{"id":2738,"date":"2025-03-18T16:06:17","date_gmt":"2025-03-18T16:06:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=2738"},"modified":"2025-03-18T16:11:00","modified_gmt":"2025-03-18T16:11:00","slug":"a-plataforma-tycho-brahe-e-o-corpus-kadiweu-online","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2025\/03\/18\/a-plataforma-tycho-brahe-e-o-corpus-kadiweu-online\/","title":{"rendered":"A Plataforma Tycho Brahe e o Corpus Kadiw\u00e9u online"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-right eplus-wrapper\"><strong>Texto de<\/strong>:<br>Filomena S\u00e2ndalo<br>Docente da \u00e1rea de Fon\u00e9tica e Fonologia no Departamento de Lingu\u00edstica da Unicamp<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Voc\u00ea sabe quantas l\u00ednguas ind\u00edgenas h\u00e1 no Brasil? E voc\u00ea sabe o que fazer se quiser saber sobre estas l\u00ednguas e suas artes verbais? O mundo tem 7000 l\u00ednguas, e no Brasil est\u00e3o mais de 150 delas, pertencentes a mais de um tronco lingu\u00edstico, como pode ser observado nas duas primeiras figuras abaixo. E h\u00e1 muitas fam\u00edlias lingu\u00edsticas sem classifica\u00e7\u00e3o em troncos ainda, e que, portanto, necessitam de pesquisa urgente, pois est\u00e3o em perigo de extin\u00e7\u00e3o, conforme pode ser observado na terceira imagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture1.gif\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"936\" height=\"782\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-2741\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 1: Fam\u00edlias lingu\u00edsticas do tronco Tupi (Fonte: ISA)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture2.gif\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" width=\"936\" height=\"598\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture2.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-2742\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 2: Fam\u00edlias lingu\u00edsticas do tronco Macro-J\u00ea (Fonte ISA)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\" wp-block-cover eplus-wrapper\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><img decoding=\"async\" width=\"234\" height=\"1024\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-2743\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3-234x1024.jpg\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3-234x1024.jpg 234w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3-351x1536.jpg 351w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3.jpg 452w\" sizes=\"(max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\" has-text-align-center has-large-font-size eplus-wrapper\">Clique para ampliar<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"234\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3-234x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2743\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3-234x1024.jpg 234w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3-351x1536.jpg 351w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture3.jpg 452w\" sizes=\"(max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Figura 3: <em>Outras fam\u00edlias (Fonte ISA)<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como se pode constatar, o Brasil tem uma enorme diversidade lingu\u00edstica. E, embora se possam encontrar estudos sobre estas l\u00ednguas em trabalhos cient\u00edficos, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil encontrar materiais de narrativas ind\u00edgenas na l\u00edngua original com tradu\u00e7\u00f5es e an\u00e1lise gramatical de modo online. Al\u00e9m disso, embora as comunidades contem com escolas ind\u00edgenas, elas carecem de materiais para trabalhar gram\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por isso fizemos um corpus digital de uma dessas l\u00ednguas, com narrativas, tradu\u00e7\u00f5es e anota\u00e7\u00f5es sobre a sua gram\u00e1tica. O corpus est\u00e1 depositado em uma plataforma digital elaborada no IEL\/UNICAMP que acomoda corpora lingu\u00edsticos, <strong><a href=\"https:\/\/www.tycho.iel.unicamp.br\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a Plataforma Tycho Brahe<\/a><\/strong>. \u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esta plataforma computacional foi elaborada sob a coordena\u00e7\u00e3o da docente do IEL Charlotte Galves, em coopera\u00e7\u00e3o com docentes de ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o do IME\/USP em sua primeira vers\u00e3o, e, a partir de 2012, em colabora\u00e7\u00e3o com o aluno de doutorado em lingu\u00edstica e cientista da computa\u00e7\u00e3o, Luiz Veronesi, e poder\u00e1, no futuro, acomodar corpora de mais l\u00ednguas e suas artes verbais. Este \u00e9 um exemplo muito produtivo de coopera\u00e7\u00e3o em lingu\u00edstica e ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A l\u00edngua cuja gram\u00e1tica e narrativas trabalhamos dentro do Tycho Brahe \u00e9 o kadiw\u00e9u, l\u00edngua da fam\u00edlia Guaikur\u00fa. O kadiw\u00e9u tem menos de mil falantes, que moram no estado do Mato Grosso do Sul. Esta \u00e9 a \u00fanica l\u00edngua da fam\u00edlia Guaikur\u00fa no Brasil, e n\u00e3o se sabe ainda a qual tronco pertence dentro da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Dentro deste contexto, \u00e9 importante ressaltar que a primeira mulher Kadiw\u00e9u na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Vanda Pires, est\u00e1 no IEL, onde faz doutorado em lingu\u00edstica. A doutoranda colabora ativamente com o desenvolvimento deste corpus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Tamb\u00e9m colaboram com materiais e tradu\u00e7\u00f5es os falantes de kadiw\u00e9u Hil\u00e1rio Silva, Osmar Francisco e Sandra Costa Silva. Hil\u00e1rio Silva tem se dedicado ao trabalho comigo por trinta anos, colaborando imensamente para a documenta\u00e7\u00e3o de sua l\u00edngua e cultura. Al\u00e9m de ser um material rico para a an\u00e1lise lingu\u00edstica, \u00e9 um material rico para a antropologia, uma vez que o corpus conta com narrativas e cantos (choros) na l\u00edngua original com tradu\u00e7\u00f5es bil\u00edngues (para o portugu\u00eas e o ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">As l\u00ednguas nativas do Brasil, j\u00e1 severamente amea\u00e7adas antes da pandemia de COVID-19,\u00a0enfrentam uma amea\u00e7a crescente com a morte de falantes nativos por esta doen\u00e7a. Por isso nosso\u00a0trabalho \u00e9 muito urgente, por promover uma inova\u00e7\u00e3o digital inclusiva, desenvolvendo uma plataforma\u00a0computacional para dados que sejam cultural e gramaticalmente significativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esses\u00a0materiais lingu\u00edsticos fornecer\u00e3o uma base digital para uma educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue\u00a0aprimorada, conex\u00f5es inter-geracionais e a transmiss\u00e3o de conhecimento ancestral nas\u00a0comunidades, al\u00e9m de preservar material que proporcionar\u00e1 futuras pesquisas nessas l\u00ednguas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Os corpora orais servem como uma base de dados essencial para a pesquisa lingu\u00edstica, e podem fornecer treinamento e recursos digitais para pesquisadores de l\u00edngua e cultura usando m\u00e9todos da antropologia e da lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Segue abaixo uma foto de uma senten\u00e7a do corpus kadiw\u00e9u online, com suas camadas de anota\u00e7\u00f5es gramaticais e tradu\u00e7\u00f5es bil\u00edngues. Nela, tanto as palavras como as unidades que formam palavras (morfemas) s\u00e3o anotadas. Anota\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise sint\u00e1tica tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis e s\u00e3o geradas automaticamente pelo Parser de Regras da Plataforma Tycho Brahe. Neste momento, o corpus conta com 30 narrativas anotadas. Esta senten\u00e7a pertence ao mito da mulher on\u00e7a (<em>negedioli<\/em>), uma narrativa \u00e9pica sobre uma mulher que vira on\u00e7a, tema recorrente da mitologia do pantanal brasileiro e da regi\u00e3o do Chaco argentino e paraguaio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">FIGURA 4 (2)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1.png\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"455\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1-1024x455.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2744\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1-1024x455.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1-300x133.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1-768x341.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1-500x222.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1-800x355.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1-1280x568.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-1.png 1430w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 4a: Anota\u00e7\u00f5es no Corpus Kadiw\u00e9u (Plataforma Tycho Brahe)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-large eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2.png\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"498\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2-1024x498.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2745\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2-1024x498.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2-300x146.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2-768x374.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2-500x243.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2-800x389.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2-1280x623.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2025\/03\/Picture4-2.png 1430w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 4b: Anota\u00e7\u00f5es no Corpus Kadiw\u00e9u (Plataforma Tycho Brahe)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para terminar, gostar\u00edamos de compartilhar mais algumas informa\u00e7\u00f5es sobre a Plataforma Tycho Brahe. Trata-se de uma estrutura computacional que facilita a coleta, anota\u00e7\u00e3o e compara\u00e7\u00e3o de dados textuais. A equipe de desenvolvimento desta plataforma, liderada pela professora Charlotte Galves, est\u00e1 trabalhando desde 1998 neste recurso computacional, e, desde 2012, em sua implementa\u00e7\u00e3o de forma online. A ferramenta baseada em navegador online fornece fun\u00e7\u00f5es de pesquisa, visualiza\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o para anota\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas com ferramentas integradas de <em>tagger<\/em> (etiquetador de palavras) e <em>parser (anotador sint\u00e1tico de senten\u00e7as)<\/em>. O tagger j\u00e1 est\u00e1 gerando anota\u00e7\u00f5es de categorias sint\u00e1ticas (POS) e morfol\u00f3gicas, bem como tradu\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas de palavras para o portugu\u00eas. As \u00e1rvores sint\u00e1ticas geradas automaticamente pelo parser colocam estas palavras em hierarquias que permitem tradu\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas de frases, como apresentado na Figura 4. \u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A Plataforma Tycho Brahe complementa esfor\u00e7os paralelos em corpora computacionais, como ANNIS (corpus-tools.org\/annis), desenvolvido na Humboldt University, Berlim, que est\u00e1 sendo aplicada a uma variedade de l\u00ednguas, como o alem\u00e3o, o \u00e1rabe e muitas outras. Semelhante ao Tycho, o ANNIS \u00e9 baseado em navegador de web e tem uma arquitetura de visualiza\u00e7\u00e3o para corpora lingu\u00edsticos com multicamadas complexas e com diversos tipos de anota\u00e7\u00f5es. Uma vantagem do Tycho \u00e9 seu identificador e analisador multin\u00edvel integrando ferramentas que analisam palavras e blocos de constru\u00e7\u00e3o de palavras (morfemas), tornando o Tycho particularmente adequado para a estrutura de palavras altamente complexa de muitas l\u00ednguas da Am\u00e9rica do Sul, como o kadiw\u00e9u. A estrutura do Tycho \u00e9 pioneira em sua aplica\u00e7\u00e3o a l\u00ednguas ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O nome Tycho Brahe \u00e9 uma homenagem ao astr\u00f3logo dinamarqu\u00eas Tycho Brahe conhecido por suas anota\u00e7\u00f5es acuradas e detalhadas sobre constela\u00e7\u00f5es, no s\u00e9culo 16. Consideramos a nossa tarefa como equivalente \u00e0 de Tycho Brahe: fazemos anota\u00e7\u00f5es acuradas e detalhadas sobre as l\u00ednguas do mundo ao longo de nossas vidas. O primeiro corpus elaborado nesta plataforma foi o corpus de portugu\u00eas cl\u00e1ssico elaborado pela professora Charlotte Galves. O kadiw\u00e9u \u00e9 a primeira l\u00edngua ind\u00edgena contemplada. Esperamos que outros pesquisadores de outras l\u00ednguas possam se juntar a esta equipe, contribuindo assim para o conhecimento e preserva\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas ind\u00edgenas do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Se voc\u00ea quiser saber mais sobre a l\u00edngua kadiw\u00e9u e outras l\u00ednguas ind\u00edgenas do Brasil, mesmo sem ser linguista, leia o livro <em>\u00cdndio N\u00e3o Fala S\u00f3 Tupi: uma viagem pelas l\u00ednguas dos povos origin\u00e1rios do Brasil<\/em>, de Kristina Balykova e Bruna Franchetto (organizadoras), onde h\u00e1 tamb\u00e9m um cap\u00edtulo sobre o kadiw\u00e9u. E para visitar o corpus kadiw\u00e9u visite a Plataforma Tycho Brahe. Basta clicar em cada imagem ou senten\u00e7a e as camadas de anota\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es v\u00e3o se abrir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esta pesquisa tem sido financiada, desde 1998, pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), atrav\u00e9s de v\u00e1rios projetos tem\u00e1ticos e uma escola S\u00e3o Paulo de ci\u00eancias avan\u00e7adas, e, em 2021, recebemos um pr\u00eamio da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lingu\u00edstica (ABRALIN) na modalidade Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o em Pesquisa Lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em suma, resta lembrar que os anci\u00e3os s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia de COVID 19 e h\u00e1 v\u00e1rias artes verbais em processo de desparecimento. Por exemplo, os Kadiw\u00e9us tem um ritual cantado chamado de <em>choro<\/em>. Somente algumas anci\u00e3s sabem \u201cchorar\u201d atualmente. \u00c9 bastante dif\u00edcil traduzir um choro em kadiw\u00e9u, pois \u00e9 cantado em uma variedade antiga desta l\u00edngua. O choro ind\u00edgena ainda est\u00e1 pouco documentado e nosso corpus contribui com o estudo lingu\u00edstico e antropol\u00f3gico deste canto ritual\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O choro \u00e9 um ritual bastante visual e esperamos a Plataforma Tycho Brahe contar com uma camada de v\u00eddeo no futuro. H\u00e1 muito ainda para se fazer. A documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um trabalho \u00e1rduo e lento, mas que abre possibilidades de mais pesquisas sobre l\u00edngua e cultura mesmo quando seus idealizadores e a l\u00edngua documentada n\u00e3o estejam mais vivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de:Filomena S\u00e2ndaloDocente da \u00e1rea de Fon\u00e9tica e Fonologia no Departamento de Lingu\u00edstica da Unicamp Voc\u00ea sabe quantas l\u00ednguas ind\u00edgenas h\u00e1 no Brasil? E voc\u00ea <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2025\/03\/18\/a-plataforma-tycho-brahe-e-o-corpus-kadiweu-online\/\" title=\"A Plataforma Tycho Brahe e o Corpus Kadiw\u00e9u online\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":2752,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2738"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2750,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738\/revisions\/2750"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2752"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}