{"id":2362,"date":"2022-08-09T23:18:17","date_gmt":"2022-08-09T23:18:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=2362"},"modified":"2022-08-11T23:27:06","modified_gmt":"2022-08-11T23:27:06","slug":"surdos-fazem-leitura-labial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2022\/08\/09\/surdos-fazem-leitura-labial\/","title":{"rendered":"Surdos fazem leitura labial? E outros mitos relacionados"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right eplus-wrapper\"><strong>Texto de:<br>Vinicius Antonio Scarton das Neves&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Dados, legisla\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o dos surdos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2020\/03\/1705931\">466 milh\u00f5es de pessoas no mundo possuem algum n\u00edvel de defici\u00eancia auditiva<\/a>. Em 2050, ser\u00e3o 900 milh\u00f5es. No Brasil, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE, que trazia somente uma quest\u00e3o relacionada \u00e0 audi\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/apps\/snig\/v1\/?loc=0&amp;cat=-1,-2,-3,128&amp;ind=4643\">9,7 milh\u00f5es de brasileiros, 5% da popula\u00e7\u00e3o, podem ser classificados como deficientes auditivos<\/a>. Desses, 2,2 milh\u00f5es escutam muito pouco ou nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Apesar de a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia garantir \u00e0s pessoas com defici\u00eancia auditiva acesso \u00e0 cultura, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao mercado de trabalho, na pr\u00e1tica, quest\u00f5es como a car\u00eancia de sess\u00f5es legendadas em cinemas, o despreparo do sistema educacional e a escassez de oportunidades de emprego fazem com que essa parcela da popula\u00e7\u00e3o muitas vezes tenha os seus direitos garantidos por lei negados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em casos leves, aparelhos auditivos e terapias de fala podem compensar a perda auditiva, tornado o indiv\u00edduo um surdo oralizado capaz de se comunicar oralmente. Por\u00e9m, quando n\u00e3o h\u00e1 acesso a esses recursos ou a perda auditiva \u00e9 severa, o deficiente auditivo se v\u00ea isolado do mundo, impossibilitado de entender e ser entendido por outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesses casos de exclusa\u0303o, as li\u0301nguas de sinais s\u00e3o alternativas para comunicac\u0327a\u0303o, desde que as pessoas ouvintes ao redor tambe\u0301m as conhec\u0327am. Contudo, as li\u0301nguas de sinais possuem baixa adesa\u0303o, e existem va\u0301rios mitos que contribuem para isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller.jpeg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"765\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-1024x765.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2379\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-1024x765.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-300x224.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-768x573.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-500x373.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-800x597.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-1280x956.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-326x245.jpeg 326w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller-80x60.jpeg 80w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/lipreading_helen_keller.jpeg 1362w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Leitura labial&#8230; mas feita por uma pessoa cega. US Library of Congress. https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Helen_Keller5.jpg<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">O que \u00e9 uma l\u00edngua de sinais?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Muitos acreditam, por exemplo, que a l\u00edngua de sinais \u00e9 uma l\u00edngua universal compartilhada por todos os surdos. Na verdade, cada comunidade surda possui a sua l\u00edngua de sinais. No caso do Brasil, <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/pulse\/libras-n%C3%A3o-%C3%A9-o-segundo-idioma-oficial-do-brasil-paloma-bueno\/#:~:text=No%20texto%20desta%20lei%2C%20inclusive,mas%20n%C3%A3o%20a%20torna%20oficial.\">a L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) \u00e9 <strong>reconhecida<\/strong> desde 2002<\/a> pela <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10436.htm\">Lei No 10.436<\/a>. Ela possui uma estrutura complexa, n\u00e3o se trata de m\u00edmica do portugu\u00eas e tem genealogia bastante diferente da nossa l\u00edngua oral. Em Lingu\u00edstica, \u00e9 equivalente \u00e0s l\u00ednguas orais em estudos sobre a aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem. O mesmo pode ser dito de outras l\u00ednguas sinalizadas no territ\u00f3rio brasileiro, independente de seu reconhecimento oficial, como a <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/02\/20\/nova-lingua-de-sinais-e-criada-por-comunidade-de-surdos-no-sertao-do-piaui.ghtml\">L\u00edngua Gestual Cena<\/a>, usada em V\u00e1rzea Queimada no interior do Piau\u00ed, dentre outras que voc\u00ea consegue ver no seguinte mapa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><br><iframe src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/embed?mid=1VuK7S2wvvk8uA-JG50Z-SZ4mzPztGQY6&amp;ehbc=2E312F\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Isso porque, atualmente, defende-se que a capacidade de desenvolver uma l\u00edngua nos seres humanos esteja relacionada a uma capacidade mental inata de desenvolver linguagem. Essa capacidade, chamada de faculdade da linguagem, precisa ser exposta a experi\u00eancias lingu\u00edsticas no come\u00e7o vida para conseguir se desenvolver normalmente. Atrav\u00e9s dessas experi\u00eancias, que podem ser de natureza auditivo-oral ou visual-espacial, as crian\u00e7as inconscientemente entenderiam e absorveriam a estrutura daquela l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">O que diz a ci\u00eancia sobre isso tudo?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A literatura cient\u00edfica divide esse processo em cinco fases: a fase pr\u00e9-lingu\u00edstica (de 0 a 1 ano), a fase de enunciados de uma s\u00f3 palavra (de 1 a 1,6 anos, a crian\u00e7a expressa uma senten\u00e7a com uma s\u00f3 palavra), a fase das primeiras combina\u00e7\u00f5es de palavras (de 1,6 a 2 anos), a fase de senten\u00e7as simples e a fase de senten\u00e7as complexas, de forma que, aos cincos anos, <a href=\"http:\/\/letras.ufpel.edu.br\/verbavolant\/segundo\/lorandi2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a crian\u00e7a j\u00e1 seria capaz de formar qualquer frase daquela l\u00edngua. Estudos comprovam que crian\u00e7as surdas expostas a uma l\u00edngua de sinais apresentam desenvolvimento an\u00e1logo ao de crian\u00e7as ouvintes<\/a>. Ou seja, crian\u00e7as surdas e ouvintes, desde que em contato com uma l\u00edngua apropriada para as suas respectivas condi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o capazes de adquirir uma l\u00edngua da mesma forma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Todavia, na pra\u0301tica, o diagno\u0301stico de surdez muitas vezes e\u0301 tardio, <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/jdsde\/article\/5\/1\/9\/334378\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">e aproximadamente 90% das crianc\u0327as surdas na\u0303o te\u0302m contato com a li\u0301ngua de sinais desde o nascimento<\/a>. Como conseque\u0302ncia, a aquisic\u0327a\u0303o da linguagem na\u0303o ocorre de maneira natural e o deficiente auditivo, incapaz de se comunicar com o mundo ao seu redor, e\u0301 exclui\u0301do da sociedade desde muito cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Procurando justificar o desinteresse na l\u00edngua de sinais, muitas pessoas tamb\u00e9m defendem que surdos s\u00e3o capazes de fazer leitura labial para entender o que lhes \u00e9 dito e, portanto, elas n\u00e3o teriam motivo para aprender Libras. <a href=\"http:\/\/www.bjorl.org\/\/en-lip-reading-role-in-hearing-articulo-S1808869415311290\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A leitura labial \u00e9 uma estrat\u00e9gia usada muitas vezes inconscientemente para preencher lacunas quando o componente sonoro foi comprometido, por\u00e9m esse fen\u00f4meno isolado dificilmente daria conta de uma conversa longa e complexa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Um estudo comparou a habilidade de leitura labial entre deficientes auditivos de grau severo a profundo <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/codas\/a\/vM4VR77JG4gstjZGF6Wxz9h\/?lang=en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">e ouvintes<\/a>. Tanto indivi\u0301duos que nasceram com a deficie\u0302ncia quanto indivi\u0301duos que a adquiriram ao longo da vida estavam presentes. Os resultados revelaram que deficientes auditivos em geral realizam a leitura labial melhor que ouvintes, muito provavelmente grac\u0327as a\u0300 necessidade cotidiana. Pore\u0301m, a habilidade na\u0303o e\u0301 realmente eficaz em todos os contextos: quando se depararam com perguntas pessoais simples, a porcentagem de acertos chegou a 90%, mas quando precisaram repetir uma histo\u0301ria, a melhor taxa de acertou beirou 50%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Al\u00e9m disso, <a href=\"http:\/\/www.bjorl.org\/\/en-lip-reading-role-in-hearing-articulo-S1808869415311290\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a efic\u00e1cia da leitura labial tamb\u00e9m est\u00e1 associada ao quanto algu\u00e9m \u00e9 capaz de ouvir, como demonstra outro estudo que analisou o fen\u00f4meno em indiv\u00edduos com e sem aparelho auditivo<\/a>. Em todos os envolvidos, os melhores resultados foram sempre atingidos com o uso do aparelho. Dessa forma, a leitura labial funciona como um complemento durante a comunica\u00e7\u00e3o, e nunca como um substituto da audi\u00e7\u00e3o. Ressalta-se tamb\u00e9m que aparelhos auditivos s\u00e3o caros, logo indiv\u00edduos profundamente surdos ou sem as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas necess\u00e1rias estar\u00e3o constantemente em desvantagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Procurando justificar o desinteresse na li\u0301ngua de sinais, muitas pessoas tambe\u0301m defendem que surdos sa\u0303o capazes de fazer leitura labial para entender o que lhes e\u0301 dito e, portanto, elas na\u0303o teriam motivo para aprender Libras. <a href=\"http:\/\/www.bjorl.org\/\/en-lip-reading-role-in-hearing-articulo-S1808869415311290\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A leitura labial e\u0301 uma estrate\u0301gia usada muitas vezes inconscientemente para preencher lacunas quando o componente sonoro foi comprometido, pore\u0301m esse feno\u0302meno isolado dificilmente daria conta de uma conversa longa e complexa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/codas\/a\/vM4VR77JG4gstjZGF6Wxz9h\/?lang=en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Um estudo comparou a habilidade de leitura labial entre deficientes auditivos de grau severo a profundo e ouvintes<\/a>. Tanto indivi\u0301duos que nasceram com a deficie\u0302ncia quanto indivi\u0301duos que a adquiriram ao longo da vida estavam presentes. Os resultados revelaram que deficientes auditivos em geral realizam a leitura labial melhor que ouvintes, muito provavelmente grac\u0327as a\u0300 necessidade cotidiana. Pore\u0301m, a habilidade na\u0303o e\u0301 realmente eficaz em todos os contextos: quando se depararam com perguntas pessoais simples, a porcentagem de acertos chegou a 90%, mas quando precisaram repetir uma histo\u0301ria, a melhor taxa de acertou beirou 50%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Al\u00e9m disso,<a href=\"http:\/\/www.bjorl.org\/\/en-lip-reading-role-in-hearing-articulo-S1808869415311290\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> a efic\u00e1cia da leitura labial tamb\u00e9m est\u00e1 associada ao quanto algu\u00e9m \u00e9 capaz de ouvir, como demonstra outro estudo<\/a> que analisou o fen\u00f4meno em indiv\u00edduos com e sem aparelho auditivo. Em todos os envolvidos, os melhores resultados foram sempre atingidos com o uso do aparelho. Dessa forma, a leitura labial funciona como um complemento durante a comunica\u00e7\u00e3o, e nunca como um substituto da audi\u00e7\u00e3o. Ressalta-se tamb\u00e9m que aparelhos auditivos s\u00e3o caros, logo indiv\u00edduos profundamente surdos ou sem as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas necess\u00e1rias estar\u00e3o constantemente em desvantagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A melhor maneira de incluir deficientes auditivos no mundo continua sendo a difusa\u0303o da Li\u0301ngua Brasileira de Sinais para pessoas ouvintes ou na\u0303o, o diagno\u0301stico da condic\u0327a\u0303o o mais ra\u0301pido possi\u0301vel para garantir uma etapa de aquisic\u0327a\u0303o da linguagem apropriada e a adoc\u0327a\u0303o de medidas inclusivas em todos os ambientes, como a adic\u0327a\u0303o de legendas em conteu\u0301dos audiovisuais, a divulgac\u0327a\u0303o de informac\u0327o\u0303es sobre surdez na mi\u0301dia e o desenvolvimento de aparelhos auditivos mais baratos. Quanto a\u0300 habilidade de ler os la\u0301bios, a propagac\u0327a\u0303o dessa crenc\u0327a apenas diminui a importa\u0302ncia do ensino e aprendizado da Li\u0301ngua Brasileira de Sinais na sociedade. Deficientes auditivos dos mais diversos ni\u0301veis podem se beneficiar da pra\u0301tica e aperfeic\u0327oa\u0301-la com aparelhos auditivos, mas e\u0301 necessa\u0301rio considerar que, ale\u0301m dos contextos comunicativos, o desempenho da leitura labial tambe\u0301m esta\u0301 relacionado ao grau da surdez e, indiretamente, a\u0300 condic\u0327a\u0303o socioecono\u0302mica do deficiente e, portanto, essa pra\u0301tica na\u0303o pode ser vista como uma possibilidade para todas as pessoas surdas em todas as situac\u0327o\u0303es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Refere\u0302ncias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">BRASIL, C\u00e2mara dos Deputados. Lei no 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia (Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia). Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, p. 43, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">BRASIL, Lei de Diretrizes. Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002. Disp\u00f5e sobre a L\u00edngua Brasileira de Sinais-Libras e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">DELL&#8217;ARINGA, Ana Helena Bannwart; ADACHI, Elisabeth Satico; DELL&#8217;ARINGA, Alfredo Rafael. Lip reading role in the hearing aid fitting process. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 73, n. 1, p. 101-105, 2007.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">FEDERAL, SENADO. Ag\u00eancia Senado. Baixo alcance da l\u00edngua de sinais leva surdos ao isolamento. Dispon\u00edvel em:&lt; https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/especiais\/especial- cidadania\/baixo-alcance-da-lingua-de-sinais-leva-surdos-ao-isolamento&gt;. Acesso em: 03 de ago. de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">LORANDI, Aline; CRUZ, Carina Rebello; SCHERER, Ana Paula Rigatti. Aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem. Verba Volant, v. 2, no 1, p. 144-166. Pelotas: Editora e Gr\u00e1fica Universit\u00e1ria da UFPel, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">OLIVEIRA, Let\u00edcia Neves de; SOARES, Alexandra Dezani; CHIARI, Brasilia Maria. Leitura da fala como mediadora da comunica\u00e7\u00e3o. In: CoDAS, v.26, no 1, p. 53- 60, Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">PORTAL, MEC. Dia Nacional da Libras \u00e9 celebrado com novidades na aprendizagem para surdos, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/portal.mec.gov.br\/component\/tags\/tag\/34366&gt;. Acesso em 03 de ago. de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">WORLD HEALTH ORGANIZATION et al. Deafness and hearing loss, World Health Organization, Geneva, 01 de mar. de 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.who.int\/news- room\/fact-sheets\/detail\/deafness-and-hearing-loss&gt;. Acesso em: 03 de ago. de 2020.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\"><strong>Outros Materiais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/02\/20\/nova-lingua-de-sinais-e-criada-por-comunidade-de-surdos-no-sertao-do-piaui.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fant\u00e1stico (20\/02\/2022): Nova l\u00edngua de sinais \u00e9 criada por comunidade de surdos no sert\u00e3o do Piau\u00ed<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/podcast\/isso-e-fantastico\/noticia\/2022\/02\/20\/isso-e-fantastico-uma-nova-lingua-de-sinais-no-sertao-do-piaui.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Podcast Isso \u00e9 Fant\u00e1stico (20\/02\/2022): Uma nova l\u00edngua de sinais no sert\u00e3o do Piau\u00ed<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/scicast-361\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Scicast sobre L\u00edngua de Sinais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"http:\/\/www.roseta.org.br\/pt\/2019\/02\/21\/libras-o-que-e-esta-lingua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revista Roseta: LIBRAS: Que l\u00edngua \u00e9 essa?<\/a><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de:Vinicius Antonio Scarton das Neves&nbsp; Dados, legisla\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o dos surdos Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, 466 milh\u00f5es de pessoas no mundo possuem <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2022\/08\/09\/surdos-fazem-leitura-labial\/\" title=\"Surdos fazem leitura labial? E outros mitos relacionados\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":2375,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20,31,12],"tags":[381,382,32,383,246],"class_list":["post-2362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversidade-linguistica","category-libras","category-linguagem-e-politicas-linguisticas","tag-deficientes-auditivos","tag-leitura-labial","tag-libras","tag-lingua-gestual-cena","tag-surdos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2022\/08\/SS.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2362"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2386,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2362\/revisions\/2386"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}