{"id":3818,"date":"2024-06-04T11:28:10","date_gmt":"2024-06-04T14:28:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.labirinto.labjor.unicamp.br\/?p=3818"},"modified":"2024-06-04T11:28:10","modified_gmt":"2024-06-04T14:28:10","slug":"produzindo-um-podcast-sobre-a-diversidade-e-o-protagonismo-de-estudantes-do-ensino-medio-em-brasilia-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/labirinto\/2024\/06\/04\/produzindo-um-podcast-sobre-a-diversidade-e-o-protagonismo-de-estudantes-do-ensino-medio-em-brasilia-df\/","title":{"rendered":"Produzindo um podcast sobre a diversidade e o protagonismo de estudantes do ensino m\u00e9dio em Bras\u00edlia &#8211; DF"},"content":{"rendered":"<p>A escola \u00e9 um espa\u00e7o preenchido por sonoridades, sejam aquelas intencionais, bem recebidas, valorizadas, ou aquelas silenciadas. H\u00e1 a voz-fixa, da aula expositiva; h\u00e1 as vozes em di\u00e1logo, do debate de ideias. N\u00e3o \u00e9 raro o \u00e1udio aparecer como uma contraven\u00e7\u00e3o em sala de aula, principalmente vindo das estudantes. A fim de compreender como os exerc\u00edcios de ouvir e produzir podcasts contribuem para o processo de ensino e aprendizagem de Antropologia, Sociologia e para o desenvolvimento de multiletramentos, realizei a pesquisa<a href=\"https:\/\/bdm.unb.br\/handle\/10483\/37604\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cAprender sobre a cultura e diversidade que existe na nossa escola\u201d \u2013 Produzindo e experimentando podcasts de Antropologia no ensino m\u00e9dio<\/a>, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Soraya Fleischer, no \u00e2mbito da gradua\u00e7\u00e3o no Departamento de Antropologia da Universidade de Bras\u00edlia. Fiquei tr\u00eas meses participando das atividades em uma escola de ensino m\u00e9dio, na aula de Sociologia da querida professora Fl\u00e1via. Neste tempo, produzimos 3 epis\u00f3dios curtos, integralmente com as vozes das estudantes: Marighella e a Ditadura Militar; Moda, cultura e identidade; e Hist\u00f3rias de estudantes, dispon\u00edveis apenas para a comunidade escolar.<br \/>\nCerto dia, durante a excurs\u00e3o de campo, aconteceu um evento que exemplifica bem como os interesses e culturas que est\u00e3o para al\u00e9m da escola podem se articular neste ambiente, promovendo o protagonismo e a sociabilidade das estudantes. Um estudante do 3\u00ba ano do ensino m\u00e9dio promoveu um show de rap durante o hor\u00e1rio de almo\u00e7o. Esse estudante era conhecido como <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/venezza.rap\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MC Venezza<\/a> \u2013 havia ganhado esse apelido, que depois virou seu nome de MC, por conta do seu pa\u00eds de origem ser a Venezuela. Havia uma mesa de som e algumas caixas de som entre as mesas do refeit\u00f3rio, e o MC Venezza apresentou, com desenvoltura, algumas m\u00fasicas de sua autoria, em castelhano, no microfone. As estudantes e professoras assistiram e aplaudiram o show. Um tempo depois, conversando com as estudantes, surgiu a ideia de entrevistar o MC Venezza em um dos nossos epis\u00f3dios de podcast.<br \/>\nAo longo da conviv\u00eancia com as estudantes fui descobrindo mais sobre suas refer\u00eancias musicais e audiovisuais, coletando artistas com as quais se identificam, o que elas consomem dentro e fora da escola. Apresento detalhadamente essas refer\u00eancias na monografia. Mas vale destacar o caso de um estudante que se utilizou de multiletramentos ao dedicar-se para, em uma semana, ler o livro \u201cSobrevivendo no inferno\u201d (ROCHA, 2021), assistir ao document\u00e1rio \u201cRacionais: das ruas de S\u00e3o Paulo pro Mundo\u201d (2022), ouvir o \u00e1lbum Sobrevivendo no Inferno (1997) e ouvir o podcast Mano a Mano. Al\u00e9m deste \u00faltimo, entre os podcasts mais citados estavam o Podpah e o Flow Podcast.<br \/>\nN\u00e3o foi preciso muito tempo para perceber como as adolescentes s\u00e3o perform\u00e1ticas, expressivas e interagem em uma linguagem naturalmente youtuber e podcaster. A m\u00eddia podcast ajudou a contar como a voz traz emo\u00e7\u00e3o, inspira, traz sensa\u00e7\u00e3o de liberdade, explicita identidades, cria v\u00ednculos entre as estudantes, instiga a imagina\u00e7\u00e3o, motiva a saber mais e est\u00e1 presente em diferentes momentos da aprendizagem escolar. E os microfones de lapela, mesmo de qualidade simples, promoveram o registro dos conhecimentos, das performances e das narrativas de futuro que as estudantes \u201cespalham\u201d por a\u00ed.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Descri\u00e7\u00e3o da imagem: Fundo da sala de Sociologia, colagem de \u00e1rvore de palavras. Cr\u00e9ditos da fotografia: Irene do Planalto Chemin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola \u00e9 um espa\u00e7o preenchido por sonoridades, sejam aquelas intencionais, bem recebidas, valorizadas, ou aquelas silenciadas. H\u00e1 a voz-fixa, da aula expositiva; h\u00e1 as vozes em di\u00e1logo, do debate de ideias. N\u00e3o \u00e9 raro o \u00e1udio aparecer como uma contraven\u00e7\u00e3o em sala de aula, principalmente vindo das estudantes. 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