{"id":2444,"date":"2021-06-28T11:51:42","date_gmt":"2021-06-28T14:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=2444"},"modified":"2021-06-28T11:51:42","modified_gmt":"2021-06-28T14:51:42","slug":"entre-maquinas-codigos-e-a-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2021\/06\/28\/entre-maquinas-codigos-e-a-pele\/","title":{"rendered":"Entre m\u00e1quinas, c\u00f3digos e a pele"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: left\">\u201cEm um contexto de tanta tens\u00e3o pol\u00edtica, tanta viol\u00eancia, a urg\u00eancia para os coletivos, as ativistas e movimentos sociais \u00e9 permanente e n\u00f3s brindamos espa\u00e7os de acolhimento, mas depois da tempestade, convocamos um momento para tomar ar e imaginarmos juntas como podemos construir atrav\u00e9s de uma permeabilidade.<br \/>\n[\u2026]<br \/>\nNossas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam como b\u00fassola que mais pessoas, mais mulheres, mais corpos se conectem com tecnologia digital, pois reconhecemos que algumas sequer ter\u00e3o acesso real a elas. Nosso movimento \u00e9 compreender tecnologias de fora para dentro, at\u00e9 voltar a pele, ao ancestral, ao que nos faz sentir, ao que nos faz conectar com quem n\u00e3o tem contato com as tecnologias em a\u00e7\u00f5es significativas e vitais, sustent\u00e1veis e hol\u00edsticas.\u201d<br \/>\nManifesto do A\u00e7o \u00e0 pele<br \/>\n<a href=\"https:\/\/fermentos.kefir.red\/aco-pele\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nanda de Vedetas e Nad\u00e8ge de K\u00e9fir<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Come\u00e7o esse texto com trechos de um manifesto escrito por companheiras que de longa data se comprometeram com o desenvolvimento de tecnologias livres, aut\u00f4nomas e feministas. Fa\u00e7o essa men\u00e7\u00e3o, primeiro por um motivo bastante pessoal. Reler essas palavras renova as minhas for\u00e7as. Em segundo lugar, porque considero que os par\u00e1grafos acima traduzem de uma forma l\u00edrica o que foi academicamente discutido no <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/cpa\/i\/2020.n59\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dossi\u00ea Tecnopol\u00edticas de G\u00eanero<\/a>, publicado pelo Cadernos Pagu em janeiro de 2021.<\/p>\n<p>Os artigos que comp\u00f5em o dossi\u00ea trazem reflex\u00f5es e achados de pesquisa de autoras do sul global, principalmente pesquisadoras e ativistas brasileiras, que t\u00eam se dedicado a investigar as intersec\u00e7\u00f5es entre g\u00eanero, pol\u00edtica e tecnologias. O fio condutor dessas discuss\u00f5es \u00e9 a \u00eanfase sobre a pot\u00eancia pol\u00edtica dos feminismos contempor\u00e2neos e o modo como esse movimento tem incorporado e se apropriado do debate sobre as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns dos textos v\u00e3o apresentar exemplos de coletivas feministas e movimentos de mulheres que est\u00e3o \u00e0 frente do desenvolvimento de infraestruturas aut\u00f4nomas e comunit\u00e1rias, procurando inventar alternativas tecnol\u00f3gicas que ressignifiquem a linguagem, construam narrativas contra-hegem\u00f4nicas e nos levem a pensar a t\u00e9cnica sempre em intera\u00e7\u00e3o com nossos corpos e viv\u00eancias. Ao mesmo tempo em que exploram essa capacidade criativa na busca por imaginar outros futuros poss\u00edveis, esses grupos tamb\u00e9m desafiam as universaliza\u00e7\u00f5es e as hierarquiza\u00e7\u00f5es do conhecimento e ocupam espa\u00e7os nos quais antes estavam invisibilizados. O cuidado de si e o cuidado umas com as outras \u00e9 uma pr\u00e1tica traduzida para as intera\u00e7\u00f5es online como estrat\u00e9gia de enfrentamento \u00e0s viol\u00eancias e \u00e0s m\u00faltiplas desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe.<\/p>\n<p>Outro conjunto de artigos est\u00e1 dedicado \u00e0s rela\u00e7\u00f5es mais \u00edntimas mantidas entre corpos e tecnologias e o modo como as formas de vigil\u00e2ncia e controle sobre a sa\u00fade sexual e reprodutiva se reconstroem sob a inger\u00eancia de aplicativos, algoritmos e m\u00eddias sociais. De outro lado, horm\u00f4nios e t\u00e9cnicas de transforma\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o ingredientes que subvertem as normas estabelecidas e tornam poss\u00edvel a performance dos corpos transmasculinos. O corpo \u00e9 dado, mas tamb\u00e9m \u00e9 c\u00f3digo na atual ordem informacional.<\/p>\n<p>Cada um dos textos contribui a seu modo para desdobrar os diversos atravessamentos entre g\u00eanero e tecnologias e tecer perspectivas futuras para redes de liberdade, autonomia e afeto. Nos tempos assombrosos em que vivemos, a ader\u00eancia \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o parece inescap\u00e1vel (desde as reuni\u00f5es e aulas online at\u00e9 o cadastro para receber o aux\u00edlio emergencial), mas ainda \u00e9 atravessada por altos \u00edndices de exclus\u00e3o ao acesso e controlada pelo monop\u00f3lio de grandes empresas que moldam a maneira como nos informamos. Mais do que nunca, habitar esses espa\u00e7os exige de n\u00f3s pensamento cr\u00edtico e engajamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de um debate situado na academia, o Dossi\u00ea Tecnopol\u00edticas de G\u00eanero \u00e9 sobretudo um chamamento, um convite a ocuparmos e politizarmos as tecnologias desde uma abordagem feminista, decolonial e interseccional.<\/p>\n<p>Para conhecer o material, <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/cpa\/i\/2020.n59\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Boa leitura!!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Daniela Ara\u00fajo \u00e9 integrante da<a href=\"https:\/\/www.marialab.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> Organiza\u00e7\u00e3o Feminista MariaLab<\/a>, Campinas, SP, Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Fotografia retangular e colorida do rosto de uma mulher negra. O rosto da mulher aparece desfocado no plano de fundo. Ela usa uma camiseta branca sem mangas e um brinco colorido dependurado. A mulher segura um cabo de internet azul e o aponta em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 c\u00e2mera. A ponta do cabo est\u00e1 desencapada e dela saem 8 fios coloridos nas cores azul, verde, laranja e branco em um formato que se assemelha a uma flor com p\u00e9talas abertas. Fim da descri\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCr\u00e9ditos da imagem: Nanda Monteiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEm um contexto de tanta tens\u00e3o pol\u00edtica, tanta viol\u00eancia, a urg\u00eancia para os coletivos, as ativistas e movimentos sociais \u00e9 permanente e n\u00f3s brindamos espa\u00e7os de acolhimento, mas depois da tempestade, convocamos um momento para tomar ar e imaginarmos juntas como podemos construir atrav\u00e9s de uma permeabilidade. 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