos.<\/li>\n<li>O acidente ocorreu dentro de um instituto preparado para lidar com materiais radioativos. A instala\u00e7\u00e3o conta com profissionais capacitados para atuar na conten\u00e7\u00e3o do material e nos procedimentos de descontamina\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma realidade muito diferente da de 40 anos atr\u00e1s, quando o acidente de Goi\u00e2nia ocorreu em meio a resid\u00eancias, em um bairro residencial, favorecendo a ampla dissemina\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Finale<\/h2>\n<p>A arte desempenha um papel fundamental na preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. A mem\u00f3ria do acidente deve ser mantida em escolas, documentos, acervos, em conjunto com a arte, como uma maneira de, al\u00e9m de relembrar, educar e informar a maior quantidade poss\u00edvel de pessoas.<\/p>\n<p>Quando perguntada sobre a import\u00e2ncia em continuar trazendo o acidente \u00e0 tona, Ana Paula respondeu:<\/p>\n<blockquote>\n<p><i>&#8220;Manter viva a mem\u00f3ria do acidente \u00e9 uma forma de evitar que ele se repita. Quando preservamos essa lembran\u00e7a, refor\u00e7amos a import\u00e2ncia da seguran\u00e7a, da preven\u00e7\u00e3o e da cultura de prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, \u00e9 um gesto de respeito \u00e0s v\u00edtimas, aos familiares e a todos que tiveram suas vidas marcadas por essa trag\u00e9dia. O esquecimento enfraquece esse aprendizado coletivo. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante que o acidente de Goi\u00e2nia continue sendo lembrado: para honrar quem sofreu suas consequ\u00eancias e para que as li\u00e7\u00f5es deixadas por ele nunca sejam perdidas.&#8221;<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A s\u00e9rie, portanto, revive o acidente de uma maneira a conscientizar e relembrar parte da hist\u00f3ria desse pa\u00eds e manter a mem\u00f3ria sempre viva.<\/p>\n<p><i>Dedicado aos f\u00edsicos, qu\u00edmicos e m\u00e9dicos que atuaram no acidente, \u00e0s v\u00edtimas fatais e aos sobreviventes, que carregam as marcas do c\u00e9sio para sempre. &#8211; Emerg\u00eancia Radioativa, epis\u00f3dio 5.<\/i><\/p>\n<h2>Ultima dica:<\/h2>\n<p>Ali\u00e1s, se o acidente acontecesse hoje, no seu bairro, voc\u00ea saberia se proteger? A partir da conversa com a Ana Paula, elaboramos um guia do que fazer caso voc\u00ea suspeite que esteja contaminado com radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"205\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-1024x205.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-191\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-1024x205.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-300x60.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-768x154.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-1536x307.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-500x100.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-800x160.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-1280x256.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1-1920x384.png 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/Infografico-radiacao-1.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acidente com C\u00e9sio-137 em Goi\u00e2nia, em 1987, marcou a hist\u00f3ria do Brasil e continua sendo refer\u00eancia em seguran\u00e7a radiol\u00f3gica. A partir da s\u00e9rie Emerg\u00eancia Radioativa, da Netflix, o document\u00e1rio Se n\u00e3o n\u00f3s, quem?, do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), resgata a atua\u00e7\u00e3o dos profissionais que enfrentaram a crise, destaca as li\u00e7\u00f5es deixadas pelo desastre e refor\u00e7a a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria, da preven\u00e7\u00e3o e da cultura de prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica.<\/p>\n","protected":false},"author":786,"featured_media":190,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[34,31],"tags":[50,54,49,56,53,55,52],"class_list":["post-179","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-divulgacao-cientifica","category-jornalismo","tag-cesio-137","tag-cnem","tag-emergencia-radiotiva","tag-goiania","tag-ien","tag-material-radioativo","tag-se-nao-nos-quem"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/07\/2bdef2687e7c4c091290f6e7064c1d7e-full.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/users\/786"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=179"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":192,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179\/revisions\/192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/media\/190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}