{"id":2879,"date":"2026-08-29T09:30:00","date_gmt":"2026-08-29T12:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/?p=2879"},"modified":"2026-09-08T15:42:07","modified_gmt":"2026-09-08T18:42:07","slug":"pratica-etnografica-da-danca-contemporanea-em-maputo-consideracoes-metodologicas-sobre-o-trabalho-de-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/pratica-etnografica-da-danca-contemporanea-em-maputo-consideracoes-metodologicas-sobre-o-trabalho-de-campo\/","title":{"rendered":"Pr\u00e1tica etnogr\u00e1fica da Dan\u00e7a Contempor\u00e2nea em Maputo: Considera\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas sobre o Trabalho de Campo"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><b>Maputo, esta imensa varanda na beira do \u00cdndico! (Mia Couto<\/b><b>)<\/b><\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_2882\" aria-describedby=\"caption-attachment-2882\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-scaled.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2882 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/08\/P1070395_jardim-namorados-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2882\" class=\"wp-caption-text\">Imensa varanda na beira do \u00cdndico: Maputo, Mo\u00e7ambique. Foto de Fabiana Mendes, 2013. Acervo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Escolhi Maputo por uma conflu\u00eancia de fatores. Primeiro o crescente interesse de v\u00e1rios campos em \u00c1frica como tema e como espa\u00e7o geogr\u00e1fico de atua\u00e7\u00e3o. Depois, a discuss\u00e3o sobre o eixo geogr\u00e1fico do Atl\u00e2ntico Sul e o papel do Brasil como pot\u00eancia do empreendimento cultural entre a Am\u00e9rica Latina e a \u00c1frica. Tamb\u00e9m a exist\u00eancia da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Comunidade de Pa\u00edses da L\u00edngua Portuguesa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que agrupa Brasil e Mo\u00e7ambique sem entrar nas contradit\u00f3rias quest\u00f5es lingu\u00edsticas. O financiamento para a pesquisa e para outros tipos de trabalhos no continente africano est\u00e1 em alta, o que n\u00e3o deixa de ser uma relev\u00e2ncia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2011, a declara\u00e7\u00e3o do interesse do circuito de festivais brasileiros de dan\u00e7a contempor\u00e2nea (DC) pelo que acontece no continente africano em termos de cria\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica definiu a pertin\u00eancia social do projeto. N\u00e3o tinha nenhum interesse espec\u00edfico em estudar \u00c1frica, Mo\u00e7ambique ou Maputo, mas j\u00e1 tinha feito o campo do estudo de mestrado em um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">local long\u00ednquo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e h\u00e1 muitos anos sou amiga de antrop\u00f3logos que fazem campo em Mo\u00e7ambique, de forma que a ideia n\u00e3o parecia t\u00e3o esdr\u00faxula.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o sou africanista, n\u00e3o quero discutir identidade, na\u00e7\u00e3o, tradi\u00e7\u00e3o, movimentos sociais ou cultura. Ao come\u00e7ar, h\u00e1 4 anos, esta jornada pesquisat\u00f3ria de cinco anos, meu interesse era o de adentrar na Dan\u00e7a como campo do conhecimento aut\u00f4nomo. Para tanto quis informar meus estudos inserindo-me em uma cidade na qual eu nunca tivesse estado antes, seguindo as pistas do que quer que fosse o mundo da DC ali atualizado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um dos pilares que configura o problema inicial do projeto \u00e9 o m\u00e9todo etnogr\u00e1fico como estrat\u00e9gia para a produ\u00e7\u00e3o de dados, mat\u00e9ria da an\u00e1lise, inescap\u00e1vel tarefa da pesquisadora. A formula\u00e7\u00e3o do problema do estudo partia do meu desejo em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo. Queria enveredar numa pesquisa emp\u00edrica, que me colocasse no mundo em rela\u00e7\u00e3o com as pessoas, digamos assim. Em termos de m\u00e9todo, isto parecia se traduzir por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">m\u00e9todo etnogr\u00e1fico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Interessava-me a experi\u00eancia de trabalho de campo mundano; o compartilhamento do tempo com as pessoas (Fabian, 2006); e tomar o corpo e seus sentidos como instrumentos de coleta de dados (Sklar, 1991, 2000, 2001; Dils &amp; Crosby, 2001; Dantas, 2008; Fortin, 2005, 2009; Davida, 2001). Interesses que parecem ganhar sentido se pensamos o trabalho de campo etnogr\u00e1fico como performance. Se \u00e9 perform\u00e1tico, estamos em cena, se estamos em cena, tem que pensar a prepara\u00e7\u00e3o do corpo, a utiliza\u00e7\u00e3o dos sentidos. Tamb\u00e9m tem que estar em rela\u00e7\u00e3o. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Maningue<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> cena a do trabalho de campo. \u00c9 melhor estar preparada. Lembremos da mo\u00e7a que teve uma h\u00e9rnia de disco porque n\u00e3o percebeu que seu corpo n\u00e3o dava conta de acompanhar as atividades das mulheres mo\u00e7ambicanas na ro\u00e7a e foi removida deitada de volta ao Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m tinha claro que n\u00e3o queria, como t\u00e9cnicas principais, fazer entrevistas e transcrev\u00ea-las, n\u00e3o queria analisar um autor, n\u00e3o queria vasculhar arquivos hist\u00f3ricos, n\u00e3o queria fazer an\u00e1lises estat\u00edstica, de discurso, de conte\u00fado e bem outros procedimentos que podem constituir uma pesquisa acad\u00eamica. Tinha em mente tamb\u00e9m que a constru\u00e7\u00e3o do projeto de pesquisa que seria levado a cabo era delicada em termos de definir as experi\u00eancias com as quais estaria envolvida nos anos que viriam.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu tinha duas hip\u00f3teses que me impulsionavam ao esfor\u00e7o de definir com precis\u00e3o o m\u00e9todo: (i) de que eu, sendo dan\u00e7arina, poderia circular como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">insider <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Davida, 2011) nas atividades da paisagem da DC profissional em Maputo, ou seja, trazia a percep\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1tica transnacional, supra fronteiri\u00e7a, onde eu poderia circular e construir di\u00e1logo informado, mesmo que nunca ali estivesse estado antes; (ii) de que mesmo que eu n\u00e3o tivesse um recorte te\u00f3rico absolutamente delimitado, um bom planejamento metodol\u00f3gico me faria entrar, circular e sair do terreno de pesquisa com informa\u00e7\u00f5es que poderiam configurar o trabalho final. O que percebo \u00e9 que a busca pela formula\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo poderia ser ela mesma o objeto da tese.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como ponto de partida mais \u00f3bvio, refiz uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 etnografia antropol\u00f3gica para entender o m\u00e9todo etnogr\u00e1fico, e percebi que, a partir de minha forma\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a, que eu queria colocar em evid\u00eancia, n\u00e3o poderia alcan\u00e7ar o que se espera de uma etnografia antropol\u00f3gica. N\u00e3o sem praticamente fazer a gradua\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias sociais e depois o mestrado na \u00e1rea. Seria torturante interromper minhas atividades no meio da dan\u00e7a para me dedicar a infinitas horas de leituras at\u00e9 dominar o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">corpus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> manejado pela disciplina que estuda a cultura. Al\u00e9m disto, nunca foi minha inten\u00e7\u00e3o explicar a cultura de um grupo social, objetivo inerente aos estudos antropol\u00f3gicos. Mas foi a\u00ed que encontrei uma discuss\u00e3o sobre o ensino da etnografia, pensada como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">design<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, e passei a adotar a ideia de desenhar a abordagem etnogr\u00e1fica ao terreno e de estar preparada para realizar as atividades nucleares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica no meio da Arte rapidamente encontrei o termo \u201cetnografia das pr\u00e1ticas art\u00edsticas\u201d (Fortin, 2009; Dantas, 2008; Weber, 2010). Eu experimentava o que Marcus chama de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ansiedade metodol\u00f3gica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e procurava um ansiol\u00edtico. Sylvie Fortin (2009), em um de seus artigos, comenta sobre um dado etnogr\u00e1fico particular no caso do pesquisador ser tamb\u00e9m um dan\u00e7arino, a \u201crea\u00e7\u00e3o som\u00e1tica do pesquisador\u201d. A sugest\u00e3o de Fortin desta especificidade de um dado relacionado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a foi o que me fez adentrar na discuss\u00e3o sobre o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">habitus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Bourdieu, 2002, 2007; Wacquant, 2002, s\/d) forjado na dan\u00e7a e seus conhecimentos incorporados (DOWNEY, 2010) como recorte para o trabalho de campo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Adotei a ideia da bricolagem metodol\u00f3gica (Fortin, 2009), cujo princ\u00edpio \u00e9 a montagem de um m\u00e9todo singular a partir do estudo de variadas metodologias. Tamb\u00e9m o racioc\u00ednio estrutural das pesquisas cient\u00edficas, envolvendo procedimentos de coleta e de registro de dados, obrigando \u00e0 reflex\u00e3o sobre o que seriam os dados poss\u00edveis para a pesquisa a que me propunha, afinal. Tive uma bolsa da Fapesp e fui fazer um est\u00e1gio no Doutorado em Estudos e Pr\u00e1ticas das Artes, ao p\u00e9 da profa. Sylvie Fortin, em Montreal, no Canad\u00e1, e desde l\u00e1 iniciamos a organiza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas diferentes discuss\u00f5es que podem ser levadas a cabo numa pesquisa etnogr\u00e1fica de pr\u00e1ticas art\u00edsticas feita por artistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A primeira \u00e9 quanto a escolha da postura de entrada no terreno, cuja defini\u00e7\u00e3o \u00e9 muito \u00fatil para elencar as atividades concretas que ser\u00e3o realizadas. Pode-se avantajar a faceta de artista ou de pesquisadora e \u00e9 poss\u00edvel transitar de uma ponta a outra, trocando mesmo de posi\u00e7\u00f5es (Cazemajou, 2011).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A segunda, uma reflex\u00e3o sobre os procedimentos de coleta e registro de dados, e sobre o que \u00e9 o \u201cdado\u201d em quest\u00e3o, levando \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o terreno da pr\u00e1tica art\u00edstica que investigo neste doutoramento: aulas pr\u00e1ticas, onde circulam diversos n\u00edveis de informa\u00e7\u00f5es, bem como espa\u00e7o de encontro e intera\u00e7\u00e3o com os profissionais; espet\u00e1culos em circula\u00e7\u00e3o sob a etiqueta DC; f\u00f3runs de discuss\u00e3o de artistas e estudiosos; minhas pr\u00f3prias aulas de improvisa\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a; cria\u00e7\u00e3o e ensaios de obras coreogr\u00e1ficas minhas; espa\u00e7os acad\u00eamicos das Artes da Cena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E a terceira, uma discuss\u00e3o sobre os estados corporais para a escrita da tese, numa busca por uma escrita atravessada por um \u201ctempo de dan\u00e7a\u201d, que seria a sensa\u00e7\u00e3o de perda da linearidade temporal que acontece em experi\u00eancias pr\u00e1ticas de dan\u00e7a, entendido como o que Sklar (SKLAR, 2000) chama de \u201cqualidade de tempo\u201d, aspecto sobre o qual n\u00e3o me debru\u00e7arei.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estando em campo, adotei um crit\u00e9rio para definir <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">DC<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: se quem est\u00e1 fazendo, diz que \u00e9, n\u00e3o serei eu a dizer que n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o vou discutir o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sexo dos anjos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. N\u00e3o estava pesquisando um bailarino, nem um core\u00f3grafo, nem uma companhia, nem um programa de forma\u00e7\u00e3o, nem um evento espec\u00edfico, nem uma t\u00e9cnica corporal, mas sim a pr\u00e1tica social da DC naquela parte mundo, atravessada pelas minhas possibilidades, enquanto artista da dan\u00e7a em atividade de pesquisa, de circular nos espa\u00e7os, desenvolver conversas e participar das atividades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A no\u00e7\u00e3o mediadora para estudos de pr\u00e1ticas sociais chamada de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">habitus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Bourdieu, 2002, 2007; Wacquant, 2002, 2004) parece ajudar na costura de sentido. O <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">habitus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de dan\u00e7arina contempor\u00e2nea \u00e9 um recorte para a produ\u00e7\u00e3o dos dados, fazendo com que toda a discuss\u00e3o que poderei fazer seja um esfor\u00e7o de objetificar o familiar, pois considero que estudo a pr\u00e1tica art\u00edstica de dentro, do ponto de vista de praticante, ainda que seja estrangeira em Mo\u00e7ambique e que seria inevit\u00e1vel viver situa\u00e7\u00f5es de estrangeirismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um dos aspectos que destaco da forma\u00e7\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">habitus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de dan\u00e7arina \u00e9 o conhecimento incorporado<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> (DOWNEY, 2010; PARVIAINEN, 2002) em rela\u00e7\u00e3o ao uso dos sentidos e sensibilidades, amplamente desenvolvidos nas pr\u00e1ticas de educa\u00e7\u00e3o som\u00e1tica que povoam as aulas t\u00e9cnicas de DC (WEBER, 2003). Tomo os sentidos corporais segundo o m\u00e9todo Body-Mind Centering<\/span><span style=\"font-weight: 400\">R <\/span><span style=\"font-weight: 400\">: olfato, vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, gusta\u00e7\u00e3o, tato e movimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pelo menos tr\u00eas diferentes dados podem ser anunciados tendo em vista a observa\u00e7\u00e3o destes conhecimentos incorporados: (i) a Rea\u00e7\u00e3o Som\u00e1tica do Pesquisador; (ii) a experi\u00eancia cinest\u00e9sica, experi\u00eancia mesmo de dan\u00e7ar (DANTAS, 2008; DILS; CROSBY, 2001; SKLAR, 1991, 2000, 2001); (iii) a empatia cinest\u00e9sica<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">na aprecia\u00e7\u00e3o de obras de dan\u00e7a (DEE REYNOLDS, 2013).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m derivado da ado\u00e7\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">habitus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de dan\u00e7arina \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de Experimentos C\u00eanicos Ciclados, conceito em elabora\u00e7\u00e3o desde 2008, que mant\u00e9m sempre aberta a pergunta sobre como a pesquisa organiza um discurso c\u00eanico, aberto para a performance est\u00e9tica (SILVA, 2005)? Periodicamente as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o organizadas em termos de artes da cena, abrindo a pesquisa para performance p\u00fablica, friccionando a teoria e a pr\u00e1tica de uma pesquisa art\u00edstica em meio acad\u00eamico.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este texto foi escrito para o Semin\u00e1rio da Faculdade Angel Vianna em 2014 e lido em voz alta no Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro, como parte dos meus estudos de doutorado e sua publica\u00e7\u00e3o hoje, faz parte do Projeto Monstro, um projeto de comunica\u00e7\u00e3o proposto por Karina Francis no MotF#10 \u2013 Uma forma\u00e7\u00e3o para comunicadores da internet em tempos de zero aten\u00e7\u00e3o. Quer saber mais? 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Crise de la soci\u00e9t\u00e9 paysanne en B\u00e9arn.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Paris: \u00c9ditions Seuil, 2002.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BOURDIEU, Pierre. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O poder simb\u00f3lico.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Tradu\u00e7\u00e3o de Fernando Tomaz (portugu\u00eas de Portugal), 10a edi\u00e7\u00e3o, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CAZEMAJOU, Anne. Shifting positions: from the dancer&#8217;s posture to the researcher&#8217;s posture. In: DAVIDA, Dena (Ed).<\/span><b> Fields in motion: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Ethnography in the worlds of dance. Canad\u00e1: Wlu Press, 2011. p. 19-28.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DAVIDA, Dena. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Alive in the movement: An ethnographic study of meaning in two Montr\u00e9al &#8220;nouvelle danse&#8221; events<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Projeto de tese, Doutorado em Estudos e Pr\u00e1ticas das artes, Universidade do Quebec em Montreal, 2001, mimeo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DAVIDA, Dena. A template for Art world dance ethnography: the Luna &#8220;nouvelle danse&#8221; event. In: DAVIDA, Dena (Ed).<\/span> <i><span style=\"font-weight: 400\">Fields in motion:<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400\">Ethnography in the worlds of dance. Canad\u00e1: Wlu Press, 2011. p. 29-46.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DEE REYNOLDS (Org.).\u00a0<\/span><b>Watching Dance:\u00a0<\/b><span style=\"font-weight: 400\">Kinesthetic Empathy. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/www.watchingdance.org\/\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/www.watchingdance.org\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;. Acesso em: 27 abr. 2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DILS, A.; CROSBY, J. Dialogue in dance studies research. <\/span><b>Dance research journal<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 33, n. 1, p. 62-81, 2001.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DOWNEY, G. \u201cPractice without theory\u201d: a neuroanthropological perspective on embodied learning. <\/span><b>Journal of the Royal Anthropological Institute<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 16, p. S22\u2013S40, maio 2010.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PARVIAINEN, J. Bodily Knowledge: Epistemological Reflections on Dance. <\/span><b>Dance Research Journal<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 34, n. 1, p. 11, 2002.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SILVA, Rubens Alves da. Entre &#8220;artes&#8221; e &#8220;ci\u00eancias&#8221;: a no\u00e7\u00e3o de performance e drama no campo das ci\u00eancias socias. <\/span><b>Horiz. antropol.<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, \u00a0Porto Alegre, \u00a0v. 11, \u00a0n. 24, Dec. \u00a02005 . \u00a0\u00a0Available from &lt;http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-71832005000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. access on \u00a006 \u00a0July \u00a02012. \u00a0http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0104-71832005000200003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SKLAR, D. On Dance Ethnography. <\/span><b>Dance Research Journal<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 23, n. 1, p. 6-10, 1991.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SKLAR, D. Reprise: On dance ethnography. <\/span><b>Dance Research Journal<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 32, n. 1, p. 70\u201377, 2000a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SKLAR, D. Toward Cross-Cultural Conversation on Bodily Knowledge. v. 33, n. 1, p. 91-92, 2001.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">WACQUANT, Lo\u00efc J.D. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Esclarecer o habitus.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Madureira Pinto e Virg\u00edlio Borges Pereira. 6 p\u00e1ginas, mimeo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">WACQUANT, Lo\u00efc J.D. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Corpo e Alma: notas etnogr\u00e1ficas de um aprendiz de boxe.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Tradu\u00e7\u00e3o de Angela Ramalho. Rio de Janeiro: Relume Dumar\u00e1, 2002.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">WEBER, S. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Metodologia de inspira\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica em pesquisas de pr\u00e1ticas corporais art\u00edsticas<\/span><\/i><b> Anais do VI Congresso de pesquisa e p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em artes c\u00eanicas<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, 2010.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maputo, esta imensa varanda na beira do \u00cdndico! (Mia Couto) Escolhi Maputo por uma conflu\u00eancia de fatores. Primeiro o crescente interesse de v\u00e1rios campos em \u00c1frica como tema e como espa\u00e7o geogr\u00e1fico de atua\u00e7\u00e3o. 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Na \u00e1rea da Dan\u00e7a trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dan\u00e7a contempor\u00e2nea. \u00c9 improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em resid\u00eancia art\u00edstica em Paris por 3 anos, com pr\u00eamio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura &amp; Michael Bugdahn, da Cie. \u00c0 fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma gera\u00e7\u00e3o de colegas que come\u00e7ou ensinar Contact na mesma \u00e9poca que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de cria\u00e7\u00e3o de obras e ensino-aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o profissional em Improvisa\u00e7\u00e3o de Dan\u00e7a. Estudou no Doctorat en \u00e9tudes et pratiques des arts (Montreal, no Canad\u00e1) com o privil\u00e9gio da supervis\u00e3o de Sylvie Fortin. \u00c9 formada no M\u00e9todo Reeduca\u00e7\u00e3o do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu v\u00ednculo com a Unicamp \u00e9 de ex aluna da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Suas pesquisas triangulam a dan\u00e7a contempor\u00e2nea no Brasil, Canad\u00e1 e Mo\u00e7ambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica Muc\u00edn\u00e1 - Aquela que Dan\u00e7a. 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Na \u00e1rea da Dan\u00e7a trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dan\u00e7a contempor\u00e2nea. \u00c9 improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em resid\u00eancia art\u00edstica em Paris por 3 anos, com pr\u00eamio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura &amp; Michael Bugdahn, da Cie. \u00c0 fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma gera\u00e7\u00e3o de colegas que come\u00e7ou ensinar Contact na mesma \u00e9poca que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de cria\u00e7\u00e3o de obras e ensino-aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o profissional em Improvisa\u00e7\u00e3o de Dan\u00e7a. Estudou no Doctorat en \u00e9tudes et pratiques des arts (Montreal, no Canad\u00e1) com o privil\u00e9gio da supervis\u00e3o de Sylvie Fortin. \u00c9 formada no M\u00e9todo Reeduca\u00e7\u00e3o do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu v\u00ednculo com a Unicamp \u00e9 de ex aluna da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Suas pesquisas triangulam a dan\u00e7a contempor\u00e2nea no Brasil, Canad\u00e1 e Mo\u00e7ambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica Muc\u00edn\u00e1 - Aquela que Dan\u00e7a. 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