{"id":2224,"date":"2022-01-03T12:47:43","date_gmt":"2022-01-03T12:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=2224"},"modified":"2022-02-17T00:44:43","modified_gmt":"2022-02-17T00:44:43","slug":"biscoito-ou-bolacha-a-forma-como-voce-chama-essas-coisas-diz-de-onde-voce-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2022\/01\/03\/biscoito-ou-bolacha-a-forma-como-voce-chama-essas-coisas-diz-de-onde-voce-e\/","title":{"rendered":"Biscoito ou bolacha: a forma como voc\u00ea chama essas coisas pode dizer de onde voc\u00ea \u00e9"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Texto de:<\/strong><br><strong>Christian Rodrigues da Silva Rosa<br>Let\u00edcia Bianca B. Okushigue<br>Sarah Brambilla Giannasi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>Biscoito ou bolacha: como voc\u00ea fala?<\/h2>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 viu esse meme ou alguma vers\u00e3o dele em redes sociais? Pois \u00e9! Qual seria a forma correta de falar: sinal ou sem\u00e1foro? A resposta \u00e9 que depende da regi\u00e3o de quem fala. As pessoas de regi\u00f5es diferentes podem dar nomes diversos para uma mesma coisa. Ou seja, sinal e sem\u00e1foro s\u00e3o duas respostas corretas, n\u00e3o existe um \u201ccerto\u201d ou \u201cerrado\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, como explicar as diferen\u00e7as de nomes por todo o Brasil? Uma mesma coisa pode ter cinco ou mais vers\u00f5es! Outras t\u00eam varia\u00e7\u00f5es entre cidades do mesmo estado! Por que ser\u00e1 que isso acontece? De que jeito falar?&nbsp; Vamos descobrir agora!<\/p>\n\n\n\n<p>A lingu\u00edstica, ci\u00eancia que estuda a nossa linguagem, tem algumas dicas para a gente: o nome desse fen\u00f4meno \u00e9 varia\u00e7\u00e3o diat\u00f3pica, tamb\u00e9m conhecida como regionalismo, que \u00e9 parte da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica do nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mas calma, vamos entender o que s\u00e3o essas palavras antes de continuar.<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2-1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"342\" height=\"354\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2230\" data-full-url=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?attachment_id=2230\" class=\"wp-image-2230\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2-1.jpg 342w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2-1-290x300.jpg 290w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2-1-24x24.jpg 24w\" sizes=\"(max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><\/a><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1-1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" width=\"456\" height=\"378\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2231\" data-full-url=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?attachment_id=2231\" class=\"wp-image-2231\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1-1.jpg 456w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1-1-300x249.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/a><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>Varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sabemos que, quando falamos da l\u00edngua portuguesa, h\u00e1 v\u00e1rias palavras para dar nome a uma \u00fanica coisa, que pode ser uma comida (aipim\/mandioca), um objeto, um brinquedo, e muito mais. Esse fato muito interessante da l\u00edngua \u00e9 chamado de <strong>varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a <strong>varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica<\/strong> \u00e9 o nome dado ao conjunto de caracter\u00edsticas diferentes que uma mesma l\u00edngua tem por todo o territ\u00f3rio que compartilha o idioma. Dizemos que uma l\u00edngua varia por v\u00e1rios motivos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Quest\u00f5es geogr\u00e1ficas<\/strong>: em S\u00e3o Paulo, as pessoas falam \u201cbolacha\u201d e, no Rio, dizem \u201cbiscoito\u201d! Isso \u00e9 o que chamamos de <em>varia\u00e7\u00e3o diat\u00f3pica<\/em>;<br><\/li><li><strong>Contexto em que a l\u00edngua \u00e9 falada:<\/strong> pense, por exemplo, que a linguagem que a gente usa em uma entrevista de emprego \u00e9 bem diferente de uma conversa informal pelo WhatsApp! Olha a\u00ed a l\u00edngua variando conforme o contexto menos ou mais informal! O nome disso \u00e9 <em>varia\u00e7\u00e3o diaf\u00e1sica<\/em>;<br><\/li><li><strong>Mudan\u00e7a pela passagem do tempo:<\/strong> se voc\u00ea ver um livro de 1800, vai perceber que muitas palavras j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais usadas no dia a dia. Hoje em dia, seria dif\u00edcil ver algu\u00e9m dizendo: \u201cCar\u00edssimo ilustre, envio amplexos, na espera de que colhas alv\u00edssaras!\u201d. A l\u00edngua \u00e9 viva e muda com o tempo (ainda bem!). O nome disso \u00e9 <em>varia\u00e7\u00e3o diacr\u00f4nica<\/em>;<br><\/li><li><strong>Caracter\u00edsticas de grupos sociais:<\/strong> por exemplo, vemos na comunidade LGBTQIA+ v\u00e1rias g\u00edrias e bord\u00f5es que s\u00e3o menos usados por pessoas de grupos heterossexuais, como \u201clacrou\u201d, \u201cyag\u201d, \u201c\u00e9 sobre isso\u201d etc. Essa \u00e9 a <em>varia\u00e7\u00e3o diastr\u00e1tica<\/em>.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mas, hoje, vamos falar da varia\u00e7\u00e3o do meme, a diat\u00f3pica (geogr\u00e1fica)!<\/h2>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds de tamanho continental, com habitantes vindos ou descendentes de pessoas de todos os lugares do mundo e tamb\u00e9m vasto em comunidades ind\u00edgenas. Toda essa diversidade de idiomas influencia a l\u00edngua portuguesa e contribui para as variedades existentes na l\u00edngua. A varia\u00e7\u00e3o diat\u00f3pica tamb\u00e9m \u00e9 chamada de varia\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e, por isso, \u00e9 sobre as mudan\u00e7as do idioma por todo o territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o regionalismo, apesar de ser mais um nome para a varia\u00e7\u00e3o diat\u00f3pica ou geogr\u00e1fica, \u00e9 um termo bem mais amplo que n\u00e3o \u00e9 necessariamente sobre lingu\u00edstica. Um exemplo: voc\u00ea come cachorro-quente com pur\u00ea, ovo de codorna, farofa, ou nenhum deles?<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que o termo tamb\u00e9m aborda quest\u00f5es mais relevantes, como literatura e artes no geral, como por exemplo o movimento da literatura em que os autores escrevem obras que retratam a caracter\u00edsticas de uma dada regi\u00e3o, por exemplo, o incr\u00edvel escritor Ariano Suassuna, que trazia personagens e cen\u00e1rios do sert\u00e3o nordestino.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mas, e as palavras do meme? De onde v\u00eam? Listamos a seguir algumas variedades dessas palavras, onde elas s\u00e3o faladas e se h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o para seus nomes:<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2236\" width=\"511\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3.jpg 416w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3-300x172.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 511px) 100vw, 511px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Sacol\u00e9 ou sacolete:<\/strong> Rio de Janeiro. Uma jun\u00e7\u00e3o das palavras Saco e picol\u00e9;<\/li><li><strong>Dindim: <\/strong>Origem onomatopaica. Rio Grande do Norte e Bras\u00edlia;<\/li><li><strong>Geladinho ou gelinho: <\/strong>Bahia, S\u00e3o Paulo e regi\u00e3o sul;<\/li><li><strong>Juju, dudu, brasinha<\/strong>: algumas regi\u00f5es do Cear\u00e1;<\/li><li><strong>Chup-chup:<\/strong> Minas Gerais. Alus\u00e3o \u00e0 onomatopeia quando se consome o produto;<\/li><li><strong>Outros nomes comuns: <\/strong>chope, flau, laranjinha.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture4.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2237\" width=\"326\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture4.jpg 192w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture4-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture4-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture4-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture4-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Esse aqui \u00e9 um caso complicado, todos os nomes s\u00e3o usados em todo o pa\u00eds, ent\u00e3o dividimos pelas suas origens.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Corretivo:<\/strong> o nome do produto;<\/li><li><strong>Branquinho:<\/strong> por causa da cor;<\/li><li><strong>Errorex:<\/strong> nome da marca;<\/li><li><strong>Liquid paper:<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 o nome de uma marca.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture5.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2238\" width=\"497\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture5.jpg 816w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture5-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture5-768x541.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>O p\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 da Fran\u00e7a e seus outros nomes!<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>P\u00e3o franc\u00eas:<\/strong> nome mais comum, falado nos estados de S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Mato Grosso;<\/li><li><strong>P\u00e3o de sal:<\/strong> Esp\u00edrito Santo, Minas e Bahia;<\/li><li><strong>Cacetinho:<\/strong> nas padarias do Rio Grande do Sul, pe\u00e7a um \u201ccacetinho\u201d;<\/li><li><strong>P\u00e3o de \u00e1gua:<\/strong> regi\u00e3o sul de Santa Catarina.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture6.png\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"504\" height=\"240\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2239\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture6.png 504w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture6-300x143.png 300w\" sizes=\"(max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Aposto que essa voc\u00ea n\u00e3o sabia: n\u00e3o s\u00e3o a mesma fruta, e sim parentes!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mexerica<\/strong> e <strong>Ponkan<\/strong> s\u00e3o variedades da <strong>Tangerina<\/strong>, que \u00e9 o nome oficial da fruta no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas e a <strong>bergamota, mimosa <\/strong>e<strong> morgote\/murcott<\/strong>? Esses sim s\u00e3o nomes regionais para a mexerica e a ponkan.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture7.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-6\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"505\" height=\"380\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2240\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture7.jpg 505w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture7-300x226.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture7-326x245.jpg 326w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture7-80x60.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 505px) 100vw, 505px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Bolinha de gude:<\/strong> nome mais conhecido e falado no Brasil inteiro;<\/li><li><strong>Baleba:<\/strong> norte do Rio de Janeiro;<\/li><li><strong>Bola de b\u00farica:<\/strong> ocorre no Paran\u00e1;<\/li><li><strong>Bolinha de vidro:<\/strong> popula\u00e7\u00e3o luso-a\u00e7oriana do litoral catarinense;<\/li><li><strong>Chimbre ou ximbra:<\/strong> Alagoas;<\/li><li><strong>Bolita:<\/strong> Rio Grande do Sul.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture8.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-7\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2241\" width=\"500\" height=\"212\" 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loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"482\" height=\"320\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2242\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture9.jpg 482w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture9-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Estilingue:<\/strong> nome mais conhecido, vers\u00e3o aportuguesada do ingl\u00eas <em>slingshot<\/em>;<\/li><li><strong>Atiradeira: <\/strong>Rio de Janeiro;<\/li><li><strong>Baladeira:<\/strong> de Amazonas a Pernambuco;<\/li><li><strong>Beca: <\/strong>Bahia;<\/li><li><strong>Funda: <\/strong>Rio Grande do Sul;<\/li><li><strong>Peteca: <\/strong>Nordeste.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture10.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-9\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"430\" height=\"276\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2243\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture10.jpg 430w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture10-300x193.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Salsicha:<\/strong> nome mais conhecido por todo o Brasil, vem do italiano \u201c<em>salsicia<\/em>\u201d e pode ser falado at\u00e9 como \u201csarsicha\u201d, \u201csalchicha\u201d ou \u201cxaxicha\u201d;<\/li><li><strong>Vina: <\/strong>nome usado no Paran\u00e1, principalmente em Curitiba. \u00c9 uma palavra derivada do alem\u00e3o \u201cWienerwurst\u201d, que significa \u201csalsicha de viena\u201d.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture11.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-10\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"310\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture11.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2244\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture11.jpg 480w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture11-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Pipa:<\/strong> nome que vem da semelhan\u00e7a do formato do brinquedo com um vaso de colher \u00e1gua, comum no Rio de Janeiro e Paran\u00e1;<\/li><li><strong>Papagaio:<\/strong> devido \u00e0 variedade de cores, falado em S\u00e3o Paulo;<\/li><li><strong>Arraia:<\/strong> Rio de Janeiro, Acre e Amazonas;<\/li><li><strong>Outros nomes: <\/strong>morcego (RJ), curica (SP), cometa (SP), barril (BA), bolacha (BA), quadrado (PR), cafifa (PR).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E, finalmente, temos a pergunta mais pol\u00eamica de todas: \u00e9 bolacha ou biscoito? Qual ser\u00e1 a resposta correta?<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture12.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-11\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"426\" height=\"284\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture12.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2245\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture12.jpg 426w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture12-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Sabemos que, historicamente falando, o nome biscoito chegou antes, por volta do s\u00e9culo XIII e por meio da palavra francesa <em>bis cuit<\/em> (cozido duas vezes). Enquanto o termo bolacha \u00e9 uma palavra de origem latina, que significa literalmente \u201cpequeno bolo\u201d, e foi primeiramente documentado no portugu\u00eas no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, essa distribui\u00e7\u00e3o aconteceu de forma at\u00e9 que bem delimitada, como podemos ver no mapa abaixo, representando qual das duas formas predomina em cada estado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture13.png\" data-rel=\"lightbox-image-12\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"440\" height=\"384\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture13.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2246\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture13.png 440w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture13-300x262.png 300w\" sizes=\"(max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o? A partir dessas informa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 descobriu qual ser\u00e1 a forma certa? Estava correto quem respondeu que\u2026 depende!<\/p>\n\n\n\n<p>Para as pessoas que moram no Mato Grosso, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul, o correto parece ser bolacha, enquanto em Pernambuco, Sergipe, Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo, as pessoas est\u00e3o satisfeitas em usar o termo biscoito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E voc\u00ea? Come bolacha ou come biscoito?<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessas, h\u00e1 muitas outras palavras cujos nomes causam pol\u00eamica nas redes, como sem\u00e1foro. Ou seria sinal? Ou talvez sinaleiro? Quem sabe farol? Podemos pensar nisso enquanto comemos uma mandioca frita\u2026 ou seria aipim? Ou macaxeira?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture14.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-13\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"374\" height=\"290\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture14.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2247\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture14.jpg 374w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture14-300x233.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cMas eu moro em algum desses lugares e n\u00e3o chamo de nada disso! Por qu\u00ea?\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Calma, aqui estamos fazendo generaliza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o significa que todas as pessoas dessas regi\u00f5es chamem tudo com os mesmos nomes, afinal, a varia\u00e7\u00e3o \u00e9 geogr\u00e1fica. \u00c9 importante entender que nenhuma dessas varia\u00e7\u00f5es \u00e9 certa ou errada, para n\u00e3o cairmos na armadilha do preconceito lingu\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente da forma escolhida, percebemos que na varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica h\u00e1 algo interessante: <strong>embora a palavra (forma) mude, seu sentido\/significado (conte\u00fado) permanece o mesmo. Assim, \u201cbiscoito\u201d e \u201cbolacha\u201d s\u00e3o palavras diferentes que falam de uma mesma coisa.<\/strong> Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica importante da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra coisa legal \u00e9 que varia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bagun\u00e7a: toda essa mudan\u00e7a e variedade seguem regrinhas e \u201cleis\u201d ordenadas, que permitem a nossa comunica\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que mant\u00e9m as mudan\u00e7as acontecendo, como um organismo vivo em constante desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sabemos que os diferentes jeitos de falar s\u00e3o parte das leis da linguagem, \u00e9 algo normal! Ent\u00e3o, por que ficar sendo a pessoa chatinha que fica corrigindo os outros? \u00c0s vezes o seu certo pode n\u00e3o ser o mesmo certo de outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>Podemos considerar tantas diferen\u00e7as entre regi\u00f5es como dialetos diferentes pelo pa\u00eds?<\/h2>\n\n\n\n<p>Para entendermos melhor, primeiro precisamos entender o que \u00e9 um dialeto. Segundo o dicion\u00e1rio Oxford:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c1. conjunto de marcas lingu\u00edsticas de natureza sem\u00e2ntico-lexical, morfossint\u00e1tica e fon\u00e9tico-morfol\u00f3gica, restrito a uma comunidade inserida numa comunidade maior de usu\u00e1rios da mesma l\u00edngua.<\/p><p>2. qualquer variedade lingu\u00edstica coexistente com outra (no portugu\u00eas do Brasil, o dialeto caipira, p.ex.)\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, para ser considerado um dialeto, \u00e9 necess\u00e1rio mais do que uma diferen\u00e7a entre palavras, mas as pessoas que falam o idioma devem ser capazes de compreender umas \u00e0s outras, mesmo que haja diferen\u00e7a entre os dialetos: se n\u00e3o houver compreens\u00e3o m\u00fatua, n\u00e3o \u00e9 dialeto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 uma cren\u00e7a preconceituosa que faz com que pessoas acreditem que dialetos s\u00e3o \u201cl\u00ednguas inferiores\u201d, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/strong> Alguns exemplos de dialetos s\u00e3o o mineiro, carioca, ga\u00facho e baiano. Isso tamb\u00e9m \u00e9 parte da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica diat\u00f3pica, ou, por um de seus outros nomes: variante dialetal!<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que o nosso portugu\u00eas brasileiro \u00e9 uma variante dialetal derivada do portugu\u00eas de Portugal? N\u00e3o deixa de ser, pois \u00e9 uma variedade do Portugu\u00eas, assim como o Portugu\u00eas Angolano e Mo\u00e7ambicano, conseguimos entender uns aos outros, mesmo que com certas dificuldades pela diferen\u00e7a de palavras, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>A influ\u00eancia de dialetos pode prejudicar ou afetar o desenvolvimento de crian\u00e7as em fase de aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem?<\/h2>\n\n\n\n<p>A resposta simples \u00e9 n\u00e3o. <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/influenciadores-digitais-brasileiros-podem-causar-mudancas-na-linguagem-de-criancas-portuguesas\/\">O maior problema \u00e9 crian\u00e7as estarem expostas a telas por um per\u00edodo de tempo t\u00e3o longo a ponto de afetar seus sotaques<\/a>, mas, com o passar da quarentena e retorno \u00e0s atividades presenciais na escola, elas voltam a ter contato com variedades lingu\u00edsticas de suas regi\u00f5es e grupos sociais e o sotaque e palavras adquiridas acabam caindo em desuso ou sendo esquecidas com o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando em internet\u00eas e mudan\u00e7as de sotaque, voc\u00ea sabia que, em Portugal, <a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/edicao-do-dia\/10-nov-2021\/amp\/ha-criancas-portuguesas-que-so-falam-brasileiro-14292845.html\">h\u00e1 pais reclamando das mudan\u00e7as dialetais de seus filhos por causa dos Youtubers brasileiros<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 parecido com um caso l\u00e1 do in\u00edcio dos anos 2000, quando alguns adultos diziam que o internet\u00eas (linguagem usada na internet que envolve abrevia\u00e7\u00f5es e outras coisas) iria acabar com a norma culta \u2013 o que n\u00e3o passa de uma supersti\u00e7\u00e3o desmentida pela lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema acontece quando uma mudan\u00e7a de sotaque ou dialetos gera xenofobia, como visto em um dos coment\u00e1rios desta <a href=\"https:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/2021\/o-brasil-esta-a-invadir-o-vocabulario-dos-mais-novos\/estilos\/comportamento\/265958\/\">mat\u00e9ria<\/a>, e tamb\u00e9m uma opini\u00e3o facilmente encontrada nas redes sociais. Mesmo com as explica\u00e7\u00f5es de especialistas, algumas pessoas s\u00e3o preconceituosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso \u00e9 t\u00e3o importante aprendermos e ensinarmos sobre o preconceito lingu\u00edstico, j\u00e1 que ele, infelizmente, est\u00e1 presente nos mais diversos contextos de intera\u00e7\u00e3o, ou seja, nas situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas conversam e trocam ideias. Um jeito de falar (variedade) que no Brasil \u00e9 prestigiado, por exemplo, pode ser menosprezado em Portugal, e isso \u00e9 uma atitude fruto do mais puro preconceito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>Muito legal tudo isso, e agora?<\/h2>\n\n\n\n<p>T\u00e3o importante quanto entendermos a exist\u00eancia de varia\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas \u00e9 sabermos respeit\u00e1-las, n\u00e3o h\u00e1 uma variedade que seja \u201csuperior\u201d \u00e0s outras, por mais que os preconceituosos insistam nisso. Cada uma delas possui suas origens leg\u00edtimas, e a lingu\u00edstica, mais especificamente a sociolingu\u00edstica, nos ajuda a entender melhor de onde vem cada uma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, voc\u00ea j\u00e1 sabia de todas essas influ\u00eancias que a nossa l\u00edngua tem? Sabia que tudo isso \u00e9 estudado por cientistas na universidade? Se o assunto te interessou e quiser saber mais sobre as \u00e1reas de estudo da lingu\u00edstica, veja mais no nosso blog!<\/p>\n\n\n\n<p>E na sua cidade, como se chamam essas coisas? Conta pra gente!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/dicionarioegramatica.wordpress.com\/tag\/geladinho\/?iframe=true&amp;preview=true\/feed\/\">https:\/\/dicionarioegramatica.wordpress.com\/tag\/geladinho\/?iframe=true&amp;preview=true\/feed\/<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/agrosaber.com.br\/e-tangerina-mexerica-bergamota-ou-ponkan-sabe-a-diferenca\/\">https:\/\/agrosaber.com.br\/e-tangerina-mexerica-bergamota-ou-ponkan-sabe-a-diferenca\/<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/mundo-estranho\/qual-a-diferenca-entre-tangerina-mexerica-e-ponkan\/\">https:\/\/super.abril.com.br\/mundo-estranho\/qual-a-diferenca-entre-tangerina-mexerica-e-ponkan\/<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Bolinha de gude:<a href=\"https:\/\/educacaopublica.cecierj.edu.br\/artigos\/2\/1\/bolinhas-de-gude\">https:\/\/educacaopublica.cecierj.edu.br\/artigos\/2\/1\/bolinhas-de-gude<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Estilingue: <a href=\"http:\/\/www.osdicionarios.com\/c\/significado\/estilingue\">http:\/\/www.osdicionarios.com\/c\/significado\/estilingue<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Salsicha: <a href=\"https:\/\/origemdapalavra.com.br\/palavras\/salsicha\/#:~:text=SALSICHA%3A%20%C3%A9%20parecida%20com%20o,salgado%2C%20preparado%20com%20sal%E2%80%9D\">https:\/\/origemdapalavra.com.br\/palavras\/salsicha\/#:~:text=SALSICHA%3A%20%C3%A9%20parecida%20com%20o,salgado%2C%20preparado%20com%20sal%E2%80%9D<\/a>. Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Vina: <a href=\"http:\/\/www.panetteria.com.br\/vina.html#:~:text=Vina%20%C3%A9%20uma%20express%C3%A3o%20muito,a%20origem%20dessa%20palavra%20Curitibana\">http:\/\/www.panetteria.com.br\/vina.html#:~:text=Vina%20%C3%A9%20uma%20express%C3%A3o%20muito,a%20origem%20dessa%20palavra%20Curitibana<\/a>! Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e3o franc\u00eas: <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=onde+fala+p%C3%A3o+franc%C3%AAs&amp;oq=onde+fala+p%C3%A3o+franc%C3%AAs&amp;aqs=chrome..69i57j33i22i29i30l2.5664j0j4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\">https:\/\/www.google.com\/search?q=onde+fala+p%C3%A3o+franc%C3%AAs&amp;oq=onde+fala+p%C3%A3o+franc%C3%AAs&amp;aqs=chrome..69i57j33i22i29i30l2.5664j0j4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>BAGNO, Marcos. Preconceito Lingu\u00edstico: o que \u00e9, como se faz. 48 e 49 ed. Edi\u00e7\u00f5es Loyola, S\u00e3o Paulo: 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>______. BAGNO, Portugu\u00eas ou brasileiro? Um convite \u00e0 pesquisa. 4.ed. S\u00e3o Paulo: Par\u00e1bola, 2004<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cr\u00e9ditos das imagens:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Geladinho: <a href=\"https:\/\/img.cybercook.com.br\/imagens\/receitas\/274\/geladinho-juju-sacole-ou-chup-chup-840x480.jpg?q=75\">https:\/\/img.cybercook.com.br\/imagens\/receitas\/274\/geladinho-juju-sacole-ou-chup-chup-840&#215;480.jpg?q=75<\/a> Acesso em 12\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Corretivo: <a href=\"https:\/\/www.contabilista.com.br\/media\/catalog\/product\/cache\/1\/image\/450x\/17f82f742ffe127f42dca9de82fb58b1\/1\/5\/1590.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-14\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">https:\/\/www.contabilista.com.br\/media\/catalog\/product\/cache\/1\/image\/450x\/17f82f742ffe127f42dca9de82fb58b1\/1\/5\/1590.jpg<\/a> Acesso em 12\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e3o: <a href=\"https:\/\/costalavos.com.br\/o-pao-frances-nao-e-frances\/\">https:\/\/costalavos.com.br\/o-pao-frances-nao-e-frances\/<\/a> Acesso em 12\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Mexerica: <a href=\"https:\/\/tanakadistribuidora.com.br\/chegou-a-epoca-da-mexerica-conheca-todos-os-beneficios-dessa-fruta\/\">https:\/\/tanakadistribuidora.com.br\/chegou-a-epoca-da-mexerica-conheca-todos-os-beneficios-dessa-fruta\/<\/a> Acesso em 12\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Bolinha de gude: <a href=\"https:\/\/img.elo7.com.br\/product\/zoom\/2CBCB16\/150-bolinhas-de-gude-espelhada-colorida-importada-raridade-playground.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-15\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">https:\/\/img.elo7.com.br\/product\/zoom\/2CBCB16\/150-bolinhas-de-gude-espelhada-colorida-importada-raridade-playground.jpg<\/a> Acesso em 12\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Salgadinho: <a href=\"https:\/\/embalagemmarca.com.br\/2019\/09\/pepsico-amplia-portfolio-embalagens-de-salgadinhos-com-diversos-tamanhos\/\">https:\/\/embalagemmarca.com.br\/2019\/09\/pepsico-amplia-portfolio-embalagens-de-salgadinhos-com-diversos-tamanhos\/<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Estilingue: <a href=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/proxy\/dyFl4FIhj5fB7SKZRUJM41-TGgWf_1aKALcvCCd29ooNLvP_kPoIzjq3pYOfEutNL5Pi6J_Dg2mDQRzT-HCrPLfwPMXdO23SGal8BY1ATGwBv7yJmfy-fHKojgS-95Ni1nCG2UcmWFsAb8Xa-Gghyzmfuh8X-MGy\">https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/proxy\/dyFl4FIhj5fB7SKZRUJM41-TGgWf_1aKALcvCCd29ooNLvP_kPoIzjq3pYOfEutNL5Pi6J_Dg2mDQRzT-HCrPLfwPMXdO23SGal8BY1ATGwBv7yJmfy-fHKojgS-95Ni1nCG2UcmWFsAb8Xa-Gghyzmfuh8X-MGy<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Salsicha: <a href=\"https:\/\/diarioarapiraca.com.br\/uploads\/image\/noticias\/76879\/salsicha-crua.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-16\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">https:\/\/diarioarapiraca.com.br\/uploads\/image\/noticias\/76879\/salsicha-crua.jpg<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Pipa: <a href=\"https:\/\/saopauloparacriancas.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sp_criancas_silvio_voce_PIPA-PEIXINHO-1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-17\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">https:\/\/saopauloparacriancas.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/sp_criancas_silvio_voce_PIPA-PEIXINHO-1.jpg<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Bolacha: <a href=\"https:\/\/www.altoastral.com.br\/media\/_versions\/legacy\/2017\/07\/biscoitos-bolachas-juntos_widexl.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-18\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">https:\/\/www.altoastral.com.br\/media\/_versions\/legacy\/2017\/07\/biscoitos-bolachas-juntos_widexl.jpg<\/a> Acesso em 15\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Gr\u00e1fico biscoito X bolacha: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/thisdracarys\/status\/1430551844246458368\">https:\/\/twitter.com\/thisdracarys\/status\/1430551844246458368<\/a> Acesso em 18\/12\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>Sem\u00e1foro: <a href=\"https:\/\/portaldotransito.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/sinal-verde-300x232.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-19\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">https:\/\/portaldotransito.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/sinal-verde-300&#215;232.jpg<\/a> Acesso em 20\/12\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de:Christian Rodrigues da Silva RosaLet\u00edcia Bianca B. OkushigueSarah Brambilla Giannasi Biscoito ou bolacha: como voc\u00ea fala? Voc\u00ea j\u00e1 viu esse meme ou alguma vers\u00e3o <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2022\/01\/03\/biscoito-ou-bolacha-a-forma-como-voce-chama-essas-coisas-diz-de-onde-voce-e\/\" title=\"Biscoito ou bolacha: a forma como voc\u00ea chama essas coisas pode dizer de onde voc\u00ea \u00e9\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":2227,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20,7],"tags":[356,357,358,359,119,34],"class_list":["post-2224","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversidade-linguistica","category-linguagem-e-sociedade","tag-biscoito","tag-bolacha","tag-diatopica","tag-geografica","tag-sociolinguistica","tag-variacao-linguistica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2224"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2324,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224\/revisions\/2324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2227"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}