{"id":2665,"date":"2024-01-15T20:53:06","date_gmt":"2024-01-15T20:53:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=2665"},"modified":"2024-01-15T20:53:07","modified_gmt":"2024-01-15T20:53:07","slug":"esse-povo-imprica-com-quarquer-coisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2024\/01\/15\/esse-povo-imprica-com-quarquer-coisa\/","title":{"rendered":"Esse povo imprica com quarqu\u00e9r coisa&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\">Voc\u00ea sabia que essa \u201ctroca\u201d \u00e9 um fen\u00f4meno fonol\u00f3gico muito comum na hist\u00f3ria do portugu\u00eas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os linguistas deram at\u00e9 um nome pra ele e mostraram que todo esse estigma \u00e9, na verdade, um tipo de preconceito lingu\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-right eplus-wrapper\"><strong>Texto de:<\/strong><br>Beatriz Sayuri Higuti<br>Viviane Carvalho<br>Alunas do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica da Unicamp<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Existem casos em que crian\u00e7as em fase de aquisi\u00e7\u00e3o de sua l\u00edngua trocam sons durante muito tempo sem que esta seja uma caracter\u00edstica do sotaque das pessoas que est\u00e3o \u00e0 sua volta. <strong>Por\u00e9m, em alguns dialetos, \u00e9 muito comum que os falantes \u201ctroquem\u201d o L pelo R e pronunciem naturalmente, palavras como \u201ccrima\u201d no lugar de \u201cclima\u201d, \u201cs\u00f3r\u201d no lugar de \u201csol\u201d e por a\u00ed vai.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E mesmo que essa troca seja comum em alguns dialetos, muitas pessoas (inclusive alguns professores de l\u00edngua portuguesa) afirmam que esse modo de falar \u00e9 \u201cerrado\u201d e deve ser corrigido a todo custo \u2013 quase como se esse modo de falar fosse um ind\u00edcio de dist\u00farbios articulat\u00f3rios, mas este n\u00e3o \u00e9 o caso aqui, como veremos a seguir.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image \">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.deviante.com.br\/podcasts\/scikids\/scikids-31\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2024\/01\/SciKidsCapa31.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-2679\" style=\"width:222px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2024\/01\/SciKidsCapa31.webp 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2024\/01\/SciKidsCapa31-150x150.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O podcast SciKids responde uma pergunta mencionando o dist\u00farbio articulat\u00f3rio: por que os bal\u00f5es em que o Cebolinha pensa est\u00e3o com R e n\u00e3o com L?<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><strong>POR QUE ESSA TROCA ACONTECE?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fonologia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fonologia<\/a> \u00e9 a \u00e1rea de estudos da Lingu\u00edstica que se interessa pelos fonemas, pelos sons (<a href=\"https:\/\/nomundodalibras.blogspot.com\/2013\/12\/foneticae-fonologia-das-linguas-de.html\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/nomundodalibras.blogspot.com\/2013\/12\/foneticae-fonologia-das-linguas-de.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ou gestos no caso de l\u00ednguas de sinais<\/a>) presentes em uma l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em portugu\u00eas, por exemplo, temos, dentre v\u00e1rios outros, os fonemas L ou U (\/l\/ ou \/w\/) e R (\/r\/), que se diferenciam no sistema dessa l\u00edngua. Desse modo, \u201ccalo\u201d e \u201ccaro\u201d s\u00e3o palavras diferentes, assim como \/mal\/ e \/mar\/, justamente porque, para n\u00f3s, esses dois pares de fonemas s\u00e3o diferentes.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O que acontece (e bastante!) na l\u00edngua portuguesa \u00e9 que, em alguns dialetos, tanto o fonema L (mais tecnicamente \/l\/) no meio da s\u00edlaba quanto o fonema U (\/w\/, oriundo de \/l\/) no final da s\u00edlaba s\u00e3o produzidos como o fonema R (\/r\/).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Os linguistas chamam esse fen\u00f4meno de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rotacismo\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rotacismo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">rotacismo<\/a>.<\/strong><br>Vejamos alguns exemplos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><em>cli-en-te -&gt; cri-en-te&nbsp;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><em>bi-ci-cle-ta -&gt; bi-ci-cre-ta&nbsp;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><em>cal-do -&gt; car-do<\/em><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><em>al-to -&gt; ar-to<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E O QUE A HIST\u00d3RIA DA L\u00cdNGUA PORTUGUESA TEM A NOS DIZER SOBRE ISSO?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lingu%C3%ADstica_hist%C3%B3rica\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lingu%C3%ADstica_hist%C3%B3rica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lingu\u00edstica Hist\u00f3rica<\/a> \u00e9 a \u00e1rea que estuda a hist\u00f3ria das l\u00ednguas: seu surgimento, suas mudan\u00e7as e, em alguns casos, seu desaparecimento. Gra\u00e7as a essa \u00e1rea sabemos que o portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua rom\u00e2nica, ou seja, surgiu a partir do latim (mais especificamente, do latim popular). E desde esse surgimento, os falantes nativos de portugu\u00eas j\u00e1 realizavam o rotacismo. S\u00e3o diversos os exemplos de palavras que, em latim, eram pronunciadas com L (\/l\/) no meio da s\u00edlaba e em portugu\u00eas passaram a ser pronunciadas com R (\/r\/):&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">blandu (latim) &gt; brando (portugu\u00eas)<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">clavicula (latim) &gt; cravelha (portugu\u00eas)<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">flaccu (latim) &gt; fraco (portugu\u00eas)<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">gluten (latim) &gt; grude (portugu\u00eas)<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">plancto (latim) &gt; pranto (portugu\u00eas)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">T\u00e3o disseminado foi o processo que, em <a href=\"http:\/\/www.dominiopublico.gov.br\/download\/texto\/bv000162.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cOs Lus\u00edadas\u201d de Lu\u00eds de Cam\u00f5es<\/a> (em dom\u00ednio p\u00fablico), \u00e9 poss\u00edvel encontrar v\u00e1rias palavras que hoje s\u00e3o, de modo geral, pronunciadas com L (\/l\/) escritas com R (\/r\/). Este \u00e9 um grande ind\u00edcio de que, no s\u00e9culo XVI, de fato se falava assim:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\"><em>\u201cE n\u00e3o de agreste avena ou frauta ruda,&nbsp;<\/em><br><em>Mas de tuba canora e belicosa\u201d (Canto I)&nbsp;<\/em><br><em>\u201cAlg\u00fcas, harpas e sonoras frautas;&nbsp;<\/em><br><em>Outras, cos arcos de ouro, se fingiam\u201d (Canto IX)&nbsp;<\/em><br><em>\u201cO frecheiro que contra o C\u00e9u se atreve&nbsp;<\/em><br><em>A receb\u00ea-la vem, ledo e contente\u201d (Canto IX)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Muitos anos depois disso, no s\u00e9culo XX, diversos linguistas e fil\u00f3logos, como Amadeu Amaral, estudaram o dialeto caipira do estado de S\u00e3o Paulo. Nesse dialeto, formas como \u201cfror (flor)\u201d (conservada do portugu\u00eas mais antigo), \u201cm\u00e9r (mel)\u201d e tantas outras que ouvimos\/produzimos at\u00e9 hoje j\u00e1 eram muito comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Portanto, \u00e9 certo afirmar que o rotacismo faz parte da pr\u00f3pria hist\u00f3ria da l\u00edngua portuguesa.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><strong>ENT\u00c3O POR QUE ESSE ESTIGMA?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em qualquer sociedade, os grupos sociais se distinguem pela forma como falam, ou seja, t\u00eam uma norma lingu\u00edstica pr\u00f3pria, que faz os falantes se identificarem uns com os outros e se sentirem pertencentes ao grupo <a href=\"https:\/\/www.parabolaeditorial.com.br\/norma-culta-brasileira--desatando-alguns-nos-47556704\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">(Faraco, 2002)<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Na escola, o objetivo dos professores de portugu\u00eas \u00e9 ensinar a norma padr\u00e3o, porque a padroniza\u00e7\u00e3o \u00e9 importante (principalmente para um pa\u00eds de tamanho continental como o nosso). \u00c9 preciso que os alunos saibam seus direitos e deveres como cidad\u00e3os e consigam se posicionar diante de injusti\u00e7as sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mas o problema surge quando as pessoas afirmam que apenas a norma padr\u00e3o deve ser utilizada e criticam qualquer coisa que n\u00e3o perten\u00e7a a essa norma, como o rotacismo no dialeto caipira. Esse modo de pensar \u00e9, na verdade, preconceituoso, porque, como mostramos neste post, n\u00e3o tem fundamento no sistema pr\u00f3prio da l\u00edngua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Portanto, para combater esse e outros tipos de preconceito lingu\u00edstico \u00e9 preciso uma mudan\u00e7a de atitude: respeitar o conhecimento lingu\u00edstico de todo e qualquer falante, valorizando o que ele j\u00e1 sabe, e reconhecer na l\u00edngua que ele fala a sua pr\u00f3pria identidade como ser humano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><strong>SAIBA MAIS&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">AMARAL, Amadeu. <strong>O dialeto caipira<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Iba Mendes, 2019 [1920]. BAGNO, Marcos. <strong>Preconceito lingu\u00edstico: o que \u00e9, como se faz<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2007 [1999].&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">BORTONI-RICARDO, Stella Maris. <strong>N\u00f3s cheguemu na escola, e agora?: socioling\u00fc\u00edstica<\/strong><strong> <\/strong><strong>&amp; educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Par\u00e1bola, 2005.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">ESP\u00cdRITO SANTO, J\u00falia Maria Fran\u00e7a. <strong>Entre o campo e a cidade: rotacismo em S\u00e3o Miguel Arcanjo<\/strong>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em em Lingu\u00edstica) &#8211; Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas, Universidade de S\u00e3o Paulo. p. 116. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">FARACO, Carlos Alberto. <strong>Norma-padr\u00e3o brasileira: desembara\u00e7ando alguns n\u00f3s<\/strong>. <em>In<\/em>: BAGNO, Marcos (org.). Ling\u00fc\u00edstica da norma. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2002. p. 37-61.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Voc\u00ea sabia que essa \u201ctroca\u201d \u00e9 um fen\u00f4meno fonol\u00f3gico muito comum na hist\u00f3ria do portugu\u00eas? 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