{"id":2217,"date":"2022-06-09T15:48:38","date_gmt":"2022-06-09T15:48:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=2217"},"modified":"2022-06-18T02:31:28","modified_gmt":"2022-06-18T02:31:28","slug":"por-que-acentuamos-as-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2022\/06\/09\/por-que-acentuamos-as-palavras\/","title":{"rendered":"Por que acentuamos as palavras?"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Texto de: <i>L\u00eddia Vit\u00f3ria da Costa Faustino dos Santos<\/i><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o \u00e9 raro n\u00f3s, professores de l\u00edngua portuguesa, ou n\u00f3s, falantes do portugu\u00eas brasileiro, ouvirmos algum coment\u00e1rio sobre o uso dos acentos em nossa l\u00edngua materna. Afinal, a vida n\u00e3o seria mais f\u00e1cil se todos fal\u00e1ssemos ingl\u00eas, uma l\u00edngua simples, direta e, o mais importante, sem acentos? Esse, qui\u00e7\u00e1, seja o sonho de todo brasileiro (e tamb\u00e9m dos Estados Unidos, mas n\u00e3o vamos entrar nisso&#8230;hoje).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Vamos a alguns fatos sobre os acentos na l\u00edngua portuguesa. Temos no portugu\u00eas brasileiro 4 acentos :<\/p>\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list eplus-styles-uid-d885f7\"><li>o acento agudo (\u00b4);<\/li><li>o circunflexo (^);<\/li><li>o acento grave (`) e<\/li><li>o til (~), <\/li><\/ul>\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Vale ressaltar que, para alguns autores, o til n\u00e3o \u00e9 considerado um acento, mas uma marca de som nasal. Diremos aqui que ele \u00e9, sim, um acento, considerando seus efeitos nos casos que aqui ser\u00e3o explorados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A fun\u00e7\u00e3o dos acentos, n\u00e3o somente, mas principalmente, \u00e9 sinalizar a s\u00edlaba t\u00f4nica da palavra, indicando sua pron\u00fancia e entona\u00e7\u00e3o. Fato curioso, no entanto, \u00e9 que essa fun\u00e7\u00e3o dos acentos vem com um b\u00f4nus: o surgimento de palavras hom\u00f3grafas. Palavras hom\u00f3grafas s\u00e3o palavras que s\u00e3o ortograficamente iguais, por\u00e9m, t\u00eam significados distintos gra\u00e7as \u00e0 sua acentua\u00e7\u00e3o e, consequentemente, sua pron\u00fancia (ex. colher [talher] e colher [apanhar]; s\u00e1bia [sabedora] e sabia (verbo saber]). Quando um acento altera o significado de palavras que s\u00e3o escritas iguais, o denominamos diacr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Dessa forma, reconhecendo esses fatos, podemos refletir: se h\u00e1 palavras que s\u00e3o escritas iguais, mas t\u00eam sua tonicidade e pron\u00fancia distintas devido \u00e0 acentua\u00e7\u00e3o, o que ocorre com seus efeitos de sentido na fala e na escrita quando h\u00e1 falta de acentua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Bem, na fala essa falta pouco ocorre, uma vez que todo falante de portugu\u00eas sabe que <em>mai\u00f4<\/em> se trata de uma vestimenta, e <em>maio<\/em> de um m\u00eas, ainda que n\u00e3o tenha conhecimento da ortografia das palavras, em que o primeiro exemplo leva um circunflexo na \u00faltima s\u00edlaba &#8211; sua t\u00f4nica, e o segundo n\u00e3o leva acento nenhum, com a tonicidade na primeira s\u00edlaba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2355\" width=\"472\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image.png 396w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image-300x240.png 300w\" sizes=\"(max-width: 472px) 100vw, 472px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No entanto, quando pensamos sobre a falta de acentua\u00e7\u00e3o na escrita e, consequentemente, na leitura, podemos dizer que os impactos s\u00e3o grandes. A falta de acentua\u00e7\u00e3o e, por consequ\u00eancia, a pron\u00fancia\/leitura e sentido incorretos podem levar a muitas confus\u00f5es. Por exemplo, na frase \u201cmeu maio \u00e9 pequeno demais\u201d, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se a pessoa est\u00e1 falando do m\u00eas de maio, ou s\u00f3 n\u00e3o acentuou a palavra <em>mai\u00f4,<\/em> uma vez que faria mais sentido dizer que uma vestimenta \u00e9 pequena. Essas duas palavras, hom\u00f3grafas, s\u00e3o um claro exemplo da fun\u00e7\u00e3o diacr\u00edtica do acento circunflexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nas frases \u201ceu acabei com o forro\u201d e \u201ceu acabei com o forr\u00f3\u201d (inclusive, acho que vale ressaltar que o corretor ortogr\u00e1fico do <em>google docs<\/em> n\u00e3o reconhece a palavra <em>forro<\/em>, tentando alter\u00e1-la para <em>forr\u00f3<\/em>, h\u00e1, aparentemente, graus de import\u00e2ncia quase invis\u00edveis entre as palavras hom\u00f3grafas), enfim, de qualquer forma, \u00e9 poss\u00edvel separar e compreender os efeitos de sentido distintos de ambas as frases, o acento agudo, nesse caso, atua como um diacr\u00edtico. No entanto, se lemos um livro em que uma personagem acaba de voltar de um baile de forr\u00f3, e afirma \u201ceu acabei com o forro\u201d, n\u00e3o sem raz\u00e3o n\u00f3s, enquanto leitores, ficar\u00edamos muito confusos com a quebra contextual ali presente, e, certamente, supor\u00edamos que se trata da falta de acentua\u00e7\u00e3o na palavra <em>forr\u00f3<\/em>. H\u00e1, portanto, uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca e inerente entre acentua\u00e7\u00e3o e sentido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image-1.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2356\" width=\"759\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image-1.png 451w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/06\/image-1-300x88.png 300w\" sizes=\"(max-width: 759px) 100vw, 759px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Bem, depois de entendermos essa quest\u00e3o por meio desses dois exemplos, por que consideramos, aqui, o til (~) tamb\u00e9m um acento, e n\u00e3o apenas uma marca de nasaliza\u00e7\u00e3o? Quando pensamos na palavra <em>Roma<\/em>, podemos tamb\u00e9m pensar em sua hom\u00f3grafa <em>rom\u00e3<\/em>. Assim, se as duas s\u00e3o palavras hom\u00f3grafas, que t\u00eam seus sentidos distintos devido unicamente \u00e0 presen\u00e7a do til, por que n\u00e3o consider\u00e1-lo um acento, aqui diacr\u00edtico? (Pelo visto, n\u00e3o s\u00f3 h\u00e1 uma hierarquia entre as palavras hom\u00f3grafas, mas tamb\u00e9m entre os acentos que podem ou n\u00e3o fazer delas hom\u00f3grafas, ou seja, serem qualificados como diacr\u00edticos, ou, no caso do til, at\u00e9 como acentos propriamente dizendo.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mas e o acento grave? Qual o papel dele em toda essa hist\u00f3ria? Primeiro, vamos \u00e0 explica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o acento grave e sua rela\u00e7\u00e3o com o que chamamos de crase. Denominamos crase a fus\u00e3o de duas vogais iguais em uma s\u00f3, por exemplo na frase \u201cela cheira \u00e0 rosa\u201d (com sentido de que a pessoa em quest\u00e3o tem odor de rosa), esse \u201c\u00e0\u201d sinaliza a fus\u00e3o da preposi\u00e7\u00e3o <em>a<\/em> com o artigo definido feminino <em>a<\/em>. O resultado dessa fus\u00e3o \u00e9 o que chamamos de acento grave. Portanto, o acento sinaliza que ali houve uma crase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Agora vamos refletir sobre como esse acento atua quanto a palavras hom\u00f3grafas e sua particularidade na pron\u00fancia: quando falamos \u201cbebe\u201d (do verbo beber)&nbsp; e \u201cbeb\u00ea\u201d (substantivo &#8211; crian\u00e7a) h\u00e1 uma diferen\u00e7a clara a\u00ed, tanto na escrita, a presen\u00e7a do acento, como na pron\u00fancia, o fato de que no primeiro exemplo a primeira s\u00edlaba, t\u00f4nica, \u00e9 pronunciada aberta [b\u00e9be] e no segundo ambas as s\u00edlabas s\u00e3o fechadas [bebe], com a tonicidade na \u00faltima. Quando falamos sobre o acento grave, essa diferen\u00e7a s\u00f3 se faz evidente na escrita, na fala, sem o aparato contextual da conversa e intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel captar as diferen\u00e7as de sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Vamos tomar como exemplo duas frases: <em>Ela cheira a rosa<\/em> (a\u00e7\u00e3o de sentir o aroma da flor) x <em>Ela cheira \u00e0 rosa<\/em> (pessoa que tem odor de rosa). A diferen\u00e7a entre o <em>a<\/em> no primeiro exemplo, cumprindo fun\u00e7\u00e3o de artigo definido feminino, e o <em>\u00e0<\/em> no segundo exemplo, craseado sinalizando a jun\u00e7\u00e3o da preposi\u00e7\u00e3o<em> <\/em>com o artigo feminino \u00e9 percept\u00edvel devido ao fato de ambos estarem escritos, ainda assim, uma pessoa que desconhece a fun\u00e7\u00e3o da crase, muito provavelmente n\u00e3o compreende, pela leitura, a diferen\u00e7a de sentidos entre as duas frases. No entanto, quando falamos as duas frases, se n\u00e3o compreendemos o seu contexto de produ\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o da preposi\u00e7\u00e3o, dificilmente vamos compreender qual dos dois sentidos est\u00e1 sendo denotado, uma vez que a pron\u00fancia da preposi\u00e7\u00e3o + artigo (\u00e0) \u00e9 igual \u00e0 pron\u00fancia apenas do artigo (a), talvez por isso seja muito mais f\u00e1cil dizer \u201cela tem aroma de rosa\u201d. Se isso n\u00e3o \u00e9 a magia da linguagem, o que seria? H\u00e1, de certa forma, uma beleza nos acentos, uma beleza confusa, muitas vezes causa de risos e mal entendidos, mas quantas s\u00e3o as l\u00ednguas que podem fazer humor de si mesmas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Saiba mais:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Crist\u00f3faro Silva, Almeida e Marra (2020) Fonologia, acentua\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e ensino.<br><a href=\"https:\/\/periodicos.ufjf.br\/index.php\/veredas\/article\/view\/31853\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/periodicos.ufjf.br\/index.php\/veredas\/article\/view\/31853<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Alessandra Macon (2020) Um acento muda tudo, Jornal do Noroeste.<br><a href=\"https:\/\/jornalnoroeste.com\/pagina\/colunas\/um-acento-muda-tudo-#:~:text=O%20acento%20modifica%20o%20significado,tenha%20muitos%20compromissos%20esse%20m%C3%AAs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/jornalnoroeste.com\/pagina\/colunas\/um-acento-muda-tudo-#:~:text=O%20acento%20modifica%20o%20significado,tenha%20muitos%20compromissos%20esse%20m%C3%AAs<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-vila-criativa wp-block-embed-vila-criativa eplus-wrapper\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"JA6QEF7G3G\"><a href=\"https:\/\/www.vilacriativa.com.br\/blog\/quando-o-acento-muda-a-palavra\/\">Quando o acento muda totalmente a palavra<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Quando o acento muda totalmente a palavra&#8221; &#8212; Vila Criativa\" src=\"https:\/\/www.vilacriativa.com.br\/blog\/quando-o-acento-muda-a-palavra\/embed\/#?secret=SmgHdUmypV#?secret=JA6QEF7G3G\" data-secret=\"JA6QEF7G3G\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-rfm-editores wp-block-embed-rfm-editores eplus-wrapper\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/revistaeducacao.com.br\/2017\/08\/24\/quando-crase-muda-o-sentido\/\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>N\u00e3o \u00e9 raro n\u00f3s, professores de l\u00edngua portuguesa, ou n\u00f3s, falantes do portugu\u00eas brasileiro, ouvirmos algum coment\u00e1rio sobre o uso dos acentos em nossa l\u00edngua <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2022\/06\/09\/por-que-acentuamos-as-palavras\/\" title=\"Por que acentuamos as palavras?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":2221,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[378,376,377,379,380],"class_list":["post-2217","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-linguagem-e-ensino","tag-acentos","tag-acentuacao","tag-contexto","tag-ortografia","tag-palavras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2217"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2361,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2217\/revisions\/2361"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}