{"id":3472,"date":"2023-04-11T16:12:38","date_gmt":"2023-04-11T19:12:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=3472"},"modified":"2023-04-11T16:12:38","modified_gmt":"2023-04-11T19:12:38","slug":"a-verdade-e-vermelha-um-projeto-audiovisual-sobre-menstruacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2023\/04\/11\/a-verdade-e-vermelha-um-projeto-audiovisual-sobre-menstruacao\/","title":{"rendered":"A verdade \u00e9 vermelha: um projeto audiovisual sobre menstrua\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span data-sheets-value=\"{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;Sou Luna Beatriz, tenho 17 anos, estou no ensino m\u00e9dio e sou bolsista na pesquisa #1# \u201cMenstrua\u00e7\u00e3o e Antropologia: Multiplicando possibilidades para alcan\u00e7ar dignidade\u201d. Escolhi fazer a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica porque era uma grande oportunidade. A ci\u00eancia me remete muito ao conhecimento verdadeiro. N\u00e3o tinha tanta ideia sobre isso, s\u00f3 queria aprender algo que me desse satisfa\u00e7\u00e3o. Ao descobrir que fui selecionada para o PIBIC, me deparei com o projeto escolhido para mim: Antropologia e Menstrua\u00e7\u00e3o. Eu fiquei surpresa, pensando em algo biol\u00f3gico. Pensei \u201cessa n\u00e3o \u00e9 minha \u00e1rea, como vou falar sobre menstrua\u00e7\u00e3o? o que vou aprender com isso?\u201d. Mas tinha uma palavra ali muito interessante: \u201cantropologia\u201d. Havia aprendido um pouco sobre na escola, foi o que me prendeu. O fato de relacionar menstrua\u00e7\u00e3o com antropologia era bem louco e at\u00e9 estranho de pensar. Quando lembro disso, depois de tudo que aprendi, eu vejo o quanto n\u00f3s somos educadas para pensar apenas no sentido biol\u00f3gico da menstrua\u00e7\u00e3o, esquecendo as outras formas de mexer com o ser humano, culturalmente, politicamente e at\u00e9 mesmo inconscientemente.\\r\\nDurante o projeto, produzi uma m\u00fasica e um clipe #2#. Ambos foram baseados em tudo que eu havia aprendido at\u00e9 o momento. Uma das coisas que mais me inspirou foi um artigo que li sobre como a menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 representada midiaticamente. Nele, tinha uma an\u00e1lise sobre como o sangue era mostrado nos meios de comunica\u00e7\u00e3o: na maioria das vezes era azul, flores ou colorido, e o per\u00edodo menstrual costuma ser retratado de maneira muito fantasiosa ou velada, fugindo completamente da nossa realidade durante esse momento nosso. N\u00e3o acordamos sentindo gosto de algod\u00e3o doce logo de manh\u00e3, sabe? N\u00f3s temos que lidar com nossa menstrua\u00e7\u00e3o, as dores, inc\u00f4modos e toda a vulnerabilidade.\\r\\nO objetivo da minha produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de causar um \u201cchoque positivo\u201d, mostrei o sangue menstrual real, o que foi um dos meus maiores desafios. Digo na letra da m\u00fasica, \u201cquantas vezes eu vou ter que chocar voc\u00ea?\u201d, pensando na dificuldade de sermos ouvidas e at\u00e9 mesmo de mostrar a realidade, mostrar a cor do sangue. Deixei tudo o mais vermelho poss\u00edvel, da cor das unhas at\u00e9 a l\u00e2mpada. Gosto de falar que esse \u00e9 o nosso per\u00edodo vermelho, o que sai de n\u00f3s est\u00e1 vermelho, sentimos o vermelho e vemos o vermelho. Coloquei bastante natureza no v\u00eddeo, \u00e1rvores, folhas, terra e fogo. Toda a est\u00e9tica, linguagem corporal e pequenos detalhes foram pensados para conseguir expressar os sentimentos e at\u00e9 mesmo as perguntas que temos durante a menstrua\u00e7\u00e3o. Eu gosto muito de ouvir as interpreta\u00e7\u00f5es das pessoas porque isso significa que tocou em algum ponto que nem eu havia pensado antes.\\r\\nUma coisa que eu n\u00e3o parava para pensar e hoje eu penso muito \u00e9 no desenvolvimento da pesquisa cient\u00edfica, toda a constru\u00e7\u00e3o de ideias e dados, os v\u00e1rios erros e m\u00e9todos que temos que passar para chegar a um resultado exato e positivo. Hoje a ci\u00eancia para mim tem muito mais a ver com a experi\u00eancia real vivida para chegar ao saber.\\r&quot;}\" data-sheets-userformat=\"{&quot;2&quot;:33558972,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;6&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;7&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;8&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;10&quot;:0,&quot;11&quot;:3,&quot;15&quot;:&quot;Roboto Condensed&quot;,&quot;28&quot;:1}\">Sou Luna Beatriz, tenho 17 anos, estou no ensino m\u00e9dio e sou bolsista na pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/menstruacao-e-antropologia-multiplicando-possibilidades-para-alcancar-dignidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Menstrua\u00e7\u00e3o e Antropologia: Multiplicando possibilidades para alcan\u00e7ar dignidade\u201d<\/a>. 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Quando lembro disso, depois de tudo que aprendi, eu vejo o quanto n\u00f3s somos educadas para pensar apenas no sentido biol\u00f3gico da menstrua\u00e7\u00e3o, esquecendo as outras formas de mexer com o ser humano, culturalmente, politicamente e at\u00e9 mesmo inconscientemente.<br \/>\nDurante o projeto, produzi uma m\u00fasica e um <a href=\"https:\/\/youtu.be\/8D0ouG0UkEk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clipe<\/a>. Ambos foram baseados em tudo que eu havia aprendido at\u00e9 o momento. Uma das coisas que mais me inspirou foi um artigo que li sobre como a menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 representada midiaticamente. Nele, tinha uma an\u00e1lise sobre como o sangue era mostrado nos meios de comunica\u00e7\u00e3o: na maioria das vezes era azul, flores ou colorido, e o per\u00edodo menstrual costuma ser retratado de maneira muito fantasiosa ou velada, fugindo completamente da nossa realidade durante esse momento nosso. N\u00e3o acordamos sentindo gosto de algod\u00e3o doce logo de manh\u00e3, sabe? N\u00f3s temos que lidar com nossa menstrua\u00e7\u00e3o, as dores, inc\u00f4modos e toda a vulnerabilidade.<br \/>\nO objetivo da minha produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de causar um \u201cchoque positivo\u201d, mostrei o sangue menstrual real, o que foi um dos meus maiores desafios. Digo na letra da m\u00fasica, \u201cquantas vezes eu vou ter que chocar voc\u00ea?\u201d, pensando na dificuldade de sermos ouvidas e at\u00e9 mesmo de mostrar a realidade, mostrar a cor do sangue. Deixei tudo o mais vermelho poss\u00edvel, da cor das unhas at\u00e9 a l\u00e2mpada. Gosto de falar que esse \u00e9 o nosso per\u00edodo vermelho, o que sai de n\u00f3s est\u00e1 vermelho, sentimos o vermelho e vemos o vermelho. Coloquei bastante natureza no v\u00eddeo, \u00e1rvores, folhas, terra e fogo. Toda a est\u00e9tica, linguagem corporal e pequenos detalhes foram pensados para conseguir expressar os sentimentos e at\u00e9 mesmo as perguntas que temos durante a menstrua\u00e7\u00e3o. Eu gosto muito de ouvir as interpreta\u00e7\u00f5es das pessoas porque isso significa que tocou em algum ponto que nem eu havia pensado antes.<br \/>\nUma coisa que eu n\u00e3o parava para pensar e hoje eu penso muito \u00e9 no desenvolvimento da pesquisa cient\u00edfica, toda a constru\u00e7\u00e3o de ideias e dados, os v\u00e1rios erros e m\u00e9todos que temos que passar para chegar a um resultado exato e positivo. Hoje a ci\u00eancia para mim tem muito mais a ver com a experi\u00eancia real vivida para chegar ao saber. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou Luna Beatriz, tenho 17 anos, estou no ensino m\u00e9dio e sou bolsista na pesquisa \u201cMenstrua\u00e7\u00e3o e Antropologia: Multiplicando possibilidades para alcan\u00e7ar dignidade\u201d. 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