{"id":2259,"date":"2021-12-29T13:05:23","date_gmt":"2021-12-29T13:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=2259"},"modified":"2021-12-29T13:10:26","modified_gmt":"2021-12-29T13:10:26","slug":"meu-querido-amor-como-as-cartas-podem-revelar-costumes-de-uma-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2021\/12\/29\/meu-querido-amor-como-as-cartas-podem-revelar-costumes-de-uma-sociedade\/","title":{"rendered":"&#8220;Meu querido amor&#8221;: como as cartas podem revelar costumes de uma sociedade?"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cMinha querida e \u00fanico amor,<\/em><br><em>Eu sei que est\u00e1 com medo, mas, acredite, nunca senti algo assim e garanto que nunca mais sentirei\u2026<\/em>\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apenas com essa sauda\u00e7\u00e3o, a escolha de palavras e a maneira como o texto \u00e9 organizado voc\u00ea j\u00e1 deve saber do que se trata: <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">Uma carta de amor! &lt;3<\/h2>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Texto de:<\/strong><br \/><strong>Debora Pereira da Cruz<\/strong><br \/><strong>Jessica Moreira Siqueira<\/strong><br \/><strong>Nath\u00e1lie Steph\u00e1nnie Botelho Niero<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tudo bem, talvez voc\u00ea tenha pensado em um <em>e-mail<\/em> de amor<\/strong>. Mas se estivesse lendo em um papel molhado pelas l\u00e1grimas do destinat\u00e1rio apaixonado n\u00e3o haveria d\u00favidas: \u00e9 uma carta de amor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">E se estivesse amarelado e marcado pela passagem do tempo?<\/h4>\n\n\n\n<p>Neste caso, voc\u00ea poderia estar diante da hist\u00f3ria sobre um amor antigo que talvez nunca tenha se concretizado? O fato \u00e9 que as cartas despertam uma curiosidade sobre a vida daqueles que as escreveram:<br>&#8211; O que faziam?<br>&#8211; Quais eram seus sonhos?<br>&#8211; Como aquela hist\u00f3ria terminou?<\/p>\n\n\n\n<p>No filme baseado na obra de Jojo Moyes, <a href=\"https:\/\/www.adorocinema.com\/filmes\/filme-276272\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>A \u00faltima carta de amor<\/em> (2021)<\/a>, cartas trocadas entre amantes, nos anos 60, instigam uma jornalista a encontrar o desfecho da hist\u00f3ria dos dois pombinhos. Mas na narrativa, as cartas n\u00e3o apenas fazem a liga\u00e7\u00e3o com um passado distante, como tamb\u00e9m restituem a mem\u00f3ria e a identidade perdida de uma das personagens ap\u00f3s um acidente de carro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www.adorocinema.com\/filmes\/filme-146575\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Cartas para Julieta<\/em> (2010)<\/a>, outra produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, uma carta tamb\u00e9m motiva a busca pela retomada de uma antiga hist\u00f3ria de amor e interfere na trajet\u00f3ria das personagens no presente. Nesses dois exemplos, as cartas s\u00e3o os objetos centrais que movem as inten\u00e7\u00f5es das personagens e revelam suas hist\u00f3rias pessoais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/ultimacarta.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"950\" height=\"350\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/ultimacarta.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2262\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/ultimacarta.png 950w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/ultimacarta-300x111.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/ultimacarta-768x283.png 768w\" sizes=\"(max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><\/a><figcaption>Cenas do filme <em>A \u00faltima carta de amor <\/em>(2021)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Al\u00e9m do lado mais pessoal, as cartas tamb\u00e9m podem revelar uma mem\u00f3ria coletiva e serem pe\u00e7as importantes na reconstitui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de um grupo social.<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Como relatos do campo \u00edntimo e pessoal podem descrever e testemunhar algo do dom\u00ednio p\u00fablico? E o que as cartas de amor podem confessar sobre uma sociedade?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que \u00e9 a carta?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Tamb\u00e9m chamada de missiva ou ep\u00edstola<\/strong> (raz\u00e3o da denomina\u00e7\u00e3o \u201cg\u00eanero epistolar\u201d), <strong>a carta \u00e9 um texto escrito para comunicar uma mensagem a um receptor.<\/strong> Sua forma se relaciona n\u00e3o apenas aos atributos que se encontram no texto (o lugar de origem, destinat\u00e1rio, as sauda\u00e7\u00f5es e as despedidas etc.) como, tamb\u00e9m, ao suporte material em que se insere.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia que se deu \u00e0s cartas pode ser percebida no fato de que, no s\u00e9culo XIX, os manuais de escrita epistolares se popularizaram. Essas obras determinavam as normas e boas condutas na produ\u00e7\u00e3o das cartas, ensinavam m\u00e9todos relacionados \u00e0 escrita e indicavam os materiais que deveriam ser utilizados. Al\u00e9m das quest\u00f5es t\u00e9cnicas, os manuais tamb\u00e9m orientavam sobre as habilidades sociais, como se dirigir corretamente \u00e0s diferentes classes e posi\u00e7\u00f5es sociais, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conhecer ou n\u00e3o esses c\u00f3digos, assim como utilizar determinado tipo de papel e de tinta, eram marcadores sociais que denunciavam a origem social do emitente<\/strong>. J\u00e1 d\u00e1 para come\u00e7ar a entender a import\u00e2ncia desse documento dentro da sociedade, determinado tanto pelo seu suporte material quanto por seu conte\u00fado e meio de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A import\u00e2ncia da carta no retrato de uma sociedade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A carta surgiu h\u00e1 muito tempo, mas <strong>nos s\u00e9culos XVI e XVII a pr\u00e1tica da escrita de cartas se constituiu como um instrumento central de comunica\u00e7\u00e3o na sociedade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, por exemplo, <a href=\"http:\/\/objdigital.bn.br\/Acervo_Digital\/Livros_eletronicos\/carta.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a Carta de Pero Vaz de Caminha<\/a>, escrita em 1500, \u00e9 considerada o primeiro documento escrito na hist\u00f3ria do pa\u00eds. O texto destinado ao rei D. Manuel I, descrevia as primeiras impress\u00f5es sobre a terra rec\u00e9m encontrada.<\/p>\n\n\n\n<p>A carta de Caminha n\u00e3o era apenas um relato da Ilha de Vera Cruz: seu conte\u00fado revelou mais sobre a sociedade de Portugal e seus valores do que sobre aquilo que descrevia. Isso porque as cartas s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos que as escrevem, indiv\u00edduos que, por sua vez, fazem parte de um grupo social e, portanto, refletem seus valores.Desse modo, <strong>as cartas podem ser testemunhos importantes para o estudo das rela\u00e7\u00f5es sociais, dos h\u00e1bitos, das pr\u00e1ticas e dos valores de uma sociedade em determinada \u00e9poca.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo entre o final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do s\u00e9culo XX, o h\u00e1bito da correspond\u00eancia se espalhou, pois a sociedade se tornou mais grafoc\u00eantrica. Al\u00e9m disso, algumas medidas contribu\u00edram para a populariza\u00e7\u00e3o das cartas, como o barateamento do envio de cartas. Na Inglaterra, por exemplo, foi criado o sistema \u201cPenny Post\u201d que cobrava apenas um centavo por postagem, modelo adotado pelo Brasil em 1842. Assim, \u00e9 poss\u00edvel encontrar nas cartas do s\u00e9culo XIX diversos dados sobre a sociedade burguesa da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sobre cartas de amor e manuais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mencionamos anteriormente a popularidade dos manuais epistolares que apresentavam regras sobre a composi\u00e7\u00e3o de cartas. Mas <strong>voc\u00ea sabia que existiam m\u00e9todos espec\u00edficos para a escrita de cartas de amor?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o manual <em>O Secretario Portuguez, ou methodo de escrever cartas (1786)<\/em> era direcionado para um p\u00fablico espec\u00edfico cujo of\u00edcio era a escrita de cartas. No entanto, o guia j\u00e1 apresentava algumas indica\u00e7\u00f5es sobre a escrita de cartas rom\u00e2nticas. Mais tarde, com a populariza\u00e7\u00e3o desses manuais, foram criadas obras espec\u00edficas para os apaixonados: O<em> Mensageiro dos Amantes: Carcaz de Fr\u00e9chas Amatorias; Manual Epistolar Galante<\/em>, por Dami\u00e3o Casamenteiro, publicado no s\u00e9culo XIX, e o<em> Secretario Completo dos Amantes<\/em>, do in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses manuais apresentavam modelos de cartas de amor e suas respostas, conselhos sobre a arte da conquista, dicas sobre o casamento etc., para ajudar os enamorados a escreverem suas declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" width=\"464\" height=\"406\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2.png\" alt=\"\" data-id=\"2264\" data-full-url=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2.png\" data-link=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?attachment_id=2264\" class=\"wp-image-2264\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2.png 464w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture2-300x263.png 300w\" sizes=\"(max-width: 464px) 100vw, 464px\" \/><\/a><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Capa da obra Mensageiro dos Amantes <\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1.png\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" width=\"442\" height=\"476\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1.png\" alt=\"\" data-id=\"2263\" data-full-url=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1.png\" data-link=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?attachment_id=2263\" class=\"wp-image-2263\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1.png 442w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture1-279x300.png 279w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/a><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Capa da obra Secret\u00e1rio Completo dos Amantes<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise de cartas e de manuais epistolares no Brasil do s\u00e9culo XIX mostra que esses escritos apresentam tra\u00e7os da literatura do amor cort\u00eas. O objetivo \u00e9 cortejar a mulher amada, representada de maneira idealizada. Al\u00e9m disso, as cartas descrevem as dificuldades e os sacrif\u00edcios a serem enfrentados em nome do amor. Bem parecido com a trajet\u00f3ria das personagens de <em>A \u00faltima carta de amor <\/em>que passam por diferentes desencontros e v\u00e1rias d\u00e9cadas at\u00e9 se reencontrarem, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>Cartas para Julieta<\/em>, cartas e desencontros tamb\u00e9m fazem parte do enredo. No filme, um grupo de mulheres leem e respondem cartas enviadas a Julieta, personagem de Shakespeare, para pedir conselhos e contar suas hist\u00f3rias de amor e desilus\u00e3o. Quando a aspirante a escritora Sophie l\u00ea a carta enviada por Claire, h\u00e1 50 anos, decide respond\u00ea-la, o que encoraja a personagem a sair em busca de seu grande amor do passado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As cartas ainda t\u00eam a mesma import\u00e2ncia hoje?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Qual foi a \u00faltima vez que voc\u00ea mandou uma carta? <strong>Na sociedade atual, as cartas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam a mesma utilidade que tinham antigamente.<\/strong> Se antes eram muito usadas para relatar acontecimentos, transmitir informa\u00e7\u00f5es ou declarar sentimentos, <strong>hoje em dia a tecnologia permite que tudo isso seja feito com maior rapidez, tornando o uso de cartas cada vez mais raro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Conven\u00e7\u00f5es descritas nos manuais epistolares, como o tipo de papel a ser usado, e a impress\u00e3o que se tem do outro de acordo com caracter\u00edsticas do suporte material (como o estilo da escrita ou uma folha molhada pelas l\u00e1grimas de um apaixonado que sofre), s\u00e3o coisas que perderam o sentido em um mundo de fonte Arial, tamanho 12, espa\u00e7amento 1,5.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3.png\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"632\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2265\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3.png 632w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2021\/12\/Picture3-300x186.png 300w\" sizes=\"(max-width: 632px) 100vw, 632px\" \/><\/a><figcaption>Cena do filme <em>A \u00faltima carta de amor <\/em>(2021)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por\u00e9m n\u00e3o sejamos saudosistas, <strong>novas formas de comunica\u00e7\u00e3o oferecem novas maneiras de organiza\u00e7\u00e3o social que n\u00e3o devemos julgar como melhores ou piores, apenas diferentes<\/strong>.<\/h4>\n\n\n\n<p>A d\u00favida que fica \u00e9: como os relatos dessa nova organiza\u00e7\u00e3o social ficar\u00e3o guardados na hist\u00f3ria? Em <em>A \u00faltima carta de amor<\/em>, as cartas est\u00e3o preservadas em um arquivo, empoeiradas e envelhecidas, mas teoricamente protegidas. Ser\u00e1 que os servidores tamb\u00e9m conseguir\u00e3o manter nossos e-mails e mensagens digitais \u201cvivos\u201d atrav\u00e9s dos tempos? S\u00f3 o tempo dir\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem sabe daqui a 50 anos, uma grande hist\u00f3ria de amor seja retomada porque algu\u00e9m encontrou um velho notebook dos dias de hoje perdido por a\u00ed e, surpreendentemente, deu um jeito de faz\u00ea-lo funcionar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias:<\/h2>\n\n\n\n<p>AZEVEDO, N. D. DE; FERREIRA J\u00daNIOR, J. T. Historicidade das cartas de amor: circula\u00e7\u00e3o de manuais epistolares portugueses no Brasil do s\u00e9culo XIX. <strong>Revista da ABRALIN<\/strong>, v. 19, n. 3, p. 628-653, 17 dez. 2020. <a href=\"https:\/\/revista.abralin.org\/index.php\/abralin\/article\/view\/1750\">https:\/\/revista.abralin.org\/index.php\/abralin\/article\/view\/1750<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>GASTAUD, Carla; COSTA, Bruna Frio. Apontamentos sobre cultura escrita e pr\u00e1ticas epistolares. <strong>CEM &#8211; Cultura, Espa\u00e7o &amp; Mem\u00f3ria<\/strong>, n\u00ba 8, p. 13-23, 2017. <a href=\"https:\/\/ojs.letras.up.pt\/index.php\/CITCEM\/article\/view\/4657\/4345\">https:\/\/ojs.letras.up.pt\/index.php\/CITCEM\/article\/view\/4657\/4345<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cartas para Julieta<\/strong>. Dire\u00e7\u00e3o: Gary Winick. Estados Unidos: Summit Entertainment, 2010 (105 min). T\u00edtulo original: Letters to Juliet.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u00faltima carta de amor<\/strong>. Dire\u00e7\u00e3o: Augustine Frizzell. Reino Unido: Netflix, 2021 (110 min). T\u00edtulo original: The Last Letter from Your Lover.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u201cMinha querida e \u00fanico amor,Eu sei que est\u00e1 com medo, mas, acredite, nunca senti algo assim e garanto que nunca mais sentirei\u2026\u201d Apenas com essa <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2021\/12\/29\/meu-querido-amor-como-as-cartas-podem-revelar-costumes-de-uma-sociedade\/\" title=\"&#8220;Meu querido amor&#8221;: como as cartas podem revelar costumes de uma sociedade?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":2261,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[47,150,7],"tags":[360,363,362,366,367,364,365],"class_list":["post-2259","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-linguagem-e-historia","category-linguagem-e-literatura","category-linguagem-e-sociedade","tag-cartas","tag-cartas-de-amor","tag-comunicacao-digital","tag-costumes","tag-historia","tag-literatura","tag-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2259"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2286,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2259\/revisions\/2286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}