{"id":1305,"date":"2018-07-17T18:24:25","date_gmt":"2018-07-17T18:24:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=1305"},"modified":"2019-07-13T22:46:07","modified_gmt":"2019-07-13T22:46:07","slug":"por-que-nos-incomodamos-com-filmes-mal-dublados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2018\/07\/17\/por-que-nos-incomodamos-com-filmes-mal-dublados\/","title":{"rendered":"Por que nos incomodamos com filmes (mal) dublados?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Texto de: <\/strong>Maria Teresa Sampaio e Thiago Motta Sampaio<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ir ao cinema \u00e9 uma das divers\u00f5es mais corriqueiras hoje em dia. Diversos filmes s\u00e3o lan\u00e7ados toda semana e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2016\/11\/21\/chegada-dos-linguistas-na-telona\/\">diversos t\u00edtulos e franquias t\u00eam levado milh\u00f5es \u00e0s telonas<\/a>. Muitas das redes de cinema tamb\u00e9m t\u00eam optado por mais exibi\u00e7\u00f5es de filmes dublados do que legendados. Existem diversas raz\u00f5es para isso que n\u00e3o ser\u00e3o tema desse post. Mas \u00e9 not\u00e1vel que essa a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fez aumentar as cr\u00edticas aos filmes dublados. Mas por que nos incomodamos com filmes (mal)dublados?<\/p>\n<h4>Sobre a atua\u00e7\u00e3o de um dublador:<\/h4>\n<p>A dublagem tem uma tarefa bastante complicada. A dublagem n\u00e3o se resume a uma tradu\u00e7\u00e3o das falas do filme original. Existe toda uma adapta\u00e7\u00e3o das express\u00f5es, dos contextos, das piadas e tamb\u00e9m conta bastante com a atua\u00e7\u00e3o dos atores (sim, dubladores s\u00e3o atores). Mais do que isso, existem quest\u00f5es mais complicadas que fazem necess\u00e1ria uma adapta\u00e7\u00e3o. Por exemplo, como adaptar o tempo de um ator americano falando &#8220;cop&#8221; para a palavra &#8220;policial&#8221; no portugu\u00eas, que \u00e9 bem mais longa? Uma solu\u00e7\u00e3o usada especialmente nos filmes antigos \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra &#8220;tira&#8221;. Mas&#8230;<\/p>\n<h4>Por que isso importa?<\/h4>\n<p>Os filmes mudos eram gravados com uma varia\u00e7\u00e3o entre 14 e 26 quadros por segundo. Mas essa taxa precisou ser reajustada para evitar a percep\u00e7\u00e3o de saltos na imagem (skipping), como se voc\u00ea estivesse assistindo a uma s\u00e9rie no computador e a imagem trava por um tempo. Ao sair da fase do cinema mudo, essa taxa passou a ser de 24 quadros por segundo por ser a taxa m\u00ednima e mais barata de sincroniza\u00e7\u00e3o entre o som e a imagem, de forma a dar a melhor experi\u00eancia poss\u00edvel aos expectadores.\u00a0Hoje o problema passou a ser a sincroniza\u00e7\u00e3o da fala dos atores originais com o audio dos atores dubladores, de forma que o tempo de fala na imagem e no audio sejam semelhantes, do contr\u00e1rio o expectador ter\u00e1 a inc\u00f4moda sensa\u00e7\u00e3o de que audio e imagem est\u00e3o dessincronizadas.<\/p>\n<p><iframe title=\"POR QUE O CINEMA USA 24 FPS?\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J19x1Wdv7cE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Repare que \u00e9 bastante desconfort\u00e1vel assistir qualquer filme ou s\u00e9rie em que as informa\u00e7\u00f5es auditivas e visuais estejam dessincronizadas. Embora nossa mente consiga se adaptar a um certo n\u00edvel de dessincroniza\u00e7\u00e3o, muitas vezes a diferen\u00e7a entre os movimentos da boca e das expectativa quanto \u00e0s palavras escutadas s\u00e3o t\u00e3o grandes que resulta num enorme desconforto, como no v\u00eddeo abaixo, de um quadro do Casseta &amp; Planeta em 1992 que brincava com a dublagem de filmes americanos.<\/p>\n<p><iframe title=\"Casseta &amp; Planeta - Fucker &amp; Sucker - Uma dupla de dois tiras\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/U0JaLNdRYFE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>OBS.: A qualidade da imagem diminui [ou aumenta] o inc\u00f4modo)<\/p>\n<h4>E a (psico)lingu\u00edstica com isso?<\/h4>\n<p>Nossa compreens\u00e3o do mundo n\u00e3o pode se basear somente em um sentido. Mesmo que inconscientemente, usamos mais de uma fonte de informa\u00e7\u00e3o para ter certeza do que estamos observando. O mesmo acontece durante a fala.\u00a0N\u00e3o \u00e9 estranho pensar que a leitura labial, ou a visualiza\u00e7\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o dos sons do interlocutor, influencia em uma percep\u00e7\u00e3o eficiente \u2013 ou at\u00e9 \u201cconfort\u00e1vel\u201d \u2013 daquilo que se escuta.<\/p>\n<p>Antes de continuar, veja esse v\u00eddeo do Manual do Mundo (Youtube)<br \/>\n<iframe title=\"Seus olhos v\u00e3o te trair 2 vezes, quer apostar?\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cgJAashmY2A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Este fen\u00f4meno foi testado em um experimento de McGurk e McDonald (1976), cujo resultado foi uma ilus\u00e3o \u201cbatizada\u201d de Efeito McGurk. No experimento, tr\u00eas grupos (crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar, crian\u00e7as nos primeiros anos da escola, e adultos) foram testados quanto \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do som em 4 v\u00eddeos, com os sons e articula\u00e7\u00f5es das s\u00edlabas \u201cba\u201d, \u201cpa\u201d, \u201cga\u201d e \u201cka\u201d. Por\u00e9m, a imagem da articula\u00e7\u00e3o da s\u00edlaba era trocada, apresentando o som de outra s\u00edlaba, obtendo-se os v\u00eddeos: (1) voz \u2013 \u201cba\u201d, imagem \u2013 \u201cga\u201d; (2) voz \u2013 \u201cpa\u201d, imagem \u201cka\u201d; (3) voz \u2013 \u201cga\u201d, imagem \u201cba\u201d, e (4) voz \u2013 \u201cka\u201d- imagem \u201cpa\u201d.<\/p>\n<p>Repare que, para (1) e (2), a percep\u00e7\u00e3o mais recorrente foi de uma terceira s\u00edlaba, \u201cda\u201d ou \u201cta\u201d, chamada de resposta mista (em tradu\u00e7\u00e3o livre do original &#8216;fused response&#8217;).\u00a0O grupo que mais \u201cerrou\u201d na percep\u00e7\u00e3o correta do som foi o grupo de adultos, e o que menos errou foi o de crian\u00e7as em idade escolar; ou seja, o elemento visual influenciaria mais a percep\u00e7\u00e3o de um est\u00edmulo em adultos do que em crian\u00e7as.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/07\/sampaio2016.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1314\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/07\/sampaio2016.png\" alt=\"Efeito McGurk (Sampaio, 2016)\" width=\"787\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/07\/sampaio2016.png 787w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/07\/sampaio2016-300x139.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/07\/sampaio2016-768x355.png 768w\" sizes=\"(max-width: 787px) 100vw, 787px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para essa diferen\u00e7a \u00e9 que crian\u00e7as em idade escolar t\u00eam mais contato com filmes dublados do que adultos, ao mesmo tempo que uma percep\u00e7\u00e3o mais refinada do que a de crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar. De todo modo, tais explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam de especula\u00e7\u00e3o no momento.<\/p>\n<h4>Mas o que de fato possibilitaria a ocorr\u00eancia da ilus\u00e3o?<\/h4>\n<p>O Efeito McGurk acontece pois percebemos tanto o est\u00edmulo visual quanto o auditivo como um evento \u00fanico, logo, suas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser amb\u00edguas. Por\u00e9m, a manipula\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos criam essa ambiguidade e n\u00f3s temos pouco tempo para decidir o que devemos retirar de conte\u00fado. Se as duas informa\u00e7\u00f5es concordam, temos uma redund\u00e2ncia que aumenta a nossa certeza sobre o que ouvimos. Quando as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o discordantes, precisamos decidir no que acreditar. Como vimos nos resultados anteriores, algumas pessoas podem confiar mais na vis\u00e3o, outras mais na audi\u00e7\u00e3o. A depender do caso escolhemos ainda uma terceira interpreta\u00e7\u00e3o, buscando conciliar as informa\u00e7\u00f5es discordantes. Repare que nada disso \u00e9 feito de forma consciente, todo o processo \u00e9 feito autom\u00e1tica e inconscientemente pela nossa mente.<\/p>\n<h4>Deslizes do Ouvido (Slips of the ear)<\/h4>\n<p>Todo esse processo tamb\u00e9m nos ajuda a entender os chamados <em>slips of the ear<\/em> (literalmente e em tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cdeslizes do ouvido\u201d), quando entendemos errado alguma parte da fala de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Os maiores exemplos de deslizes do ouvido s\u00e3o as <em>mishearded lyrics<\/em> (literalmente &#8220;letras mal escutadas&#8221;). Esse fen\u00f4meno acontece, por exemplo, quando decoramos uma letra de m\u00fasica em l\u00edngua estrangeira e \u00a0descobrimos, ao ler a vers\u00e3o oficial, que compreendemos alguma parte de forma equivocada. Alguns exemplos cl\u00e1ssicos s\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5OkpGpNIbEg&amp;t=0s&amp;list=FLsTmj61ZCnLGwKQek2IPatw&amp;index=19\">Rivaldo sai desse Lago<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=udaFtXNrryc\">O cara tossiu<\/a>, embora seja f\u00e1cil encontrar <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xLd22ha_-VU\">m\u00fasicas inteiras<\/a> ou mesmo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9doDorKLgnw\">exemplos fora do contexto musical<\/a>, como no caso da chinesa no aeroporto que quer aquele carro l\u00e1.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existem centenas de memes na internet com m\u00fasicas em outras l\u00ednguas, com sotaques do ingl\u00eas menos frequentemente vistos na m\u00eddia, ou mesmo com letras na nossa pr\u00f3pria l\u00edngua, que, digamos, especulam ou lan\u00e7am uma segunda interpreta\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 dito.\u00a0A legenda deste tipo de par\u00f3dia serve como um \u201cguia\u201d para nossa interpreta\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 escutado, e influencia na pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o da fala.<\/p>\n<p>Seja em par\u00f3dias legendadas, filmes dublados ou naquela frase escutada que n\u00e3o soou certa: s\u00e3o v\u00e1rias as maneiras de verificarmos interfer\u00eancias na interpreta\u00e7\u00e3o daquilo que escutamos, e que s\u00e3o, potencialmente, demonstra\u00e7\u00f5es de processos mais complexos do que imaginamos.<\/p>\n<h4>Refer\u00eancias:<\/h4>\n<p>FERN\u00c1NDEZ, Eva. The Hearer: Speech Perception and Lexical Access. In: FERN\u00c1NDEZ &amp; CAIRNS (Org.). Fundamentals of Psycholinguistics. Wiley-Blackwell: 2010.<br \/>\nMCGURK &amp; MACDONALD. Hearing lips and seeing voices. Nature Vol 264. 1976.<\/p>\n<p>MCGURK, Harry; MACDONALD, John. Hearing lips and seeing voices. Nature, v. 264, n. 5588, p. 746-748, 1976.<\/p>\n<p>SAMPAIO, T.O.M,\u00a0Percep\u00e7\u00e3o do tempo: da psicologia para a psicolingu\u00edstica, Letras de Hoje, v.51, n.3, p.374-383, 2016.<\/p>\n<p>Para saber mais, confiram o podcast <a href=\"http:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-390\/\">Spin de Not\u00edcias #390<\/a>.<\/p>\n<h4>Atualiza\u00e7\u00e3o: Um papo sobre dublagem do canal Tokudoc com Wendell Bezerra<\/h4>\n<p><iframe title=\"Papo com WENDEL BEZERRA - TokuDoc\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7ZQp_rJDt68?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de: Maria Teresa Sampaio e Thiago Motta Sampaio Ir ao cinema \u00e9 uma das divers\u00f5es mais corriqueiras hoje em dia. Diversos filmes s\u00e3o lan\u00e7ados <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2018\/07\/17\/por-que-nos-incomodamos-com-filmes-mal-dublados\/\" title=\"Por que nos incomodamos com filmes (mal) dublados?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":361,"featured_media":1330,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[228,229,184,227,67],"class_list":["post-1305","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-linguagem-e-mente","tag-dublagem","tag-filmes-dublados","tag-fonologia","tag-mcgurk","tag-psicolinguistica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/07\/Screen-Shot-2018-07-14-at-02.54.31.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/361"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1305"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1545,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1305\/revisions\/1545"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}