{"id":3720,"date":"2023-10-24T20:01:08","date_gmt":"2023-10-24T23:01:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=3720"},"modified":"2023-10-24T20:01:08","modified_gmt":"2023-10-24T23:01:08","slug":"vozes-da-ciencia-o-papel-da-diversidade-na-comunicacao-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2023\/10\/24\/vozes-da-ciencia-o-papel-da-diversidade-na-comunicacao-cientifica\/","title":{"rendered":"Vozes da ci\u00eancia: o papel da diversidade na comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p><span data-sheets-value=\"{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:&quot;No atual cen\u00e1rio de demandas cont\u00ednuas por uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico e a ci\u00eancia, a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 essencial para o desenvolvimento de uma cultura cient\u00edfica mais inclusiva e democr\u00e1tica. Para atingir um p\u00fablico amplo e diverso, no entanto, esse di\u00e1logo precisa ser feito por vozes diversas, que possam representar e conversar com diferentes grupos da sociedade.\\nEsse cen\u00e1rio, entretanto, est\u00e1 longe de ser realidade. Dados de pesquisa em andamento, realizada no Labjor\/Unicamp e no \u00e2mbito da Ag\u00eancia Bori, indicam que diversidade (em termos de cor\/ra\u00e7a, regi\u00e3o e g\u00eanero) \u00e9 um par\u00e2metro fora de pauta para jornalistas de ci\u00eancia (Righetti, 2022). Al\u00e9m disso, a pesquisa tamb\u00e9m mostrou que os cientistas recorrentemente procurados pela imprensa s\u00e3o, majoritariamente, homens, brancos e do estado de S\u00e3o Paulo - apesar de as fontes de cientistas oferecidas \u00e0 imprensa serem de todo o pa\u00eds e terem equil\u00edbrio de g\u00eanero.\\nPara Grada Kilomba (2008), na ci\u00eancia todos partem de um tempo e espa\u00e7o pr\u00f3prios e espec\u00edficos - o que tamb\u00e9m \u00e9 refletido na comunica\u00e7\u00e3o dessa mesma ci\u00eancia. Quando determinados grupos s\u00e3o sistematicamente barrados da conversa, a cultura cient\u00edfica como um todo perde. Nesse sentido, Canfield (2020) nota que existe uma multiplicidade de identidades na sociedade, que afeta de forma particular o engajamento de grupos inseridos em diferentes contextos pol\u00edticos e socioculturais com a ci\u00eancia. Ignorar isso \u00e9 afastar a sociedade da pr\u00e1tica e do conhecimento cient\u00edfico. A diversidade de vozes comunicando ci\u00eancia, portanto, \u00e9 essencial para atingir de forma pontual diferentes p\u00fablicos, estabelecendo um di\u00e1logo com maior chance de representatividade e, consequentemente, mais eficiente para engajar as comunidades diversas que comp\u00f5em a sociedade.\\nApesar do crescimento na inclus\u00e3o e diversidade na ci\u00eancia nos \u00faltimos anos, o avan\u00e7o ainda \u00e9 superficial, porque as condi\u00e7\u00f5es de poder se mant\u00eam as mesmas. Os gatekeepers, tomadores de decis\u00f5es, l\u00edderes e chefes dentro da ci\u00eancia mundial - que normalmente representam as vozes da ci\u00eancia, ou seja, quem ser\u00e1 ouvido dentro de determinado tema cient\u00edfico - ainda n\u00e3o contemplam diferentes perspectivas de g\u00eanero, ra\u00e7a e regi\u00e3o. Essas lacunas de diversidade tornam a comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia um lugar de exclusividade que, historicamente, exclui comunidades e vozes marginalizadas (Dawson, 2014).\\nEm meio a tantas demandas e necessidades, ainda existe luz no fim do t\u00fanel. Dentre as estrat\u00e9gias para o aumento da diversidade na comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, talvez uma das mais efetivas seja o esfor\u00e7o ativo e a abertura de espa\u00e7o para a inclus\u00e3o de cientistas de diferentes perfis raciais, regionais e de g\u00eanero em atividades de comunica\u00e7\u00e3o. Para Canfield (2020), \u00e9 necess\u00e1rio, ainda, que esses grupos sub-representados sejam envolvidos de forma intencional em posi\u00e7\u00f5es de influ\u00eancia e lideran\u00e7a - espa\u00e7o que, de fato, det\u00e9m maior poder de mudan\u00e7a.\\nNesse sentido, os espa\u00e7os da comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica - como o jornalismo, por exemplo - podem e devem realizar esfor\u00e7os no sentido de dar espa\u00e7o a grupos socialmente e historicamente exclu\u00eddos de cientistas para construir padr\u00f5es de refer\u00eancias mais diversos, abrangentes, inclusivos e que possam dialogar efetivamente com a sociedade.\\n \\nRefer\u00eancias\\nKILOMBA, G. Quem pode falar? Falando no centro, descolonizando o conhecimento. In: ______. (org.). Mem\u00f3rias da planta\u00e7\u00e3o: epis\u00f3dios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobog\u00f3, 2008. p. 47-69.\\n\\nDAWSON, E. \u201cNot Designed for Us\u201d: How Science Museums and Science Centers Socially Exclude Low-Income, Minority Ethnic Groups. Science Education, 2014, vol. 98, n\u00ba. 6, p. 981-1008.\\n\\nRIGHETTI, S. Percep\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia na sociedade: O que pensam jornalistas e cientistas sobre comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? In: R. J. Ribeiro, Percep\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia na sociedade (DWIH-SP). Mesa-redonda realizada na 74\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC, Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia - SP, 2022.\\n\\nCANFIELD, K.N. et al. Science Communication Demands a Critical Approach That Centers Inclusion, Equity, and Intersectionality. Frontiers in Communication, 2020, v. 5.&quot;}\" data-sheets-userformat=\"{&quot;2&quot;:33559485,&quot;3&quot;:{&quot;1&quot;:0},&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;6&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;7&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;8&quot;:{&quot;1&quot;:[{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0,&quot;5&quot;:{&quot;1&quot;:2,&quot;2&quot;:0}},{&quot;1&quot;:0,&quot;2&quot;:0,&quot;3&quot;:3},{&quot;1&quot;:1,&quot;2&quot;:0,&quot;4&quot;:1}]},&quot;10&quot;:0,&quot;11&quot;:3,&quot;12&quot;:0,&quot;15&quot;:&quot;Roboto Condensed&quot;,&quot;28&quot;:1}\">No atual cen\u00e1rio de demandas cont\u00ednuas por uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico e a ci\u00eancia, a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 essencial para o desenvolvimento de uma cultura cient\u00edfica mais inclusiva e democr\u00e1tica. Para atingir um p\u00fablico amplo e diverso, no entanto, esse di\u00e1logo precisa ser feito por vozes diversas, que possam representar e conversar com diferentes grupos da sociedade.<br \/>\nEsse cen\u00e1rio, entretanto, est\u00e1 longe de ser realidade. Dados de pesquisa em andamento, realizada no Labjor\/Unicamp e no \u00e2mbito da <a href=\"https:\/\/abori.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Bori<\/a>, indicam que diversidade (em termos de cor\/ra\u00e7a, regi\u00e3o e g\u00eanero) \u00e9 um par\u00e2metro fora de pauta para jornalistas de ci\u00eancia (Righetti, 2022). Al\u00e9m disso, a pesquisa tamb\u00e9m mostrou que os cientistas recorrentemente procurados pela imprensa s\u00e3o, majoritariamente, homens, brancos e do estado de S\u00e3o Paulo &#8211; apesar de as fontes de cientistas oferecidas \u00e0 imprensa serem de todo o pa\u00eds e terem <a href=\"https:\/\/abori.com.br\/blog\/pesquisa-com-comunidade-da-bori-bate-meta-de-respondentes-resultados-serao-apresentados-em-2022\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">equil\u00edbrio de g\u00eanero<\/a>.<br \/>\nPara Grada Kilomba (2008), na ci\u00eancia todos partem de um tempo e espa\u00e7o pr\u00f3prios e espec\u00edficos &#8211; o que tamb\u00e9m \u00e9 refletido na comunica\u00e7\u00e3o dessa mesma ci\u00eancia. Quando determinados grupos s\u00e3o sistematicamente barrados da conversa, a cultura cient\u00edfica como um todo perde. Nesse sentido, Canfield (2020) nota que existe uma multiplicidade de identidades na sociedade, que afeta de forma particular o engajamento de grupos inseridos em diferentes contextos pol\u00edticos e socioculturais com a ci\u00eancia. Ignorar isso \u00e9 afastar a sociedade da pr\u00e1tica e do conhecimento cient\u00edfico. A diversidade de vozes comunicando ci\u00eancia, portanto, \u00e9 essencial para atingir de forma pontual diferentes p\u00fablicos, estabelecendo um di\u00e1logo com maior chance de representatividade e, consequentemente, mais eficiente para engajar as comunidades diversas que comp\u00f5em a sociedade.<br \/>\nApesar do crescimento na inclus\u00e3o e diversidade na ci\u00eancia nos \u00faltimos anos, o avan\u00e7o ainda \u00e9 superficial, porque as condi\u00e7\u00f5es de poder se mant\u00eam as mesmas. Os gatekeepers, tomadores de decis\u00f5es, l\u00edderes e chefes dentro da ci\u00eancia mundial &#8211; que normalmente representam as vozes da ci\u00eancia, ou seja, quem ser\u00e1 ouvido dentro de determinado tema cient\u00edfico &#8211; ainda n\u00e3o contemplam diferentes perspectivas de g\u00eanero, ra\u00e7a e regi\u00e3o. Essas lacunas de diversidade tornam a comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia um lugar de exclusividade que, historicamente, exclui comunidades e vozes marginalizadas (Dawson, 2014).<br \/>\nEm meio a tantas demandas e necessidades, ainda existe luz no fim do t\u00fanel. Dentre as estrat\u00e9gias para o aumento da diversidade na comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, talvez uma das mais efetivas seja o esfor\u00e7o ativo e a abertura de espa\u00e7o para a inclus\u00e3o de cientistas de diferentes perfis raciais, regionais e de g\u00eanero em atividades de comunica\u00e7\u00e3o. Para Canfield (2020), \u00e9 necess\u00e1rio, ainda, que esses grupos sub-representados sejam envolvidos de forma intencional em posi\u00e7\u00f5es de influ\u00eancia e lideran\u00e7a &#8211; espa\u00e7o que, de fato, det\u00e9m maior poder de mudan\u00e7a.<br \/>\nNesse sentido, os espa\u00e7os da comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica &#8211; como o jornalismo, por exemplo &#8211; podem e devem realizar esfor\u00e7os no sentido de dar espa\u00e7o a grupos socialmente e historicamente exclu\u00eddos de cientistas para construir padr\u00f5es de refer\u00eancias mais diversos, abrangentes, inclusivos e que possam dialogar efetivamente com a sociedade.<\/span><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\nKILOMBA, G. Quem pode falar? Falando no centro, descolonizando o conhecimento. In: ______. (org.). Mem\u00f3rias da planta\u00e7\u00e3o: epis\u00f3dios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobog\u00f3, 2008. p. 47-69.<br \/>\nDAWSON, E. \u201cNot Designed for Us\u201d: How Science Museums and Science Centers Socially Exclude Low-Income, Minority Ethnic Groups. Science Education, 2014, vol. 98, n\u00ba. 6, p. 981-1008.<br \/>\nRIGHETTI, S. Percep\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia na sociedade: O que pensam jornalistas e cientistas sobre comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? In: R. J. Ribeiro, Percep\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia na sociedade (DWIH-SP). Mesa-redonda realizada na 74\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC, Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia &#8211; SP, 2022.<br \/>\nCANFIELD, K.N. et al. Science Communication Demands a Critical Approach That Centers Inclusion, Equity, and Intersectionality. Frontiers in Communication, 2020, v. 5.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cr\u00e9ditos da imagem: Gerd Altmann (https:\/\/www.publicdomainpictures.net\/pt\/view-image.php?image=364726&amp;picture=diversidade-colorida).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No atual cen\u00e1rio de demandas cont\u00ednuas por uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico e a ci\u00eancia, a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 essencial para o desenvolvimento de uma cultura cient\u00edfica mais inclusiva e democr\u00e1tica. 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