{"id":1618,"date":"2023-02-15T01:31:58","date_gmt":"2023-02-15T01:31:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=1618"},"modified":"2023-02-15T15:10:05","modified_gmt":"2023-02-15T15:10:05","slug":"os-animais-tem-linguagem-parte-03-neuroanatomia-e-a-lei-de-zipf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2023\/02\/15\/os-animais-tem-linguagem-parte-03-neuroanatomia-e-a-lei-de-zipf\/","title":{"rendered":"Os animais t\u00eam Linguagem? Parte 03: (Neuro)anatomia e a Lei de Zipf"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 21 de janeiro de 2019 eu iniciei a s\u00e9rie com a <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2019\/01\/21\/quais-primatas-tem-linguagem-um-pouquinho-de-biolinguistica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parte 1<\/a>. No dia 14 de fevereiro do mesmo ano eu publiquei a <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2019\/02\/14\/os-animais-tem-linguagem-parte-02-primatas-sinalizantes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parte 2<\/a>. A parte 3 deveria ser publicada mais rapidamente, visto que \u00e9 a parte que eu mais tinha fresca na cabe\u00e7a por motivos de pesquisa. Sem dar desculpas, apenas me desculpo por publicar essa Parte 3 e finalizar a s\u00e9rie mais de 4 anos depois.<\/p>\n<p>E agrade\u00e7o \u00e0 Helika pela paci\u00eancia e cobran\u00e7a =)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cenas dos \u00faltimos cap\u00edtulos&#8230;. afinal j\u00e1 se passaram 4 anos.<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Resumo da <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2019\/01\/21\/quais-primatas-tem-linguagem-um-pouquinho-de-biolinguistica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">parte 1<\/a>:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o: <\/strong>Vimos na Parte 1 da s\u00e9rie que todas as esp\u00e9cies t\u00eam uma forma de comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil (e provavelmente errado) dizer se uma \u00e9 mais avan\u00e7ada ou n\u00e3o visto que, evolutivamente falando, as caracter\u00edsticas de uma esp\u00e9cie s\u00e3o aquelas que permitiram que ela sobrevivesse at\u00e9 aqui. Ent\u00e3o a comunica\u00e7\u00e3o de cada esp\u00e9cie \u00e9 \u00f3tima para a esp\u00e9cie. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Linguagem<\/strong>: Dentre as formas de comunica\u00e7\u00e3o conhecida, existe aquela que chamamos cientificamente de linguagem, que \u00e9 a forma de comunica\u00e7\u00e3o humana. Lembrando que isso n\u00e3o impede que, fora da \u00e1rea de pesquisa em linguagem, as pessoas expandam &#8220;linguagem&#8221; para formas n\u00e3o humanas, da mesma forma como o nosso conceito de calor n\u00e3o \u00e9 o mesmo utilizado nas pesquisas em termodin\u00e2mica, onde significam apenas &#8220;troca de energia t\u00e9rmica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00edngua<\/strong>: Apesar de todos os humanos usarem linguagem, a forma como diferentes crian\u00e7as a usam ser\u00e1 diferente, a depender das formas que elas t\u00eam contato desde pequenas. Uma crian\u00e7a que ouviu portugu\u00eas ir\u00e1 falar portugu\u00eas, uma que escutou mandarim, falar\u00e1 mandarim. Uma crian\u00e7a que nasceu em contexto surdo e teve contato com uma l\u00edngua de sinais como, por exemplo, a L\u00edngua Brasileira de Sinais (LIBRAS) vai sinalizar em LIBRAS. Todas essas s\u00e3o l\u00ednguas, as formas como cada cultura concretiza sua capacidade de linguagem, existente em todos os seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ok chegamos a um impasse: <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Resumo da <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2019\/02\/14\/os-animais-tem-linguagem-parte-02-primatas-sinalizantes\/\" target=\"_blank\">parte 2<\/a>:<\/h3>\n\n\n\n<p>Considerando que LIBRAS e outras l\u00ednguas sinalizadas (clique <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1VuK7S2wvvk8uA-JG50Z-SZ4mzPztGQY6&amp;usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a> para ver um mapa das l\u00ednguas sinalizadas catalogadas no Brasil) s\u00e3o L\u00cdNGUAS e que l\u00ednguas s\u00e3o a concretiza\u00e7\u00e3o da LINGUAGEM, ent\u00e3o os animais t\u00eam linguagem visto que a parte 2 dessa s\u00e9rie mostrou v\u00e1rias pesquisas que ensinam l\u00ednguas de sinais para primatas n\u00e3o-humanos. Se eles usam, ent\u00e3o eles t\u00eam linguagem! <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vamos com calma: Enfim a Parte 3!<\/h2>\n\n\n\n<p>Um ponto importante a ser levantado (novamente) \u00e9 que cada esp\u00e9cie tem sua forma de comunica\u00e7\u00e3o, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2019\/01\/21\/quais-primatas-tem-linguagem-um-pouquinho-de-biolinguistica\/\" target=\"_blank\">como vimos na parte 1<\/a>. <strong>Algumas caracter\u00edsticas podem ser compartilhadas, o que n\u00e3o significa dizer que o sistema de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente o mesmo<\/strong>. Algumas evid\u00eancias disso podem ser:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>formais como a forma como o n\u00famero de sinais utilizados e o tipo de sistema l\u00f3gico envolvido, <\/li>\n\n\n\n<li>material\/biol\u00f3gico como as \u00e1reas cerebrais envolvidas na comunica\u00e7\u00e3o e a capacidade de movimenta\u00e7\u00e3o do aparelho fonador;<\/li>\n\n\n\n<li>finais como a finalidade de certas formas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>ou at\u00e9 mesmo eficientes, como a adapta\u00e7\u00e3o desse sistema a outros ambientes.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos falar de todas essas evid\u00eancias aqui, mas podemos discutir algumas mais conhecidas abaixo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">N\u00famero de sinais entre esp\u00e9cies semelhantes<\/h3>\n\n\n\n<p>As diferentes esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros possuem uma comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de cantos com sons organizados de uma forma bastante espec\u00edfica. A organiza\u00e7\u00e3o dos cantos n\u00e3o apenas \u00e9 diferente como tamb\u00e9m difere no n\u00famero de combina\u00e7\u00f5es em cada esp\u00e9cie. Em 1993, na busca por compreender o que poderia explicar tal diferen\u00e7a, foi feito <a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/doi\/10.1098\/rspb.1993.0129\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um estudo com 41 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros<\/a> em que foi descoberto que <strong>existe uma correla\u00e7\u00e3o entre o volume da \u00e1rea cerebral ligada ao controle dos cantos dos p\u00e1ssaros e o n\u00famero de diferentes combina\u00e7\u00f5es sonoras que eles conseguem realizar<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo mais recente, de 2007, tentou verificar se algo semelhante aconteceria em humanos tamb\u00e9m sugere uma correla\u00e7\u00e3o. Mais especificamente entre a habilidade cognitiva em primatas e o tamanho relativo do c\u00e9rebro (em compara\u00e7\u00e3o com o tamanho do corpo). <strong>Vale deixar claro que essa hip\u00f3tese ainda n\u00e3o \u00e9 consensual<\/strong>. Se quiser saber mais sobre isso, eu comentei esses estudos no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-299\/\" target=\"_blank\">Spin de Not\u00edcias #299<\/a> no Portal Deviante.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caracter\u00edsticas compartilhadas<\/h3>\n\n\n\n<p>De todo modo, os primatas t\u00eam algumas caracter\u00edsticas compartilhadas. Se as diferentes esp\u00e9cies primatas n\u00e3o-humanas vocalizam, os primatas humanos n\u00e3o s\u00e3o diferentes. <strong>A diferen\u00e7a \u00e9 que, chamamos a nossa vocaliza\u00e7\u00e3o de &#8220;fala&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns tamb\u00e9m gostam de se comunicar por sinais (al\u00e9m das vocaliza\u00e7\u00f5es) e, nada curiosamente, os humanos tamb\u00e9m conseguem se comunicar por sinais, sejam os sinais n\u00e3o-verbais (ex. apontar na dire\u00e7\u00e3o do foco de aten\u00e7\u00e3o), sejam os sinais verbais, das l\u00ednguas sinalizadas como a LIBRAS como vimos na parte 2 desta s\u00e9rie. <strong>Isso quer dizer que n\u00f3s compartilhamos formas de express\u00e3o comunicativa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, os filhotes de todas as esp\u00e9cies comentadas aqui desenvolvem suas habilidades de comunica\u00e7\u00e3o de maneira natural, apenas convivendo no seu grupo e observando o comportamento de seus semelhantes, sem que algu\u00e9m os ensine.<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos na parte 2 que Herbert Terrace e sua equipe tentou refutar a ideia de que checar se um chimpanz\u00e9, que possui uma semelhan\u00e7a gen\u00e9tica de cerca de 97% com os humanos, poderiam desenvolver h\u00e1bitos humanos se convivesse em ambiente familiar. Nim Chimpsky, como o chimpanz\u00e9 foi batizado, tinha pai, m\u00e3e e at\u00e9 um irm\u00e3o, al\u00e9m de cuidadores. E embora ele tenha sido um chimpanz\u00e9 bastante peculiar &#8211; considerando que cresceu em ambiente diferente dos demais, <strong>isso n\u00e3o foi o suficiente para que ele se desenvolvesse como uma crian\u00e7a humana&#8230;.. porque ele n\u00e3o era uma crian\u00e7a humana!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nim chegou a aprender um pouco da l\u00edngua de sinais americana, chegando a usar cerca de 120 sinais e t\u00ea-los utilizado em cerca de 20 mil combina\u00e7\u00f5es, mas precisou ser ensinado por um treinador<\/strong>. O mesmo aconteceu com a gorila Koko. <\/p>\n\n\n\n<p>Aqui j\u00e1 temos uma primeira evid\u00eancia de que h\u00e1 algo de diferente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma caracter\u00edstica nem t\u00e3o compartilhada assim<\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos surgiu uma hip\u00f3tese que tentava explicar o porqu\u00ea de outros primatas n\u00e3o baterem um papo conosco em l\u00ednguas humanas. Essa hip\u00f3tese dizia que as cordas vocais dos demais primatas \u00e9 posicionada um pouco mais pr\u00f3xima da boca do que nos humanos e que isso os impediria de produzir os sons da fala. Tem um qu\u00ea de verdade aqui.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.09.35.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.09.35.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2612\" width=\"439\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.09.35.png 744w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.09.35-281x300.png 281w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.09.35-500x534.png 500w\" sizes=\"(max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem do trato vocal de um humano. Infelizmente n\u00e3o encontrei imagens livres com o trato vocal de primatas n\u00e3o-humanos, ent\u00e3o ficarei devendo. Imagem do <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:VocalTract.svg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikimedia Commons<\/a>: <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em 1969, o pesquisador Phillip Lieberman realizou <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.haskins.yale.edu\/Reprints\/HL0080.pdf\" target=\"_blank\">alguns estudos para modelar o aparelho fonador (grosso modo, boca, l\u00edngua, narinas etc) de um <strong>macaco rhesus morto<\/strong><\/a>. Seu estudo provavelmente foi o estopim dessa hip\u00f3tese pois uma de suas conclus\u00f5es foi a diferen\u00e7a de posicionamento das cordas vocais. Isso os impediria de produzir, por exemplo, algumas vogais. Importante saber tamb\u00e9m que as cordas vocais de beb\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o mais altas e v\u00e3o se posicionando mais abaixo conforme seu crescimento. Por vezes, o argumento \u00e9 utilizado para explicar tamb\u00e9m o porqu\u00ea de crian\u00e7as pequenas n\u00e3o falarem, quando eles sequer t\u00eam m\u00fasculos na boca fortes e treinados o suficientes para movimentar a boca para a fala.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter o aparelho fonador incapaz de produzir certos sons n\u00e3o significa impedir de usar uma l\u00edngua. E isso foi<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/Fitch et al. (2016) \u2013 Monkey vocal tracts are speech-ready\" target=\"_blank\"> demonstrado por Fitch e seus colegas em 2016<\/a>, num estudo que modela com raios X a boca de macacos vivos e simula, computacionalmente, a uma hipot\u00e9tica fala desses primatas, como voc\u00ea pode conferir <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/suppl\/10.1126\/sciadv.1600723\/suppl_file\/audio_s2_monkeywymm.wav\" target=\"_blank\">neste \u00e1udio<\/a> publicado na revista Science.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">L\u00ednguas, sons e c\u00e9rebros primatas<\/h3>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que existe uma gama de sons poss\u00edvel de serem produzidos pelo aparelho fonador humano, que foi compilado no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alfabeto_fon%C3%A9tico_internacional#\/media\/Ficheiro:IPA_Kiel_2019_full_por-br_Brazilian_Portuguese_Portugu%C3%AAs_brasileiro.png\" target=\"_blank\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><strong>Alfabeto Fon\u00e9tico Internacional (ou International Phonetics Alphabet &#8211; IPA<\/strong>, cheers)<\/a>. As l\u00ednguas nunca usam todos estes sons. <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eupedia.com\/linguistics\/number_of_phonemes_in_european_languages.shtml\" target=\"_blank\">As l\u00ednguas escolhem um conjunto desses sons para formarem suas palavras e frases<\/a>. Algumas escolhem muitas dezenas de sons, outras escolhem menos. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54.png\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54-1024x852.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2614\" width=\"716\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54-1024x852.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54-300x250.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54-768x639.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54-500x416.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54-800x666.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54-1280x1065.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.20.54.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma parte do <a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/8\/8e\/IPA_chart_2018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Alfabeto Fon\u00e9tico Internacional<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Isso quer dizer que l\u00ednguas nunca foram definidas pelo n\u00famero de sons poss\u00edveis de serem falados. Como diz Noam Chomsky, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">e <\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">d<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">i<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">s<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">c<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">u<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">t<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">i<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">d<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\">o<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" target=\"_blank\"> neste post<\/a>, a capacidade de comunica\u00e7\u00e3o humana \u00e9 capaz de juntar um conjunto finito de elementos para criar formas infinitas. Assim, mesmo que um primata n\u00e3o-humano n\u00e3o pudesse usar alguns sons, o que eles sabem seria mais que suficiente para usarem algumas l\u00ednguas humanas ou para criarem a sua pr\u00f3pria l\u00edngua&#8230;.. se a forma de comunica\u00e7\u00e3o fosse compartilhada entre os primatas, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Fitch e colegas concluem que o aparelho fonador dos macacos seria preparado para a fala caso eles precisassem, mas que o c\u00e9rebro deles, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 preparado.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vale lembrar de algo que comentamos na parte 1 desta s\u00e9rie, que indica que mesmo tendo estruturas cerebrais semelhantes, suas fun\u00e7\u00f5es podem ser ao menos ligeiramente diferentes:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>E se compararmos com a comunica\u00e7\u00e3o humana, existe uma regi\u00e3o cerebral chamada&nbsp;<strong>LMC (Cortex Motor Laringeal)<\/strong>&nbsp;que \u00e9 relacionada \u00e0 aspectos da comunica\u00e7\u00e3o. Caso danificada, essa estrutura causa&nbsp;perda de comunica\u00e7\u00e3o oral em humanos, que mant\u00e9m apenas as vocaliza\u00e7\u00f5es inatas&nbsp;como choro, riso e gritos de dor. Por outro lado, danos nessa \u00e1rea do c\u00e9rebro&nbsp;em primatas n\u00e3o-humanos n\u00e3o resultaram em qualquer modifica\u00e7\u00e3o aparente&nbsp;na comunica\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies segundo as pesquisas. (KUMAR &amp; SIMONYAN, 2018).<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Diferen\u00e7as estat\u00edsticas: a Lei de Zipf<\/h3>\n\n\n\n<p>Perfeito. Mas ainda assim, vimos nas partes 1 e 2 desta s\u00e9rie que primatas n\u00e3o-humanos aprenderam l\u00ednguas de sinais. Isso quer dizer que mesmo que eles tenham dificuldades de se comunicar por vocaliza\u00e7\u00f5es humanas, eles ainda se comunicam por sinais humanos, certo?<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente, precisamos ter calma. \u00c9 comum os relatos de que a produ\u00e7\u00e3o desses primatas era limitada n\u00e3o apenas no sentido do n\u00famero de sinais usados, mas tamb\u00e9m limitado ao contexto. Os treinadores do Nim Chimpsky comentam que ele muitas vezes aprecia estar apenas imitando ou usando os seus sinais para responder. <a href=\"http:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-253\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Os relatos mais promissores seriam os da Penny Patterson quanto aos sinais da gorila Koko<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o vou entrar em detalhes aqui sobre a validade desses argumentos, vamos diretamente para a matem\u00e1tica. <\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 30, um linguista de Harvard chamado George Kingsley Zipf dedicou a estudar as l\u00ednguas atrav\u00e9s da Estat\u00edstica. Ele usa um m\u00e9todo de coleta de dados muito comum na \u00e1rea da Lingu\u00edstica, que consiste em colecionar um conjunto de textos, seja escrito como jornais, seja falado ou sinalizado atrav\u00e9s de transcri\u00e7\u00f5es. A esse conjunto damos o nome de <strong>corpus (ou plural corpora, do latim) e,<\/strong> nele, podemos realizar an\u00e1lises para encontrar diferentes tipos de padr\u00f5es no uso de uma l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p>Zipf tinha corpora com diversos tipos de textos e em diferentes l\u00ednguas, at\u00e9 mesmo l\u00ednguas que ainda n\u00e3o foram decifradas. A partir desses conjuntos de textos ele calculou e plotou gr\u00e1ficos da frequ\u00eancia de ocorr\u00eancia de cada palavra de cada um desses corpora. E o resultado foi impressionante pra \u00e9poca!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Independente de qual corpus ou de qual l\u00edngua, a frequ\u00eancia de uso das palavras vai sempre representar uma lei de pot\u00eancia que pode ser descrita na forma 1\/ranking. O que isso quer dizer? Quer dizer que a segunda palavra mais frequente numa l\u00edngua tem aproximadamente a metade (1\/2) da frequ\u00eancia da palavra mais frequente, a terceira 1\/3, a 4a 1\/4, e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screen-Shot-2017-05-14-at-14.21.22.png\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screen-Shot-2017-05-14-at-14.21.22.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2619\" width=\"711\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screen-Shot-2017-05-14-at-14.21.22.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screen-Shot-2017-05-14-at-14.21.22-300x168.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screen-Shot-2017-05-14-at-14.21.22-500x279.png 500w\" sizes=\"(max-width: 711px) 100vw, 711px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Distribui\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia segundo a&nbsp;Lei de Zipf (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fCn8zs912OE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Canal VSauce no Youtube<\/a>)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em resumo, o uso das palavras em todas as l\u00ednguas que j\u00e1 foram checadas desde a d\u00e9cada de 30 parece ser regido por um princ\u00edpio matem\u00e1tico representado por essa lei, conhecida como <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lei_de_Zipf\" target=\"_blank\">Lei de Zipf<\/a>. Esse princ\u00edpio ficou famoso e, hoje, encontramos o mesmo padr\u00e3o em outros tipos de dados como, por exemplo, a popula\u00e7\u00e3o das cidades de um pa\u00eds, na magnitude dos terremotos, no padr\u00e3o de disparo de redes neurais, e tamb\u00e9m a frequ\u00eancia de termos no kernel do Linux, dentre outros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"The Zipf Mystery\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fCn8zs912OE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A produ\u00e7\u00e3o de Nim segue a Lei de Zipf?<\/h3>\n\n\n\n<p>E a\u00ed que entra a grande ideia do linguista computacional Charles Yang, da University of Pennsylvania: Ele j\u00e1 tinha escrito um artigo em 2010 comparando a produ\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica de crian\u00e7as e observado que elas obedecem ao mesmo padr\u00e3o. <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1740-9713.2013.00708.x\/abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Agora seria interessante comparar esses dados com um corpus de um primata usando l\u00edngua de sinais<\/a>!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de termos diversos experimentos com primatas ao longo do s\u00e9culo passado, os corpus ou n\u00e3o foram registrados, ou s\u00e3o guardados a sete chaves pelos seus treinadores, o que n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica l\u00e1 muito bacana. O \u00fanico corpus dispon\u00edvel era o do Projeto Nim, coordenado pelo primat\u00f3logo Herbert Terrace, da Universidade de Columbia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26.png\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26-691x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2621\" width=\"451\" height=\"669\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26-691x1024.png 691w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26-202x300.png 202w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26-768x1139.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26-500x741.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26-800x1186.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2023\/02\/Screenshot-2023-02-14-at-21.36.26.png 974w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Capa do livro de Elizabeth Hess, baseado nos estudos de Herbert Terrace e sua equipe.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Apenas para lembrarmos, o Nim foi treinado em l\u00edngua de sinais americana desde pequeno e, numericamente falando, ele teria aprendido a usar cerca de 120 sinais. Com esses sinais, Nim teria produzido cerca de 20mil combina\u00e7\u00f5es diferentes ao longo do projeto. Olhando pelos n\u00fameros, d\u00e1 a entender que ele est\u00e1 fazendo as combina\u00e7\u00f5es infinitas que temos na linguagem. Mas parece n\u00e3o ser bem assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando pro Yang, se o Nim tiver realmente aprendido a usar a l\u00edngua de sinais americana como uma crian\u00e7a humana usa, nada mais \u00f3bvio do que essas produ\u00e7\u00f5es obede\u00e7am o mesmo princ\u00edpio que todas l\u00ednguas existentes ou mesmo as j\u00e1 extintas obedecem. E os resultados indicam que <strong>a produ\u00e7\u00e3o de Nim n\u00e3o segue a Lei de Zipf.<\/strong> Ou seja, mesmo que eventualmente sua produ\u00e7\u00e3o pudesse ser eficiente, nem mesmo nos princ\u00edpios estat\u00edsticos envolvidos com o uso de uma l\u00edngua seria poss\u00edvel dizer que se trata da mesma capacidade humana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para finalizar<\/h2>\n\n\n\n<p>Acho que \u00e9 importante ressaltar aqui que em momento algum desta s\u00e9rie eu mencionei que a comunica\u00e7\u00e3o humana \u00e9 melhor que a comunica\u00e7\u00e3o das demais esp\u00e9cies. Existem evid\u00eancias relacionadas a complexidade em diferentes n\u00edveis, mas esse ponto \u00e9 irrelevante aqui. O importante \u00e9 que cada esp\u00e9cie tem sua pr\u00f3pria forma de comunica\u00e7\u00e3o e ela \u00e9 \u00f3tima para a sua situa\u00e7\u00e3o na natureza, tendo permitido que ela se adaptasse ao ambiente em que vive.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dizem que os linguistas s\u00e3o &#8220;contra a evolu\u00e7\u00e3o&#8221; por acreditarem que os primatas n\u00e3o-humanos n\u00e3o tem a mesma capacidade que os humanos t\u00eam. Mas poder\u00edamos inclusive inverter a l\u00f3gica: por que precisamos demonstrar que outros primatas podem utilizar o nosso sistema de comunica\u00e7\u00e3o sem tentar demonstrar o contr\u00e1rio, ou seja, que humanos podem aprender a forma de comunica\u00e7\u00e3o de chimpanz\u00e9s e gorilas?<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jane_Goodall\" target=\"_blank\">Jane Godall<\/a>, por ter passado muito tempo observando primatas em seu habitat, possa compreender alguma coisa, mas em momento algum, at\u00e9 onde eu acompanhei, ela argumenta que fala &#8220;primat\u00eas n\u00e3o-humano&#8221;. Uma coisa \u00e9 conseguirmos imitar e\/ou compreender as inten\u00e7\u00f5es de um ou outro som ou sinal. Outra \u00e9 usarmos o sistema de forma fluente. <strong>Os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o animal, at\u00e9 onde sabemos, n\u00e3o podem ser ensinados em escolas de l\u00ednguas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>E com isso, finalmente consegui finalizar a s\u00e9rie. Ainda existem muitas quest\u00f5es em aberto que podem render alguns adendos no futuro mas, agora, sem a press\u00e3o de ficar com a s\u00e9rie parada por tanto tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Relations between song repertoire size and the volume of brain nuclei related to song: comparative evolutionary analyses amongst oscine birds:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/rspb.royalsocietypublishing.org\/content\/254\/1340\/75\">http:\/\/rspb.royalsocietypublishing.org\/content\/254\/1340\/75<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Monkey vocal tracts are speech-ready<\/strong><br><a href=\"http:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/2\/12\/e1600723\/tab-pdf\">http:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/2\/12\/e1600723\/tab-pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Neural Correlates of Vocal Repertoire in Primates<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fnins.2018.00534\/full\">https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fnins.2018.00534\/full<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Overall Brain Size, and Not Encephalization Quotient, Best Predicts Cognitive Ability across Non-Human Primates<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.karger.com\/Article\/Abstract\/102973\">https:\/\/www.karger.com\/Article\/Abstract\/102973<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cerebellar substrate for cognition evolved multiple times independently in mammals <\/strong><a href=\"https:\/\/elifesciences.org\/articles\/35696\">https:\/\/elifesciences.org\/articles\/35696<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>What languages in Europe have the most or least phonemes<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eupedia.com\/linguistics\/number_of_phonemes_in_european_languages.shtml\">https:\/\/www.eupedia.com\/linguistics\/number_of_phonemes_in_european_languages.shtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-deviante wp-block-embed-deviante\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"URDVT18WOY\"><a href=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-118\/\">Spin de Not\u00edcias #118: 21 Borean 2018 (19\/02\/2018) Diferen\u00e7as anat\u00f4micas de Primatas, Fala e Matem\u00e1tica<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Spin de Not\u00edcias #118: 21 Borean 2018 (19\/02\/2018) Diferen\u00e7as anat\u00f4micas de Primatas, Fala e Matem\u00e1tica&#8221; &#8212; Deviante\" src=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-118\/embed\/#?secret=k375s6NQSW#?secret=URDVT18WOY\" data-secret=\"URDVT18WOY\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"4NfboKGHpj\"><a href=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-253\/\">Spin #253: Comunica\u00e7\u00e3o Primata &#8211; 06H18 (22\/07\/18)<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Spin #253: Comunica\u00e7\u00e3o Primata &#8211; 06H18 (22\/07\/18)&#8221; &#8212; Deviante\" src=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-253\/embed\/#?secret=pquDgK2ZgE#?secret=4NfboKGHpj\" data-secret=\"4NfboKGHpj\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"cCOOxCHLJI\"><a href=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-299\/\">Spin #299: Comunica\u00e7\u00e3o em Primatas &#8211; 23I18 (05\/09\/18)<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Spin #299: Comunica\u00e7\u00e3o em Primatas &#8211; 23I18 (05\/09\/18)&#8221; &#8212; Deviante\" src=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/spin\/spin-de-noticias-299\/embed\/#?secret=p6PfGJ7cdy#?secret=cCOOxCHLJI\" data-secret=\"cCOOxCHLJI\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Cenas dos \u00faltimos cap\u00edtulos&#8230;. afinal j\u00e1 se passaram 4 anos. 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Parte 03: (Neuro)anatomia e a Lei de Zipf\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":2630,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":{"x":0.55,"y":0.44},"footnotes":""},"categories":[36,9],"tags":[105,429,214,263,262,220,15,425,428,430,121,266,218,426],"class_list":["post-1618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aquisicao-de-linguagem","category-linguagem-e-mente","tag-biolinguistica","tag-chimapnze","tag-comunicacao-animal","tag-gorila","tag-koko","tag-lei-de-zipf","tag-linguagem","tag-linguas-2","tag-linguas-de-sinais","tag-linguistica-evolucionaria","tag-nim-chimpsky","tag-noam-chomsky","tag-primatologia","tag-projeto-nim"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1618"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2632,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1618\/revisions\/2632"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}