{"id":1914,"date":"2020-01-10T02:35:34","date_gmt":"2020-01-10T02:35:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=1914"},"modified":"2020-05-09T04:22:27","modified_gmt":"2020-05-09T04:22:27","slug":"noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/","title":{"rendered":"Noam Chomsky e o funcionamento da linguagem: menos \u00e9 mais!"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 12pt\">Texto de Paulo \u00c2ngelo Ara\u00fajo-Adriano &amp; Williane Cor\u00f4a<\/span><\/h3>\n<h3><strong>Como aprendemos uma l\u00edngua? A grande pergunta de Noam Chomsky<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_1990\" aria-describedby=\"caption-attachment-1990\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/menon.gif\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1990\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/menon.gif\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1990\" class=\"wp-caption-text\">Demonstra\u00e7\u00e3o das instru\u00e7\u00f5es recebidas pelo escravo de M\u00e9non no di\u00e1logo. (wikimedia commons)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 passou anos lendo livros ou tendo aulas sobre como aprender uma l\u00edngua estrangeira. Morar num pa\u00eds estrangeiro ajuda, mas ainda assim o processo de organiza\u00e7\u00e3o mental das palavras e estruturas da l\u00edngua \u00e9 bem demorado. Mas e as crian\u00e7as? Voc\u00ea j\u00e1 parou para se perguntar como elas conseguem organizar mentalmente o funcionamento de sua l\u00edngua de maneira t\u00e3o r\u00e1pida e inconsciente? Reparem que elas n\u00e3o t\u00eam ainda uma primeira l\u00edngua pra se basear e que, por n\u00e3o estarem em um curso de l\u00ednguas com evid\u00eancias e instru\u00e7\u00f5es concretas, elas t\u00eam evid\u00eancias bem limitadas de como funciona a estrutura das l\u00ednguas que as pessoas falam a sua volta.<\/p>\n<p>Assim, surge o argumento da pobreza de est\u00edmulo, que, basicamente, afirma que os dados dispon\u00edveis \u00e0 crian\u00e7a na l\u00edngua que a rodeia n\u00e3o s\u00e3o suficientes o bastante para definir uma gram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Por muitos anos, Noam Chomsky, linguista americano nascido em 7 de dezembro de 1928, na Filad\u00e9lfia, tentou responder a tal pergunta, conhecida como Problema l\u00f3gico da aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem (tamb\u00e9m chamado de problema de Pl\u00e3t\u00e3o). Este problema \u00e9 baseado no <a href=\"https:\/\/revistasofosunirio.files.wordpress.com\/2012\/04\/menon-sem-a-parte-grega.pdf\">di\u00e1logo M\u00e9non<\/a>, de Plat\u00e3o, na qual o personagem S\u00f3crates demonstra para M\u00e9non que, se desafiado de maneira correta, mesmo um escravo sem instru\u00e7\u00e3o possui no\u00e7\u00f5es inatas de matem\u00e1tica. Esses conhecimentos permitiriam que o escravo fizesse, de maneira intuitiva, alguns c\u00e1lculos geom\u00e9tricos. Essa pergunta continua sendo o elemento norteador das investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas assumidas por Chomsky desde a sua gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de Pennsylvania.<\/p>\n<h3><strong>O modelo de linguagem da Gram\u00e1tica Gerativa<\/strong><\/h3>\n<p>Chomsky sempre procurou ir al\u00e9m da abordagem <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Estruturalismo#Estruturalismo_na_Lingu%C3%ADstica\">estruturalista<\/a>, distribucionista e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Behaviorismo#Rela%C3%A7%C3%A3o_com_o_linguagem\">comportamentalista<\/a> que existiam at\u00e9 ent\u00e3o no estudo da linguagem natural e deu in\u00edcio \u00e0 Teoria Gerativa, a partir da publica\u00e7\u00e3o de Syntactic Structures (1957). Nesta publica\u00e7\u00e3o, Chomsky defende a ideia de uma abordagem formal do estudo das estruturas das frases, baseada em s\u00edmbolos e regras. As regras dividem as senten\u00e7as em partes menores, portanto, ao combinar essas partes atrav\u00e9s de regras chamadas &#8220;transforma\u00e7\u00f5es&#8221;, \u00e9 poss\u00edvel &#8220;gerar&#8221; todas e apenas as senten\u00e7as gramaticais (v\u00e1lidas) de uma dada l\u00edngua, que s\u00e3o ilimitadas em n\u00famero, da\u00ed o nome Gram\u00e1tica Gerativo-Transformacional, como a abordagem ficou conhecida na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Considerada uma das teorias mais importantes no campo da lingu\u00edstica do s\u00e9culo XX (o que lhe rendeu recentemente o pr\u00eamio <a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2019-04\/bf-ncw041619.php?fbclid=IwAR1lEUlgFpRtXNYpK1s_KR-LQHo5NYShy8sv2DJNUe-unBM_pvyDh4rnAT8\">Frontiers Award<\/a>), a proposta essencial da teoria gerativa \u00e9 que existe um componente mental inato compartilhado entre todos os seres humanos (Faculdade da Linguagem) que possui mecanismos de regras gerais que nos instruem sobre como funciona a comunica\u00e7\u00e3o humana (Gram\u00e1tica Universal).<\/p>\n<p>Uma das mais importantes caracter\u00edsticas atribu\u00eddas a essa gram\u00e1tica universal \u00e9 a capacidade de, com um conjunto limitado de pe\u00e7as (ex. palavras, regras de estrutura, etc.), formar infinitas combina\u00e7\u00f5es diferentes, ou seja, a infinitude discreta \u00e9 uma das propriedades essenciais da linguagem humana.<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea est\u00e1 esperando o \u00f4nibus para voltar para casa e ouve algu\u00e9m dizer &#8220;O Jo\u00e3o deixou da leitura desse livro&#8221;. No m\u00ednimo voc\u00ea vai achar que est\u00e1 ouvindo coisas, por estar cansado, ou vai achar que a pessoa que disse isso n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o s\u00e3. Bom, mas por que essa senten\u00e7a \u00e9 estranha, quando &#8220;O Jo\u00e3o deixou de ler esse livro&#8221;, ou at\u00e9 mesmo &#8220;O Jo\u00e3o desistiu de ler esse livro&#8221; \u00e9 uma senten\u00e7a completamente normal, e n\u00e3o causaria estranheza naquele ponto de \u00f4nibus? Normalmente, a gente n\u00e3o para pensar nessas coisas, porque aparentemente a gente sabe o que sabe, mas n\u00e3o sabe porque sabe. Bom, esse conhecimento inconsciente sobre a linguagem, mais especificamente (i) o que \u00e9 esse conhecimento; (ii) como ele \u00e9 adquirido; (iii) como \u00e9 colocado em uso s\u00e3o as tr\u00eas quest\u00f5es b\u00e1sicas que emergiram na Teoria Gerativa de Chomsky.<\/p>\n<h3><strong>Atualiza\u00e7\u00f5es no modelo de linguagem<\/strong><\/h3>\n<p>Enquanto buscava respostas para estas quest\u00f5es, o modelo chomskyano foi se aperfei\u00e7oando ao longo dos anos. Na d\u00e9cada de 80, depois de pelo menos 20 anos de dados e mais pesquisas na \u00e1rea, Chomsky come\u00e7a a modificar sua teoria para melhor se adequar aos achados da \u00e1rea. Em termos mais t\u00e9cnicos, a abordagem conhecida como Transformacional e foi substitu\u00edda por uma abordagem melhorada, chamada de Princ\u00edpios e Par\u00e2metros (P&amp;P), desenvolvida no livro Lectures on Government and Binding: The Pisa Lectures (LGB, 1979). Essa nova abordagem busca explicar a aparente lacuna entre conhecimento lingu\u00edstico (o que a gente sabe sobre a l\u00edngua) e fatores que influenciam o uso da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Esse novo modelo tamb\u00e9m amplia o conceito de gram\u00e1tica universal (GU). Agora \u00e9 poss\u00edvel dizer que h\u00e1, nas l\u00ednguas, princ\u00edpios estruturais que s\u00e3o inatos e fixos e que as diferen\u00e7as entre as v\u00e1rias l\u00ednguas do mundo se caracterizam pelos par\u00e2metros (diferen\u00e7as) utilizados por um grupo de falantes. Um exemplo bem simples de entender \u00e9 que em qualquer l\u00edngua do mundo existe sujeito, verbo e objeto, o que podemos chamar de Princ\u00edpio. Por outro lado, a forma como esses elementos aparecem em uma frase \u00e9 diferente entre as l\u00ednguas, o que podemos chamar de Par\u00e2metro. <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Word_order\">L\u00ednguas SOV (ex. Japon\u00eas) s\u00e3o as mais frequentes<\/a>, seguidas de l\u00ednguas SVO como o Portugu\u00eas e o Ingl\u00eas. As l\u00ednguas mais raras s\u00e3o as OSV.<\/p>\n<p>Mesmo com essas modifica\u00e7\u00f5es nas pesquisas sobre a Gram\u00e1tica Gerativa, ainda tivemos casos de pesquisadores que se aproveitavam do \u201cpoder explicativo\u201d do modelo para postular processos dos quais n\u00e3o t\u00ednhamos muitas evid\u00eancias de que realmente existem. Por essa raz\u00e3o, Chomsky buscou tornar seu modelo te\u00f3rico mais simples e elegante, cortando excessos te\u00f3ricos e seguindo o princ\u00edpio cient\u00edfico da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Navalha_de_Occam\">Navalha de Occam<\/a>, de que as explica\u00e7\u00f5es mais simples s\u00e3o provavelmente as mais corretas. Assim, a partir de 1993, foi desenvolvido o Programa Minimalista que teve sua publica\u00e7\u00e3o oficial em 1995. A tentativa de simplifica\u00e7\u00e3o persegue dois vieses: o <strong><em>top-down<\/em><\/strong> e o <strong><em>bottom-up<\/em><\/strong>. Esses nomes soam estranhos? Na verdade, <em>top-down<\/em> e <em>bottom-up<\/em> podem ser traduzidos como de cima para baixo e de baixo para cima, respectivamente. S\u00e3o estrat\u00e9gias de processamento de informa\u00e7\u00e3o e ordena\u00e7\u00e3o do conhecimento, usadas em v\u00e1rios campos de conhecimento, incluindo software, human\u00edstica e teorias cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como o <em>top-down<\/em> e o <em>bottom-up<\/em> se relacionam com o Programa Minimalista desenvolvido por Chomsky? Como lembrado por Cedric Boeckx, autor de Lingu\u00edstica Minimalista: origens, conceitos, m\u00e9todos e objetivos (<a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/40071040?seq=1\">review em ingl\u00eas<\/a>), a estrat\u00e9gia <em>top-down<\/em> come\u00e7a com uma vis\u00e3o geral do sistema, neste caso, o sistema lingu\u00edstico, e desce at\u00e9 os n\u00edveis espec\u00edficos, uma esp\u00e9cie de engenharia reversa. Um exemplo de <em>top-down<\/em> seria o m\u00e9todo dos antigos gregos. Para os gregos, todas as constru\u00e7\u00f5es poderiam ser simplificadas a figuras geradas por somente duas ferramentas: uma r\u00e9gua n\u00e3o marcada e um compasso. Essa metodologia pode ser resumida na seguinte proposi\u00e7\u00e3o: dadas duas ferramentas das mais simples que existem, mostre todas as figuras que podem ser desenhadas.<\/p>\n<p>O legal \u00e9 que Chomsky adota essa metodologia em sua teoria. No programa minimalista, a proposi\u00e7\u00e3o baseada em<em> top-down<\/em> se resumiria da seguinte forma: &#8220;<em>dadas as condi\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas impostas ao lado do som e significado (interfaces da faculdade da linguagem) e as propriedades mais b\u00e1sicas dos itens lexicais e modos de combina\u00e7\u00e3o (concatenar), mostre que toda a sintaxe necess\u00e1ria pode ser derivada<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Agora que voc\u00ea j\u00e1 sabe o que e como funciona o <em>top-down<\/em> fica f\u00e1cil entender como funciona o segundo modo de \u201cfazer minimalismo\u201d: o modelo <em>bottom-up<\/em>. Este modelo funciona de modo contr\u00e1rio ao <em>top-down<\/em>: parte-se de elementos menores associados para formar um subsistema maior. Essa estrat\u00e9gia se assemelha a um modelo de &#8220;semente&#8221;: come\u00e7a pequeno, com elementos b\u00e1sicos e vai crescendo ao longo de completa\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es. Um exemplo dessa estrat\u00e9gia \u00e9 o modo como o desenho animado e realista do touro em tinta litogr\u00e1fica, de Pablo Picasso foi criado: &#8220;quantas linhas eu preciso para desenhar uma figura minima(lista) de um touro?&#8221;. O percurso metodol\u00f3gico \u00e9 come\u00e7ar com linhas mais complexas e eliminar refinamentos para se chegar a um touro minimalista.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/picassobull.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1915\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/picassobull.png\" alt=\"\" width=\"534\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/picassobull.png 898w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/picassobull-300x279.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/picassobull-768x713.png 768w\" sizes=\"(max-width: 534px) 100vw, 534px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Independente da estrat\u00e9gia utilizada &#8211; <em>bottom-up<\/em> ou <em>top-down<\/em> &#8211; o resultado dentro do Programa Minimalista ser\u00e1 o mesmo. Portanto, <em>bottom-up<\/em> ou <em>top-down<\/em> convergem no mesmo touro minimalista, seguindo, \u00e9 claro, caminhos de descoberta diferentes.<\/p>\n<h3>A faculdade da linguagem<\/h3>\n<p>Chomsky chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a propriedade b\u00e1sica da linguagem humana \u00e9 a faculdade da linguagem. Mas o que seria isso?<\/p>\n<p>Lembra do poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade: Jo\u00e3o amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que n\u00e3o amava ningu\u00e9m? Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar que podemos dar continuidade a esse poema, encaixando grupos de palavras de modo infinito? Essa capacidade de \u201cencaixar\u201d um conjunto infinito de express\u00f5es estruturadas \u00e9 algo comum e \u00fanico ao ser humano, chamado por Chomsky de aspecto criativo da linguagem. Essa propriedade b\u00e1sica considera a linguagem como um sistema computacional que consiste de um conjunto de elementos b\u00e1sicos e regras para gerar elementos mais complexos.<\/p>\n<p>Como dito anteriormente, um dos objetivos de Chomsky \u00e9 tornar a teoria mais simples e elegante. Para isso, as opera\u00e7\u00f5es computacionais da linguagem devem ser as mais simples poss\u00edveis. Desse modo, a opera\u00e7\u00e3o principal do sistema computacional da linguagem \u00e9 concatenar. Concatenar significa unir duas estruturas, tomando dois objetos j\u00e1 constru\u00eddos, X e Y, por exemplo, e formando um novo objeto Z, sem modificar nem X nem Y. Esse novo produto Z seria o conjunto {X, Y}. Um bom modo de representar como a opera\u00e7\u00e3o concatenar funciona \u00e9 pensar em como constru\u00edmos as senten\u00e7as. A opera\u00e7\u00e3o CONCATENAR consegue juntar &#8220;o&#8221; e &#8220;menino&#8221;, formando &#8220;o menino&#8221;. De forma recursiva, isto \u00e9, repetida, a opera\u00e7\u00e3o pode ser aplicada novamente, e concatenamos essa nova estrutura a outra:<\/p>\n<p><strong>1\u00ba passo:<\/strong> concatenar o objeto &#8220;o&#8221; ao objeto &#8220;menino&#8221;<br \/>\nResultado do 1\u00ba passo: &#8220;o menino&#8221;<br \/>\n<strong>2\u00ba passo:<\/strong> concatenar o objeto &#8220;o menino&#8221; ao objeto &#8220;caiu&#8221;<br \/>\nResultado do 2\u00ba passo: &#8220;o menino caiu&#8221;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1985\" aria-describedby=\"caption-attachment-1985\" style=\"width: 455px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/memechomsky.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-1985\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/memechomsky.jpg\" alt=\"\" width=\"455\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/memechomsky.jpg 655w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2019\/12\/memechomsky-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1985\" class=\"wp-caption-text\">Dispon\u00edvel em: https:\/\/tinyurl.com\/vg9qcvp<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essa opera\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica capaz de gerar a linguagem do pensamento seria dependente da estrutura. A opera\u00e7\u00e3o concatenar se repete durante toda nossa vida ao usarmos a linguagem. Desse modo, podemos supor que tal opera\u00e7\u00e3o \u00e9 inata a n\u00f3s, seres humanos, pois ningu\u00e9m nos \u201censina\u201d que \u00e9 preciso fazer tal opera\u00e7\u00e3o para gerar frases perfeitamente gramaticais.<br \/>\nMuito antes da tradi\u00e7\u00e3o gerativista, outros cientistas e fil\u00f3sofos j\u00e1 se interrogavam sobre a natureza da linguagem humana. Alguns, inclusive, serviram de inspira\u00e7\u00e3o para Chomsky. Um deles \u00e9 Galileu Galilei, ao lado de seus contempor\u00e2neos, Antoine Arnauld e Claude Lancelot, que, na tentativa de explicar a simplicidade da natureza (a frase famosa de Galileu sobre isso \u00e9 &#8220;A natureza n\u00e3o faz com muitas coisas aquilo que pode fazer com poucas&#8221;), se perguntavam como era poss\u00edvel construir \u201ccom 25 ou 30 sons, uma variedade infinita de express\u00f5es\u201d?<\/p>\n<p>Assim, para a ci\u00eancia, quanto mais conseguimos explicar os fen\u00f4menos naturais usando menos ferramentas, melhor. Chomsky, ent\u00e3o, considerando que menos \u00e9 sempre mais, reconhece esse questionamento levantado por Galileu como um &#8220;desafio&#8221;: uma das perspectivas mais profundas na rica hist\u00f3ria da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre a linguagem e a mente dos \u00faltimos 2.500 anos e que deve investigar como a linguagem pode ser usada de forma criativa. Ap\u00f3s mais de 60 anos de investiga\u00e7\u00e3o, Chomsky chega \u00e0 conclus\u00e3o que essa criatividade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pelo fato de que a esp\u00e9cie humana \u00e9 a \u00fanica capaz de aplicar uma simples opera\u00e7\u00e3o computacional: a concatena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Entrevista com Noam Chomsky<\/h4>\n<p>Para debater quest\u00f5es relacionadas ao desenvolvimento da teoria, o <a href=\"https:\/\/nucleoforma.wixsite.com\/forma-iel\/coloquios\">ForMA \u2013 N\u00facleo de Estudos em Gram\u00e1tica Formal, Mudan\u00e7a e Aquisi\u00e7\u00e3o<\/a> \u2013 convidou o linguista Noam Chomsky para participar dos nossos col\u00f3quios. Os col\u00f3quios do ForMA v\u00eam, desde 2006, propiciando um espa\u00e7o importante de interlocu\u00e7\u00e3o para alunos IEL, com apresenta\u00e7\u00f5es de convidados externos e apresenta\u00e7\u00f5es de resultados de pesquisa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-doutoramento.<\/p>\n<p>O pai da lingu\u00edstica moderna proferiu &#8211; via videoconfer\u00eancia ocorrida em 04 de setembro de 2018 &#8211; o col\u00f3quio intitulado The Galilean Challenge: Architecture and Evolution of Language, t\u00edtulo do seu \u00faltimo paper publicado na Journal of Physics (2017). Abaixo, trazemos a tradu\u00e7\u00e3o das perguntas e respostas que foram feitas durante o <a href=\"https:\/\/nucleoforma.wixsite.com\/forma-iel\/coloquios\">Col\u00f3quio de Chomsky no ForMA<\/a>, mas que n\u00e3o foram respondidas naquele espa\u00e7o, por falta de tempo. O que ainda surpreende em Chomsky, mesmo depois de ter modificado radicalmente o modo de se pensar sobre a linguagem, \u00e9 sua constante indaga\u00e7\u00e3o sobre o qu\u00e3o \u00f3ptimo est\u00e1 o seu modelo para a linguagem, marcado at\u00e9 mesmo pela sua \u00faltima \u2018fala\u2019 em <em>The Galilean Challenge: Architecture and Evolution of Language<\/em>: \u201cquanto mais n\u00f3s aprendemos, mais descobrimos o que n\u00e3o sabemos\u201d.<\/p>\n<p>O ForMA congrega pesquisadores do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL &#8211; Unicamp) interessados em investiga\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas, partindo de modelos formais para an\u00e1lise e descri\u00e7\u00e3o gramatical, mudan\u00e7a lingu\u00edstica e\/ou aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem \u00e0 luz de pressupostos gerativistas.<\/p>\n<p>Como o Col\u00f3quio foi transmitido online e nem todas as perguntas foram feitas por pessoas presentes no IEL, mas pela internet, decidimos manter o codinome ForMA para as perguntas, uma vez que nem todas elas eram identificadas.<\/p>\n<p>A entrevista foi publicada em ao mesmo tempo, mas separado deste post.<br \/>\nPara ler a entrevista completa, clique <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/entrevista-com-noam-chomsky\/\"><strong>aqui<\/strong><\/a>.<br \/>\nPara ler a entrevista original, em ingl\u00eas, clique <strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/qa-with-noam-chomsky\/\">aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de Paulo \u00c2ngelo Ara\u00fajo-Adriano &amp; Williane Cor\u00f4a Como aprendemos uma l\u00edngua? A grande pergunta de Noam Chomsky Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 passou anos lendo livros <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2020\/01\/10\/noam-chomsky-e-o-funcionamento-da-linguagem-menos-e-mais\/\" title=\"Noam Chomsky e o funcionamento da linguagem: menos \u00e9 mais!\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":1987,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[36,9],"tags":[182,324,265,267,325,326,268],"class_list":["post-1914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aquisicao-de-linguagem","category-linguagem-e-mente","tag-aquisicao-de-linguagem","tag-chomsky","tag-gramatica-gerativa","tag-gramatica-universal","tag-principios-e-parametros","tag-problema-da-pobreza-do-estimulo","tag-problema-de-platao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1914"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2048,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1914\/revisions\/2048"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}