{"id":2778,"date":"2021-11-29T18:08:02","date_gmt":"2021-11-29T21:08:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=2778"},"modified":"2021-11-29T18:08:02","modified_gmt":"2021-11-29T21:08:02","slug":"seminario-tematico-na-react-vazantes-de-menstruacoes-diversas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2021\/11\/29\/seminario-tematico-na-react-vazantes-de-menstruacoes-diversas\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio tem\u00e1tico na ReACT: vazantes de menstrua\u00e7\u00f5es diversas"},"content":{"rendered":"<p>Em todo o mundo pessoas menstruam. No entanto, menstruar n\u00e3o \u00e9 um denominador comum: n\u00e3o se menstrua do mesmo jeito e nem sempre harmonicamente. Em todos os lugares existem mulheres menstruando, mas tamb\u00e9m existem aquelas que n\u00e3o menstruam. Devemos nos lembrar tamb\u00e9m dos homens que menstruam, das pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias e intersexuais. Tematizar a menstrua\u00e7\u00e3o nas Ci\u00eancias Sociais nos obriga a trazer o corpo para o debate, desafiando os essencialismos de g\u00eanero. Na oitava edi\u00e7\u00e3o da Reuni\u00e3o de Antropologia da Ci\u00eancia e Tecnologia, debatemos as possibilidades da menstrua\u00e7\u00e3o no Semin\u00e1rio Tem\u00e1tico <a href=\"https:\/\/react2021.faiufscar.com\/materia\/295-semin%C3%A1rios-tem%C3%A1ticos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cSangue, T\u00e9cnica e Multiplicidade: vazantes de menstrua\u00e7\u00f5es diversas\u201d<\/a>, que ocorreu entre os dias 23 e 26 de novembro, em quatro se\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm uma iniciativa engajada de di\u00e1logo entre a etnologia e a antropologia da ci\u00eancia e estudos de g\u00eanero, as professoras Daniela Manica (Unicamp) e Lu\u00edsa Elvira Belaunde (UNMSM &#8211; Lima, Peru) propuseram este espa\u00e7o que permitiu que dezessete trabalhos de pesquisadoras\/es de mestrado e doutorado de universidades p\u00fablicas brasileiras, da Col\u00f4mbia e do Peru fossem apresentados. Os trabalhos discutiram tem\u00e1ticas importantes para etnologia como o resguardo das mulheres menstruadas, rituais de menarca, a rela\u00e7\u00e3o entre a menstrua\u00e7\u00e3o e a lua. Para tanto, se reconhece a multiplicidade: fatores como tempo, ciclo, presen\u00e7a de cheiro, a cor, a temperatura, os instrumentos e t\u00e9cnicas para o cuidado de quem menstrua s\u00e3o agentes importantes para a fabrica\u00e7\u00e3o do g\u00eanero.<br \/>\nDo ponto de vista da antropologia da ci\u00eancia e dos estudos de g\u00eanero foram abordadas as tecnologias materiais e biotecnol\u00f3gicas que inscreveram o cissexismo nos corpos de mulheres cisg\u00eanero, como a p\u00edlula anticoncepcional, aplicativos de monitoramento do ciclo menstrual para smartphones, a experi\u00eancia estigmatizada de menstruar na escola e tamb\u00e9m banheiros p\u00fablicos, que resultam em vazios rituais para aquelas\/es que est\u00e3o sujeitas\/os ao capitalismo tecnocient\u00edfico. H\u00e1 ainda a demanda por entender a menstrua\u00e7\u00e3o como uma experi\u00eancia de conhecimento e contempla\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es particulares, nem sempre limitadas somente ao corpo ou s\u00f3 como as sociedades se organizaram diante da idiossincrasia das pessoas com ciclo. Diante dos atuais debates na esfera p\u00fablica, tamb\u00e9m discutimos o tema da \u201cpobreza menstrual\u201d, questionando as origens do termo e que tipo de alteridades est\u00e3o sendo produzidas por diferentes atores ao pautarem o assunto (da ind\u00fastria farmac\u00eautica, passando por legisladores e movimentos feministas de distintos espectros).<br \/>\nConectar as duas \u00e1reas do conhecimento atrav\u00e9s da menstrua\u00e7\u00e3o coloca o desafio de faz\u00ea-lo sem criar grandes generaliza\u00e7\u00f5es, sem desconsiderar as especificidades, sem fazer essencialismos, sem abrir m\u00e3o da etnografia. Tal tarefa reconhece a necessidade de superar manique\u00edsmos, assumir o contradit\u00f3rio e o amb\u00edguo nas rela\u00e7\u00f5es humanas para levantar o paradigma do cuidado menstrual como uma necessidade das mulheres cis g\u00eanero, homens trans e pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias. Nos coloca na posi\u00e7\u00e3o de desafiar o cissexismo, a branquitude, o feminismo liberal e a romantiza\u00e7\u00e3o da menstrua\u00e7\u00e3o para construir alian\u00e7as para um futuro poss\u00edvel alternativo ao capitalismo tecnocient\u00edfico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cr\u00e9dito da imagem: Foto autoral da pesquisadora Janaina de Araujo Morais.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todo o mundo pessoas menstruam. No entanto, menstruar n\u00e3o \u00e9 um denominador comum: n\u00e3o se menstrua do mesmo jeito e nem sempre harmonicamente. Em todos os lugares existem mulheres menstruando, mas tamb\u00e9m existem aquelas que n\u00e3o menstruam. 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