{"id":144,"date":"2017-06-24T15:16:20","date_gmt":"2017-06-24T18:16:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=144"},"modified":"2017-07-05T11:28:04","modified_gmt":"2017-07-05T14:28:04","slug":"machado-de-assis-em-espanhol-por-juliana-gimenes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2017\/06\/24\/machado-de-assis-em-espanhol-por-juliana-gimenes\/","title":{"rendered":"Machado de Assis em espanhol, por Juliana Gimenes"},"content":{"rendered":"<p>Na semana de anivers\u00e1rio de Machado de Assis, vamos falar sobre um dos maiores escritores brasileiros e retomar a quest\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Para essa tarefa, convidei a doutoranda Juliana Gimenes para contar um pouco sobre suas pesquisas. A autora \u00e9 formada em Lingu\u00edstica e em Letras pela Unicamp. Em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado (\u201c\u2018Voc\u00ea j\u00e1 reparou nos olhos dela?\u2019 \u2013 met\u00e1foras do olhar em duas tradu\u00e7\u00f5es de Dom Casmurro para o espanhol\u201d), concentrou-se na tradu\u00e7\u00e3o dos famosos \u201colhos de ressaca\u201d nas duas mais recentes tradu\u00e7\u00f5es do romance para o espanhol. Agora, no doutorado tamb\u00e9m pela Unicamp, est\u00e1 estudando a tradu\u00e7\u00e3o para espanhol das personagens femininas de Machado de Assis.<\/p>\n<p><strong>Machado de Assis em espanhol<\/strong><\/p>\n<p><em>Juliana Gimenes<\/em><\/p>\n<p>Na semana em que Machado de Assis comemoria seu 178\u00ba anivers\u00e1rio, fui convidada a escrever sobre suas tradu\u00e7\u00f5es para o espanhol. Coincid\u00eancia? <a href=\"http:\/\/www.releituras.com\/machadodeassis_cartomante.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;H\u00e1 mais cousas no c\u00e9u e na terra do que sonha a filosofia&#8230;&#8221;.\u00a0<\/a>Sua obra, imortalizada nos romances, nos contos, nos poemas, entre outros g\u00eaneros, viajou o mundo todo gra\u00e7as \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es. Ironicamente, em vida Machado nunca saiu do Brasil, mas sua obra ganhou o mundo em diferentes l\u00ednguas: s\u00e3o mais de 99 tradu\u00e7\u00f5es, segundo o <em><a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/xtrans\/bsresult.aspx?a=Machado+de+Assis&amp;stxt=&amp;sl=&amp;l=&amp;c=&amp;pla=&amp;pub=&amp;tr=&amp;e=&amp;udc=&amp;d=&amp;from=&amp;to=&amp;tie=a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Index Translation<\/a><\/em>, banco de dados da UNESCO.<\/p>\n<figure id=\"attachment_146\" aria-describedby=\"caption-attachment-146\" style=\"width: 231px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-146\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/Machado_25_anos-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/Machado_25_anos-231x300.jpg 231w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/Machado_25_anos-768x997.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/Machado_25_anos-788x1024.jpg 788w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/Machado_25_anos.jpg 981w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-146\" class=\"wp-caption-text\">Machado de Assis aos 25 anos<\/figcaption><\/figure>\n<p>E a hist\u00f3ria dessas tradu\u00e7\u00f5es vale a pena contar. Quando escrevia seus textos, Machado os enviava a seu editor F. H. Garnier, na Fran\u00e7a. S\u00f3 depois de impressos, seus livros eram trazidos de volta ao Brasil. Em cartas com o editor, o escritor brasileiro teria pedido autoriza\u00e7\u00e3o para que, em 1899, um de seus textos fosse traduzido para o alem\u00e3o, mas Garnier n\u00e3o autorizou. Em 1901, houve novamente outra tentativa de tradu\u00e7\u00e3o, desta vez para o franc\u00eas, do livro <em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>. Mais uma vez, por\u00e9m, o pedido foi negado. Na vis\u00e3o de Machado, as tradu\u00e7\u00f5es poderiam ser uma porta de entrada para um mundo t\u00e3o diferente do seu. Na vis\u00e3o do editor, por\u00e9m, havia a ideia de que os admiradores preferem ler as obras na l\u00edngua materna do escritor.<\/p>\n<p>Sabemos que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Fa\u00e7a um teste r\u00e1pido: veja quantos dos seus livros s\u00e3o traduzidos e quantos n\u00e3o. Quanta coisa boa voc\u00ea n\u00e3o teria perdido se n\u00e3o fossem as tradu\u00e7\u00f5es para o portugu\u00eas?<\/p>\n<p>Infelizmente, durante sua vida, Machado de Assis teve acesso a apenas duas tradu\u00e7\u00f5es de dois de seus romances, ambas para o espanhol: <em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em> (1902, do tradutor uruguaio Julio Piquet) e <em>Esa\u00fa e Jac\u00f3<\/em> (1905, tradu\u00e7\u00e3o argentina). O caso de <em>Esa\u00fa e Jac\u00f3 <\/em>\u00e9 bem peculiar: o jornal argentino <em>La Naci\u00f3n<\/em> distribuiu a tradu\u00e7\u00e3o do romance brasileiro como brinde a seus leitores. A tradu\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o trazia o nome do tradutor.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo em que Garnier foi editor de Machado, mesmo depois da morte do autor, houve um baixo interesse por tradu\u00e7\u00f5es. Na d\u00e9cada de 1940, por\u00e9m, ocorre a venda dos direitos autorais para o editor argentino W. M. Jackson, e com isso Buenos Aires d\u00e1 novos ares \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es machadianas.<\/p>\n<p>Embora as tradu\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenham ocorrido de um modo sistem\u00e1tico e constante, timidamente elas foram ocupando espa\u00e7o no mercado editorial latino americano. Enquanto dois dos romances, <em>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>Iai\u00e1 Garcia<\/em>, n\u00e3o foram traduzidos para o espanhol, alguns contos, como <em>O Alienista<\/em>, <em>Missa do Galo<\/em>, <em>A causa secreta<\/em>, <em>A cartomante<\/em>, tornaram-se cl\u00e1ssicos em l\u00edngua espanhola e t\u00eam v\u00e1rias tradu\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 uma sistematicidade de tradutores, ou seja, muitos tradutores traduziram um ou, no m\u00e1ximo, dois textos de Machado. E outro dado que n\u00e3o pode ser deixado de lado \u00e9 o fato de o governo brasileiro, em muitos casos, financiar a tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua espanhola, visando promover um interc\u00e2mbio cultural.<\/p>\n<figure id=\"attachment_145\" aria-describedby=\"caption-attachment-145\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-145\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/912-Dom_Casmurro-500x500-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/912-Dom_Casmurro-500x500-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/912-Dom_Casmurro-500x500-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/912-Dom_Casmurro-500x500-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2017\/06\/912-Dom_Casmurro-500x500.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-145\" class=\"wp-caption-text\">Capa da tradu\u00e7\u00e3o mais recente de Dom Casmurro para espanhol, de 2008<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sobre esse assunto, dois estudiosos s\u00e3o fundamentais para entender um pouco mais sobre as tradu\u00e7\u00f5es machadianas: Pablo Soto e Carlos Dom\u00ednguez. Para Soto, a avalia\u00e7\u00e3o que se pode fazer do n\u00famero de tradu\u00e7\u00f5es \u00e9 positiva, pois demonstra o interesse cont\u00ednuo do mundo hisp\u00e2nico por nosso escritor. Dom\u00ednguez, por sua vez, traz um contraponto importante: talvez Machado de Assis seja muito lido em espanhol, mas apenas por especialistas e em ambientes acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>Considerarmos que essa baixa circula\u00e7\u00e3o de textos de Machado de Assis em l\u00edngua espanhola \u00e9, sem d\u00favida, uma grande ironia para o mestre da ironia, que sempre quis ser popular e adorava ser lido.<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p><strong>Dicas de leitura:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Traducciones de Machado de Assis al Espa\u00f1ol&#8221;, de Pablo Cardellino Soto (GUERINI, A. <em>et al<\/em>. (Orgs.). <strong>Machado de Assis: <\/strong>tradutor e traduzido. Florian\u00f3polis: Ed. Copiart, 2012, p. 129-159).<\/p>\n<p>&#8220;Andanzas p\u00f3stumas: Machado de Assis en espa\u00f1ol&#8221;, de Carlos Espinosa Dom\u00ednguez (<strong>Caracol<\/strong>, n\u00b01, p. 64-85, 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/caracol\/article\/view\/57638\">http:\/\/www.revistas.usp.br\/caracol\/article\/view\/57638<\/a>&gt;)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana de anivers\u00e1rio de Machado de Assis, vamos falar sobre um dos maiores escritores brasileiros e retomar a quest\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Para essa tarefa, convidei a doutoranda Juliana Gimenes para contar um pouco sobre suas pesquisas. A autora \u00e9 formada em Lingu\u00edstica e em Letras pela Unicamp. 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