{"id":768,"date":"2017-11-30T22:07:43","date_gmt":"2017-11-30T22:07:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=768"},"modified":"2017-11-30T22:15:13","modified_gmt":"2017-11-30T22:15:13","slug":"fala-de-crianca-extratos-de-um-diario-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/11\/30\/fala-de-crianca-extratos-de-um-diario-iii\/","title":{"rendered":"Fala de Crian\u00e7a: Extratos de um Di\u00e1rio (III)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Como se d\u00e1 a entrada da crian\u00e7a no universo das conven\u00e7\u00f5es sociais?\u00a0 Alice volta a nos brindar com cenas de seus 2 a 3 anos de idade. S\u00e3o passagens da vida di\u00e1ria que tocam o dom\u00ednio chamado de polidez convencional, permeando a surpreendente rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com a l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Observar a fala da crian\u00e7a ao longo dos primeiros anos de vida, em contexto natural, tem nos feito conhecer \u201cocorr\u00eancias divergentes\u201d (&#8220;erro&#8221; para muitos&#8230;), o que permite apreender os meandros do processo de aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem pela crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tal recorte emp\u00edrico, alimentado pela relativa facilidade em colher ou em receber (de colaboradores) epis\u00f3dios desta natureza<sup>1<\/sup>, exp\u00f5e momentos marcantes da lingua(gem) na inf\u00e2ncia, explorados em estudos que se voltam, em geral, aos aspectos gramaticais da fala da crian\u00e7a: morfologia, l\u00e9xico, sintaxe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o menos importante \u00e9 atentar para os aspectos relacionados ao uso da l\u00edngua, em situa\u00e7\u00f5es nas\u00a0quais importa considerar quem fala, a quem se fala, as expectativas de cada qual no cen\u00e1rio da intera\u00e7\u00e3o; em breve, os diferentes atos de fala que comp\u00f5em o di\u00e1logo crian\u00e7a-adulto em cada situa\u00e7\u00e3o particular.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fazer pedidos, dar ordens, agradecer, elogiar, opinar, advertir, desculpar-se est\u00e3o entre eles. Acompanhar como surgem tais atos entre os pequenos coloca-nos diante de epis\u00f3dios que relevam de um tratamento no interior da pragm\u00e1tica,\u00a0<sup>3<\/sup> e n\u00e3o dispensam o investigador de consider\u00e1-los como material para uma explora\u00e7\u00e3o de aspectos gramaticais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Convidamos o leitor a conhecer alguns extratos de Di\u00e1rio \u2013 pr\u00e1tica do passado mas tamb\u00e9m do presente \u2013 fonte onde se acumulam registros curiosos, divertidos, que s\u00e3o aproveitados pelos pesquisadores da atualidade. S\u00e3o conhecidos como dados aned\u00f3ticos. Aned\u00f3ticos nos dois sentidos que esta palavra tem no dicion\u00e1rio: aned\u00f3ticos porque s\u00e3o epis\u00f3dicos e aned\u00f3ticos porque s\u00e3o engra\u00e7ados, provocando o riso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Folheando o Di\u00e1rio de Alice, protagonista das publica\u00e7\u00f5es anteriores neste Blog (<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2016\/10\/21\/fala-de-crianca-extratos-de-um-diario-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Extratos de um Di\u00e1rio I<\/em><\/a> e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/04\/20\/fala-de-crianca-extratos-de-um-diario-ii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Extratos de um Di\u00e1rio II<\/em>)<\/a>, selecionei quatro ocorr\u00eancias para uma abordagem preliminar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na primeira, Alice (Al, daqui para frente, 2;11.08 de idade), ao entrar numa padaria, faz um elogio \u00e0 m\u00e3e (M, daqui em diante) e surpreende a todos naquele cen\u00e1rio, porque este encerra um predicado que nem sempre d\u00e1 para se fazer em p\u00fablico.<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Observe-se que o t\u00edtulo atribu\u00eddo ao epis\u00f3dio\u00a0pela m\u00e3e-diarista\u00a0 (uma enf\u00e1tica interjei\u00e7\u00e3o), acompanhada de um coment\u00e1rio entre par\u00eanteses, atestam a interdi\u00e7\u00e3o de certos dizeres, socialmente censur\u00e1veis. <sup>4<\/sup> A menos que seja o caso, de uma crian\u00e7a&#8230;<\/p>\n<blockquote><p><strong>EEEEEEEPA!<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1)<\/strong><\/p>\n<p>Na padaria tomando caf\u00e9 da manh\u00e3, Alice diz toda meiga para OS atendentes do balc\u00e3o: &#8220;Ol[h]a a minha mam\u00e3e go[s]tosinha!&#8221;. (eu quase me enfiei debaixo da mesa e o pai desta crian\u00e7a quase teve uma s\u00edncope! kkkkkkk)<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">(2;11.08)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso que temos a extrair do Di\u00e1rio de Alice. Folheando o material que nos legou a m\u00e3e da menina, encontramos no mesmo ambiente, em registro anterior, um di\u00e1logo no qual Alice desfila adjetivos para os pais, come\u00e7ando pela m\u00e3e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/10\/boy-307688_1280.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-284\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/10\/boy-307688_1280.png\" alt=\"\" width=\"193\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/10\/boy-307688_1280.png 962w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/10\/boy-307688_1280-225x300.png 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/10\/boy-307688_1280-768x1022.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2016\/10\/boy-307688_1280-770x1024.png 770w\" sizes=\"(max-width: 193px) 100vw, 193px\" \/><\/a>(2)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Alice, apontando pra mim, diz pra mulher da padaria: &#8220;Minha mam\u00e3e!&#8221;. A mulher da padaria puxa conversa: &#8220;Sua mam\u00e3e? Voc\u00ea acha a sua mam\u00e3e bonita?&#8221;. Alice responde: &#8220;Minha mam\u00e3e \u00e9 linda e meu papai \u00e9 \u2018lindono\u2019!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 kkkk<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">(2;7.15)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Afora o tom deliciosamente espont\u00e2neo da menina, n\u00e3o temos nada a acrescentar sobre &#8220;minha mam\u00e3e \u00e9 linda&#8221;, irrepreens\u00edvel na sua boa forma\u00e7\u00e3o gramatical e no bem-comportado elogio, meigo e carinhoso. Mas\u00a0diante de \u201cmeu papai \u00e9 <em>lindono<\/em>\u201d,\u00a0predica\u00e7\u00e3o que na sequ\u00eancia cabe ao pai, sobra para o linguista\u00a0explorar, na forma\u00e7\u00e3o da palavra <em>lindono<\/em> (que por certo procede de\u00a0<em>lindona<\/em>), um fato gramatical digno de nota. \u00c9 da forma\u00a0<u>feminina<\/u> que se forma na fala de Al a palavra derivada, aplicada ao pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao que parece, contribui para a gra\u00e7a do epis\u00f3dio a surpresa de que se reveste a sequ\u00eancia <em>meu papai \u00e9 lindono<\/em>, produto de uma rela\u00e7\u00e3o que, naquele pronunciamento, cede \u00e0 simetria formal com um termo da cadeia associativa latente (<em>mam\u00e3e lindona\/ papai lindono<\/em>). Com efeito, o deslizamento para <em>lindono<\/em> (em vez de <em>lind\u00e3o<\/em>) n\u00e3o esconde de onde salta a novidade: uma rela\u00e7\u00e3o alimentada <em>in absentia<\/em> com <em>lindona<\/em>. <sup>5<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Passemos a outro registro do Di\u00e1rio de Alice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A menina interage com a m\u00e3e. Nesta ocasi\u00e3o, aos 2;8.4 de idade, ao ouvir uma express\u00e3o menos polida da menina, surge a ocasi\u00e3o de M fazer um reparo ao modo de falar da filha. Um aspecto do uso da linguagem a ser cultivado enquanto norma de polidez convencional, espa\u00e7o onde s\u00e3o benvindas express\u00f5es ou f\u00f3rmulas de uso cristalizado: <em>com<\/em> <em>licen\u00e7a, por favor<\/em> ou modaliza\u00e7\u00f5es como: <em>voc\u00ea poderia fazer X<\/em>?, exercitadas no conv\u00edvio social.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>(3)<\/strong><\/p>\n<p>Alice agachadinha no canto da sala, diz: &#8220;- sai p[r]a l\u00e1, m\u00e3e!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;- Epa! sai pra l\u00e1 n\u00e3o! como \u00e9 que se diz?&#8221;, pergunto eu, confiando na boa educa\u00e7\u00e3o que ela recebeu e esperando um &#8220;d\u00e1 licen\u00e7a&#8221; mais polido.<\/p>\n<p>&#8220;- sai p[r]a l\u00e1 pufav\u00f4!&#8221;<\/p>\n<p>kkkkkkk<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">(2;8.4)<\/p>\n<\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_1082\" aria-describedby=\"caption-attachment-1082\" style=\"width: 787px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/QUADRINHO-2-Recovered.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1082\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/QUADRINHO-2-Recovered.jpg\" alt=\"QUADRINHO EXTRATOS 3\" width=\"787\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/QUADRINHO-2-Recovered.jpg 5076w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/QUADRINHO-2-Recovered-300x115.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/QUADRINHO-2-Recovered-768x294.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/QUADRINHO-2-Recovered-1024x393.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 787px) 100vw, 787px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1082\" class=\"wp-caption-text\">Desenho por Melissa Alachev <sup>6<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al, no epis\u00f3dio (3) acima, transposto em dois quadrinhos,\u00a0faz um pedido ou d\u00e1 uma ordem (hesito quanto \u00e0 natureza de seu ato de fala), mas podemos estar seguros de que sua fala <em>Sai p(r)\u00e1 l\u00e1, m\u00e3e!<\/em> seguiu de forma tal que despertou em M, na sua providencial posi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e, uma advert\u00eancia:<em> Epa! Sai pr\u00e1 l\u00e1 n\u00e3o!<\/em>, acompanhada de uma solicita\u00e7\u00e3o: <em>Como \u00e9 que se diz?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que se passa no turno seguinte de Al mostra um acordo e um desacordo. Como v\u00ea o leitor, a menina mostra-se sens\u00edvel \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o da m\u00e3e. Mas entre o que a m\u00e3e desaprova na fala de Al (o <em>sai p[r]a l\u00e1<\/em>, dirigido a ela, sua interlocutora) e o que ela, a crian\u00e7a, percebe em sua fala como merecedora de reformula\u00e7\u00e3o, existe um ligeiro descompasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al rep\u00f5e exatamente o mesmo enunciado, <em>Sai p[r]a l\u00e1<\/em>, seguido da f\u00f3rmula <em>por favor<\/em>. A express\u00e3o \u201cd\u00e1 licen\u00e7a\u201d daria conta, naquele contexto, de substituir todo o enunciado, com o efeito (desej\u00e1vel) de suavizar o pedido, evitando-se \u201csai\u201d, que soa duro ou pesado. Isto \u00e9 assim apenas para o adulto, pois a menina naquele contexto se limita a acrescentar-lhe o <em>por favor<\/em>, indiferente ao efeito que esta express\u00e3o ao lado de \u201csai\u201d provoca na sua interlocutora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 a ocasi\u00e3o de explorar quest\u00f5es afeitas \u00e0 l\u00edngua e ao discurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante das amostras aqui exibidas, eis algumas perguntas que me ocorrem: o que se corrige na fala da crian\u00e7a? Qual o efeito que a interven\u00e7\u00e3o do adulto tem sobre o dito, ou sobre o dizer, no cen\u00e1rio das trocas verbais do dia-a-dia? (Notemos, entre par\u00eanteses, que M n\u00e3o corrige a filha em nenhuma de suas predica\u00e7\u00f5es em (2); j\u00e1 sobre o dizer, em (1) e em (3) h\u00e1 o que corrigir ou objetar). Outras indaga\u00e7\u00f5es, igualmente relevantes s\u00e3o: \u00a0o que a crian\u00e7a percebe como erro ou como inadequa\u00e7\u00e3o quando \u00e9 corrigida? A corre\u00e7\u00e3o, quando \u00e9 pontual, ser\u00e1 sempre efetiva?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vejamos o que o epis\u00f3dio (4) tem a acrescentar a este respeito. Este foi recolhido em idade mais inicial, aos 2;3.6 de idade de Al, expondo uma cena entre ela e sua cachorrinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Arrependida\u00a0<em>pero no mucho<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_1081\" aria-describedby=\"caption-attachment-1081\" style=\"width: 243px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-1081\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1.jpg\" alt=\"\" width=\"243\" height=\"182\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1-678x509.jpg 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1-326x245.jpg 326w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/Cute_puppy_header1-80x60.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1081\" class=\"wp-caption-text\">Imagem ilustrativa, retirada de <a href=\"http:\/\/www.akc.org\/content\/dog-care\/articles\/cute-dog-names\/\">akc.com<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<blockquote>\n<p style=\"padding-left: 120px;text-align: justify\"><strong>(4)<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;text-align: justify\">(Alice deu de colocar apelido em todo mundo e come\u00e7ou a chamar a cachorra de &#8220;feiosa&#8221; ontem. Disse pra ela parar com aquilo porque a Nina iria ficar triste. Ela se agachou na frente da cachorra e disse em tom arrependido)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;text-align: justify\">&#8220;- Nina, di[s]cu[l]pa! \u00e9 s\u00f3 b[r]incadeira, viu, feiosa!&#8221;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;text-align: justify\">rsrsrs<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;text-align: right\">(2;3.6)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Feiosa<\/em>, endere\u00e7ado \u00e0 cachorrinha Nina, \u00e9 alvo de leve censura feita pela m\u00e3e. De pronto Al se desculpa junto \u00e0 parte &#8220;ofendida&#8221;, dirigindo-se \u00e0 cachorrinha, com a fala <em>Nina, di[s]cu[l]pa! \u00e9 s\u00f3 b[r]incadeira, viu, feiosa!<\/em> num pedido de desculpa. Desculpar-se \u00e9 um ato que sup\u00f5e um voltar atr\u00e1s, numa reconsidera\u00e7\u00e3o do que foi dito. Mas a designa\u00e7\u00e3o \u201cfeiosa\u201d n\u00e3o desaparece da fala da menina. Ali\u00e1s, \u00e9 com ela que Al arremata o pedido de desculpa \u2013 fato que, apreciado por M, a leva a intitular o epis\u00f3dio\u00a0: \u201cArrependida\u00a0<em>pero no mucho&#8221;<\/em> .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao leitor, fica o convite para enriquecer o painel acima com outros achados que contribuam para ampliar a discuss\u00e3o desse dom\u00ednio de investiga\u00e7\u00e3o. Neste universo, linguagem e experi\u00eancia com o trato social transcorrem juntas, ambas em constitui\u00e7\u00e3o; e, n\u00e3o raro, nos fazem sorrir com dados que s\u00e3o de gra\u00e7a.\u00a0<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>NOTAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. \u00c9 o caso da m\u00e3e de Alice, Daniela Marini-Iwamoto, de quem recebi um volume que perfaz 4 anos de registros. Meu\u00a0 profundo agradecimento a ambas, Daniela e Alice. Na apresenta\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o dos dados, nesta e em outras edi\u00e7\u00f5es do Blog, tenho conservado os crit\u00e9rios notacionais de Daniela, bem como os t\u00edtulos atribu\u00eddos a cada epis\u00f3dio. Neles se faz presente a marca que a fala da crian\u00e7a produziu sobre a observadora e\/ou sobre os circundantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2. Consulte-se o cap\u00edtulo \u201cDo things with language\u201d, do livro <em>First Language Acquisition<\/em>, Eve Clark 2009, Cambridge University Press.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3. Os dados se inscrevem na tem\u00e1tica \u201c(in)flexibilidade pragm\u00e1tica\u201d, que juntas desenvolvemos, Cecilia Rojas Nieto (Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico),\u00a0 e eu (UNICAMP),\u00a0 no interior de <em>Proyecto 10<\/em> <em>Estudio de la Adquisici\u00f3n del Lenguaje<\/em>, no XVIII Congresso Internacional da ALFAL (julho de 2017, Col\u00f4mbia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4. Real\u00e7ado com mai\u00fasculas, o artigo OS chama a aten\u00e7\u00e3o do leitor: os atendentes do balc\u00e3o eram homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5. No dito da crian\u00e7a um ind\u00edcio das for\u00e7as que atuam no mecanismo lingu\u00edstico, convocando as ideias de Saussure para explicar o movimento (at\u00e9 certo ponto imprevis\u00edvel) da l\u00edngua na fala da crian\u00e7a (Figueira 2015, \u201cA Analogia: seu lugar na trajet\u00f3ria lingu\u00edstica de cada crian\u00e7a.\u201d <em>In<\/em> Da Hora, Dermeval e alii, <em>ALFAL 50 anos: contribui\u00e7\u00f5es<\/em> <em>para os estudos lingu\u00edsticos e filol\u00f3gicos<\/em>. Jo\u00e3o Pessoa: Ideia. 1773-1816). Tal dado vem se somar aos demais analisados dentro do projeto \u201cEm torno da analogia: a contribui\u00e7\u00e3o de Saussure para a an\u00e1lise da fala da crian\u00e7a\u201d, apoiado pelo CNPq (2014-2018), institui\u00e7\u00e3o \u00e0 qual endere\u00e7amos nossos agradecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">6. Agrade\u00e7o a Melissa Alachev, que desenhou o quadrinho acima. Nele acrescentamos o di\u00e1logo entre M e Al.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">7. Figueira 2007, \u201cHumor and language acquisition: anecdotal data and their route in the history of language acquisition studies\u201d, <em>in<\/em>: Guimar\u00e3es, E. &amp; Barros, D. P. (org.), <em>History of Linguistics<\/em> 2002. Benjamins Publishing Ed., 157-167.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Como se d\u00e1 a entrada da crian\u00e7a no universo das conven\u00e7\u00f5es sociais?\u00a0 Alice volta a nos brindar com cenas de seus 2 a 3 anos <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/11\/30\/fala-de-crianca-extratos-de-um-diario-iii\/\" title=\"Fala de Crian\u00e7a: Extratos de um Di\u00e1rio (III)\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":187,"featured_media":1088,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[36,7,1],"tags":[179,180,181,38,178],"class_list":["post-768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aquisicao-de-linguagem","category-linguagem-e-sociedade","category-sem-categoria","tag-atos-de-fala","tag-dado-anedotico","tag-efeito-comico","tag-lingua-materna","tag-pragmatica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/11\/QUADRINHO-2-RECORTE.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/187"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=768"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1087,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768\/revisions\/1087"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}