{"id":816,"date":"2017-08-16T03:41:27","date_gmt":"2017-08-16T03:41:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/?p=816"},"modified":"2018-06-04T20:52:52","modified_gmt":"2018-06-04T20:52:52","slug":"argumentar-na-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/08\/16\/argumentar-na-rede\/","title":{"rendered":"Argumentar na rede"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/so-que-nao.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-820\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/so-que-nao-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/so-que-nao-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/so-que-nao-326x245.jpg 326w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/so-que-nao-80x60.jpg 80w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/so-que-nao.jpg 452w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um fato de linguagem t\u00e3o presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua for\u00e7a. Est\u00e1 nas mais diversas rela\u00e7\u00f5es cotidianas: em conversas entre amigos, familiares, desconhecidos. Nas reclama\u00e7\u00f5es de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento. Nas estrat\u00e9gias para conseguir agendar uma consulta m\u00e9dica. Na discuss\u00e3o sobre uma nota com um professor ou de um pre\u00e7o com um vendedor. Ou mesmo em situa\u00e7\u00f5es mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<p>Argumentar \u00e9 uma pr\u00e1tica de linguagem que envolve uma rela\u00e7\u00e3o entre os interlocutores e com a situa\u00e7\u00e3o do dizer. Argumentamos a partir do j\u00e1-dito. Ou seja, dos sentidos j\u00e1 produzidos socialmente na hist\u00f3ria e presentes como\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/my_keywords\/memoria-discursiva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mem\u00f3ria discursiva<\/a>. E ao argumentar estabelecemos uma rela\u00e7\u00e3o particular com o <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/my_keywords\/silencio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o-dito e com o sil\u00eancio<\/a>.\u00a0 A l\u00edngua (mas precisamente as l\u00ednguas, nas suas diversas formas de organiza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre sons e sentidos) fornece a base material para essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Argumentamos por meio de palavras (<em>casebre, mans\u00e3o, pouco, um pouco, muito<\/em> e muitas outras presentes no l\u00e9xico da l\u00edngua). Sufixos e prefixos tamb\u00e9m participam na argumenta\u00e7\u00e3o (<em>contradiscurso, antibelicista, pseudo-intelectual<\/em>), assim como diminutivos e aumentativos (<em>carr\u00e3o, favorzinho, mulherzinha, garot\u00e3o<\/em>). Temos ainda locu\u00e7\u00f5es adverbiais (<em>mesmo que, s\u00f3 que, apesar de, tanto quanto, <\/em>por exemplo) e frases idiom\u00e1ticas (<em>descascar um abacaxi, enfiar o p\u00e9 na jaca). <\/em>E ainda h\u00e1 interjec\u00e7\u00f5es com valor argumentativo (<em>vixe!, credo!). <\/em>\u00a0 Argumentamos tamb\u00e9m por meio da forma de constru\u00e7\u00e3o dos enunciados (a ordem das palavras na frase, constru\u00e7\u00f5es passivas ou ativas,\u00a0 elipses, etc). As diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto t\u00eam valor argumentativo. Algumas palavras, como as conjun\u00e7\u00f5es (<em>portanto, por\u00e9m, <\/em>entre outras) explicitam o tipo de rela\u00e7\u00e3o argumentativa presente no encadeamento.<\/p>\n<p>Assim, a forma espec\u00edfica como os enunciados est\u00e3o formulados afetam a interpreta\u00e7\u00e3o, orientando o sentido produzido em uma determinada dire\u00e7\u00e3o. Mas toda pr\u00e1tica de linguagem \u00e9 produzida por falantes constitu\u00eddos enquanto tais em um tempo e um espa\u00e7o espec\u00edficos. Todo dizer \u00e9 assim determinado pelos processos hist\u00f3ricos e pelos\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/my_keywords\/espaco-de-enunciacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espa\u00e7os de enuncia\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0 nos quais \u00e9 produzido. E isso afeta constitutivamente a argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas novas tecnologias de linguagem, a argumenta\u00e7\u00e3o ganha contornos diferenciados, por meio de funcionamentos pr\u00f3prios do digital, como <em>hashtags, memes, gifs,<\/em> v\u00eddeos. Algumas express\u00f5es surgidas na rede atravessam suas fronteiras e s\u00e3o incorporadas na oralidade pelos falantes em suas trocas linguageiras.<\/p>\n<p>A Lingu\u00edstica estuda essas quest\u00f5es e reflete sobre os diversos modos de argumentar ao longo do tempo e em diversos espa\u00e7os de enuncia\u00e7\u00e3o. Quest\u00f5es sem\u00e2nticas e discursivas devem ser abordadas para compreender melhor o funcionamento da argumenta\u00e7\u00e3o nos dias atuais e para ponderar seus efeitos nas pr\u00e1ticas de linguagem na sociedade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/t\u00e1-serto-4.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1240 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/t\u00e1-serto-4.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"286\" \/><\/a><\/p>\n<p>Recentemente, o jornal digital <em>NEXO\u00a0<\/em>publicou uma mat\u00e9ria sobre os modos de argumentar nas redes digitais e os recursos usados pelos internautas para orientar a interpreta\u00e7\u00e3o de enunciados ir\u00f4nicos. O jornal divulga com essa reportagem os resultados de uma pesquisa realizada por docentes do Departamento de Lingu\u00edstica da Unicamp. O artigo cient\u00edfico, que desenvolve uma reflex\u00e3o sobre a emerg\u00eancia e a estabiliza\u00e7\u00e3o de locu\u00e7\u00f5es com valor argumentativo no formato de hashtags e memes, pode ser lido <a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/linhadagua\/article\/view\/120001\/120196\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui.<\/a><\/p>\n<p>Confira a mat\u00e9ria:<\/p>\n<div>\n<h4><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2016\/12\/20\/Como-as-express%C3%B5es-%E2%80%98sqn%E2%80%99-e-%E2%80%98t%C3%A1-serto%E2%80%99-ajudam-a-entender-uma-ironia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><span style=\"color: #0000ff\">&#8220;Como as express\u00f5es \u2018sqn\u2019 e \u2018t\u00e1 serto\u2019 ajudam a entender uma ironia&#8221;<\/span> <\/em><\/a><\/h4>\n<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um fato de linguagem t\u00e3o presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua for\u00e7a. Est\u00e1 nas mais diversas rela\u00e7\u00f5es <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/2017\/08\/16\/argumentar-na-rede\/\" title=\"Argumentar na rede\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":29,"featured_media":818,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[47,102,7,10],"tags":[155,159,158,157,156,154],"class_list":["post-816","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-linguagem-e-historia","category-linguagem-e-midia","category-linguagem-e-sociedade","category-linguagem-e-tecnologia","tag-argumentacao","tag-enunciacao","tag-hashtags","tag-memes","tag-novas-tecnologias-de-linguagem","tag-subjetividade"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2017\/08\/memefala-serio.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=816"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/816\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1243,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/816\/revisions\/1243"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}