{"id":2712,"date":"2021-10-18T11:08:00","date_gmt":"2021-10-18T14:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=2712"},"modified":"2021-10-18T11:08:00","modified_gmt":"2021-10-18T14:08:00","slug":"zine-a-informacao-ou-o-medo-da-interatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2021\/10\/18\/zine-a-informacao-ou-o-medo-da-interatividade\/","title":{"rendered":"Zine \u201ca informa\u00e7\u00e3o\u201d, ou o medo da interatividade"},"content":{"rendered":"<p>Na sala semi-vazia ecoava um n\u00e3o-dito inc\u00f4modo. De nossas janelinhas, lan\u00e7amos olhares digitais uns aos outros. Era um dia diferente em nosso laborat\u00f3rio. Resolvi quebrar o sil\u00eancio e fazer a pergunta que pairava suspensa. \u201cO que voc\u00eas est\u00e3o sentindo?\u201d<br \/>\nAs respostas davam conta de um medo. Medo do que, afinal? A melhor explica\u00e7\u00e3o veio de uma compara\u00e7\u00e3o entre a oficina de cria\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as gr\u00e1ficas que est\u00e1vamos prestes a realizar e um \u201cteatro interativo\u201d. Medo da interatividade.<br \/>\nA proposta da oficina surgiu dentro das atividades do Labirinto de investiga\u00e7\u00f5es coletivas sobre imagem, imagina\u00e7\u00e3o, especula\u00e7\u00e3o, arte e (tecno)ci\u00eancia. O conto <a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/2320-dormio-labirinto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2320 Dormio<\/a> \u00e9 um exemplo desta pesquisa-produ\u00e7\u00e3o. Realizada dia 06 de maio de 2021 durante nossos encontros virtuais, a oficina integrou um ciclo de leituras com o tema da \u201cInforma\u00e7\u00e3o\u201d, onde costuramos James Gleick, Mauro Almeida, Gilbert Simondon e Gregory Bateson. Durante o resto do semestre, nos encontramos tamb\u00e9m com Donna Haraway, Isabelle Stengers, Marilyn Strathern, Paul Preciado e Audre Lorde.<br \/>\nDurante a oficina, apresentei algumas ferramentas visuais-gr\u00e1ficas \u00fateis para projetar uma determinada rela\u00e7\u00e3o entre a imagem e os olhares que a encontram. Composi\u00e7\u00e3o, unidade, harmonia, equil\u00edbrio e contraste s\u00e3o conhecidos como elementos fundamentais do design. \u00c9 lan\u00e7ando m\u00e3o destes elementos &#8211; e os tensionando &#8211; que uma artista gr\u00e1fica vai comunicar movimento, repouso, continuidade ou ruptura das expectativas.<br \/>\nO exerc\u00edcio proposto foi o de criar coletivamente <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fanzine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma zine<\/a>. Cada um de n\u00f3s buscou em suas anota\u00e7\u00f5es que mais chamou aten\u00e7\u00e3o durante os estudos sobre informa\u00e7\u00e3o e exercitou comunicar visualmente estes senti-pensares.<br \/>\nUtilizo a zine como ferramenta pedag\u00f3gica de pesquisa h\u00e1 muito tempo, junto com as crian\u00e7as e adolescentes de escolas p\u00fablicas das periferias de S\u00e3o Paulo com quem trabalhei. O processo de elabora\u00e7\u00e3o coletiva de express\u00f5es sobre as experi\u00eancias vividas \u00e9 um momento cat\u00e1rtico de encontro consigo, j\u00e1 que envolve uma intensa negocia\u00e7\u00e3o entre as mem\u00f3rias internalizadas e as possibilidades de externaliz\u00e1-las. A escolha dos meios expressivos (palavras, formas, cores, etc.) leva em conta uma pondera\u00e7\u00e3o sobre a adequa\u00e7\u00e3o daqueles com o que lembramos que vivemos, e ao mesmo tempo modulamos tais escolhas a partir das expectativas de como ser\u00e3o recebidas. Lado a lado, cada cria\u00e7\u00e3o individual resultante desse embate consigo mesmo comp\u00f5e um todo sens\u00edvel cuja apreens\u00e3o escapa da formaliza\u00e7\u00e3o racionalizante que impera nas escolas &#8211; e na universidade tamb\u00e9m.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 estranho, portanto, que esse medo da interatividade se enra\u00edze em n\u00f3s, e em muitos casos nos paralise. Talvez a palavra escrita, e nosso of\u00edcio de escrev\u00ea-las, nos traga alguma ilus\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o contra o horror do mal entendido. E talvez o convite para experimentar a interatividade, esse olhar-para-si-e-para-o-resto que a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica provoca, seja tamb\u00e9m um convite para nos expormos de forma frontal ao desentendimento.<br \/>\nPara mim, de nossos estudos o que mais assentou \u00e9 a ideia de informa\u00e7\u00e3o como surpresa, capaz de provocar uma mudan\u00e7a no estado anterior do sistema em quest\u00e3o. Durante a constru\u00e7\u00e3o de nossa zine, pudemos experimentar essa estranha e desconcertante surpresa em perceber que o indiz\u00edvel pode produzir informa\u00e7\u00e3o, e informar nada tem a ver com entender.<\/p>\n<p>Convidamos a todes para conhecer a zine <a href=\"https:\/\/issuu.com\/labirinto_labjor\/docs\/info\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201ca informa\u00e7\u00e3o\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Legenda da imagem: Ilustra\u00e7\u00e3o que comp\u00f5e a zine \u201cA Informa\u00e7\u00e3o\u201d. Cr\u00e9ditos: Carolina Carettin.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sala semi-vazia ecoava um n\u00e3o-dito inc\u00f4modo. De nossas janelinhas, lan\u00e7amos olhares digitais uns aos outros. Era um dia diferente em nosso laborat\u00f3rio. Resolvi quebrar o sil\u00eancio e fazer a pergunta que pairava suspensa. \u201cO que voc\u00eas est\u00e3o sentindo?\u201d As respostas davam conta de um medo. Medo do que, afinal? 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