{"id":2886,"date":"2026-09-06T19:03:00","date_gmt":"2026-09-06T22:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/?p=2886"},"modified":"2026-09-08T16:08:47","modified_gmt":"2026-09-08T19:08:47","slug":"etnografar-a-danca-contemporanea-experiencia-e-registro-de-processo-de-criacao-de-obra-de-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/etnografar-a-danca-contemporanea-experiencia-e-registro-de-processo-de-criacao-de-obra-de-arte\/","title":{"rendered":"Etnografar a Dan\u00e7a Contempor\u00e2nea &#8211; Experi\u00eancia e registro de processo de cria\u00e7\u00e3o de obra de Arte"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Fotografia de capa no camarim do Centro Cultural Franco Mo\u00e7ambicano na estreia de <em>CASA<\/em> (Manjate, 2013). Da esquerda para a direita, Mar\u00edlia Carneiro, Katia Manjate, Judith Olivia Manantenasoa e Walter Zand. Arquivo pessoal.<\/pre>\n\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As ideias que apresento neste texto para o <em>Po\u00e9ticas da Cria\u00e7\u00e3o<\/em> s\u00e3o parte de um estudo cuja pretens\u00e3o inicial poderia ser resumida como: circunscrever, a partir do&nbsp; m\u00e9todo etnogr\u00e1fico, a pr\u00e1tica art\u00edstica da dan\u00e7a contempor\u00e2nea no contexto particular da&nbsp; cidade de Maputo, capital de Mo\u00e7ambique, na \u00c1frica Austral.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acompanhamento de processos de cria\u00e7\u00e3o de obras coreogr\u00e1ficas de artistas locais&nbsp; foi uma das atividades que previamente elenquei como situa\u00e7\u00e3o de trabalho de campo&nbsp; desej\u00e1vel, a partir da qual gostaria de informar a investiga\u00e7\u00e3o, (i) porque responde ao meu&nbsp; pr\u00e9-requisito de despertar na pesquisadora (no caso, eu) rea\u00e7\u00e3o som\u00e1tica (Fortin, 2009, 2012)&nbsp; de <em>interesse<\/em> e <em>conforto<\/em><sup data-fn=\"7bd39751-3272-4824-b783-e9ad54ee2c9b\" class=\"fn\"><a href=\"#7bd39751-3272-4824-b783-e9ad54ee2c9b\" id=\"7bd39751-3272-4824-b783-e9ad54ee2c9b-link\">1<\/a><\/sup> (ii) porque me permite tra\u00e7ar contrapontos com uma relativa&nbsp; bagagem em observar processos de cria\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a contempor\u00e2nea e em percorr\u00ea-los eu&nbsp; mesma; (iii) para desenvolver a pr\u00e1tica de observar processos de cria\u00e7\u00e3o em tempo real; (iv) porque tinha elementos te\u00f3ricos norteadores de onde come\u00e7ar a observa\u00e7\u00e3o (Vieira, s\/d;&nbsp; Ostrower, 1987, 1990; Salles, 2006, 2008); (v) porque \u00e9 uma atividade constitutiva \u00e0 pr\u00e1tica&nbsp;art\u00edstica, desde onde seria poss\u00edvel entrar em contato com m\u00faltiplas dimens\u00f5es da dan\u00e7a&nbsp; contempor\u00e2nea na cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2890\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912-1920x1440.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/DSC00912.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ensaio de Casa (Manjate, 2013) com Katia Manjate, Judith Olivia Manantenasoa e Walter Zand no palco grande do Centro Cultural Franco Mo\u00e7ambicano. Foto: Mar\u00edlia Carneiro.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma que tomaria o acompanhamento dos processos criativos seria definida na&nbsp; concretude do encontro com as pessoas no terreno de pesquisa. Por exemplo, poderia ter&nbsp; participado diretamente do elenco, como dan\u00e7arina, e realizar uma participa\u00e7\u00e3o observadora,&nbsp; engajando-me cinestesicamente no processo de cria\u00e7\u00e3o. Poderia comparecer \u00e0s mostras de&nbsp; processo ocasionais quando convidada pelo(a) core\u00f3grafo(a)<sup data-fn=\"2cd77cd8-35e9-4c1c-8163-4b5830500aa6\" class=\"fn\"><a href=\"#2cd77cd8-35e9-4c1c-8163-4b5830500aa6\" id=\"2cd77cd8-35e9-4c1c-8163-4b5830500aa6-link\">2<\/a><\/sup> e notar mudan\u00e7as c\u00eanicas de&nbsp; uma mostra a outra. Poderia fazer longas entrevistas com os artistas, produtores, t\u00e9cnicos e&nbsp; p\u00fablico, como o fez Dena Davida (2011) em Montreal. Poderia pedir para filmar os ensaios e&nbsp; analisar os v\u00eddeos. Poderia ainda pedir acesso aos cadernos dos artistas, constituir um dossi\u00ea e&nbsp; fazer a cr\u00edtica gen\u00e9tica (Salles, 2008; Willemart, 2008). Entre muitas outras alternativas, a forma de acompanhamento que se configurou na rela\u00e7\u00e3o estabelecida com a core\u00f3grafa foi:&nbsp; observa\u00e7\u00e3o, registro e <em>feedback<\/em>, em cada um dos ensaios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poderia reexaminar as notas etnogr\u00e1ficas pelo prisma de alguma teoria sobre&nbsp; processos criativos, no entanto, o esfor\u00e7o que fa\u00e7o nesta conversa com o <em>Po\u00e9ticas da Cria\u00e7\u00e3o&nbsp; 2014<\/em> \u00e9 menos de an\u00e1lise da constru\u00e7\u00e3o da obra, e mais de adentrar nos mist\u00e9rios da tarefa&nbsp; pr\u00e1tica de observar, registrar e organizar um <em>feedback<\/em> como forma de colaborar com um&nbsp; projeto art\u00edstico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>\u201cC A S A\u201d . Dan\u00e7a Contempor\u00e2nea&nbsp;&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Casa<\/em> (Manjate, 2013) \u00e9 o nome da obra coreogr\u00e1fica que d\u00e1 origem a este texto. A&nbsp; pe\u00e7a \u00e9 fruto de uma das resid\u00eancias art\u00edsticas promovidas no \u00e2mbito do projeto Pamoja em&nbsp; Maputo<sup data-fn=\"22e7ee6f-a7e7-48a5-9b24-a3875f080d70\" class=\"fn\"><a href=\"#22e7ee6f-a7e7-48a5-9b24-a3875f080d70\" id=\"22e7ee6f-a7e7-48a5-9b24-a3875f080d70-link\">3<\/a><\/sup>. Uma das caracter\u00edsticas que atravessou estas resid\u00eancias, cujo produto final deveria&nbsp; ser uma obra de dan\u00e7a contempor\u00e2nea in\u00e9dita, foi a associa\u00e7\u00e3o entre um(a) core\u00f3grafo(a) e&nbsp; um(a) artista pl\u00e1stico(a). Em <em>Casa<\/em>, a core\u00f3grafa K\u00e1tia Manjate, escolheu o artista pl\u00e1stico&nbsp; Walter Zand, e convidou a bailarina Judith Olivia Manantenasoa, vinda da ilha de&nbsp; Madagascar, para dividir o palco com eles. Caldino Alberto foi o iluminador do grupo, Sara&nbsp; Machado a figurinista, Ana L\u00facia Cruz a produtora local e eu, a acompanhadora do processo&nbsp; de constru\u00e7\u00e3o da obra, ou, em termos que cabem no meio acad\u00eamico, a etn\u00f3grafa da dan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>A linha no horizonte &#8211; perspectivas adotadas&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para acompanhar a constru\u00e7\u00e3o de <em>Casa<\/em> adotara os mesmos pressupostos do todo do&nbsp; trabalho de campo em Maputo. Primeiramente a perspectiva etnogr\u00e1fica, cujo aspecto&nbsp; presencial \u00e9 intr\u00ednseco, definindo (i) a conviv\u00eancia dial\u00f3gica di\u00e1ria (Fonseca apud Jardim,&nbsp; 2006) e (ii) a coetaneidade, compartilhamento do tempo com as pessoas (Fabian, 2006) como&nbsp; fontes de informa\u00e7\u00e3o. Em segundo lugar, como estrat\u00e9gia de registro dos dados, a disciplina&nbsp; di\u00e1ria da escrita, que \u00e9 o que d\u00e1 forma \u00e0s notas que qualifico como etnogr\u00e1ficas. Em terceiro&nbsp; lugar, preferi de forma avantajada a postura de artista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 de pesquisadora&nbsp; acad\u00eamica (Cazemajou, 2011), afirmando-me em minha dimens\u00e3o <em>insider<\/em> (Davida, 2001;&nbsp; Dantas, 2008) da dan\u00e7a contempor\u00e2nea, perguntando tamb\u00e9m, enquanto l\u00e1 estava, como o&nbsp; meu <em>habitus<\/em> (Bourdieu, 2002, 2007; Wacquant, 2002, s\/d) de dan\u00e7arina, forjado ao longo de&nbsp; anos de treinamento, tomariam partido no trabalho de pesquisa ao qual me propunha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise a seguir tem como ponto de partida essas notas, tomadas como documentos&nbsp; escritos do processo. Foram finalizadas em dezembro de 2013 sob a forma de um di\u00e1rio de&nbsp; campo eletr\u00f4nico, onde as anota\u00e7\u00f5es escritas \u00e0 m\u00e3o, com textos e desenhos, foram&nbsp; incorporadas. Na passagem do caderno de papel para o eletr\u00f4nico, no mesmo dia ou no&nbsp; m\u00e1ximo no seguinte, dediquei tempo ao procedimento <em>enriquecer as notas de campo&nbsp;<\/em>(Fortin<sup data-fn=\"cca5418d-e6cc-496c-a6de-7595e616dbc9\" class=\"fn\"><a href=\"#cca5418d-e6cc-496c-a6de-7595e616dbc9\" id=\"cca5418d-e6cc-496c-a6de-7595e616dbc9-link\">4<\/a><\/sup>), dando vaz\u00e3o ao detalhamento. Embora eu tenha uma cole\u00e7\u00e3o de filmagens dos&nbsp; ensaios<sup data-fn=\"4eb112a9-f159-49dc-acd5-f72d712fb2b0\" class=\"fn\"><a href=\"#4eb112a9-f159-49dc-acd5-f72d712fb2b0\" id=\"4eb112a9-f159-49dc-acd5-f72d712fb2b0-link\">5<\/a><\/sup>, a finalidade desses v\u00eddeos era apenas servir ao trabalho coreogr\u00e1fico e n\u00e3o&nbsp; constituem material da pesquisa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Empilhando os tijolos&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lista enumerada a seguir apresenta o primeiro exerc\u00edcio classificat\u00f3rio dos diferentes&nbsp; tipos de notas etnogr\u00e1ficas de <em>Casa<\/em>:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. Notas descritivas do que acontece no espa\u00e7o de ensaio do ponto de vista da din\u00e2mica&nbsp; de trabalho, indicando quem est\u00e1 presente, fazendo o que, com quem, onde, como.&nbsp; 2. Notas descritivas sobre os conte\u00fados das conversas para as quais sou convidada a&nbsp; participar ou escutar. Por exemplo, pondera\u00e7\u00f5es sobre constru\u00e7\u00e3o de personagens, t\u00e9cnicas de&nbsp; dan\u00e7a, disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica para a cena, experi\u00eancias de trabalho com outros artistas, refer\u00eancias&nbsp; a outras obras, dificuldades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3. Notas descritivas do que acontece nas cenas propriamente ditas, em termos de&nbsp; ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, qualidades de movimento, estados c\u00eanicos, sequ\u00eancias coreogr\u00e1ficas, estruturas de improvisa\u00e7\u00e3o, escolha de m\u00fasicas, figurinos, objetos, cen\u00e1rio, temas, ambi\u00eancia, preocupa\u00e7\u00f5es na rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, intera\u00e7\u00e3o entre os int\u00e9rpretes em cena, entre a equipe.&nbsp; Este \u00e9 o tipo de nota em que o desenho tende a aparecer (Figura 1).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"156\" height=\"101\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2887\" style=\"aspect-ratio:1.5522388059701493;width:208px;height:auto\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Figura 1 \u2013 desenho de pesquisa de ocupa\u00e7\u00e3o espacial&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4. Notas de RSP, sigla para indicar a coleta do dado <em>Rea\u00e7\u00e3o Som\u00e1tica da Pesquisadora<\/em> (Fortin, 2009, 2012) \u2013 dado parcial que \u00e9 combinado a outros. Para registrar procuro perceber&nbsp; a associa\u00e7\u00e3o entre uma rea\u00e7\u00e3o som\u00e1tica que chama minha aten\u00e7\u00e3o e algo que est\u00e1 em jogo&nbsp; naquele momento. Busco palavras para relativizar a sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5. Notas comparativas sobre como cada um se posiciona em rela\u00e7\u00e3o aos mesmos&nbsp; assuntos. \u00c9 um tipo de nota que d\u00e1 a ver o leque de possibilidades que est\u00e1 aberto. 6. Notas sobre os problemas que cada um est\u00e1 tentando resolver no encadeamento da&nbsp; cria\u00e7\u00e3o. Exemplo: <em>\u201cAs dan\u00e7arinas est\u00e3o a pensar nos movimentos espec\u00edficos que utilizar\u00e3o&nbsp; na improvisa\u00e7\u00e3o da travessia da diagonal. WZ est\u00e1 a pensar na posi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, SM na&nbsp; rela\u00e7\u00e3o do tecido com o tema geral da pe\u00e7a e ALC na impress\u00e3o dos cartazes\u201d.<\/em> 7. Notas sobre o vocabul\u00e1rio que usam para falar do corpo, da dan\u00e7a, do p\u00fablico, da&nbsp; cena, da cria\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">8. Notas para um invent\u00e1rio de ideias que surgem e s\u00e3o abandonadas. 9. Notas de cria\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o ideias que surgem para meus pr\u00f3prios trabalhos&nbsp; coreogr\u00e1ficos. Sem mais nem menos este tipo de nota surge. Uso o desenho de uma l\u00e2mpada&nbsp; que se acendeu para indicar este tipo de nota.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">10. Notas de reflex\u00f5es que fa\u00e7o estando ali. Uso as iniciais de meu nome em mai\u00fascula&nbsp; para indicar que sou eu pensando. Por exemplo, anoto que <em>\u201ch\u00e1 pelo menos algumas diferentes&nbsp; maneiras destes artistas se colocarem em rela\u00e7\u00e3o ao processo de cria\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, suscitando uma&nbsp; reflex\u00e3o sobre a poss\u00edvel elabora\u00e7\u00e3o de uma tipologia de criadores.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">11. Notas de minhas prefer\u00eancias est\u00e9ticas e de como faria se fosse eu no lugar de cada&nbsp; um dos que ali estavam. <em>\u201cEu exploraria pausas e varia\u00e7\u00f5es de ritmo\u201d<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">12. Notas de como percebo o processo de comunica\u00e7\u00e3o entre eles, dada a diversidade&nbsp; lingu\u00edstica presente (portugu\u00eas de Mo\u00e7ambique, de Portugal, do Brasil, ingl\u00eas e franc\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">13. Notas de rela\u00e7\u00e3o, que, justamente, relacionam algo dali com os trabalhos de outros&nbsp; artistas e outras informa\u00e7\u00f5es que trago de um repert\u00f3rio de espet\u00e1culos assistidos, um acervo&nbsp; de procedimentos de cria\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a, leituras e estudos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">14. Notas de como formulo a explica\u00e7\u00e3o do que eu mesma estou fazendo ali, de forma que&nbsp; posso adotar o procedimento <em>ajuste de leme<\/em> (Fortin<sup data-fn=\"579c2872-3c00-42f7-b39f-55f7ec107645\" class=\"fn\"><a href=\"#579c2872-3c00-42f7-b39f-55f7ec107645\" id=\"579c2872-3c00-42f7-b39f-55f7ec107645-link\">6<\/a><\/sup>), ou seja, perceber como estou colocada e&nbsp; reformular a abordagem tendo em vista o todo do trabalho de campo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">15. Notas sobre os constrangimentos criativos que a realidade dos fatos imp\u00f5em, seja o&nbsp; or\u00e7amento financeiro, uma impossibilidade f\u00edsica de realizar determinado movimento etc. De alguma forma esta classifica\u00e7\u00e3o inicial das notas constitui camadas que se&nbsp; confundem umas \u00e0s outras no processo de constru\u00e7\u00e3o de <em>Casa<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2892\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-500x375.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-800x600.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/PB020215_marilia-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Mar\u00edlia Carneiro, arquibancadas do palco grande do Centro Cultural Franco Mo\u00e7ambicano, Maputo, 2013. Foto: Sara Machado.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Argamassa&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Geralmente ao final do ensaio a core\u00f3grafa me pedia um coment\u00e1rio, numa roda de&nbsp; conversa que inclu\u00eda a todos. A iniciativa partia dela ou de algum outro artista, quer dizer, se&nbsp; algu\u00e9m pedisse, ofereceria, caso contr\u00e1rio, guardava. Preparava o coment\u00e1rio baseada nas&nbsp; observa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o nas notas, mas nem tudo interessa, \u00e9 preciso filtrar, de forma a oferecer&nbsp; uma fala que alimente os artistas sobre o que eles mesmos est\u00e3o fazendo, por isto <em>feedback<\/em>.&nbsp; N\u00e3o se trata de uma leitura das anota\u00e7\u00f5es, mas de uma fala orientada pelas notas com foco nas&nbsp; ideias que j\u00e1 est\u00e3o em circula\u00e7\u00e3o no processo de cria\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sugest\u00e3o \u00e9 que este tipo de acompanhamento etnogr\u00e1fico \u2013 observa\u00e7\u00e3o, registro e&nbsp; <em>feedback<\/em>, auxilia os artistas na organiza\u00e7\u00e3o da obra, pois explicita as ideias e os modos de&nbsp; trabalho que est\u00e3o em jogo. Uma pessoa externa \u00e0 equipe propriamente dita, ao colocar&nbsp; palavras precisas sobre como cada um parece estar percebendo o processo criativo, colabora&nbsp; com o desafio da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O trabalho etnogr\u00e1fico problematiza a obra em constru\u00e7\u00e3o&nbsp;ao formular perguntas sobre observa\u00e7\u00f5es anot\u00e1veis. Os artistas s\u00e3o, de uma maneira, constrangidos, no bom sentido da palavra, a tomarem partido, assumirem posi\u00e7\u00f5es, definirem&nbsp; posturas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos <em>feedbacks<\/em> coletivos, os participantes individualmente tamb\u00e9m fizeram perguntas sobre algum ponto que lhe interessava particularmente, mas que, por algum motivo,&nbsp; n\u00e3o queira expor a todos. A etn\u00f3grafa quase neutralidade ao adotar uma postura de interesse&nbsp; pelo que os artistas est\u00e3o fazendo sem estar implicada diretamente com o resultado final.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como os <em>feedbacks<\/em> foram feitos ao longo do processo, pude observar suas&nbsp; incorpora\u00e7\u00f5es ou as tomadas de decis\u00f5es sobre aspectos comentados. Estar presente nos ensaios tamb\u00e9m permitia questionamentos em tempo real, ou seja, os artistas tinham a quem&nbsp; perguntar, por exemplo, a que remetia a amarra\u00e7\u00e3o das dan\u00e7arinas com fitas adesivas&nbsp; enquanto estavam de fato amarradas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Sinta-se em Casa!&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na v\u00e9spera da estreia, fui convidada pela core\u00f3grafa a participar de uma entrevista&nbsp; para a imprensa, o que denota a valida\u00e7\u00e3o do que eu poderia dizer sobre o trabalho. Sugeriu se que eu fazia uma esp\u00e9cie de&nbsp; assist\u00eancia de coreografia,&nbsp;&nbsp;explicitando o aspecto art\u00edstico do&nbsp;tipo de acompanhamento feito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na estreia fui recrutada&nbsp;para indicar aos operadores&nbsp;t\u00e9cnicos as marcas de som e luz,&nbsp;pois conhecia bem a pe\u00e7a e&nbsp;inspirava a confian\u00e7a dos artistas em cena. De onde estava, senti o&nbsp;t\u00edpico nervosismo pr\u00e9 c\u00eanico e,&nbsp;enquanto a pe\u00e7a se realizava&nbsp;diante do p\u00fablico que ocupava a&nbsp;sala grande do Centro Cultural&nbsp;Franco Mo\u00e7ambicano<sup data-fn=\"f4bea08a-788b-4615-b3a1-660e1eb79d08\" class=\"fn\"><a href=\"#f4bea08a-788b-4615-b3a1-660e1eb79d08\" id=\"f4bea08a-788b-4615-b3a1-660e1eb79d08-link\">7<\/a><\/sup>, entrei em&nbsp;<em>Casa<\/em> pelo corpo dos int\u00e9rpretes.&nbsp;Explico: quando, ap\u00f3s a cena,&nbsp;comentamos momentos da&nbsp;apresenta\u00e7\u00e3o, encontramos&nbsp;instantes precisos em que&nbsp;est\u00e1vamos juntos. Por exemplo, no deslizamento suave da bailarina pelo ch\u00e3o, um&nbsp; pensamento cruzado: eu pensei nela e ela em mim, de tanto que conversamos sobre este&nbsp; movimento durante a resid\u00eancia. Possivelmente uma outra pesquisa que tome como ponto de&nbsp; partida os manuscritos dos artistas, encontrar\u00e1 refer\u00eancias \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o da etn\u00f3grafa (n\u00e3o&nbsp; com este nome) na constru\u00e7\u00e3o de <em>Casa<\/em>, cuja imagem do cartaz pode ser vista na figura 2.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"279\" height=\"370\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/cartaz-casa.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2888\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/cartaz-casa.png 279w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/kina\/wp-content\/uploads\/sites\/94\/2026\/09\/cartaz-casa-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 2 &#8211; cartaz de Casa.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este texto foi escrito para o Semin\u00e1rio Po\u00e9ticas da cria\u00e7\u00e3o 2014 e lido em voz alta na UFES &#8211; Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, em Vit\u00f3ria, e sua publica\u00e7\u00e3o hoje, faz parte do Projeto Monstro, um projeto de comunica\u00e7\u00e3o proposto por Karina Francis no MotF#10 \u2013 Uma forma\u00e7\u00e3o para comunicadores da internet em tempos de zero aten\u00e7\u00e3o. Quer saber mais? Assine minha <a href=\"https:\/\/marliacarneiro.substack.com\/\">newsletter no Substack<\/a>\u00a0e se conecte comigo no meu\u00a0<a href=\"http:\/\/www.instagram.com\/mariliacarneiro.danza\">Insta<\/a>.\u00a0E, claro, assine para receber novos posts do K\u00edna, s\u00f3 descer a p\u00e1gina ;-).<br>\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOURDIEU, Pierre. <em>Le bal des c\u00e9libataires. Crise de la soci\u00e9t\u00e9 paysanne en B\u00e9arn.<\/em> Paris:&nbsp; \u00c9ditions Seuil, 2002.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOURDIEU, Pierre. <em>O poder simb\u00f3lico.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Fernando Tomaz (portugu\u00eas de&nbsp; Portugal), 10a edi\u00e7\u00e3o, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAZEMAJOU, Anne. Shifting positions: from the dancer&#8217;s posture to the researcher&#8217;s&nbsp; posture. In: DAVIDA, Dena (Ed). <em>Fields in motion:<\/em> Ethnography in the worlds of dance.&nbsp; Canad\u00e1: Wlu Press, 2011. p. 19-28.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FESTIVAL KINANI DE DAN\u00c7A CONTEMPOR\u00c2NEA. 5<sup>a<\/sup> edi\u00e7\u00e3o, 2013, Maputo,&nbsp; Mo\u00e7ambique.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FORTIN, Sylvie. <em>Contribui\u00e7\u00f5es poss\u00edveis da etnografia e da auto-etnografia para a pesquisa&nbsp; na pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/em> Revista Cena, n.7, 2009.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FORTIN, Sylvie. <em>Seminaire de m\u00e9thodologie de recherche II<\/em>, Universit\u00e9 du Qu\u00e9b\u00e9c \u00e0&nbsp; Montr\u00e9al, Quebec, Canad\u00e1, 04 de out \u2013 21 de dez de 2012. Notas de aula. DANTAS, M. F. Escolhas metodol\u00f3gicas no \u00e2mbito da pesquisa em dan\u00e7a. <em>Anais do V&nbsp; Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanicas,<\/em> 2008.&nbsp; DAVIDA, Dena. <em>Alive in the movement: An ethnographic study of meaning in two Montr\u00e9al&nbsp; &#8220;nouvelle danse&#8221; events<\/em>. Projeto de tese, Doutorado em Estudos e Pr\u00e1ticas das artes,&nbsp; Universidade do Quebec em Montreal, 2001, mimeo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DAVIDA, Dena. A template for Art world dance ethnography: the Luna &#8220;nouvelle danse&#8221;&nbsp; event. In: DAVIDA, Dena (Ed). <em>Fields in motion:<\/em> Ethnography in the worlds of dance.&nbsp; Canad\u00e1: Wlu Press, 2011. p. 29-46.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FABIAN, Johannes. <em>Entrevista: A pr\u00e1tica etnogr\u00e1fica como compartilhamento do tempo e&nbsp; como objetiva\u00e7\u00e3o.<\/em> Mana, <em>12<\/em>(2), 2006, pp.503\u2013520.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JARDIM, Marta Denise da Rosa. <em>Cozinhar, adorar e fazer neg\u00f3cio: um estudo da fam\u00edlia&nbsp; indiana (hindu) em Mo\u00e7ambique.<\/em> 2006. Tese (Doutorado)- Universidade Estadual de&nbsp; Campinas, Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Campinas, SP.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MANJATE, K\u00e1tia. <em>Casa.<\/em> Palco grande do Centro Cultural Franco Mo\u00e7ambicano, Maputo,&nbsp; Mo\u00e7ambique, 10out2013.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OSTROWER, Fayga. <em>Criatividade e Processos de cria\u00e7\u00e3o.<\/em> 6<sup>a<\/sup> ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1987. OSTROWER, Fayga. <em>Acasos e cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/em> Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1990. SALLES, Cecilia Almeida. <em>Redes da cria\u00e7\u00e3o: constru\u00e7\u00e3o da obra de arte.<\/em> Vinhedo: Editora&nbsp; Horizonte, 2006.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SALLES, Cec\u00edlia Almeida. <em>Cr\u00edtica Gen\u00e9tica: fundamentos dos estudos gen\u00e9ticos sobre o&nbsp; processo de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/em> 3\u00aa ed. revista. S\u00e3o Paulo: EDUC, 2008. 138p. VIEIRA, Jorge de Albuquerque. <em>O ato criador na arte e na ci\u00eancia.<\/em> Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica PUC-SP, s\/d, mimeo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WACQUANT, Lo\u00efc J.D. <em>Corpo e Alma: notas etnogr\u00e1ficas de um aprendiz de boxe.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Angela Ramalho. Rio de Janeiro: Relume Dumar\u00e1, 2002.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WACQUANT, Lo\u00efc J.D. <em>Esclarecer o habitus.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Madureira Pinto e Virg\u00edlio&nbsp; Borges Pereira. 6 p\u00e1ginas, mimeo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WILLEMART, Philippe. A cr\u00edtica gen\u00e9tica hoje. <em>Alea<\/em>, Rio de Janeiro , v. 10, n. 1, 2008.&nbsp; Dispon\u00edvel em http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1517- 106X2008000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em 04out2014.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"7bd39751-3272-4824-b783-e9ad54ee2c9b\">As rea\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas, sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, de <em>interesse<\/em> e <em>conforto<\/em> que percebo em mim ao assistir os ensaios\u00a0 tomam parte nessa decis\u00e3o. O par\u00e2metro oferecido pelo dado etnogr\u00e1fico <em>rea\u00e7\u00e3o som\u00e1tica da pesquisadora<\/em> durante a participa\u00e7\u00e3o na atividade est\u00e1 colocado. Sinto que <em>agrada<\/em> aos meus sentidos acompanhar a obra sendo\u00a0 erguida. <a href=\"#7bd39751-3272-4824-b783-e9ad54ee2c9b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2cd77cd8-35e9-4c1c-8163-4b5830500aa6\">Como foi o caso na resid\u00eancia art\u00edstica do Projeto Centauros, do core\u00f3grafo Pak Guiamba. <sup>4<\/sup> PAMOJA \u2013 uma rede pan-africana de produ\u00e7\u00e3o e resid\u00eancias art\u00edsticas, um programa do grupo de Estados ACP\u00a0 financiado pela Uni\u00e3o Europeia, ANT Funding (Pro Helvetia\/SDC), em parceria com o Centro Cultural Franco\u00a0 Mo\u00e7ambicano, coproduzido em Maputo pela Culturarte \u2013 Cultura e Arte em movimento. Site:\u00a0 http:\/\/www.pamoja-livearts.org\/. Acesso em 23nov2013. <a href=\"#2cd77cd8-35e9-4c1c-8163-4b5830500aa6-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"22e7ee6f-a7e7-48a5-9b24-a3875f080d70\">PAMOJA \u2013 uma rede pan-africana de produ\u00e7\u00e3o e resid\u00eancias art\u00edsticas, um programa do grupo de Estados ACP\u00a0 financiado pela Uni\u00e3o Europeia, ANT Funding (Pro Helvetia\/SDC), em parceria com o Centro Cultural Franco\u00a0 Mo\u00e7ambicano, coproduzido em Maputo pela Culturarte \u2013 Cultura e Arte em movimento. Site:\u00a0 http:\/\/www.pamoja-livearts.org\/. Acesso em 23nov2013 <a href=\"#22e7ee6f-a7e7-48a5-9b24-a3875f080d70-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"cca5418d-e6cc-496c-a6de-7595e616dbc9\">FORTIN, Sylvie. Comunica\u00e7\u00e3o pessoal.\u00a0 <a href=\"#cca5418d-e6cc-496c-a6de-7595e616dbc9-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4eb112a9-f159-49dc-acd5-f72d712fb2b0\">Fizemos uma filmagem ao final de cada ensaio ao longo das quatro semanas. <a href=\"#4eb112a9-f159-49dc-acd5-f72d712fb2b0-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"579c2872-3c00-42f7-b39f-55f7ec107645\">FORTIN, Sylvie. Comunica\u00e7\u00e3o pessoal. <a href=\"#579c2872-3c00-42f7-b39f-55f7ec107645-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f4bea08a-788b-4615-b3a1-660e1eb79d08\">Site: www.ccfm.moz. <a href=\"#f4bea08a-788b-4615-b3a1-660e1eb79d08-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fotografia de capa no camarim do Centro Cultural Franco Mo\u00e7ambicano na estreia de CASA (Manjate, 2013). Da esquerda para a direita, Mar\u00edlia Carneiro, Katia Manjate, Judith Olivia Manantenasoa e Walter Zand. Arquivo pessoal. As ideias que apresento neste texto para o Po\u00e9ticas da Cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o parte de um estudo cuja pretens\u00e3o inicial poderia ser resumida {{&#8230;}}<\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":2891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"[{\"id\":\"7bd39751-3272-4824-b783-e9ad54ee2c9b\",\"content\":\"As rea\\u00e7\\u00f5es som\\u00e1ticas, sensa\\u00e7\\u00f5es f\\u00edsicas, de <em>interesse<\\\/em> e <em>conforto<\\\/em> que percebo em mim ao assistir os ensaios\\u00a0 tomam parte nessa decis\\u00e3o. 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Na \u00e1rea da Dan\u00e7a trabalhou com muita gente competente no meio profissional internacional da dan\u00e7a contempor\u00e2nea. \u00c9 improvisadora mais do que tudo, bem que gosta de uma boa coreografia. Esteve em resid\u00eancia art\u00edstica em Paris por 3 anos, com pr\u00eamio do Minc. Mulher de sorte, estudou de perto com Denise Namura &amp; Michael Bugdahn, da Cie. \u00c0 fleur de peau (Paris). Pela vida especializou-se no Contact Improvisation (Steve Paxton), onde conheceu as pessoas mais interessantes do mundo. Estudou pessoalmente com Nancy Stark Smith, Alito Alessi (DanceAbility), Daniel Lepkoff, Andrew Hardwood, Cristina Turdo e toda uma gera\u00e7\u00e3o de colegas que come\u00e7ou ensinar Contact na mesma \u00e9poca que ela. Interessa-se por metodologia de pesquisa em arte, processos de cria\u00e7\u00e3o de obras e ensino-aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o profissional em Improvisa\u00e7\u00e3o de Dan\u00e7a. Estudou no Doctorat en \u00e9tudes et pratiques des arts (Montreal, no Canad\u00e1) com o privil\u00e9gio da supervis\u00e3o de Sylvie Fortin. \u00c9 formada no M\u00e9todo Reeduca\u00e7\u00e3o do Movimento, de Ivaldo Bertazzo (BR). Seu v\u00ednculo com a Unicamp \u00e9 de ex aluna da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Suas pesquisas triangulam a dan\u00e7a contempor\u00e2nea no Brasil, Canad\u00e1 e Mo\u00e7ambique. Idealizou, fundou em 2016, e dirige a plataforma interdisciplinar de ensino e pesquisa em pr\u00e1tica art\u00edstica Muc\u00edn\u00e1 - Aquela que Dan\u00e7a. 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