{"id":3632,"date":"2023-07-25T18:45:18","date_gmt":"2023-07-25T21:45:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=3632"},"modified":"2023-07-25T18:45:18","modified_gmt":"2023-07-25T21:45:18","slug":"pesquisando-os-primeiros-casos-de-cura-do-hiv-na-perspectiva-das-ciencias-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2023\/07\/25\/pesquisando-os-primeiros-casos-de-cura-do-hiv-na-perspectiva-das-ciencias-sociais\/","title":{"rendered":"Pesquisando os primeiros casos de cura do HIV na perspectiva das ci\u00eancias sociais"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos quatros anos, desenvolvi uma pesquisa de doutorado em ci\u00eancias sociais que permitiu mergulhar em um tema fascinante: os primeiros casos de cura do HIV. Esses resultados surpreendentes foram alcan\u00e7ados por meio de transplantes experimentais de c\u00e9lulas-tronco de doadores com uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica chamada CCR5\u039432\/\u039432, que confere resist\u00eancia \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus.<br \/>\nAp\u00f3s analisar mais de uma centena de documentos, observei que as primeiras curas do HIV podem ser apreendidas como acontecimentos na trajet\u00f3ria da pandemia de HIV\/aids. Isso porque os casos considerados \u201cpromissores\u201d renovaram as esperan\u00e7as, engajaram pr\u00e1ticas de pesquisa, promoveram novos debates, atra\u00edram novos investimentos, entre outras mudan\u00e7as significativas.<br \/>\nA pesquisa mostrou-se desafiadora em muitos aspectos. Foi preciso superar a inseguran\u00e7a de adentrar em novas agendas cient\u00edficas, como HIV\/aids, c\u00e9lulas-tronco e tecnoci\u00eancias. Isso incluiu percorrer e revisar uma vasta literatura cient\u00edfica em diferentes formatos, como livros, artigos, materiais de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Em suma, um trabalho dedicado a compreender as m\u00faltiplas frentes de atua\u00e7\u00e3o, a linguagem empregada, os conceitos explorados e assim por diante.<br \/>\nNesse movimento, a pesquisa desenvolvida n\u00e3o se restringiu \u00e0s ci\u00eancias sociais, mas tamb\u00e9m incluiu a investiga\u00e7\u00e3o de materiais densos das ci\u00eancias biom\u00e9dicas, como as intera\u00e7\u00f5es entre o HIV e medicamentos antirretrovirais, caracter\u00edsticas das c\u00e9lulas-tronco e pr\u00e1ticas cl\u00ednicas de transplantes celulares. Foi como aprender um novo idioma, onde precisei traduzir e me afetar por esses conhecimentos.<br \/>\nAo longo desse processo, fui surpreendido ainda pelo fato de o tema da cura do HIV ser praticamente inexplorado pelas ci\u00eancias sociais. Enquanto nas ci\u00eancias biom\u00e9dicas h\u00e1 um intenso debate sobre m\u00e9todos e t\u00e9cnicas potencialmente curativas, os desafios de acesso aos \u201creservat\u00f3rios virais\u201d e controv\u00e9rsias cient\u00edficas, nas ci\u00eancias sociais o assunto ainda carece de maior aten\u00e7\u00e3o. Isso me motivou a querer explorar essa lacuna e destacar a relev\u00e2ncia cient\u00edfica, social e pol\u00edtica desse tema.<br \/>\nEssa jornada de pesquisa ampliou as reflex\u00f5es que tenho promovido h\u00e1 dez anos nos estudos sociais sobre corpo, sexualidade e g\u00eanero, ao introduzir novas problem\u00e1ticas relativas \u00e0 sa\u00fade e biotecnologia. Assim, busquei contribuir para a problematiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas terap\u00eauticas experimentais que visam a cura do HIV. Considerando a s\u00f3lida tradi\u00e7\u00e3o socioantropol\u00f3gica em sa\u00fade e os estudos sociais da ci\u00eancia e tecnologia, certamente mais contribui\u00e7\u00f5es podem ser oferecidas a respeito dessa tem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es sobre a defesa da tese:<\/p>\n<ul>\n<li>Data: 18\/08\/2023 (sexta-feira), \u00e0s 14h<\/li>\n<li>Local: IFCH\/Unicamp, Pr\u00e9dio da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Sala Teses I<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Legenda da imagem: <span data-sheets-value=\"{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;Manchete no jornal estadunidense The New York Times reportando o primeiro caso de cura do HIV, em 2008.&quot;}\" data-sheets-userformat=\"{&quot;2&quot;:33558716,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;6&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;7&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;8&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;10&quot;:0,&quot;15&quot;:&quot;Roboto Condensed&quot;,&quot;28&quot;:1}\">Manchete no jornal estadunidense The New York Times reportando o primeiro caso de cura do HIV, em 2008. Cr\u00e9ditos da imagem: The New York Times.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos quatros anos, desenvolvi uma pesquisa de doutorado em ci\u00eancias sociais que permitiu mergulhar em um tema fascinante: os primeiros casos de cura do HIV. Esses resultados surpreendentes foram alcan\u00e7ados por meio de transplantes experimentais de c\u00e9lulas-tronco de doadores com uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica chamada CCR5\u039432\/\u039432, que confere resist\u00eancia \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus. 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