{"id":252,"date":"2018-07-18T19:32:46","date_gmt":"2018-07-18T22:32:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=252"},"modified":"2018-08-03T16:09:08","modified_gmt":"2018-08-03T19:09:08","slug":"a-universidade-para-alem-de-seus-muros-estudos-de-poesia-italiana-fora-da-academia-por-helena-bressan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2018\/07\/18\/a-universidade-para-alem-de-seus-muros-estudos-de-poesia-italiana-fora-da-academia-por-helena-bressan\/","title":{"rendered":"A universidade para al\u00e9m de seus muros: estudos de poesia italiana fora da Academia, por Helena Bressan"},"content":{"rendered":"<p><em>O blog Marca P\u00e1ginas recebe hoje a contribui\u00e7\u00e3o de Helena Bressan Carminati (helenabcarminati@gmail.com), estudante de Letras-Italiano da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Por conta da minha pr\u00f3pria pesquisa de doutorado, entrei em contato com um grupo de estudos chamado NECLIT (N\u00facleo de Estudos Contempor\u00e2neos de Literatura Italiana), da UFSC. Sempre admirei o trabalho deles e fiquei ainda mais feliz quando soube que l\u00e1 tamb\u00e9m tem gente pensando em formas de transpor as barreiras acad\u00eamicas que, muitas vezes, nos seguram dentro das universidades. Ent\u00e3o, quando conversei com a Helena, foi natural convid\u00e1-la para dividir aqui no blog seu depoimento sobre o projeto de extens\u00e3o Geografia e Cultura Italiana por meio da Poesia, que busca discutir poesia com quem n\u00e3o est\u00e1 necessariamente ligado \u00e0 universidade (um assunto sempre considerado muito dif\u00edcil por quase todo mundo, mas que \u00e9 ao mesmo tempo uma das formas mais maravilhosas que o ser humano encontrou para se expressar). Os resultados s\u00e3o incr\u00edveis e agrade\u00e7o muito a oportunidade de compartilh\u00e1-los aqui. Esse projeto merece ser conhecido e nos inspira a continuarmos nossos trabalhos de divulga\u00e7\u00e3o dos estudos liter\u00e1rios. Agrade\u00e7o a Helena e a equipe NECLIT. E que nunca nos falte poesia!<\/em><\/p>\n<p><strong>A universidade para al\u00e9m de seus muros: estudos de poesia italiana fora da academia, por Helena Bressan Carminati<\/strong><\/p>\n<p>Quando conheci a Cl\u00e1udia, pelas redes sociais, come\u00e7amos a conversar e ela me convidou, muito gentilmente, para escrever a respeito do projeto <em>Geografia e Cultura Italiana por meio da Poesia<\/em>. De imediato, fiquei empolgad\u00edssima e comecei a pensar sobre isso. O que teve in\u00edcio como um projeto de extens\u00e3o, em 2016, deu origem a um minicurso na XII Semana Acad\u00eamica de Letras da UFSC, em 2018, e gostaria ent\u00e3o de compartilhar com voc\u00eas um pouco dessa minha experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 2016, com o apoio do Edital PROBOLSA\/UFSC e a coordena\u00e7\u00e3o da Professora Patricia Peterle, do departamento de L\u00edngua e Literatura Estrangeiras da UFSC, o objetivo principal do projeto era oferecer um panorama da geografia e da cultura italiana para a comunidade n\u00e3o acad\u00eamica, buscando ampliar o conhecimento de aspectos relativos \u00e0 cultura e \u00e0 l\u00edngua italiana e disseminar a poesia italiana contempor\u00e2nea. Tivemos a ideia ent\u00e3o de trabalhar esses conte\u00fados a partir de poemas selecionados para que pud\u00e9ssemos apresentar, ao mesmo tempo, alguns poetas, as caracter\u00edsticas de suas poesias e tamb\u00e9m algumas cidades italianas que os inspiraram a escrever. Assim, o p\u00fablico alvo era composto principalmente por pessoas que tinham interesse pela literatura, l\u00edngua ou cultura italianas, mas que n\u00e3o necessariamente estavam vinculadas a universidades ou ao meio universit\u00e1rio. Naquele momento, t\u00ednhamos justamente a inten\u00e7\u00e3o de divulgar a poesia italiana para pessoas de fora desses contextos, por isso propusemos um projeto de extens\u00e3o que, por defini\u00e7\u00e3o, tenta transpor os muros da universidade e compartilhar os conhecimentos que s\u00e3o produzidos dentro da academia.<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-253 size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/07\/Projeto-Geografia-e-Cultura-300x176.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"176\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/07\/Projeto-Geografia-e-Cultura-300x176.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/07\/Projeto-Geografia-e-Cultura.jpg 340w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Os m\u00f3dulos do projeto aconteceram a cada 15 dias, nos meses de junho, agosto, setembro e outubro daquele ano, e foram organizados e ministrados por duas ou tr\u00eas pessoas, no C\u00edrculo \u00cdtalo Brasileiro (CIB), no centro de Florian\u00f3polis. Cada m\u00f3dulo teve dura\u00e7\u00e3o de 4 horas e foi estruturado da seguinte forma: introdu\u00e7\u00e3o sobre um autor e sua poesia, suas principais caracter\u00edsticas, a cidade escolhida como tema dos poemas, de forma a situarmos o p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1vamos tratando, al\u00e9m da leitura da vers\u00e3o italiana e da tradu\u00e7\u00e3o dos poemas selecionados (geralmente, dois poemas por m\u00f3dulo) para, em seguida, propor uma discuss\u00e3o em conjunto (ministrantes e participantes), acompanhada finalmente da an\u00e1lise dos poemas. A an\u00e1lise era enfim um dos momentos mais interessantes e importantes do m\u00f3dulo, pois quem o estava ministrando procurava deixar a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico bastante livre, enfatizando sempre que a an\u00e1lise e a interpreta\u00e7\u00e3o de poesia est\u00e3o sujeitas a novos olhares e a diferentes possibilidades de leitura, principalmente se mantivermos em mente que n\u00e3o h\u00e1 apenas uma resposta correta para as perguntas que surgem durante esse processo.<\/p>\n<p>Acredito que esse foi um dos fatores essenciais que contribu\u00edram para que tiv\u00e9ssemos um <em>feedback<\/em> positivo por parte dos participantes, pois eles percebiam que, mesmo n\u00e3o estando na universidade e\/ou n\u00e3o estudando aquele determinado assunto, tinham capacidade de fazer suposi\u00e7\u00f5es, dar suas opini\u00f5es, analisar os poemas e se expressar para um grupo maior sobre um tema geralmente temido pela maioria das pessoas, como \u00e9 a poesia. Era um momento de troca, em que fal\u00e1vamos e escut\u00e1vamos o que todos tinham para compartilhar.<\/p>\n<p>Estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre a geografia e a cultura italiana, partindo da leitura de textos po\u00e9ticos, foi e continua sendo desafiador por alguns motivos. Um deles talvez seja o de tirar o texto liter\u00e1rio da sala de aula e ver como ele pode falar e ser recebido por leitores menos especialistas, mas com sensibilidades diferentes, visto que pensar a geografia e a poesia de uma cidade implica tamb\u00e9m pensar a sua pr\u00f3pria cultura, os habitantes que nela vivem e seus comportamentos. Tamb\u00e9m por isso os participantes se mostravam t\u00e3o interessados, pois, ao mesmo tempo em que mostr\u00e1vamos a eles realidades diferentes, a todo momento relacion\u00e1vamos aquilo ao nosso contexto aqui no Brasil. Por exemplo, no primeiro minicurso sobre a Roma da poeta Patrizia Cavalli, discutimos sobre as diferentes concep\u00e7\u00f5es de pra\u00e7a para um italiano e para um brasileiro, o que gerou pensamentos e argumentos bastante interessantes e diversificados. Um deles foi que aqui no Brasil temos a pra\u00e7a como um espa\u00e7o p\u00fablico utilizado para lazer, geralmente bastante arborizado, com bancos, parques para crian\u00e7as, enquanto que na It\u00e1lia a pra\u00e7a constitui-se historicamente como um lugar de fala, um espa\u00e7o de lutas em que s\u00e3o feitas as manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e, em sua maioria, possuem fontes ou monumentos em seu centro, tamb\u00e9m como uma forma de criar aquele ambiente que faz parte da vida social dos cidad\u00e3os. Assim, pudemos dialogar a respeito dessas diferen\u00e7as que fazem de cada pa\u00eds um lugar particular.<\/p>\n<p>Para que esse tipo de di\u00e1logo com o p\u00fablico fosse poss\u00edvel, escolhemos algumas cidades j\u00e1 conhecidas, e tamb\u00e9m outras um pouco menos, como foi o caso da Mil\u00e3o perif\u00e9rica do escritor Milo de Angelis, que escreveu poemas a partir de sua experi\u00eancia como professor no Pres\u00eddio de Seguran\u00e7a M\u00e1xima de Mil\u00e3o, chamado <em>Opera<\/em>. Para escolher tais autores, fizemos um mapeamento de poetas que no s\u00e9culo XX e XXI trataram e tratam em seus textos da cultura local, do espa\u00e7o urbano, das periferias, e acabamos escolhendo Patrizia Cavalli, Giorgio Caproni, Franco Fortini, Milo de Angelis e Umberto Saba e as respectivas cidades de Roma, G\u00eanova, Floren\u00e7a, Mil\u00e3o e Trieste.<\/p>\n<p>As ministrantes dos m\u00f3dulos eram alunas de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UFSC que aceitaram fazer parte desse projeto, o qual tinha ainda uma bolsista principal respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o geral dos m\u00f3dulos. Al\u00e9m disso, destaco a import\u00e2ncia de um projeto de extens\u00e3o como esse e tantos outros que acontecem nas universidades e que permitem para a comunidade fora das universidades o acesso a diferentes conte\u00fados ditos \u201cacad\u00eamicos\u201d, a divulga\u00e7\u00e3o das pesquisas cient\u00edficas feitas pelos alunos e o contato com pessoas diferentes, possibilitando criar di\u00e1logos fora da Academia, o que \u00e9 t\u00e3o relevante no momento que vivemos hoje.<\/p>\n<p>Fazer parte desse projeto me fez enxergar possibilidades de uma vida acad\u00eamica fora da \u201cAcademia\u201d e, mais, me fez perceber que todo o conhecimento produzido por n\u00f3s estudantes se torna muito mais interessante quando compartilhado. Apresentar a poesia italiana para um p\u00fablico n\u00e3o universit\u00e1rio foi desafiador e gratificante, pois ao mesmo tempo em que eu estava ali para transmitir conhecimento, nossos encontros eram uma grande troca. O p\u00fablico percebeu que poderia estudar poesia e compreend\u00ea-la, pois a palavra po\u00e9tica toca a alma humana, e foi exatamente isso que tentamos fazer ao propor esse projeto. Nesse sentido, acredito que o movimento de ir al\u00e9m dos muros da universidade \u00e9 essencial para ultrapassarmos limites e partilharmos os conhecimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O blog Marca P\u00e1ginas recebe hoje a contribui\u00e7\u00e3o de Helena Bressan Carminati (helenabcarminati@gmail.com), estudante de Letras-Italiano da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Por conta da minha pr\u00f3pria pesquisa de doutorado, entrei em contato com um grupo de estudos chamado NECLIT (N\u00facleo de Estudos Contempor\u00e2neos de Literatura Italiana), da UFSC. 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