{"id":271,"date":"2026-09-01T15:26:42","date_gmt":"2026-09-01T18:26:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/?p=271"},"modified":"2026-09-01T15:26:43","modified_gmt":"2026-09-01T18:26:43","slug":"o-plastico-que-nao-vemos-e-a-quimica-ajudando-a-encontra-lo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/2026\/09\/01\/o-plastico-que-nao-vemos-e-a-quimica-ajudando-a-encontra-lo\/","title":{"rendered":"O pl\u00e1stico que n\u00e3o vemos e a qu\u00edmica ajudando a encontr\u00e1-lo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Em algum momento nos \u00faltimos anos, voc\u00ea deve ter se deparado com a palavra \u201cmicropl\u00e1sticos\u201d. Voc\u00ea pode imaginar que eles v\u00eam de objetos de pl\u00e1sticos (o que n\u00e3o \u00e9 totalmente falso), mas e depois? O que acontece com eles?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">\u00c9 nesse contexto que surge o trabalho de mestrado de Anne, aluna da <a href=\"https:\/\/www.unb.br\/\">Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/a>.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><b>Sobre a autoria<\/b><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9875655220768064\">Anne Santos de Almeida<\/a> realizou seu mestrado de 2024 a 2026 no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Qu\u00edmica da UnB, tendo defendido a disserta\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo \u201cIdentifica\u00e7\u00e3o e Classifica\u00e7\u00e3o de Micropl\u00e1sticos no Lago Parano\u00e1 via Caracteriza\u00e7\u00e3o Qu\u00edmica e An\u00e1lise Multivariada\u201d. Ela fazia parte do grupo de pesquisa <a href=\"https:\/\/aqqua.unb.br\/\">AQQUA: Grupo de Automa\u00e7\u00e3o, Quimiometria e Qu\u00edmica Ambiental<\/a>, orientada pelo professor <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1505814835374901\">Jez Willian Batista Braga<\/a> &#8211; membro do INCT &#8211; e coorientada pelo professor <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5464023129390042\">Fernando Fabriz Sodr\u00e9<\/a>.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Seu interesse no projeto surge a partir da vontade de unir a metodologia e conceitos de quimiometria com a curiosidade no estudo de qu\u00edmica ambiental. Anne destaca que via necessidade em se trabalhar com t\u00e9cnicas anal\u00edticas minuciosas e detalhistas, uma vez que havia o interesse em, al\u00e9m de identificar, classificar os diferentes micropl\u00e1sticos encontrados.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><b>A pesquisa<\/b><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">A pesquisa se inicia no Lago Parano\u00e1, localizado em Bras\u00edlia e formado pelo rio de mesmo nome. Ele \u00e9 um dos reservat\u00f3rios mais relevantes para abastecimento p\u00fablico da capital e, infelizmente, foi alvo de contamina\u00e7\u00e3o devido aos micropl\u00e1sticos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Os micropl\u00e1sticos encontrados eram bem diversos; por isso a necessidade de identificar e classific\u00e1-los. Em termos gerais, entendemos um micropl\u00e1stico como uma part\u00edcula de pl\u00e1stico com menos de 5 mm de di\u00e2metro e eles geralmente se originam porque s\u00e3o produzidos para serem desse tamanho (chamados de prim\u00e1rios, como o glitter, por exemplo), ou por fragmenta\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos maiores (chamados de secund\u00e1rios).<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Apesar do tamanho pequeno, algumas t\u00e9cnicas de qu\u00edmica anal\u00edtica foram capazes de identificar as part\u00edculas existentes. Mas, nem sempre o percurso cient\u00edfico \u00e9 perfeito (na verdade, na grande maioria das vezes n\u00e3o \u00e9); Anne nos conta como foi encontrar o m\u00e9todo adequado para sua pesquisa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">\u201cAqui [na UnB] tem muita parceria com as pol\u00edcias, seja pol\u00edcia civil, pol\u00edcia federal, porque eles tamb\u00e9m t\u00eam muito equipamento. E eu cheguei a ir na Pol\u00edcia Federal testar um micro-Raman que eles t\u00eam.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Aqui, ela se refere \u00e0 espectroscopia micro-Raman, que consiste na jun\u00e7\u00e3o de um microsc\u00f3pio \u00f3ptico com um espectr\u00f4metro Raman. O microsc\u00f3pio amplia a imagem a ser visualizada e o espectr\u00f4metro dispara uma luz <\/span><i><span style=\"font-weight: 500\">laser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500\"> sobre a amostra. A partir da maneira como a luz se comporta e dos desvios que apresenta, o aparelho \u00e9 capaz de determinar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do que \u00e9 analisado.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Entretanto, esse primeiro aparelho quebrou uma semana ap\u00f3s as primeiras medidas, ent\u00e3o, Anne teve que mudar a maneira como iria trabalhar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">\u201cO principal [equipamento] que se usa para micropl\u00e1stico \u00e9 o micro-FTIR, porque o infravermelho pega melhor a parte de pol\u00edmeros de compostos org\u00e2nicos. E a\u00ed tinha um desses dispon\u00edvel na Pol\u00edcia Civil [do Distrito Federal] e uma outra aluna de mestrado do Jez, meu orientador, j\u00e1 trabalhava com ele. Falei: \u201cent\u00e3o vamos testar justamente ele&#8221;. <\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">Ent\u00e3o, a gente ajustou alguns par\u00e2metros, teve um tempo ali de tentar achar qual que era o melhor modo de aquisi\u00e7\u00e3o, qual era o melhor formato, se [iria fazer] an\u00e1lise pontual, se fazer varredura, tempo, gasto de consum\u00edvel e tudo mais. Ent\u00e3o, teve um tempo para tentar adaptar isso. <\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">E a\u00ed depois come\u00e7aram os testes assim, n\u00e9, tentativa e erro de qual [amostra] que a gente pega primeiro e era um modelo que a gente cria o foco, porque assim, t\u00eam equipamentos hoje em dia que fazem isso de forma autom\u00e1tica, mas n\u00e3o era o nosso equipamento que fazia. Ent\u00e3o eu tinha que criar primeiro um banco de refer\u00eancia, eu precisava ter padr\u00f5es de pl\u00e1stico de v\u00e1rios tipos para criar o meu modelo e a\u00ed depois fazer na minha amostra e tentar classificar o que tinha na minha amostra com base nos meus padr\u00f5es de refer\u00eancia.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">A grande diferen\u00e7a entre o micro-Raman e o micro-FTIR \u00e9 a luz utilizada; enquanto o primeiro utiliza a luz <\/span><i><span style=\"font-weight: 500\">laser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500\">, o segundo utiliza espectro de infravermelho. Al\u00e9m disso, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 500\">laser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500\"> \u00e9 utilizado de maneira a verificar o espalhamento da luz, enquanto o infravermelho \u00e9 utilizado para ser absorvido pela amostra. Uma vez absorvido, a mol\u00e9cula libera um espectro infravermelho que revela caracter\u00edsticas da amostra, que atuam de maneira que \u00e9 comparada a uma \u201cimpress\u00e3o digital da amostra\u201d. \u00c9 uma t\u00e9cnica amplamente utilizada na qu\u00edmica forense.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">O infravermelho \u00e9 uma onda fora do espectro da luz vis\u00edvel, como o ultravioleta, por exemplo. Ele est\u00e1 presente no nosso cotidiano em controles remotos, ar condicionados, leitores de c\u00f3digo de barra e mais diversos outros aparelhos eletr\u00f4nicos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><b>E os resultados?<\/b><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_7799-768x1024-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-274\" style=\"aspect-ratio:0.7500104075600517;width:339px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_7799-768x1024-1.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_7799-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_7799-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_7799-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_7799-1280x1707.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_7799-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Amostra dos pl\u00e1sticos. Acervo de Anne.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Infelizmente, foram encontrados alguns tipos de pl\u00e1stico no lago. Os principais foram: polipropileno, polietileno, poliamida e PET. O polipropileno \u00e9 um pl\u00e1stico utilizado em potes para alimentos, baldes, bacias, cadeiras de pl\u00e1stico, mas tamb\u00e9m tem seu uso destacado em seringas descart\u00e1veis \u2013 essa informa\u00e7\u00e3o se destaca porque o lago fica pr\u00f3ximo a um centro de sa\u00fade na cidade, que suspeita-se que pode ser uma fonte de contamina\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a \u00fanica. O polietileno \u00e9 muito utilizado em sacolas pl\u00e1sticas, embalagens, garrafas e at\u00e9 embalagens industriais. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">A poliamida \u00e9 usada, principalmente, na ind\u00fastria t\u00eaxtil, para roupas de secagem r\u00e1pida ou roupas \u00edntimas e de banho. E, por fim, o PET, \u00e9 conhecido por compor as garrafas pl\u00e1sticas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 500\"><strong>E a pergunta que n\u00e3o quer calar \u00e9: e qual \u00e9 o problema com estes micropl\u00e1sticos?<\/strong><\/span><\/h3>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">\u201c\u00c0s vezes a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem s\u00f3 o pol\u00edmero em si, mas porque o pl\u00e1stico \u00e9 muito carregado de aditivo, retardante de chama, plastificante, corante. Tem v\u00e1rios aditivos na fabrica\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Uns para deixar mais mole e uns para deixar mais dur\u00e1vel, de modo geral. E a\u00ed tem muitos estudos na parte de o que isso pode ou n\u00e3o interferir, n\u00e9? Seja no meio ambiente, seja no ecossistema de modo geral, seja no nosso corpo, se pode ou n\u00e3o interferir, o que isso pode ou n\u00e3o transportar, o que que isso pode ou n\u00e3o liberar. <\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">Porque assim, uma das coisas que eu falo \u00e9 que enquanto a gente procurar micropl\u00e1stico, a gente vai achar. Onde quer que a gente procure, a gente vai achar. Teve um estudo da USP recentemente que ganhou muita fama que eles acharam no c\u00e9rebro humano. Tem uns que eu n\u00e3o lembro se era de fora ou brasileiro, que acharam na placenta. Ent\u00e3o j\u00e1 se estuda o transporte via vertical, n\u00e9, m\u00e3e e beb\u00ea. Tem alguns estudos, por exemplo, que falam que do jeito que voc\u00ea consome [indiretamente], voc\u00ea excreta ele e pode ser que ele n\u00e3o cause interfer\u00eancia, ou pode ser que ele s\u00f3 cause em um aspecto f\u00edsico. <\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">Por exemplo, na gente, ser humano pode n\u00e3o causar tanto impacto, mas num microorganismo muito pequeno tem um entupimento f\u00edsico do pr\u00f3prio sistema. Mas tem outros [estudos] que falam: &#8220;Tudo bem, o problema em si talvez n\u00e3o seja o pol\u00edmero, mas os aditivos e a\u00ed quando ele encontra determinada condi\u00e7\u00e3o, seja de pH, de ambiente, pode ser que ele comece a liberar os aditivos. E a\u00ed quando a gente tem uma part\u00edcula muito pequena, o grande problema \u00e9 que ela fica ainda mais f\u00e1cil de ser contaminada, porque ela tem uma f\u00e1cil dispers\u00e3o no ambiente.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">O maior problema, ent\u00e3o, segundo a pesquisadora, s\u00e3o os demais reagentes adicionados aos pl\u00e1sticos. Por\u00e9m, as pesquisas ainda s\u00e3o iniciais; segundo o levantamento feito por Anne, as pesquisas sobre micropl\u00e1sticos teve um grande aumento de 2019 para c\u00e1. A boa not\u00edcia \u00e9 que ainda n\u00e3o t\u00eam riscos confirmados sobre essa ingest\u00e3o; a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es sobre os riscos <\/span><i><span style=\"font-weight: 500\">ainda<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500\">.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Antes que voc\u00ea se pergunte se a melhor alternativa, ent\u00e3o, seria acabarmos com todo (ou pelo menos a maior parte) o consumo de pl\u00e1stico, Anne traz uma resposta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">\u201cTem um professor que eu gosto muito, da UFSCar, o professor <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0616238673458322\">Walter [Ruggeri Waldman]<\/a>, que ele fala muito sobre isso [a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico]. E ano passado eu fui na <a href=\"https:\/\/www.sbq.org.br\/reunioes-anuais\/\">[RA]SBQ [Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica]<\/a>, ele deu um workshop sobre porque a gente n\u00e3o consegue mais como humanidade. \u00c9 muito impressionante porque a gente se adaptou muito r\u00e1pido ao pl\u00e1stico, n\u00e9? Ele \u00e9 ali do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Ent\u00e3o tem pouco mais de 100 anos que a gente t\u00e1 acostumado com pl\u00e1stico. S\u00f3 que a gente se acostumou muito r\u00e1pido com ele. E existe uma certa seguran\u00e7a tamb\u00e9m que o pl\u00e1stico trouxe, sabe? Seguran\u00e7a sanit\u00e1ria. Tipo assim, as seringas hoje s\u00e3o de pl\u00e1stico, s\u00e3o descart\u00e1veis, o que \u00e9 muito bom, porque imagina voc\u00ea vai no hospital tirar sangue e fazer um exame e a seringa \u00e9 reutilizada, sabe? <\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">Ent\u00e3o, trouxe comodidade, claro, mas tamb\u00e9m trouxe muita seguran\u00e7a e muito ganho em outros aspectos. Materiais que eram de madeira, agora s\u00e3o de pl\u00e1stico, voc\u00ea ganha em peso, em capacidade de transporte, ent\u00e3o economicamente tamb\u00e9m faz muito sentido. Ent\u00e3o hoje, a gente como humanidade n\u00e3o consegue viver sem o pl\u00e1stico. N\u00e3o existe esse mundo de \u201cvamos parar de produzir, parar de consumir o pl\u00e1stico hoje, porque a gente poluiu j\u00e1 demais o mundo\u201d, ent\u00e3o n\u00e3o existe mais esse cen\u00e1rio, a gente tem que se adaptar ao uso dele. E n\u00e3o s\u00f3 de reciclagem que a gente fala hoje, mas o termo que t\u00e1 muito se usando \u00e9 o termo de circularidade, que \u00e9 basicamente: mesmo que voc\u00ea consuma o pl\u00e1stico, n\u00e3o deixar aquilo ali necessariamente sair da cadeia produtiva pra sempre virar res\u00edduo, sempre ser descartado. <\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><i><span style=\"font-weight: 500\">Ent\u00e3o, por mais que ele tenha sido usado, ele seria reutilizado desde o processo de fabrica\u00e7\u00e3o, fazendo uma economia circular para outra finalidade. A grande quest\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a isso tamb\u00e9m \u00e9 econ\u00f4mica, \u00e0s vezes \u00e9 mais caro voc\u00ea reciclar o pl\u00e1stico do que voc\u00ea fazer um novo. Ent\u00e3o tem empresas que n\u00e3o v\u00e3o olhar como uma um ganho, porque n\u00e3o existe o ganho financeiro. Mas no quesito de se adaptar ao uso dele, a circularidade hoje, economia circular \u00e9 o que mais tem ganhado for\u00e7a.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><b>E agora, Anne?<\/b><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Anne agora sai das \u00e1guas de Bras\u00edlia para se aventurar nas \u00e1guas do estado de S\u00e3o Paulo. Seu interesse por micropl\u00e1sticos continua, mas, no doutorado, com a adi\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise de agrot\u00f3xicos e outros contaminantes emergentes em sua pesquisa. Seu doutorado ser\u00e1 realizado no <a href=\"https:\/\/www.iqm.unicamp.br\/\">Instituto de Qu\u00edmica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)<\/a>.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 500\">Anne acredita que pesquisas sobre micropl\u00e1sticos podem auxiliar na compreens\u00e3o desse tipo de polui\u00e7\u00e3o e para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas. Com isso, almejar\u00edamos melhorar o tratamento de \u00e1gua, incentivar a pr\u00e1tica da economia circular e fomentar mais pr\u00e1ticas de pesquisa dessa natureza<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amato-Louren\u00e7o LF, Dantas KC, J\u00fanior GR, Paes VR, Ando RA, de Oliveira Freitas R, da Costa OMMM, Rabelo RS, Soares Bispo KC, Carvalho-Oliveira R, Mauad T. Microplastics in the Olfactory Bulb of the Human Brain. JAMA Netw Open. 2024 Sep 3;7(9):e2440018. doi: 10.1001\/jamanetworkopen.2024.40018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ragusa A, Svelato A, Santacroce C, Catalano P, Notarstefano V, Carnevali O, Papa F, Rongioletti MCA, Baiocco F, Draghi S, D&#8217;Amore E, Rinaldo D, Matta M, Giorgini E. Plasticenta: First evidence of microplastics in human placenta. Environ Int. 2021 Jan;146:106274. doi: 10.1016\/j.envint.2020.106274.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ATN, Ha Y, Kwon JH. Leaching of microplastic-associated additives in aquatic environments: A critical review. Environ Pollut. 2022 Jul 15;305:119258. doi: 10.1016\/j.envpol.2022.119258.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa de Anne Santos de Almeida, da UnB, investiga micropl\u00e1sticos no Lago Parano\u00e1, identificando polipropileno, polietileno, poliamida e PET por meio de t\u00e9cnicas de qu\u00edmica anal\u00edtica e quimiometria. O estudo aborda os poss\u00edveis impactos dos micropl\u00e1sticos e seus aditivos no meio ambiente e na sa\u00fade, al\u00e9m da import\u00e2ncia da economia circular. No doutorado na Unicamp, Anne amplia a pesquisa para micropl\u00e1sticos, agrot\u00f3xicos e outros contaminantes emergentes.<\/p>\n","protected":false},"author":786,"featured_media":276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[86,88,85,83,89,69,84,87,68],"class_list":["post-271","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jornalismo","tag-brasilia","tag-contaminacao","tag-lago-paranoa","tag-microplasticos","tag-poluicao","tag-quimica","tag-quimiometria","tag-reservatorios","tag-seguranca"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-content\/uploads\/sites\/306\/2026\/08\/IMG_87331.jpg-scaled.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/users\/786"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=271"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":280,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/271\/revisions\/280"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/media\/276"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/inctbiolk\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}