{"id":609,"date":"2017-03-28T17:50:30","date_gmt":"2017-03-28T17:50:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=609"},"modified":"2017-11-10T23:48:38","modified_gmt":"2017-11-10T23:48:38","slug":"quantos-amigos-voce-tem-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/03\/28\/quantos-amigos-voce-tem-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Quantos amigos voc\u00ea tem nas redes sociais?"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Quantos amigos voc\u00ea possui nas redes sociais como o Facebook? 100? \u00a0300? 2478?<\/strong><\/h4>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 entusiasta de redes sociais e as utiliza apenas para\u00a0manter contato\u00a0com fam\u00edlia e amigos mais pr\u00f3ximos, provavelmente ter\u00e1 cerca de 100 contatos. Se voc\u00ea as utiliza como forma de socializar com pessoas que\u00a0possuem interesses em comum, provavelmente ter\u00e1 entre 200 e 400 contatos. Se for uma celebridade, seu perfil pessoal j\u00e1 alcan\u00e7ou o limite de contatos. Neste momento voc\u00ea j\u00e1 criou um perfil\u00a02 ou uma p\u00e1gina que, <a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/science\/maria-konnikova\/social-media-affect-math-dunbar-number-friendships\">ao contr\u00e1rio das amizades<\/a>,\u00a0n\u00e3o possui limites num\u00e9ricos.<\/p>\n<h4><strong>Mas\u00a0qual a raz\u00e3o de falar do n\u00famero de contatos Facebook em um blog de Lingu\u00edstica?<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 que, n\u00e3o fosse\u00a0a nossa forma de comunica\u00e7\u00e3o, provavelmente voc\u00ea teria, no m\u00e1ximo, uns 70 ou 80 contatos. Vamos entender o porqu\u00ea?<\/p>\n<h5>Viver em grupo\u00a0e a hist\u00f3ria dos seres vivos<\/h5>\n<p>Na hist\u00f3ria dos seres vivos,\u00a0viver em grupo sempre foi uma das melhores formas de lidar com as amea\u00e7as do ambiente. Considere que voc\u00ea viva\u00a0numa era em\u00a0que existam grandes animais carn\u00edvoros que adoram carne humana. Se voc\u00ea se isolar, provavelmente ser\u00e1 presa f\u00e1cil.\u00a0Por outro lado, se voc\u00ea vive em grupo, provavelmente\u00a0ser\u00e1 mais f\u00e1cil se defender. Com ajuda da comunica\u00e7\u00e3o, provavelmente\u00a0seu grupo ter\u00e1 alguma divis\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es. Algu\u00e9m ser\u00e1 o respons\u00e1vel por vigiar os arredores e avisar sobre a aproxima\u00e7\u00e3o dos predadores, outros para cuidar das crian\u00e7as, outros para criar armas\u00a0para nos\u00a0defendermos. Alguns indiv\u00edduos do grupo tamb\u00e9m podem ser respons\u00e1veis por coletar comida e cozinhar.\u00a0E aqui mora o perigo de grupos muito numerosos. Como garantimos que\u00a0sempre teremos comida para todos os indiv\u00edduos?<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00f5es semelhantes s\u00e3o observadas\u00a0at\u00e9 mesmo para seres unicelulares. <a href=\"http:\/\/pages.stolaf.edu\/angell\/files\/2013\/09\/ChlorellaFlagellatePredation.pdf\">Trabalhos em Biologia<\/a> observam que estes seres se agrupam em\u00a0col\u00f4nias para sobreviver melhor em um determinado ambiente. Por outro lado, se esta col\u00f4nia cresce demais, elas n\u00e3o conseguem se sustentar.\u00a0O\u00a0n\u00famero limite de c\u00e9lulas em uma col\u00f4nia depende da quantidade\u00a0de alimento e de\u00a0predadores no ambiente.<\/p>\n<h5>Nos primatas<\/h5>\n<p>Se n\u00e3o tivermos um microsc\u00f3pio a disposi\u00e7\u00e3o, podemos observar as\u00a0esp\u00e9cies animais.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.psy.ox.ac.uk\/team\/robin-dunbar\">Robin Dunbar<\/a>\u00a0\u00e9 um dos principais respons\u00e1veis por pesquisar este tema em primatas. Seus trabalhos observam que os\u00a0grandes primatas\u00a0vivem em grupos de cerca de 70 ou 80 indiv\u00edduos. Grupos maiores tendem a\u00a0se romper, formando outros grupos. Segundo Dunbar, um\u00a0dos\u00a0fatores respons\u00e1veis para a manuten\u00e7\u00e3o de um grupo\u00a0t\u00e3o grande \u00e9\u00a0o nosso comportamento afetivo.\u00a0Os primatas fazem carinho, brincam, ensinam e catam piolhos uns dos outros. Estes gestos de afeto e ajuda m\u00fatua\u00a0nos faz ter mais empatia com outros indiv\u00edduos. Isso quer dizer tamb\u00e9m que, aqueles que apenas recebem favores mas nunca retribuem, ser\u00e3o exclu\u00eddos do grupo em algum momento (alguma semelhan\u00e7a com os humanos?).<\/p>\n<p>Os primatas humanos s\u00e3o mais receptivos neste ponto e podem chegar a cerca de 150 indiv\u00edduos (o chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/technology\/2010\/mar\/14\/my-bright-idea-robin-dunbar\">N\u00famero de Dunbar<\/a>).\u00a0Neste n\u00famero, \u00e9 poss\u00edvel separar\u00a0os membros de nossa\u00a0fam\u00edlia, os amigos do peito, os &#8216;amigos comuns&#8217;. O restante s\u00e3o, geralmente, colegas com quem nos relacionamos\u00a0com alguma frequ\u00eancia.<\/p>\n<h4><strong>Mas a grande pergunta \u00e9: como conseguimos criar grupos t\u00e3o maiores do que os outros primatas?<\/strong><\/h4>\n<p>Segundo Dunbar, o respons\u00e1vel\u00a0por este aumento no n\u00famero de contatos \u00e9 a linguagem. A linguagem \u00e9 uma ferramenta que permite que (metaforicamente) &#8220;acariciemos&#8221;\u00a0mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Mais do que isso, n\u00e3o precisamos de contato f\u00edsico e pode ser feito a uma dist\u00e2ncia relativa.\u00a0Conversas, elogios, suporte emocional, demonstrar que sentimos e nos preocupamos com a dor do outro, tudo isso conta para que\u00a0seja poss\u00edvel manter rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis com tantas pessoas. Mais do que isso, a linguagem tamb\u00e9m nos permite uma mem\u00f3ria\u00a0transativa (ou distribu\u00edda), em que\u00a0os\u00a0detalhes das informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o guardados fora de nossa mente. Estas mem\u00f3rias podem residir em\u00a0outras pessoas, em textos ou mesmo <a href=\"http:\/\/www.uvm.edu\/~cmplxsys\/legacy\/newsevents\/pdfs\/2011\/google-effects-on-memory.pdf\">na palma da sua m\u00e3o ao acessar o Google<\/a>.<\/p>\n<p>Caso voc\u00ea, leitor,\u00a0se enquadre nas pessoas que utilizam\u00a0as redes sociais para manter contato com fam\u00edlia e amigos mais pr\u00f3ximos, provavelmente este\u00a0post explica o seu caso.\u00a0Mas se voc\u00ea se enquadra entre os perfis que possuem 2478 contatos, te\u00a0deixo\u00a0uma pergunta.\u00a0<strong>Com quantas destas pessoas voc\u00ea realmente se relaciona com alguma frequ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<h5>Refer\u00eancias<\/h5>\n<p>Se quiser saber um pouco mais sobre o N\u00famero de Dunbar, recomendo este <a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/science\/maria-konnikova\/social-media-affect-math-dunbar-number-friendships\">excelente artigo de Maria Konnikova no New Yorker<\/a>\u00a0ou esta <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/technology\/2010\/mar\/14\/my-bright-idea-robin-dunbar\">entrevista para Aleks Krotoski no The Guardian<\/a>.<\/p>\n<p>Caso queira saber mais sobre Mem\u00f3ria Transativa e o Efeito Google, recomendo <a href=\"http:\/\/www.uvm.edu\/~cmplxsys\/legacy\/newsevents\/pdfs\/2011\/google-effects-on-memory.pdf\">este artigo de Betsi Sparrow<\/a>, da Universidade de Columbia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe title=\"The Invention of Friends (Dunbar&#039;s Number)\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O2qjRG6iV8M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h5><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Quantos amigos voc\u00ea possui nas redes sociais como o Facebook? 100? \u00a0300? 2478? Se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 entusiasta de redes sociais e as utiliza apenas <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/03\/28\/quantos-amigos-voce-tem-nas-redes-sociais\/\" title=\"Quantos amigos voc\u00ea tem nas redes sociais?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":150,"featured_media":623,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[100,99,98,95,96],"class_list":["post-609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-evolucao","tag-memoria-distribuida","tag-memoria-transativa","tag-numero-de-dunbar","tag-redes-sociais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=609"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":987,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/609\/revisions\/987"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}