{"id":3041,"date":"2022-08-08T21:17:20","date_gmt":"2022-08-09T00:17:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=3041"},"modified":"2022-08-08T21:17:20","modified_gmt":"2022-08-09T00:17:20","slug":"profecias-passadas-e-futuros-latentes-especulacoes-como-ferramentas-de-pensamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2022\/08\/08\/profecias-passadas-e-futuros-latentes-especulacoes-como-ferramentas-de-pensamento\/","title":{"rendered":"Profecias passadas e futuros latentes: especula\u00e7\u00f5es como ferramentas de pensamento"},"content":{"rendered":"<p>Acho que foi no come\u00e7o de 2021. N\u00e3o me lembro como, mas chegou at\u00e9 mim uma proposta super interessante: antrop\u00f3logos da Universidade de Osaka, no Jap\u00e3o, estavam convocando grupos ao redor do mundo para a constru\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o online e coletiva composta por objetos fabricados durante um exerc\u00edcio de ci\u00eancias sociais e fic\u00e7\u00e3o especulativa.<br \/>\nBatizado de <a href=\"https:\/\/fict.site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cFICT\u201d (Fragmentary Institute of Comparative Timelines)<\/a>, o projeto propunha que cada \u201cfragmento\u201d (grupo de pessoas) criasse tal \u201cobjeto\u201d a partir de uma situa\u00e7\u00e3o ficcional determinada por eles. Ao ler a descri\u00e7\u00e3o de tal situa\u00e7\u00e3o disparadora, meu est\u00f4mago revirou e um fogo tomou conta de mim. O nome da proposta era \u201cDiminutivo Europeu\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>nessas linhas do tempo, a(s) doen\u00e7a(s) conhecida(s) como \u201cPeste Negra\u201d ou \u201cPeste\u201d desencadearam uma s\u00e9rie de eventos que desautorizaram ou rapidamente encerraram tentativas de pa\u00edses do que foi chamado de \u201cEuropa\u201d de invadir e colonizar grande parte da Terra.<\/p><\/blockquote>\n<p>Busquei pessoas queridas que topassem esse desafio comigo. Vieram amigues da antropologia, m\u00fasica, artes, lingu\u00edstica. E trabalhamos durante meses em nosso objeto, marcado por um princ\u00edpio que acordamos entre n\u00f3s: a recusa em imaginar um mundo onde n\u00f3s, frutos diretos da viol\u00eancia colonial, n\u00e3o exist\u00edssemos. Isso seria f\u00e1cil demais, e resolveria sem nenhum tipo de pensamento cr\u00edtico o \u201cproblema\u201d que \u00e9 a nossa exist\u00eancia. Insistimos em nos manter vivos. O que surgiu disso foi uma esp\u00e9cie de <a href=\"https:\/\/fict.clarissareche.repl.co\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cdi\u00e1rio de sonhos\u201d, uma armadilha comunicacional<\/a> que criamos para tentar lidar com o que consideramos como central nesta proposta: o perigo constante \u2013 e talvez eterno \u2013 do desejo colonizador.<br \/>\nDurante o processo de cria\u00e7\u00e3o, acionamos nossas bagagens acad\u00eamicas. A pr\u00f3pria ideia de construir uma armadilha veio da antropologia: por um lado, a bonita proposta de <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwjbuN6jvLj5AhXVBrkGHVERC28QFnoECAsQAQ&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.academia.edu%2F38220949%2FAlfred_Gell_A_rede_de_Vogel_armadilhas_como_obras_de_arte_e_obras_de_arte_como_armadilhas&amp;usg=AOvVaw3s4H5Zj65i81APCMBLIL9b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201carmadilhas como obras de arte e obras de arte como armadilhas\u201d de Alfred Gell<\/a>, e por outro lado os <a href=\"https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/178276\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conhecimentos amer\u00edndios sobre armadilhas de ca\u00e7a e de captura<\/a>. A exposi\u00e7\u00e3o online ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta, mas tivemos alguns encontros com outros fragmentos para compartilhar os resultados. O que notamos foi uma certa dificuldade em escapar das ferramentas de pensamento coloniais. Por exemplo, alguns fragmentos europeus escolheram etnografias e museografias para abrigar seus objetos, enquanto alguns fragmentos asi\u00e1ticos projetaram um mundo onde todos usavam quimono, resultado de uma coloniza\u00e7\u00e3o sino-japonesa.<br \/>\nMuitas pensadoras v\u00eam nos convocando \u00e0 retomar nossa capacidade de imaginar outros mundos poss\u00edveis. A fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica especulativa vem sendo apontada como uma ferramenta para abrir essas possibilidade. <a href=\"http:\/\/climacom.mudancasclimaticas.net.br\/2320-dormio-labirinto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aqui no Labirinto j\u00e1 realizamos experi\u00eancias neste sentido<\/a>. Espero que o relato desta experi\u00eancia possa contribuir com mais iniciativas potentes em utilizar nossos conhecimentos para a formula\u00e7\u00e3o de profecias passadas e de <a href=\"https:\/\/culanth.org\/fieldsights\/anthropologys-latent-futures\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">futuros latentes<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Legenda da imagem: Printscreen do<a href=\"https:\/\/fict.clarissareche.repl.co\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> objeto criado pelo fragmento S\u00e3o Paulo<\/a> durante o projeto Fict. Desenhos de Chico Jalala.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que foi no come\u00e7o de 2021. 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