{"id":2846,"date":"2026-08-09T18:52:43","date_gmt":"2026-08-09T21:52:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/?p=2846"},"modified":"2026-08-11T09:58:45","modified_gmt":"2026-08-11T12:58:45","slug":"o-ponto-de-vista-de-quem-pratica-a-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/o-ponto-de-vista-de-quem-pratica-a-arte\/","title":{"rendered":"O ponto de vista de quem pratica a Arte"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong>Sou uma Artista da Dan\u00e7a e quando eu iniciei minha forma\u00e7\u00e3o em pesquisa do doutorado, a pergunta que mais me inquietava era: \u201ccomo os conhecimentos que constru\u00ed ao dedicar anos de estudos nas Artes C\u00eanicas, especialmente Dan\u00e7a, ser\u00e3o o ponto de partida para a constru\u00e7\u00e3o do pensamento da tese?\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Minha porta de entrada \u00e0 pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica foi uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica sobre <em>etnografia e<\/em> <em>dan\u00e7a<\/em>, na qual cheguei at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de Sylvie Fortin, estudiosa que esteve no meio art\u00edstico profissional em Montreal, como int\u00e9rprete em dan\u00e7a e muito cedo tornou-se professora do Departamento de Dan\u00e7a na UQAM.<\/p>\n<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2850\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/DSC00659-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acervo pessoal Mar\u00edlia Carneiro. Montreal, 2013.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p>Fortin realiza estudos que s\u00e3o refer\u00eancia internacional sobre a sa\u00fade dos bailarinos, a educa\u00e7\u00e3o som\u00e1tica e a dan\u00e7a contempor\u00e2nea, e metodologia de pesquisa em artes em geral e em dan\u00e7a em particular, especialmente a etnografia das pr\u00e1ticas art\u00edsticas. Alguns de seus artigos foram introduzidos no Brasil pela via da tradu\u00e7\u00e3o (Fortin, 1999; Fortin, 2009) e a refer\u00eancia ao seu trabalho por interm\u00e9dio de Monica Dantas (2008) e Suzane Weber (2010), ambas do Rio Grande do Sul, dan\u00e7arinas que fizeram seus doutorados no DEPA, pelo privil\u00e9gio da bolsa de estudos de doutorado pleno no exterior da CAPES.\u00a0<\/p>\n<p>Em 1997, Fortin e outros professores criaram o <em>Doctorat en \u00e9tudes et pratiques des arts<\/em>, programa que re\u00fane os Departamentos de Dan\u00e7a, Teatro, M\u00fasica, Artes visuais e midi\u00e1ticas, Design e Hist\u00f3ria da Arte, com o objetivo de permitir aos artistas ingressantes na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o desenvolverem um discurso sobre a pr\u00e1tica da arte de um ponto de vista de praticante. Os estudantes s\u00e3o admitidos no programa com base em suas experi\u00eancias enquanto artistas. Nomeada de <em>recherche en pratique artistique<\/em>, literalmente, pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica, os esfor\u00e7os de delimita\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do tipo de pesquisa que comporta est\u00e3o sendo feitos a partir da experi\u00eancia de acompanhar os artistas na defini\u00e7\u00e3o de seus problemas de pesquisa, suas escolhas metodol\u00f3gicas, bem como na escrita e na defesa das teses, que no DEPA podem ser de tr\u00eas tipos \u2013 tese pesquisa, tese cria\u00e7\u00e3o e tese interven\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0400.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2852\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0400.jpg 960w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0400-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0400-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0400-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0400-800x600.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acervo pessoal de Mar\u00edlia Carneiro. Esquemas de pensamento em processo, Montreal, 2012-2013.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h3>Qual a diferen\u00e7a?<\/h3>\n<p>A caracter\u00edstica importante da pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica \u00e9 a natureza da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o profissional do pesquisador. Ela \u00e9 realizada por pessoas imersas na pr\u00e1tica da arte e n\u00e3o por outras pessoas. Este pressuposto \u00e9 novo, seja no sistema educacional do Canad\u00e1 (Fortin &amp; Gosselin, 2014), do Brasil (Katz, 2012), da Inglaterra (Pakes, 2003) e bem outros que desconhe\u00e7o. A conceitua\u00e7\u00e3o, como n\u00e3o poderia deixar de ser, \u00e9 <em>\u201ccontest\u00e1vel, provis\u00f3ria, local, relativa, condicional e conjectural\u201d<\/em> (Fortin &amp; Gosselin, 2014, p.2). Apenas com o passar do tempo o exame do que ter\u00e1 sido produzido pelos artistas na academia poder\u00e1 ajudar a compreendermos o processo desencadeado pela explicita\u00e7\u00e3o do ponto de vista do praticante da arte em termos de pesquisa acad\u00eamica (Fortin, 2006, p.107; Fortin &amp; Gosselin, 2014).<\/p>\n<p>Gosselin alerta que\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<blockquote>\n<p>Dizer que uma das caracter\u00edsticas importantes da pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica est\u00e1 no fato de que ela \u00e9 realizada por praticantes de arte pode parecer um pouco banal se n\u00e3o definirmos verdadeiramente em que isto implica. De fato, esta caracter\u00edstica \u00e9 de grande import\u00e2ncia, pois ela precisa o ponto de vista a partir do qual o discurso \u00e9 elaborado. Com o surgimento do construtivismo e da pesquisa qualitativa, toma-se cada vez mais consci\u00eancia da import\u00e2ncia para o pesquisador de ser preciso quanto ao ponto de vista a partir do qual ele aborda o objeto de seu estudo. Que ele seja motivado pelo desejo de falar da pr\u00e1tica art\u00edstica, das obras ou de qualquer outro objeto, \u00e9 tendo em conta seu ponto de vista particular de praticante que o pesquisador em pr\u00e1tica art\u00edstica dever\u00e1 faz\u00ea-lo. O discurso resultante de sua pesquisa dever\u00e1 traduzir o ponto de vista que lhe \u00e9 pr\u00f3prio. E para isto, \u00e9 preciso encontrar sua voz. Encontrar sua voz \u00e9, ao meu ver, o desafio que se imp\u00f5e atualmente ao praticante da pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica. (GOSSELIN, 2006, p.30).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica \u00e9 derivada do movimento de teoriza\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o (SCHON, 1994; CLANDININ &amp; CONNELLY, 1996) que aconteceu em diversos dom\u00ednios profissionais, <em>\u201cse podemos conceber a pr\u00e1tica art\u00edstica como uma pr\u00e1tica profissional\u201d, <\/em>mas no plano funcional, ela resta diferente, pois\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<blockquote>\n<p>no trabalho de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica os processos subjetivos do pensamento, qualificados como \u201cexperienciais\u201d (Noy, 1979; Gosselin, 2011) s\u00e3o particularmente postos a contribuir. O que n\u00e3o significa que os processos objetivos, qualificados como \u201cconceituais\u201d (idem) a\u00ed n\u00e3o sejam solicitados. Eles participam do trabalho de cria\u00e7\u00e3o, mas suas contribui\u00e7\u00f5es diferem daquela que se observa em outras pr\u00e1ticas profissionais. (Gosselin, 2006, p.27).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disto, na mesma dire\u00e7\u00e3o, ao ingressarem na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, onde o processo de trabalho resulta normalmente em textos que convidam a uma leitura convergente, a experi\u00eancia do DEPA indica que muitas vezes os artistas experimentam um momento de desconforto diante da sensa\u00e7\u00e3o de dualidade cria\u00e7\u00e3o-pesquisa, como se o <em>savoir faire<\/em> que ele tem enquanto artista n\u00e3o fosse \u00fatil \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da pesquisa acad\u00eamica (Fortin &amp; Gosselin, 2014). Os artistas no ambiente acad\u00eamico podem e devem continuar a investir na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, que n\u00e3o resta diferente da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica fora da Universidade, no entanto, estando na Universidade, devem investir tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o de obras discursivas convergentes, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"193\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/Screenshot-2026-08-09-at-18.27.07-1024x193.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2855\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/Screenshot-2026-08-09-at-18.27.07-1024x193.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/Screenshot-2026-08-09-at-18.27.07-300x57.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/Screenshot-2026-08-09-at-18.27.07-768x145.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/Screenshot-2026-08-09-at-18.27.07-500x94.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/Screenshot-2026-08-09-at-18.27.07-800x151.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/Screenshot-2026-08-09-at-18.27.07.png 1151w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotoprint de acervo de v\u00eddeos de ensaios na <em>\u00c1gora de la Danse<\/em>, Montreal, 2012-2013.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p>O artista, fora dos muros da universidade, est\u00e1 envolvido em processos que resultam em obras que convidam a interpreta\u00e7\u00f5es divergentes \u2013 as obras de arte, de natureza simb\u00f3lica e poliss\u00eamica. Quando est\u00e1\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>plenamente engajado em sua pr\u00e1tica de cria\u00e7\u00e3o, frequentemente experimenta um sentimento de aceder a um tipo particular de conhecimento. Ele se sente \u201cconhecedor\u201d. No entanto, criando, ele n\u00e3o busca necessariamente compreender e traduzir este conhecimento que emerge repentinamente em sua consci\u00eancia. (GOSSELIN, 2006, p. 22)\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A ci\u00eancia como produ\u00e7\u00e3o disciplinada do conhecimento (MARQUES, 2001, p. 91-120; FABIAN, 2006), envolvendo uma aten\u00e7\u00e3o distinta e demorada sobre um tema delimitado, tamb\u00e9m \u00e9 lugar do ato de cria\u00e7\u00e3o, tanto quanto o \u00e9 o fazer art\u00edstico e o filos\u00f3fico (VIEIRA, s\/d). Hemi Ress (2005) anuncia que a tese, definida pela Unicamp como <em>\u201ctrabalho supervisionado que resulte em contribui\u00e7\u00e3o original e inovadora em determinada \u00e1rea do conhecimento\u201d<\/em> \u00e9 uma obra de arte. Vieira (2009), no texto <em>O ato de cria\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia e na arte<\/em> diferencia cada um dos atos de cria\u00e7\u00e3o tendo em vista as formas de conhecimento enfatizadas.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Tirar proveito dos m\u00e9todos?<\/strong><\/h3>\n<p>Tal particularidade, segundo Gosselin (2006), permite que os que fazem pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica busquem tirar proveito, em seus m\u00e9todos de realizar as etapas da pesquisa acad\u00eamica, de uma imers\u00e3o num modo de fazer que utiliza processos cognitivos experienciais e conceituais de forma particular. O modo de fazer a obra de arte \u00e9 convidado a produzir um outro tipo de obra, a tese. Fortin (2006) convida os praticantes da arte em atividade de pesquisa, os pesquisadores em pr\u00e1tica art\u00edstica, a estabelecerem uma analogia entre <em>\u201ca manipula\u00e7\u00e3o criativa dos materiais da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e a manipula\u00e7\u00e3o n\u00e3o menos criativa dos materiais da produ\u00e7\u00e3o textual\u201d<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>Em outras universidades, evidentemente, h\u00e1 tamb\u00e9m o debate e o desenvolvimento de propostas sobre as especificidades metodol\u00f3gicas que teriam a pesquisa acad\u00eamica realizada pelo praticante da arte (PAKES, 2003, KATZ, 2012). Para citar algumas metodologias nomeadas: <em>Arts-based research <\/em>(FINLEY, 2008) e A\/r\/tography (tamb\u00e9m no Canad\u00e1, na Columbia Brit\u00e2nica). No Brasil, Helena Katz (2012), cr\u00edtica e pesquisadora de Dan\u00e7a, professora do curso de Artes do Corpo da PUC S\u00e3o Paulo, nos \u00faltimos anos preocupou-se tamb\u00e9m pelas especificidades que a inser\u00e7\u00e3o de um artista da dan\u00e7a na academia faria com as pesquisas cient\u00edficas, sugerindo que poderiam realizar <em>projetos art\u00edsticos acad\u00eamicos<\/em>, cuja preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m recairia mais sobre a metodologia do que sobre o objeto de pesquisa (qual seja), sinalizando que o modelo de projeto deste tipo ainda n\u00e3o est\u00e1 definido no pa\u00eds. <span style=\"font-weight: 400\">Katz (2012) sugere, para iniciar a conversa, que a abdu\u00e7\u00e3o, a partir da obra de Charles Pierce, poderia ser um m\u00e9todo do trabalho do artista em pesquisa acad\u00eamica, devido sua aproxima\u00e7\u00e3o aos modos de trabalhar que os mesmos experimentam quando est\u00e3o sendo artistas n\u00e3o pesquisadores acad\u00eamicos. A abdu\u00e7\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo de trabalho intelectual de Sherlock Holmes.<\/span><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"960\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0419-rotated.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2877\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0419-rotated.jpg 720w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0419-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0419-500x667.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acervo pessoal Mar\u00edlia Carneiro, 2012.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fortin &amp; Gosselin (2014) questionam a necessidade da formula\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de um referencial paradigm\u00e1tico<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> aut\u00f4nomo \u00e0 Arte sugerindo que a grande variedade de proposi\u00e7\u00f5es feitas desde o paradigma p\u00f3s-positivista podem talvez ser suficientes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O convite \u00e9 \u00e0 bricolagem metodol\u00f3gica (Fortin, 2006), que \u00e9 a montagem de uma abordagem metodol\u00f3gica h\u00edbrida (ou paisagem metodol\u00f3gica) (Bruneau, 2007) a partir do estudo de proposi\u00e7\u00f5es vindas de horizontes m\u00faltiplos, por exemplo, uma coleta etnometodol\u00f3gica (trabalho de campo etnogr\u00e1fico) que comporta a produ\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas anal\u00edticas criativas em meio a uma an\u00e1lise heur\u00edstica, com o objetivo de descrever e compreender algo (o objeto).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os autores localizam a pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica no paradigma p\u00f3s-positivista, no qual a realidade \u00e9 tida como subjetiva e m\u00faltipla. De minha parte, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hip\u00f3tese da realidade ser subjetiva, vou me posicionar a partir do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">objetivismo realista cr\u00edtico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, explicado abaixo nas palavras de Vieira (2009) por ocasi\u00e3o de uma confer\u00eancia a m\u00fasicos:\u00a0<\/span><\/p>\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando eu digo isto, obviamente, eu estou partindo de um pressuposto da teoria do conhecimento que \u00e9 um pressuposto objetivista: a realidade existe. Alguns idealistas extremados podiam achar que n\u00e3o, mas eu estou me referindo aqui como um objetivista, ou seja, eu acredito numa certa import\u00e2ncia do objeto de estudo. Realista, eu admito objetos reais al\u00e9m dos ideias, mas cr\u00edtico, ou seja, n\u00e3o sou ing\u00eanuo o suficiente de achar que a realidade me \u00e9 dada. Pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 extremamente dif\u00edcil de ser atingida. Ent\u00e3o isto \u00e9 uma forma de realismo cr\u00edtico. (VIEIRA, 2009, p. 14-15)<br>\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas concordo que o pesquisador \u00e9 parte da realidade, sendo o instrumento prim\u00e1rio que produz os achados, de forma que seus valores pessoais est\u00e3o intr\u00ednsecos, sendo desej\u00e1vel a contextualiza\u00e7\u00e3o, explicitando-se os pontos de vista de onde se fala.<\/span><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"960\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0761-rotated.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2857\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0761-rotated.jpg 720w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0761-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/IMG_0761-500x667.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acervo pessoal de Mar\u00edlia Carneiro. Estudos na bibiloteca da UQAM, Montreal, 2012-2013.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<blockquote>\n<p><span style=\"color: #808080\">Este texto \u00e9 um breve trecho da minha tese de doutorado (Carneiro, 2016) e sua publica\u00e7\u00e3o hoje faz parte do Projeto Monstro, um projeto de comunica\u00e7\u00e3o que estou realizando como parte dos exerc\u00edcios propostos por Karina Francis no MotF#10 &#8211; Uma forma\u00e7\u00e3o para comunicadores da internet em tempos de zero aten\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\">Quer saber mais? Assine minha<\/span> <a href=\"https:\/\/marliacarneiro.substack.com\/\">newsletter no Substack<\/a> <span style=\"color: #808080\">e se conecte comigo no meu<\/span> <a href=\"http:\/\/www.instagram.com\/mariliacarneiro.danza\">Insta<\/a>. <span style=\"color: #808080\">E, claro, assine para receber novos posts do K\u00edna, s\u00f3 descer a p\u00e1gina \ud83d\ude09<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><br><br>CARNEIRO, Mar\u00edlia Clemente Gomes. Muc\u00edn\u00e1 wa Maputz: aquela que dan\u00e7a em Maputz. Um estudo do m\u00e9todo do trabalho de campo etnogr\u00e1fico, na pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica em dan\u00e7a contempor\u00e2nea, em Maputo. 2016. Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o, Conhecimento, Linguagem e Arte) \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2016.<br><br>CLANDININ, J.; CONNELLY, F. M. Narrations et histoires en situations de pratique et de recherche. In: SCH\u00d6N, D. A. (Org.). Le tournant r\u00e9flexif. Montr\u00e9al: Logiques, 1996. p. 385-418.<br><br>DANTAS, M. F. Escolhas metodol\u00f3gicas no \u00e2mbito da pesquisa em dan\u00e7a. Anais do V Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanicas, 2008.<br><br>FABIAN, Johannes. Entrevista: A pr\u00e1tica etnogr\u00e1fica como compartilhamento do tempo e como objetiva\u00e7\u00e3o. Mana, v. 12, n. 2, p. 503-520, 2006.<br><br>FINLEY, Susan. Arts-based research. In: Handbook of the arts in qualitative research: Perspectives, methodologies, examples, and issues. Los Angeles: Sage Publications, 2008. p. 71-81.<br><br>FORTIN, S. Educa\u00e7\u00e3o som\u00e1tica: novo ingrediente da aula t\u00e9cnica de dan\u00e7a. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00e1rcia Strazzacappa. Cadernos GIPE-CIT, n. 2, 1999.<br><br>FORTIN, S. Apports possibles de l'ethnographie et de l'autoethnographie pour la recherche en pratique artistique. In: LE COGUIEC, E.; GOSSELIN, P. (Org.). La recherche cr\u00e9ation. Pour une compr\u00e9hension de la recherche en pratique artistique. Qu\u00e9bec: Presses de l'Universit\u00e9 du Qu\u00e9bec, 2006. p. 97-109.<br><br>FORTIN, Sylvie. Contribui\u00e7\u00f5es poss\u00edveis da etnografia e da auto-etnografia para a pesquisa na pr\u00e1tica art\u00edstica. Revista Cena, n. 7, 2009.<br><br>FORTIN, Sylvie; GOSSELIN, Pierre. Considera\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas para a pesquisa em arte no meio acad\u00eamico. Tradu\u00e7\u00e3o de Mar\u00edlia C. Gomes Carneiro e D\u00e9borah Maia de Lima. Art Research Journal, Natal, p. 1-17, 17 jan. 2014. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.periodicos.ufrn.br\/artresearchjournal\/article\/view\/5256. Acesso em: 04 maio 2016.<br><br>GOSSELIN, P. La recherche en pratique artistique, sp\u00e9cificit\u00e9s et param\u00e8tres pour le d\u00e9veloppement de m\u00e9thodologies. In: LE COGUIEC, \u00c9.; GOSSELIN, P. La recherche cr\u00e9ation: Pour la compr\u00e9hension de la recherche en pratique artistique. Qu\u00e9bec: Presses de l'Universit\u00e9 du Qu\u00e9bec, 2006. p. 21-32.<br><br>HESS, R. Produzir sua obra: o momento da tese. Bras\u00edlia: Liber Livro Editora, 2005.<br><br>KATZ, Helena. Pesquisa em dan\u00e7a: entre a circularidade viciada e o mapa de navega\u00e7\u00e3o. Dan\u00e7a, Salvador, v. 1, n. 1, p. 94-106, jul.\/dez. 2012.<br><br>MARQUES, Mario Osorio. Escrever \u00e9 preciso: o princ\u00edpio da pesquisa. 4. ed. Iju\u00ed: Ed. Iju\u00ed, 2001.<br><br>PAKES, Anna. Original Embodied Knowledge: the epistemology of the new in dance practice as research. Research in Dance Education, v. 4, n. 2, p. 127-149, 2003.<br><br>SCHON, D. A. Le praticien r\u00e9flexif. \u00c0 la recherche du savoir cach\u00e9 dans l'agir professionnel. Tradu\u00e7\u00e3o de J. Heynemand; D. Gagnon. Montr\u00e9al: Logiques, 1994.<br><br>VIEIRA, Jorge de Albuquerque. O ato criador na arte e na ci\u00eancia. Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica PUC-SP, 2009. 6 p. mimeo.<br><br>WEBER, Suzane. Metodologia de inspira\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica em pesquisas de pr\u00e1ticas corporais art\u00edsticas. Anais do VI Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisa e P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanicas, 2010.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Sou uma Artista da Dan\u00e7a e quando eu iniciei minha forma\u00e7\u00e3o em pesquisa do doutorado, a pergunta que mais me inquietava era: \u201ccomo os conhecimentos que constru\u00ed ao dedicar anos de estudos nas Artes C\u00eanicas, especialmente Dan\u00e7a, ser\u00e3o o ponto de partida para a constru\u00e7\u00e3o do pensamento da tese?\u201d\u00a0 Minha porta de entrada \u00e0 pesquisa {{&#8230;}}<\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":2849,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[93,39,2,94],"tags":[99,97,95,98,96],"class_list":["post-2846","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-danca-e-educacao","category-danca-e-texto","category-etnografia-da-danca","category-pesquisa-em-artes","tag-fortin","tag-montreal","tag-motf10","tag-pesquisa-em-pratica-artistica","tag-uqam"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - 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Na \u00e1rea da Dan\u00e7a trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dan\u00e7a contempor\u00e2nea. \u00c9 improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em resid\u00eancia art\u00edstica em Paris por 3 anos, com pr\u00eamio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura &amp; Michael Bugdahn, da Cie. \u00c0 fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma gera\u00e7\u00e3o de colegas que come\u00e7ou ensinar Contact na mesma \u00e9poca que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de cria\u00e7\u00e3o de obras e ensino-aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o profissional em Improvisa\u00e7\u00e3o de Dan\u00e7a. Estudou no Doctorat en \u00e9tudes et pratiques des arts (Montreal, no Canad\u00e1) com o privil\u00e9gio da supervis\u00e3o de Sylvie Fortin. \u00c9 formada no M\u00e9todo Reeduca\u00e7\u00e3o do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu v\u00ednculo com a Unicamp \u00e9 de ex aluna da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Suas pesquisas triangulam a dan\u00e7a contempor\u00e2nea no Brasil, Canad\u00e1 e Mo\u00e7ambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica Muc\u00edn\u00e1 - Aquela que Dan\u00e7a. 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Na \u00e1rea da Dan\u00e7a trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dan\u00e7a contempor\u00e2nea. \u00c9 improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em resid\u00eancia art\u00edstica em Paris por 3 anos, com pr\u00eamio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura &amp; Michael Bugdahn, da Cie. \u00c0 fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma gera\u00e7\u00e3o de colegas que come\u00e7ou ensinar Contact na mesma \u00e9poca que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de cria\u00e7\u00e3o de obras e ensino-aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o profissional em Improvisa\u00e7\u00e3o de Dan\u00e7a. Estudou no Doctorat en \u00e9tudes et pratiques des arts (Montreal, no Canad\u00e1) com o privil\u00e9gio da supervis\u00e3o de Sylvie Fortin. \u00c9 formada no M\u00e9todo Reeduca\u00e7\u00e3o do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu v\u00ednculo com a Unicamp \u00e9 de ex aluna da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Suas pesquisas triangulam a dan\u00e7a contempor\u00e2nea no Brasil, Canad\u00e1 e Mo\u00e7ambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica Muc\u00edn\u00e1 - Aquela que Dan\u00e7a. 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