{"id":118,"date":"2017-04-20T16:32:31","date_gmt":"2017-04-20T19:32:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=118"},"modified":"2017-06-14T16:34:28","modified_gmt":"2017-06-14T19:34:28","slug":"traducao-de-textos-literarios-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2017\/04\/20\/traducao-de-textos-literarios-parte-1\/","title":{"rendered":"A tradu\u00e7\u00e3o de textos liter\u00e1rios &#8211; parte 1"},"content":{"rendered":"<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Quando iniciamos\u00a0a leitura de um livro em portugu\u00eas, isto \u00e9, no nosso pr\u00f3prio idioma, somos muitas vezes levados a acreditar que aquelas palavras foram concebidas daquela forma pelo autor. Muitos tradutores realizam um trabalho t\u00e3o bom com as obras originais, que praticamente se apagam durante a nossa leitura, sendo eventualmente esquecidos pelos leitores. Por\u00e9m, nos estudos liter\u00e1rios, h\u00e1 v\u00e1rios campos de pesquisa que se dedicam a desnaturalizar os processos de tradu\u00e7\u00e3o e a compreender os m\u00e9todos e as teorias que embasam esse trabalho.<\/p>\n<p>O assunto \u00e9 vasto,\u00a0ent\u00e3o\u00a0vamos pegar um gancho em um livro de 1964,\u00a0<em>Paris \u00e9 uma festa<\/em>\u00a0(que, vejam s\u00f3, foi publicado originalmente em ingl\u00eas como <em>A Moveable Feast<\/em>), de Ernest Hemingway. Em uma conversa ocorrida por volta dos anos 1920, o escritor estadunidense\u00a0comenta com seu amigo Evan Shipman sobre a leitura que est\u00e1 fazendo de um dos maiores escritores russos de todos os tempos, Fi\u00f3dor Dostoi\u00e9vski:<\/p>\n<p>&#8221; &#8212; Tenho meditado muito sobre Dostoi\u00e9vski ultimamente \u2013 disse eu. \u2013 Como \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m escrever t\u00e3o mal, t\u00e3o incrivelmente mal, e ainda assim comunicar tanta emo\u00e7\u00e3o a quem o l\u00ea?<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o c<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-119\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/04\/A-Moveable-Feast-204x300.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/04\/A-Moveable-Feast-204x300.jpg 204w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/04\/A-Moveable-Feast.jpg 441w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/>reio que seja culpa da tradutora \u2013 respondeu Evan. \u2013 Constance Garnett nos d\u00e1 um Tolst\u00f3i bem leg\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 verdade. Tentei ler <em>Guerra e paz<\/em> n\u00e3o sei quantas vezes, at\u00e9 encontrar uma tradu\u00e7\u00e3o de Constance.<\/p>\n<p>&#8212; H\u00e1 quem diga que ainda poderia ser melhor \u2013 disse Evan \u2013 e acredito que sim, embora n\u00e3o conhe\u00e7a russo, para opinar com seguran\u00e7a. Mas n\u00f3s dois conhecemos muito bem esse neg\u00f3cio de tradu\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ela trabalhou direito. \u00c9 um romance fenomenal, talvez o melhor de todos os romances, penso eu. T\u00e3o bom que \u00e9 poss\u00edvel rel\u00ea-lo v\u00e1rias vezes.&#8221;<\/p>\n<p>(<em>Paris \u00e9 uma festa.<\/em> Trad. \u00canio Silveira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013).<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem\">Quem poderia conhecer a l\u00edngua russa o bastante para ler um livro de Dostoi\u00e9vski no original? Sabemos que a\u00a0grande maioria dos leitores, assim como o pr\u00f3prio Hemingway, precisa recorrer a tradu\u00e7\u00f5es, o que demonstra a import\u00e2ncia que elas\u00a0t\u00eam na circula\u00e7\u00e3o de obras liter\u00e1rias escritas em l\u00ednguas estrangeiras. E se hoje em dia \u00e9 assim, mesmo na era da globaliza\u00e7\u00e3o e de facilidades como Google Translator, imaginem no come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Por isso, o tradutor \u00e9 um grande mediador entre a obra original e seu leitor. E \u00e9 gra\u00e7as ao seu trabalho\u00a0que podemos ter acesso a tantos livros.<\/span><\/p>\n<p><strong>QUANTAS L\u00cdNGUAS UM TRADUTOR PRECISA FALAR?<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho de um tradutor n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. Al\u00e9m de ler e reler, na l\u00edngua original, a obra que ser\u00e1 traduzida, ele ainda precisa ter total dom\u00ednio da segunda l\u00edngua para conseguir escrev\u00ea-la nesse\u00a0outro idioma. Ou seja, ele precisa conhecer muito bem, no m\u00ednimo, duas l\u00ednguas. Por\u00e9m, h\u00e1 muitos que n\u00e3o param por a\u00ed, e conseguem traduzir para portugu\u00eas, por exemplo, mais de uma l\u00edngua rom\u00e2nica\u00a0(por exemplo, espanhol, italiano, franc\u00eas).<\/p>\n<p>\u00c9 curioso, entretanto, como cada tradutor se identifica com as l\u00ednguas estrangeiras que ir\u00e1 traduzir e acaba por se reconhecer como tradutor. Existem v\u00e1rias hist\u00f3rias como a da<img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-120 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/04\/Constance-Garnett.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"276\" \/>\u00a0tradutora Constance Garnett, que possibilitou a\u00a0Hemingway\u00a0e a muitas outras pessoas que lessem os autores russos em ingl\u00eas. Ela foi uma das principais respons\u00e1veis pela difus\u00e3o mundial das obras russas do s\u00e9culo XIX, mas ela n\u00e3o falava\u00a0russo at\u00e9 come\u00e7ar a traduzir as primeiras obras! Foi gra\u00e7as \u00e0s suas tradu\u00e7\u00f5es que p\u00f4de aprender o novo idioma. Segundo um artigo da revista italiana Studio, Garnett aprendeu o idioma sozinha e traduziu cerca de 70 volumes. At\u00e9 hoje, continua a ser uma refer\u00eancia para as tradu\u00e7\u00f5es posteriores.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 muito que conversar\u00a0sobre esse assunto&#8230; J\u00e1 parou para pensar em quem traduziu o \u00faltimo livro estrangeiro que voc\u00ea leu? D\u00ea uma olhada nas informa\u00e7\u00f5es que ficam\u00a0nas primeiras p\u00e1ginas dos livros, pois muitas vezes o nome do tradutor n\u00e3o aparece na capa. E ser\u00e1 que deveria?<\/p>\n<p>Comentem e continuemos a falar sobre tradu\u00e7\u00e3o em um novo post!<\/p>\n<p>Link para o artigo da Rivista Studio (em italiano): <a href=\"http:\/\/www.rivistastudio.com\/cose-che-succedono\/prima-traduttrice-tolstoj-e-dostoevskij-non-parlava-russo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.rivistastudio.com\/cose-che-succedono\/prima-traduttrice-tolstoj-e-dostoevskij-non-parlava-russo\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O Quando iniciamos\u00a0a leitura de um livro em portugu\u00eas, isto \u00e9, no nosso pr\u00f3prio idioma, somos muitas vezes levados a acreditar que aquelas palavras foram concebidas daquela forma pelo autor. Muitos tradutores realizam um trabalho t\u00e3o bom com as obras originais, que praticamente se apagam durante a nossa leitura, sendo eventualmente esquecidos pelos leitores. Por\u00e9m, &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2017\/04\/20\/traducao-de-textos-literarios-parte-1\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A tradu\u00e7\u00e3o de textos liter\u00e1rios &#8211; parte 1&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20,19,18],"tags":[],"class_list":["post-118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mulheres-na-literatura","category-teoria-literaria","category-traducao"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":135,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118\/revisions\/135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}