{"id":323,"date":"2016-11-18T20:37:11","date_gmt":"2016-11-18T20:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=323"},"modified":"2018-06-04T21:42:14","modified_gmt":"2018-06-04T21:42:14","slug":"historia-da-lingua-latina-brevissimo-comentario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2016\/11\/18\/historia-da-lingua-latina-brevissimo-comentario\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da L\u00edngua Latina: Brev\u00edssimo Coment\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>O latim entre as l\u00ednguas indo-europeias<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Se tiv\u00e9ssemos de resumir a hist\u00f3ria do povo que se serviu do latim como ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o habitual, poder\u00edamos talvez dizer que, de uma comunidade de pastores e agricultores estabelecidas no antigo L\u00e1cio, no centro-sul do territ\u00f3rio it\u00e1lico, passou-se, progressivamente (dos s\u00e9cs. VIII a I a.C.), a um grupo social mais e mais complexo que, dadas as condi\u00e7\u00f5es reinantes e o contato com outros povos (quase sempre hostil de ambas as partes), evoluiu para uma sociedade dividida em classes (patr\u00edcios e plebeus, mas tamb\u00e9m escravos), na qual parte de seus membros criou, como \u00e9 comum em diversas sociedades, sobretudo por influ\u00eancia grega e etrusca, uma cultura letrada que passou mais e mais a ter import\u00e2ncia at\u00e9 constituir o que conhecemos da literatura latina e, com as \u201cdeforma\u00e7\u00f5es\u201d cab\u00edveis, se vista em retrospecto, a imagem que formamos do que era o romano. Falaremos, aqui, de sua l\u00edngua.<\/p>\n<figure id=\"attachment_326\" aria-describedby=\"caption-attachment-326\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/indo-europeu.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-326\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/indo-europeu-300x225.jpg\" alt=\"http:\/\/image.slidesharecdn.com\/espanholcomercialfinal-12743398249935-phpapp02\/95\/espanhol-comercial-final-3-728.jpg?cb=1274321955\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/indo-europeu-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/indo-europeu-678x509.jpg 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/indo-europeu-326x245.jpg 326w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/indo-europeu-80x60.jpg 80w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/indo-europeu.jpg 728w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-326\" class=\"wp-caption-text\">http:\/\/image.slidesharecdn.com\/espanholcomercialfinal-12743398249935-phpapp02\/95\/espanhol-comercial-final-3-728.jpg?cb=1274321955<\/figcaption><\/figure>\n<p>Classificar \u00e9, usualmente, uma das formas de que nos valemos para entender nosso objeto de estudo nas mais diversas \u00e1reas do saber. Assim, come\u00e7amos por dizer que o latim est\u00e1 inclu\u00eddo, como outras tantas l\u00ednguas, mais e menos conhecidas, do mundo antigo (grego, s\u00e2nscrito etc), num grupo denominado <em>indo-europeu<\/em> (designativo que se deve ao fato de serem essas l\u00ednguas faladas num vasto territ\u00f3rio que vai, aproximadamente, da \u00cdndia \u00e0 Europa Ocidental, excluindo-se, p.ex., o h\u00fangaro, o finland\u00eas e o basco). N\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o, aqui, discutir a propriedade do \u201cr\u00f3tulo\u201d <em>indo-europeu<\/em>, consagrado h\u00e1 bem mais de um s\u00e9culo (ainda que, na verdade, o nome dado a essa protol\u00edngua, construto que tinha por meta, falando sumariamente, explicar tantas semelhan\u00e7as entre as l\u00ednguas a\u00ed agrupadas, fosse, por raz\u00f5es mais ou menos \u00f3bvias, <em>Indogermanisch<\/em>), nem de saber se de fato existiu um povo que se possa denominar indo-europeu; o fato \u00e9 que a express\u00e3o \u00e9 por demais produtiva e deu ensejo \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de muitas obras, uma das quais, talvez a mais conhecida entre n\u00f3s, falantes de portugu\u00eas, \u00e9 o <em>Vocabul\u00e1rio das institui\u00e7\u00f5es indo-europeias<\/em>, do linguista franc\u00eas \u00c9mile Benveniste, que viveu no s\u00e9c. XX, traduzida e publicada pela editora da Unicamp.<\/p>\n<p><strong><em>Variedades de latim<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Se est\u00e1 fora de quest\u00e3o, igualmente, discutir o parentesco do latim com outras l\u00ednguas antigas (e modernas, \u00e0s quais \u201cdeu origem\u201d, como se costuma dizer), precisamos chegar a um acordo sobre o que estamos denominando <em>latim<\/em>, j\u00e1 que a l\u00edngua, pelo que se sabe, foi usada por um longo per\u00edodo de tempo (haveria vest\u00edgios de uma l\u00edngua pr\u00f3xima ao que chamamos de latim, em sua variedade escrita, desde o s\u00e9c. VI a.C., e ele foi utilizado como ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, sobretudo escrita, digamos, at\u00e9 por volta do s\u00e9c. XVIII). Como sabemos, as l\u00ednguas se alteram de muitas maneiras e por muitas raz\u00f5es com o passar do tempo. Se compararmos o portugu\u00eas utilizado na imprensa brasileira atualmente com, digamos, o que Cam\u00f5es empregou ao escrever <em>Os Lus\u00edadas<\/em> (no s\u00e9c. XVI) e ao que os trovadores usaram em suas cantigas (no s\u00e9c. XIII), notaremos diferen\u00e7as \u201cgritantes\u201d, tanto maiores quanto mais \u201cvoltamos ao passado\u201d, examinando o enorme conjunto de textos produzidos em portugu\u00eas desde que este ganhou, justamente, o estatuto de <em>l\u00edngua<\/em>. No entanto, estamos falando da l\u00edngua escrita e, como sabemos, a escrita n\u00e3o apenas \u00e9 diferente da oralidade como costuma demorar muito para incorporar, por assim dizer, tra\u00e7os e formas da l\u00edngua falada. N\u00e3o fosse, de fato, a uniformidade garantida (ou produzida?) pela escrita, talvez algu\u00e9m que tentasse ler o que est\u00e1 escrito aqui e registra pontos importantes para os quais se deve chamar a aten\u00e7\u00e3o nessa hist\u00f3ria nem conseguisse decifrar o que est\u00e1 escrito&#8230; Mas essa \u00e9 outra hist\u00f3ria&#8230; O fundamental \u00e9 lembrar que, se no portugu\u00eas escrito encontramos tantas diferen\u00e7as ao comparar um texto do s\u00e9c. XIII com outro do s\u00e9c. XVI ou XXI, que pensar de uma l\u00edngua que, a princ\u00edpio usada como ve\u00edculo de express\u00e3o oral e depois ganhou forma escrita, foi usada para que os homens que a conheciam nela se expressassem (oralmente ou por escrito) por bem mais de mil anos? Em outras palavras, o que estamos tentando dizer \u00e9 que, assim como o portugu\u00eas dos trovadores n\u00e3o \u00e9 mais o nosso, o latim da \u00e9poca dos lend\u00e1rios R\u00f4mulo e Remo (s\u00e9c. VIII a.C.?) n\u00e3o devia ser muito semelhante ao utilizado, p.ex., nas cortes e, mais tarde, nas universidades europeias por volta do s\u00e9c. VII de nossa era (momento a partir do qual passam a ser documentados os vern\u00e1culos europeus, bem depois da tradu\u00e7\u00e3o da <em>Vulgata<\/em>, a mais conhecida edi\u00e7\u00e3o da B\u00edblia latina). Ou seja, h\u00e1 mais de uma forma de latim, assim como h\u00e1 mais de uma forma de portugu\u00eas. Se lembrarmos que os romanos colonizaram um territ\u00f3rio extenso que, considerado apenas o europeu, vai, aproximadamente, da atual Rom\u00eania (antiga <em>Dacia<\/em>, conquistada no s\u00e9c. II d.C.) ao atual Portugal (antiga <em>Lusitania<\/em>, conquistada no s\u00e9c. II a.C.), e que fizeram isso em momentos diferentes e distantes no tempo (cerca de 400 anos!), per\u00edodo no qual h\u00e1 grande quantidade de textos escritos em sua l\u00edngua, teremos n\u00e3o s\u00f3 uma ideia de como o latim falado foi se modificando com o passar do tempo, mas como acabou por se \u201ctransformar\u201d nas atuais l\u00ednguas ditas <em>rom\u00e2nicas <\/em>ou<em> neolatinas<\/em>. Para ficar apenas com as nacionais, i.e. de pa\u00edses que as t\u00eam por l\u00ednguas oficiais, temos a\u00ed o <em>portugu\u00eas<\/em>, o <em>espanhol<\/em>, o <em>franc\u00eas<\/em>, o <em>italiano<\/em> e o <em>romeno<\/em> (falando genericamente e sem pensar na dialeta\u00e7\u00e3o, da qual aquela devida \u00e0 dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica entre grupos que falam a mesma l\u00edngua \u00e9 apenas uma forma do fen\u00f4meno em quest\u00e3o), sem esquecer o <em>galego<\/em>, o <em>proven\u00e7al<\/em>, o <em>catal\u00e3o<\/em>, o <em>r\u00e9tico<\/em> e o <em>sardo<\/em>, entre outras ainda faladas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/16410654-old-medieval-latin-inscription-carved-in-stone-Stock-Photo.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1253 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/16410654-old-medieval-latin-inscription-carved-in-stone-Stock-Photo-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/16410654-old-medieval-latin-inscription-carved-in-stone-Stock-Photo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/16410654-old-medieval-latin-inscription-carved-in-stone-Stock-Photo-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/16410654-old-medieval-latin-inscription-carved-in-stone-Stock-Photo-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/16410654-old-medieval-latin-inscription-carved-in-stone-Stock-Photo.jpg 1300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A l\u00edngua, enfim, de que nos ocupamos, tamb\u00e9m marcada pelo fen\u00f4meno da dialeta\u00e7\u00e3o j\u00e1 em solo it\u00e1lico, levada depois a diferentes lugares pelos colonizadores romanos (sobretudo soldados, em sua maioria iletrados), tendo passado por profundas mudan\u00e7as (de ordem fon\u00e9tica, gramatical, sint\u00e1tica e mesmo sem\u00e2ntica) e dado origem a outras tantas l\u00ednguas (que, do ponto de vista hist\u00f3rico, s\u00e3o por alguns consideradas formas de latim com as devidas altera\u00e7\u00f5es por ele sofridas), costuma ser, no entanto, mais comumente dividida em <em>latim arcaico, latim cl\u00e1ssico <\/em>e<em> latim medieval<\/em>, sem esquecer a forma dita <em>vulgar<\/em>, o latim falado e tamb\u00e9m multifacetado que daria origem ao portugu\u00eas, espanhol etc, para ficarmos com as denomina\u00e7\u00f5es mais conhecidas (crit\u00e9rio perigoso, \u00e9 verdade, em que se mesclam a l\u00edngua oral e sua representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica). Dessas, interessam-nos todas, dependendo de nosso prop\u00f3sito ao estud\u00e1-las, mas falaremos aqui sobretudo daquela denominada <em>cl\u00e1ssica<\/em>, i.e. a que foi utilizada (nos s\u00e9cs. I a.C. e I d.C.) para produzir aquelas obras de arte que caem sob a rubrica gen\u00e9rica de \u201cliteratura\u201d, mas tamb\u00e9m, p.ex., a hist\u00f3ria, a filosofia e a orat\u00f3ria, e que \u00e9 em geral mais estudada nas universidades.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O latim entre as l\u00ednguas indo-europeias Se tiv\u00e9ssemos de resumir a hist\u00f3ria do povo que se serviu do latim como ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o habitual, poder\u00edamos <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2016\/11\/18\/historia-da-lingua-latina-brevissimo-comentario\/\" title=\"Hist\u00f3ria da L\u00edngua Latina: Brev\u00edssimo Coment\u00e1rio\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":152,"featured_media":1253,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20,48,47,12,1],"tags":[],"class_list":["post-323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversidade-linguistica","category-latim","category-linguagem-e-historia","category-linguagem-e-politicas-linguisticas","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/11\/16410654-old-medieval-latin-inscription-carved-in-stone-Stock-Photo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/152"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=323"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1254,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/323\/revisions\/1254"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}