{"id":235,"date":"2018-07-10T19:33:14","date_gmt":"2018-07-10T22:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=235"},"modified":"2018-07-10T20:39:50","modified_gmt":"2018-07-10T23:39:50","slug":"para-que-serve-a-literatura-por-mario-barenghi-traducao-claudia-alves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2018\/07\/10\/para-que-serve-a-literatura-por-mario-barenghi-traducao-claudia-alves\/","title":{"rendered":"Para que serve a literatura?, por Mario Barenghi (tradu\u00e7\u00e3o Cl\u00e1udia Alves)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para que serve a literatura?*<\/strong><\/p>\n<p><em>Mario Barenghi\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A meu ver, questionar-se sobre \u201co que \u00e9 literatura?\u201d ou \u201co que \u00e9 um texto liter\u00e1rio?\u201d, como Giovanni Bottiroli<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> fez, n\u00e3o \u00e9 a maneira mais adequada de <strong>encarar o problema do ensino de literatura <\/strong>na universidade, muito menos na escola. A quest\u00e3o colocada n\u00e3o deveria ser ontol\u00f3gica, mas sim funcional. Vale interrogar-se sobre o <em>escopo<\/em> da literatura, o que quer que isso seja: sobre sua raz\u00e3o de ser. <strong>Para que serve? Para que n\u00f3s a usamos? Com quais motiva\u00e7\u00f5es? E com quais objetivos e vantagens?<\/strong> Tendo que dar uma defini\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, tomo emprestada a f\u00f3rmula que o linguista israelense Daniel Dor<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> usa para definir a linguagem.<\/p>\n<p>A literatura \u00e9 uma t\u00e9cnica de <strong>\u201cinstru\u00e7\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, que n\u00e3o serve simplesmente para \u201ccomunicar\u201d, mas <strong>para fazer viver experi\u00eancias simuladas<\/strong>. Por meio de uma pr\u00e1tica de simula\u00e7\u00e3o socialmente compartilhada (portanto, diferente da fantasia individual), <strong>o leitor tem a possibilidade de ampliar sua pr\u00f3pria complexa experi\u00eancia existencial<\/strong>: de clare\u00e1-la e de enriquec\u00ea-la, de articul\u00e1-la e de ampli\u00e1-la, adquirindo assim novos instrumentos para enfrentar os desafios da vida real.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podemos formular essa ideia em termos moralmente mais comprometidos. <strong>O final das obras liter\u00e1rias deveria servir para nos ajudar a viver.<\/strong> <em>Servem para viver<\/em>: assim soa o t\u00edtulo de um ensaio inteligente de Bruno Falcetto (subt\u00edtulo: <em>Por uma educa\u00e7\u00e3o com uso de literatura<\/em>)<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><em><strong>[3]<\/strong><\/em><\/a>. <strong>Para viver, ou para sobreviver, ou para nos fazer viver melhor<\/strong>, como escreveu Tzvetan Todorov em um livro de 2007, <em>A literatura em perigo<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em>; e como reiterou Antoine Compagnon, no mesmo ano, em sua aula inaugural ao Coll\u00e8ge de France, <em>Literatura para qu\u00ea?<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em>, <strong>a literatura serve para nos fazer mais felizes. Ou menos infelizes.<\/strong> E <strong>para nos fazer melhores<\/strong>: mais s\u00e1bios, mais conscientes, mais sens\u00edveis, mais perspicazes (aqui, Compagnon cita uma c\u00e9lebre passagem do ensaio \u201cO miolo do Le\u00e3o\u201d, de Calvino); em geral, mais preparados para interpretar o mundo que nos circunda, o mundo humano <em>in primis<\/em>. Como consequ\u00eancia, melhor inseridos no ambiente que nos \u00e9 pr\u00f3prio: <strong>mais h\u00e1beis em compreender nossos semelhantes, suas a\u00e7\u00f5es e suas atitudes<\/strong>, assim como as din\u00e2micas das rela\u00e7\u00f5es que nos ligam a eles; mais preparados para <strong>compreender o sentido e o peso das palavras, nossas e dos outros<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas aten\u00e7\u00e3o: <strong>a literatura n\u00e3o produz esses efeitos de maneira autom\u00e1tica<\/strong>. Pelo contr\u00e1rio, pode acontecer que ela n\u00e3o os produza de maneira nenhuma. N\u00e3o apenas e nem tanto porque, al\u00e9m da grande literatura, exista tamb\u00e9m a literatura ruim, mas sobretudo porque (o caso dos textos sagrados ensina) <strong>n\u00e3o existe livro bom de que n\u00e3o se possa fazer mau uso<\/strong>, do mesmo jeito que n\u00e3o existe utens\u00edlio (ferramenta, equipamento, compet\u00eancia ou conhecimento) de que n\u00e3o possam se aproveitar os \u201cest\u00fapidos\u201d e os \u201cbandidos\u201d, para usar duas categorias de Cipolla, de <em>Allegro ma non troppo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em>. Podemos nos consolar, talvez, ao pensar que o contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro: de um livro med\u00edocre pode se fazer um uso positivo. Fato \u00e9 que <strong>o ensino de literatura deveria seguir esse escopo: aumentar as possibilidades de que, na experi\u00eancia liter\u00e1ria dos alunos, os efeitos considerados prof\u00edcuos, desej\u00e1veis, esperados prevale\u00e7am aos considerados negativos.<\/strong> (&#8230;)<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-236 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/07\/book-hobby-learning-5821-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/07\/book-hobby-learning-5821-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/07\/book-hobby-learning-5821-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/07\/book-hobby-learning-5821-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Pode-se ensinar literatura? Nisso Bottiroli tem raz\u00e3o: \u201c<strong>o que um professor de Letras pode fazer \u00e9 <em>criar condi\u00e7\u00f5es para que seja poss\u00edvel uma experi\u00eancia est\u00e9tica<\/em>. N\u00e3o pode imp\u00f4-la, mas pode favorec\u00ea-la<\/strong>\u201d. E tem tamb\u00e9m raz\u00e3o ao sustentar que o professor n\u00e3o deve criar obst\u00e1culos. Eu diria, mais drasticamente, que deveria evitar criar danos: <em>primum non nocere<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em>, de acordo com o aviso dourado da Escola M\u00e9dica Salernitana. Concordo menos quando Bottiroli coloca em oposi\u00e7\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o dada aos \u201ctextos\u201d e a aten\u00e7\u00e3o dada aos \u201ccontextos\u201d, denunciando as consequ\u00eancias nefastas do \u201ccontextualismo\u201d (\u201co contextualismo mata a literatura\u201d). Com certeza, <strong>tratar um texto da mesma forma que um simples documento de qualquer outra coisa, reduzindo-o a um suporte para investiga\u00e7\u00f5es de ordem hist\u00f3rica, psicol\u00f3gica, social, \u201ccultural\u201d, significa sufoc\u00e1-lo<\/strong>. Danos n\u00e3o menos graves, todavia, foram produzidos \u2013 principalmente na escola, at\u00e9 onde sei \u2013 pelo <strong>abuso de no\u00e7\u00f5es e grades elaboradas pela teoria liter\u00e1ria<\/strong>. N\u00e3o se l\u00ea um romance para aprender o que significam as palavras \u201cprolepse\u201d e \u201canalepse\u201d.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 matando a literatura, na minha opini\u00e3o, \u00e9 a <strong>indiferen\u00e7a nos enfrentamentos por parte dos leitores<\/strong>. Eu n\u00e3o diferenciaria tanto \u201cartefato\u201d e \u201cobjeto virtual\u201d (termos com os quais Bottiroli se refere ao \u201cconjunto das interpreta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis\u201d), mas sim \u201ctexto\u201d e \u201cobra\u201d, onde obra \u00e9 o texto concretamente reativado pela leitura: <em>executado<\/em> \u2013 no sentido musical da palavra<em> \u2013 <\/em>por um leitor ou por uma comunidade de leitores. Franco Brioschi cita v\u00e1rias vezes \u2013 por exemplo, no pref\u00e1cio a <em>Gli immediati dintorni: primi e secondi<\/em>, de Vittorio Sereni<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><em><strong>[8]<\/strong><\/em><\/a> \u2013 o epigrama citado por Poss\u00eddio no final de sua biografia de Santo Agostinho. A inten\u00e7\u00e3o do poeta latino era celebrar a fun\u00e7\u00e3o eternizante da poesia, mas esses dois versos servem bem para representar a reativa\u00e7\u00e3o do texto e da obra pelo leitor: <em>Vivere post obitum vatem vis nosse, viator? Quod legis, ecce loquor; vox tua nempe mea est <\/em>(\u201cQueres saber, viajante, se o poeta vive ap\u00f3s a morte? Tu l\u00eas, e ent\u00e3o eu digo: a tua voz \u00e9 a minha\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>). <strong>A poesia revive, ou antes, vive literalmente na leitura.<\/strong> Ora, se a literatura conta enquanto simula\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, n\u00e3o se pode ignorar o fato de que <strong>cada experi\u00eancia \u00e9 contextual<\/strong>. Dito de outra maneira, quem ensina, ensina sempre a algu\u00e9m: e <strong>qualquer um dos sujeitos implicados leva consigo um conjunto de contextos que n\u00e3o podem ser desconsiderados<\/strong> (ainda que seja obviamente necess\u00e1rio olhar com cuidado os devaneios impressionistas). (&#8230;)<\/p>\n<p>Concluo. Talvez fosse poss\u00edvel considerar que uma certa familiaridade generalizada com a experi\u00eancia liter\u00e1ria se cumprisse na universidade de um tempo atr\u00e1s. Os estudantes, pelo menos na Faculdade de Letras, nutriam um interesse consistente pela literatura: se n\u00e3o por todos os autores do nosso c\u00e2none hist\u00f3rico-liter\u00e1rio, ao menos por muitos cl\u00e1ssicos da modernidade. N\u00e3o sei se essas circunst\u00e2ncias se reproduzem hoje em alguma ilha privilegiada do arquip\u00e9lago acad\u00eamico. Pessoalmente, dou aula em cursos de gradua\u00e7\u00e3o nos quais <strong>a literatura n\u00e3o \u00e9 uma prioridade no pensamento dos estudantes<\/strong>, ent\u00e3o n\u00e3o posso n\u00e3o colocar para mim como problema despertar-lhes interesse. Esfor\u00e7o-me sim para fazer com que <strong>as leituras que proponho interajam com suas consci\u00eancias<\/strong> \u2013 entende-se com isso nos modos pr\u00f3prios da literatura. Sei com certeza que n\u00e3o consigo com todos, nem \u2013 temo \u2013 com a maior parte, mas me alegro por conseguir ao menos com algum. Com todos tento, entretanto, exigir que <strong>percebam a <em>densidade<\/em> do texto liter\u00e1rio<\/strong>, a gravidez no uso das palavras, a complexidade da constru\u00e7\u00e3o do discurso, a import\u00e2ncia dos temas tratados. Tudo isso n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para que ocorra uma experi\u00eancia est\u00e9tica verdadeira; mas se nesse \u00ednterim eu conseguir n\u00e3o suscitar um desgosto excessivo, uma rea\u00e7\u00e3o de repulsa pela literatura em geral, poder\u00e1 valer, quem sabe, como pressuposto ou plataforma para experi\u00eancias futuras. N\u00e3o \u00e9 muito, mas \u00e9 melhor do que nada.<\/p>\n<p>* Tradu\u00e7\u00e3o do excerto por Cl\u00e1udia Alves. Texto na \u00edntegra em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.doppiozero.com\/materiali\/cosa-serve-la-letteratura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.doppiozero.com\/materiali\/cosa-serve-la-letteratura.<\/a>\u00a0Mario Barenghi \u00e9 cr\u00edtico liter\u00e1rio e professor de literatura italiana contempor\u00e2nea na Universidade de Mil\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Dispon\u00edvel em italiano, <em>La letteratura se iniziassimo davvero a estudiarla: <\/em><a href=\"http:\/\/www.doppiozero.com\/materiali\/la-letteratura-se-iniziassimo-davvero-studiarla\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.doppiozero.com\/materiali\/la-letteratura-se-iniziassimo-davvero-studiarla<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Em ingl\u00eas, <em>The Instruction of Imagination: Language as a Social Communication Technology<\/em> (2015): <a href=\"http:\/\/www.oxfordscholarship.com\/view\/10.1093\/acprof:oso\/9780190256623.001.0001\/acprof-9780190256623?rskey=4hjRbX&amp;result=2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.oxfordscholarship.com\/view\/10.1093\/acprof:oso\/9780190256623.001.0001\/acprof-9780190256623?rskey=4hjRbX&amp;result=2<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Em italiano, \u201cServono per vivere: verso un&#8217;educazione all&#8217;uso della letteratura\u201d, no volume <em>La didattica della letteratura nella scuola delle competenze <\/em>(2014): <a href=\"http:\/\/www.edizioniets.com\/scheda.asp?n=9788846739445\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.edizioniets.com\/scheda.asp?n=9788846739445<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Dispon\u00edvel em portugu\u00eas. <em>A literatura em perigo<\/em>, trad. Caio Meira, Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Dispon\u00edvel em portugu\u00eas. <em>Literatura para qu\u00ea?<\/em>, trad. Laura Taddei Brandini, Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. Sugest\u00e3o de leitura dada aqui no blog, no <em>post<\/em> <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2016\/06\/07\/afinal-por-que-pensar-sobre-literatura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2016\/06\/07\/afinal-por-que-pensar-sobre-literatura\/<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Em italiano. <em>Allegro ma non troppo con Le leggi fondamentali della stupidit\u00e0 umana<\/em> (1988): <a href=\"https:\/\/www.ibs.it\/allegro-ma-non-troppo-con-libro-carlo-m-cipolla\/e\/9788815019806\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ibs.it\/allegro-ma-non-troppo-con-libro-carlo-m-cipolla\/e\/9788815019806<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cEm primeiro lugar, n\u00e3o fazer mal.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Em italiano. <em>Gli immediati dintorni. Primi e secondi <\/em>(2013): <a href=\"https:\/\/www.ibs.it\/immediati-dintorni-primi-secondi-libro-vittorio-sereni\/e\/9788842819394\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ibs.it\/immediati-dintorni-primi-secondi-libro-vittorio-sereni\/e\/9788842819394<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o do italiano: \u201cVuoi sapere, viandante, se il poeta vive dopo la morte? Tu leggi, ed ecco io parlo: la tua voce \u00e8 la mia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que serve a literatura?* Mario Barenghi\u00a0 A meu ver, questionar-se sobre \u201co que \u00e9 literatura?\u201d ou \u201co que \u00e9 um texto liter\u00e1rio?\u201d, como Giovanni Bottiroli[1] fez, n\u00e3o \u00e9 a maneira mais adequada de encarar o problema do ensino de literatura na universidade, muito menos na escola. 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