espaços de enunciação

O acontecimento da enunciação se dá sempre num espaço de divisão de línguas, que Guimarães define por meio do conceito de espaço de enunciação: “São espaços de funcionamento de línguas, que se dividem, redividem, se misturam, desfazem, transformam por uma disputa incessante. São espaços habitados por falantes, ou seja, por sujeitos divididos por seus direitos ao dizer e aos modos de dizer” (Guimarães, 2002:18). Trata-se, portanto, de um espaço político, constitutivamente marcado por disputas pelas palavras e pelas línguas. Por “político”, entende-se o “conflito entre uma divisão normativa e desigual do real e uma redivisão pela qual os desiguais  afirmam seu pertencimento” (ibidem, p. 16). O político não é, dessa maneira, algo exterior à língua; ao contrário, ele é parte do seu funcionamento.

Cf. GUIMARÃES, Eduardo (2002) Semântica do Acontecimento. Campinas: editora Pontes.

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Sobre MONICA GRACIELA ZOPPI FONTANA 19 Artigos
Linguista. Fez graduação em Letras na Universidad de Buenos Aires (Argentina) e Doutorado em Linguística na Universidade Estadual de Campinas. É professora Livre-Docente e Coordenadora do Curso de Linguística da Unicamp. Pesquisa o funcionamento da significação na linguagem e as formas históricas de produção e circulação dos discursos na sociedade.