{"id":2593,"date":"2021-08-16T18:18:41","date_gmt":"2021-08-16T21:18:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=2593"},"modified":"2021-08-16T18:18:41","modified_gmt":"2021-08-16T21:18:41","slug":"dossie-epidemiologias-da-idealizacao-a-publicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2021\/08\/16\/dossie-epidemiologias-da-idealizacao-a-publicacao\/","title":{"rendered":"Dossi\u00ea \u201cEpidemiologias\u201d: da idealiza\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p><strong>Arriscando um diagn\u00f3stico<\/strong><br \/>\nSe convers\u00e1ssemos sobre uma doen\u00e7a com pessoas de diferentes gera\u00e7\u00f5es, regi\u00f5es ou religi\u00f5es, certamente nos colocar\u00edamos diante de modos muito singulares de conceber e lidar com os processos de adoecimento, cuidado e cura. Nesse sentido, seria um equ\u00edvoco partir do pressuposto de que diagn\u00f3sticos e estrat\u00e9gias terap\u00eauticas, por exemplo, s\u00e3o recebidos e administrados da mesma maneira por todas as pessoas. As linhas que se emaranham aos densos n\u00f3s das doen\u00e7as s\u00e3o m\u00faltiplas e podem nos levar a lugares, por vezes, inesperados.<br \/>\nNo decorrer do \u00faltimo s\u00e9culo, a acelera\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, os processos de globaliza\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento das biotecnologias e o advento da inform\u00e1tica introduziram novas complexidades tecnobiopol\u00edticas \u00e0s tramas das doen\u00e7as. Atravessando guerras e disputas pol\u00edticas, vimos (re)configurar as desigualdades socioecon\u00f4micas entre e no interior dos pa\u00edses. As trocas de mercadorias e servi\u00e7os, assim como a circula\u00e7\u00e3o de pessoas, por turismo, trabalho ou migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, atingiram volumes extraordin\u00e1rios. A atividade humana voltada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica intensificou a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, fazendo emergir novas camadas de microrganismos e colocando em rela\u00e7\u00e3o diferentes esp\u00e9cies. Com a emerg\u00eancia de novas doen\u00e7as e estrat\u00e9gias terap\u00eauticas, as multinacionais farmac\u00eauticas assumiram protagonismo tanto nas bolsas de valores quanto na vida cotidiana. O acesso aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, sejam elas verdadeiras ou falsas, tornaram-se ao mesmo tempo mais velozes e abrangentes. Desta maneira, em termos macropol\u00edticos e micropol\u00edticos, acompanhamos os efeitos de todos esses processos sobre o despertar, a prolifera\u00e7\u00e3o e a fabrica\u00e7\u00e3o de respostas \u00e0s epidemias e pandemias.<br \/>\nEm 11 de mar\u00e7o de 2020, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) classificou a emerg\u00eancia da covid-19, doen\u00e7a causada pelo novo coronav\u00edrus Sars-Cov-2 e altamente transmiss\u00edvel, como \u201cpandemia\u201d \u2013 etimologicamente, do grego antigo pan (tudo, todos) + demos (povo), o que afeta a todos ou todos os povos. Durante o an\u00fancio em <a href=\"https:\/\/twitter.com\/WHO\/status\/1237777021742338049\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">coletiva de imprensa,<\/a> o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom, alertou: \u201cPandemia n\u00e3o \u00e9 uma palavra para se usar levianamente ou descuidadamente. \u00c9 uma palavra que, se mal usada, pode causar medo irracional ou aceita\u00e7\u00e3o injustificada de que a luta acabou, levando a sofrimento e morte desnecess\u00e1rios\u201d.<br \/>\nOs primeiros casos de covid-19 haviam sido registrados em dezembro de 2019 e a primeira morte anunciada em janeiro de 2020, ambos na China. Desde esse primeiro momento, acompanhei os relatos de um amigo que vivia no pa\u00eds sobre as a\u00e7\u00f5es do governo chin\u00eas para conter a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Recordo como as medidas rigorosas nos assustavam, como o completo isolamento social, o controle da circula\u00e7\u00e3o de pessoas, a exig\u00eancia do uso de m\u00e1scaras, e a vigil\u00e2ncia, rastreamento e alerta de casos suspeitos por meio dos celulares \u2013 um cen\u00e1rio que nos transportava para os filmes, jogos e hist\u00f3rias de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica p\u00f3s-pand\u00eamicos que compartilhamos desde a inf\u00e2ncia. Naquele momento, muito se questionou ao redor do mundo sobre as origens do v\u00edrus e a seriedade dos sintomas, bem como se criticou as medidas sanit\u00e1rias adotadas pelo governo chin\u00eas. Em pouco tempo, a maioria dos pa\u00edses vieram a notificar os primeiros casos da doen\u00e7a.<br \/>\nNo Brasil, o primeiro caso de covid-19 foi registrado em<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/sites\/portal.fiocruz.br\/files\/documentos\/boletim_covid_edicao_especial_2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> fevereiro de 2020<\/a>. Desde ent\u00e3o, temos vivido em estado permanente de ang\u00fastias e incertezas, como se caminh\u00e1ssemos na contram\u00e3o do alerta proferido pelo Dr. Adhanom. Somado a isso, somos atravessados pela sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia frente \u00e0 pol\u00edtica de morte instaurada pelo atual governo federal.<br \/>\nEmbora tenham sido desenvolvidas <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-020-03626-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">as mais r\u00e1pidas vacinas da hist\u00f3ria<\/a> \u2013 <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/en\/covid-19-vaccinations-whats-the-progress\/a-55648707\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">algumas delas chinesas ou produzidas naquele pa\u00eds<\/a> \u2013, o n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es e mortes por aqui segue alcan\u00e7ando registros di\u00e1rios assustadores e o ritmo de vacina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 lento. As estrat\u00e9gias adotadas pela gest\u00e3o federal n\u00e3o foram aquelas reconhecidas como eficazes pelas ci\u00eancias (distanciamento social, uso de m\u00e1scaras, rastreamento de casos e vacina\u00e7\u00e3o). Diferente disso, o pa\u00eds foi transformado em um laborat\u00f3rio experimental para o uso de medicamentos ineficazes (principalmente, hidroxicloroquina e ivermectina) e a promo\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o em massa ou a chamada \u201cimuniza\u00e7\u00e3o de rebanho\u201d. Tudo em nome da economia, que n\u00e3o podia parar. Restou a cada estado e munic\u00edpio atuar em nome da vida por meio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), com respaldo do <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/noticias\/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=441447&amp;ori=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Supremo Tribunal Federal (STF)<\/a>.<br \/>\nA Unicamp, institui\u00e7\u00e3o na qual curso o doutorado, foi a primeira universidade brasileira a anunciar a suspens\u00e3o das atividades presenciais, em <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/campinas-regiao\/noticia\/2020\/03\/12\/unicamp-anuncia-suspensao-das-atividades-por-conta-do-coronavirus.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">12 de mar\u00e7o de 2020<\/a>. A medida, tomada como precipitada por alguns naquele momento, demandou por parte de toda a comunidade acad\u00eamica a constru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o completamente virtualizada com o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, mediada por computadores, celulares, microfones, c\u00e2meras e softwares. Em seguida, outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas nos mais diferentes n\u00edveis de ensino suspenderam as suas atividades, tamb\u00e9m adotando plataformas virtuais. Com esta \u201cvirtualiza\u00e7\u00e3o do ensino\u201d, mais uma vez foram evidenciadas as desigualdades socioecon\u00f4micas que atravessam o sistema educacional no pa\u00eds.<br \/>\nEnquanto cientista social e leitor dos mais diferentes textos sobre o assunto, deparei-me com in\u00fameros temas e problemas a respeito deste contexto pand\u00eamico. S\u00e3o alguns exemplos: os efeitos do isolamento social e medidas de higiene sobre o comportamento, o papel das m\u00eddias na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es seguras e not\u00edcias falsas, as m\u00faltiplas faces da desigualdade, as configura\u00e7\u00f5es e impactos do trabalho remoto, a geopol\u00edtica no desenvolvimento das vacinas e patentes, a preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental, a vida e a morte. Al\u00e9m disso, passei a refletir sobre os ganhos epistemol\u00f3gicos e metodol\u00f3gicos em experimentar promover rela\u00e7\u00f5es interdisciplinares entre a pandemia de covid-19 e outras epidemias e pandemias. Germinavam algumas ideias na dire\u00e7\u00e3o de um trabalho coletivo.<\/p>\n<p><strong>Reagindo<\/strong><br \/>\nPensando no cen\u00e1rio que se desenhava e aliado aos meus interesses atuais de pesquisa no doutorado sobre as configura\u00e7\u00f5es e desdobramentos de terapias experimentais para a cura do HIV, ainda em mar\u00e7o de 2020, propus \u00e0 Daniela Manica (orientadora do projeto) a organiza\u00e7\u00e3o de um dossi\u00ea que englobasse m\u00faltiplas perspectivas sobre as doen\u00e7as, epidemias, pandemias, modos de cuidado e cura. Prontamente, a proposta foi aceita e incentivada. Logo em seguida, entrei em contato com Carolina Cantarino, uma das coordenadoras da <a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revista ClimaCom<\/a>, para encaminhar a proposta do dossi\u00ea. Em di\u00e1logo com Susana Dias, tamb\u00e9m coordenadora do peri\u00f3dico, o projeto foi acolhido com previs\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o para dezembro daquele ano. Por sugest\u00e3o de Carolina, a prop\u00f3sito, o t\u00edtulo do dossi\u00ea foi alterado de \u201cEpidemias\u201d para \u201cEpidemiologias\u201d, levando em considera\u00e7\u00e3o os seus estudos sobre antropologia e filosofia da ci\u00eancia. O novo t\u00edtulo tornava mais n\u00edtida a proposta de multiplicar as concep\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias e saberes sobre as doen\u00e7as.<br \/>\nO primeiro movimento do projeto editorial foi o de elaborar a <a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/pagina-principal\/dossie-epidemiologias-chamada-aberta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">chamada de trabalhos<\/a>, em parceria com Daniela. Convidamos, ent\u00e3o, a submiss\u00e3o de artigos, ensaios, resenhas, entrevistas, textos jornal\u00edsticos, experimenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e viv\u00eancias culturais que se dispusessem a pensar criativamente e criticamente os acontecimentos das doen\u00e7as. Covid-19, zika, febre amarela, dengue, HIV\/aids, s\u00edfilis, var\u00edola e influenzas foram apenas alguns exemplos mencionados, que geraram e ainda geram grande poder de transforma\u00e7\u00e3o e, por isso, precisavam ser pensados. Com v\u00edrus, bact\u00e9rias, aves, porcos, morcegos, mosquitos, vacinas, medicamentos, hospitais, corpos, emo\u00e7\u00f5es, movimentos sociais\u2026 provocamos os\/as autores\/as a recolherem as linhas que comp\u00f5em os emaranhados das doen\u00e7as. A partir disso, caberia pensar como as fronteiras entre natureza e cultura, humano e m\u00e1quina, sujeito e objeto, ci\u00eancia e pol\u00edtica, raz\u00e3o e afeto, vida e morte s\u00e3o desestabilizadas. E refletir sobre as categorias pol\u00edticas mobilizadas, nas reapropria\u00e7\u00f5es e devires poss\u00edveis, sobre como novas experi\u00eancias emergiam, e os modos de narrar tantas hist\u00f3rias. Ao despertar para os novos encontros, reconhecemos que somente modos de conhecimento plurais e politicamente situados estavam habilitados para perseguir essas provoca\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPublicada a chamada, caberia organizar as agendas, aguardar o recebimento dos trabalhos e realizar alguns convites para publica\u00e7\u00e3o. Aos poucos, chegavam produ\u00e7\u00f5es originais de autores\/as dos mais diferentes campos de atua\u00e7\u00e3o e n\u00edveis de forma\u00e7\u00e3o. Recebemos 33 trabalhos, sendo a maioria artigos (11), produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas (8) e ensaios (7). Al\u00e9m de colabora\u00e7\u00f5es nacionais, o dossi\u00ea contou ainda com submiss\u00f5es internacionais (Portugal, Estados Unidos, Col\u00f4mbia e Argentina). Acolhemos e oferecemos o mesmo tratamento editorial a todos os trabalhos recebidos. Isso envolveu leituras, o encaminhamento dos artigos e ensaios para parecer cient\u00edfico (no caso dos artigos e ensaios), e mais leitura. Durante o processo, buscamos desenvolver uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com todos\/as os\/as colaboradores\/as. Um modo de fazer ci\u00eancia distante das realidades dos\/as autores\/as n\u00e3o dialogava com o nosso prop\u00f3sito.<br \/>\nPara compor o dossi\u00ea, propus \u00e0 Daniela e aos colegas do Labirinto uma oficina de escrita criativa visando a constru\u00e7\u00e3o coletiva de um conto de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. N\u00e3o havia um roteiro pr\u00e9-estabelecido ou modelo a seguir, apenas o conhecimento de minha parte sobre essa possibilidade. O laborat\u00f3rio tem sido justamente este espa\u00e7o acolhedor para proposi\u00e7\u00e3o de ideias e inven\u00e7\u00f5es com diferentes modos de express\u00e3o, inspirados por autoras e autores que temos lido e discutido, como Donna Haraway, Anna Tsing, Tim Ingold, F\u00e1bio Kabral e Octavia Butler.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, atrav\u00e9s de um documento compartilhado, uma p\u00e1gina em branco convidava \u00e0 escrita de ao menos um par\u00e1grafo, sem qualquer obrigatoriedade. Escrevi os dois primeiros par\u00e1grafos especulando um futuro ap\u00f3s as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e recorrentes pandemias, regido por protocolos de higieniza\u00e7\u00e3o e contato social, no qual as formas de vida das quais conhecemos hoje s\u00f3 pudessem ser acessadas em bases de dados ou parques artificiais. Experimentei dar os primeiros passos para a constru\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio e da personagem, sem ter qualquer controle sobre o andamento da hist\u00f3ria.<br \/>\nFui surpreendido pelo rico debate que a hist\u00f3ria gerou entre n\u00f3s. Aos poucos, cada participante sentiu-se \u00e0 vontade para contribuir, ainda que n\u00e3o soubesse muito bem de onde partir e aonde chegar. O desafio era justamente este: permitir-se habitar um lugar desconhecido, arriscando costurar os fios da hist\u00f3ria. O caminho percorrido da ideia \u00e0 materializa\u00e7\u00e3o do texto n\u00e3o deixa de ser, sobretudo, embara\u00e7oso. Tamanho movimento \u00e9 experimentado em qualquer trabalho de escrita, em artigos, disserta\u00e7\u00f5es, teses ou outros g\u00eaneros narrativos pelos quais nos aventuramos. Por esse motivo, o dispositivo da escrita nos \u00e9 t\u00e3o caro.<br \/>\nAo final do processo de escrita, tivemos a contribui\u00e7\u00e3o de 11 integrantes do Labirinto (Adriana Silvestrini, Brunno Toledo Pereira, Camila Montagner Fama, Cristiana de Oliveira Gonzalez, Daniela Manica, Fernando Monteiro Camargo, Jacqueline de Campos Medeiros, Kris Herik de Oliveira, Marina Bohnenberger, Milena Peres, Violeta Assump\u00e7\u00e3o da Cunha), chegando a pouco mais de 20 p\u00e1ginas de uma esp\u00e9cie de material bruto que demandava ser esculpido ou uma trama de fios soltos a serem entrela\u00e7ados. Para isso, em parceria com Daniela assumi o processo de edi\u00e7\u00e3o do conto, movimentando, removendo ou adicionando trechos e palavras. Al\u00e9m disso, acrescentei os t\u00edtulos do conto e de cada parte. Por fim, realizamos o exerc\u00edcio de leitura coletiva, onde cada um p\u00f4de sugerir novas altera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAo entrar em contato com o texto final de \u201c<a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/2320-dormio-labirinto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">2320 \u2013 Dormio<\/a>\u201d e reconhecendo a expans\u00e3o na busca por experi\u00eancias narradas em \u00e1udio, a exemplo dos audiobooks e podcasts, arrisquei outra proposi\u00e7\u00e3o: a produ\u00e7\u00e3o de um audioconto. A ideia foi acolhida por todos\/as e desenvolvida pelas colegas interessadas em narra\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do \u00e1udio, bem como na constru\u00e7\u00e3o da paisagem sonora (Adriana Silvestrini, Carolina Carretin, Jacqueline de Campos Medeiros, Clarissa Reche, Milena Peres, Violeta Assump\u00e7\u00e3o da Cunha). O resultado ficou encantador, m\u00e1gico.<br \/>\nDevido \u00e0 extens\u00e3o do conto, ainda foi poss\u00edvel torn\u00e1-lo um livro digital para ser folheado. Para esse trabalho, Clarissa se disp\u00f4s a diagramar o texto e produzir algumas ilustra\u00e7\u00f5es digitais. Pudemos contar tamb\u00e9m com uma ilustra\u00e7\u00e3o de Laura Lino. Desta maneira inventiva, produzimos um resultado m\u00faltiplo, que jamais seria poss\u00edvel de ser alcan\u00e7ado em outro contexto ou situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nConclu\u00eddo o conto, realizamos os \u00faltimos movimentos enquanto editores do <a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/apresentacao-editorial-dossie-epidemiologias-ano-7-n-19-2020-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dossi\u00ea \u201cEpidemiologias\u201d<\/a> com a elabora\u00e7\u00e3o do texto de apresenta\u00e7\u00e3o. O texto em quest\u00e3o buscou resgatar a proposta original e dialogar com o material recebido. Outro desafio se apresentou nesta etapa, o de sintetizar em poucas linhas toda a experi\u00eancia com o dossi\u00ea e o conte\u00fado dos trabalhos. Dentro de duas se\u00e7\u00f5es, \u201cDiagn\u00f3stico\u201d e \u201cRea\u00e7\u00e3o\u201d, optamos por atualizar o texto da chamada e apresentar brevemente os temas abordados pelas colabora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAssim, de um modo politicamente situado, os trabalhos compuseram narrativas que provocam fissuras em estados de coisas, inspiram, despertam para novos problemas, e transbordam. S\u00e3o alguns dos temas percorridos criticamente e criativamente pelas autoras e autores: fluxos e devires da pandemia de Covid-19; isolamento social; vida e morte; ensaios cl\u00ednicos e quest\u00f5es raciais; corpos, escalas e fronteiras imunol\u00f3gicas; manifesta\u00e7\u00f5es culturais de cuidado; macacos, febre amarela e literatura; HIV\/aids, artes e contamina\u00e7\u00f5es; queimadas e doen\u00e7as respirat\u00f3rias; a epidemia de Zika; defici\u00eancias; sonhos, distopias e realidades epid\u00eamicas; gestos contra a necropol\u00edtica; alteridade e exclus\u00f5es; cosmopol\u00edtica; vidas e artes n\u00e3o humanas; divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Contamos ainda com as contribui\u00e7\u00f5es do projeto \u201cArvorecer de casa em casa\u201d, com curadoria de Susana Dias, e outros conte\u00fados jornal\u00edsticos de colaboradores da ClimaCom.<br \/>\nNada do que foi feito envolveu atividades simples e r\u00e1pidas. Todo o trabalho, da idealiza\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o (em dezembro de 2020), levou o tempo de uma gesta\u00e7\u00e3o: nove meses. Isto envolveu a dedica\u00e7\u00e3o de todos\/as que colaboraram com o dossi\u00ea: editores, autores\/as e equipe da ClimaCom. Levamos adiante esta proposta imersos em rotinas extensas enquanto pesquisadores\/as, professores\/as, orientadores\/as, artistas, m\u00e3es, pais, cuidadores\/as. Era a rea\u00e7\u00e3o que o momento exigia. Assim, deixamos uma singela contribui\u00e7\u00e3o ao que j\u00e1 vivemos, temos vivido e ainda viveremos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/apresentacao-editorial-dossie-epidemiologias-ano-7-n-19-2020-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acesse o dossi\u00ea completo aqui.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Imagem: Capa do dossi\u00ea &#8220;Epidemiologias&#8221;. Cr\u00e9ditos: David S. Goodsell. Respiratory droplet, 2020. Ilustra\u00e7\u00e3o em aquarela.<\/p>\n<p>Descri\u00e7\u00e3o da imagem: A imagem quadrangular \u00e9 a capa do dossi\u00ea &#8220;Epidemiologias&#8221;. \u00c0 frente da imagem est\u00e1 escrito &#8220;ClimaCom&#8221; (em branco e magenta) e &#8220;Epidemiologias&#8221; (em magenta). Ao fundo da imagem h\u00e1 um recorte da ilustra\u00e7\u00e3o em aquarela &#8220;Respiratory droplet&#8221; (2020), do pesquisador e artista estadunidense David S. Goodsell. A ilustra\u00e7\u00e3o mostra um corte transversal atrav\u00e9s de uma pequena gota respirat\u00f3ria, como as que transmitem o SARS-CoV-2, preenchida com mol\u00e9culas que est\u00e3o presentes no trato respirat\u00f3rio, incluindo mucinas (verde), prote\u00ednas e lip\u00eddios do surfactante pulmonar (azul) e anticorpos (castanho). Emaranhado \u00e0 got\u00edcula h\u00e1 um v\u00edrus (em magenta e lil\u00e1s).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arriscando um diagn\u00f3stico Se convers\u00e1ssemos sobre uma doen\u00e7a com pessoas de diferentes gera\u00e7\u00f5es, regi\u00f5es ou religi\u00f5es, certamente nos colocar\u00edamos diante de modos muito singulares de conceber e lidar com os processos de adoecimento, cuidado e cura. Nesse sentido, seria um equ\u00edvoco partir do pressuposto de que diagn\u00f3sticos e estrat\u00e9gias terap\u00eauticas, por exemplo, s\u00e3o recebidos e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":733,"featured_media":2594,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[29,30,36,42,78,88],"tags":[],"class_list":["post-2593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cuidados","category-curas","category-doencas","category-epidemiologias","category-pandemia","category-publicacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/733"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2593"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2593\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}