{"id":2362,"date":"2021-04-05T15:08:28","date_gmt":"2021-04-05T18:08:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=2362"},"modified":"2021-04-05T15:08:28","modified_gmt":"2021-04-05T18:08:28","slug":"coincidencias-e-confusoes-uma-colaboracao-para-o-webliivro-antropokaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2021\/04\/05\/coincidencias-e-confusoes-uma-colaboracao-para-o-webliivro-antropokaos\/","title":{"rendered":"Coincid\u00eancias e confus\u00f5es: uma colabora\u00e7\u00e3o para o weblivro Antropokaos"},"content":{"rendered":"<p><em>Frame do filme Wax or the discovery of television among the bees. Filme em licen\u00e7a Creative Commes <a href=\"https:\/\/youtu.be\/Aq1PV8JcstA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispon\u00edvel online aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 com muita alegria que compartilho o lan\u00e7amento do <a href=\"https:\/\/antropokaos.com.br\/livro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">weblivro \u201cAntropokaos\u201d<\/a>, com o qual pude contribuir escrevendo o ensaio \u201cA ci\u00eancia cibern\u00e9tica dos mortos: fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como artefato e documento em Wax or the discovery of television among the bees\u201d. O weblivro faz parte da programa\u00e7\u00e3o da \u201cAntropokaos: Mostra de Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Brasileira\u201d, realizada de forma online e gratuita durante mar\u00e7o e abril de 2021, com recursos captados da Lei Aldir Blanc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nunca pensei em estudar ci\u00eancia &#8211; ou estudar com cientistas. Minha trajet\u00f3ria sempre flutuou entre artes e filosofia &#8211; ou pelo menos era assim que imaginava. Isso mudou de forma cat\u00e1rtica. Em algum dia de 2014 estava lendo \u201cO manifesto ciborgue\u201d de Donna Haraway quando entre uma pausa e outra, vi no feed de meu facebook a foto de uma m\u00e3o com a legenda \u201cfinalmente implantamos o chip!\u201d. Uma emo\u00e7\u00e3o tomou conta de mim, algo como um sopro de paix\u00f5es muito antigas com a excita\u00e7\u00e3o do vislumbre de novas paix\u00f5es. Um sexto sentido. Uma intui\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Hoje reconhe\u00e7o quais paix\u00f5es antigas me falavam ao ouvido: eram os livros de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que tinha devorado compulsivamente durante a adolesc\u00eancia. As distopias ocuparam meu tempo e povoaram minha imagina\u00e7\u00e3o enquanto eu mesma me formava pra vida. Nelas, buscava fermento para quest\u00f5es que me rodeavam, quest\u00f5es sobre a vida, sobre como vivemos e sobre como pod\u00edamos viver. Um pouco mais velha, uma dessas distopias havia me atingido em cheio: era o cl\u00e1ssico cyberpunk Neuromancer, de William Gibson, um livro infestado de ciborgues.<\/p>\n<p>Hoje, passado alguns anos, tamb\u00e9m consigo ter alguma ideia de quais paix\u00f5es novas se mostravam no horizonte: a brecha aberta por Donna Haraway, apresentada para mim como figura central na antropologia contempor\u00e2nea. Se isso era verdade, se aquilo que eu estava lendo no manifesto era j\u00e1 considerado uma refer\u00eancia te\u00f3rico-metodol\u00f3gica, era esse caminho que eu queria seguir. E partir de um ciborgue me parecia bem razo\u00e1vel. Fui atr\u00e1s da m\u00e3o com o chip. Depois de algum tempo que a conheci, uma outra paix\u00e3o se revelou.\u00a0 Atrav\u00e9s desta m\u00e3o cheguei at\u00e9 o Clube de Biologia Sint\u00e9tica, onde encontrei estudantes de v\u00e1rias ci\u00eancias. A grande maioria deles tinha lido os mesmos livros dist\u00f3picos que eu. Junto com eles desenvolvi minha pesquisa de mestrado.<\/p>\n<p>Escrevi o ensaio junto com meu companheiro \u00c9rico Perrella, que atualmente \u00e9 mestrando em Pol\u00edticas Cient\u00edficas e Tecnol\u00f3gicas no Instituto de Geoci\u00eancias &#8211; Unicamp. A m\u00e3o com o chip implantado era dele. Nos apaixonamos durante o trabalho de campo. Acontece, eu sei. E aconteceu. Das coincid\u00eancias e confus\u00f5es &#8211; entre fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e ci\u00eancia, entre antropologia e filosofia, entre biol\u00f3gico e sint\u00e9tico, entre trabalho e divers\u00e3o, entre trabalho de campo e vida \u00edntima -, decidimos fazer um composto para o que produzimos academicamente, num sentido amplo do que pode ser isso.<\/p>\n<p>Nosso ensaio \u00e9, portanto, um exerc\u00edcio de aproxima\u00e7\u00e3o de nossas inquieta\u00e7\u00f5es de pesquisa dentro dos Science Studies com nossos antigos interesses por fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Escrevemos sobre o filme Wax or the Discovery of Television Among Bees, lan\u00e7ado em 1991 e realizado pelo artista David Blair. Este foi o primeiro filme transmitido via streaming pela internet, em 1993. Analisamos o filme enquanto artefato e documento capaz de capturar quem assiste em uma rede hiperlinkada de realidades fractais, estas tamb\u00e9m cheias de coincid\u00eancias e confus\u00f5es. Convidamos todes \u00e0 leitura e a coment\u00e1rios!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frame do filme Wax or the discovery of television among the bees. 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