{"id":328,"date":"2018-12-09T13:31:46","date_gmt":"2018-12-09T15:31:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=328"},"modified":"2018-12-09T15:15:29","modified_gmt":"2018-12-09T17:15:29","slug":"porque-as-mulheres-se-rebelam-hoje-em-dia-de-dacia-maraini-traducao-de-claudia-alves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2018\/12\/09\/porque-as-mulheres-se-rebelam-hoje-em-dia-de-dacia-maraini-traducao-de-claudia-alves\/","title":{"rendered":"Porque as mulheres se rebelam hoje em dia, de Dacia Maraini (tradu\u00e7\u00e3o de Cl\u00e1udia Alves)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dacia Maraini (Fiesole, 1936) sempre esteve atenta \u00e0s quest\u00f5es feministas de seu tempo. Desde o primeiro romance,&nbsp;<em>L\u2019et\u00e0 del malessere<\/em>, publicado em 1963, at\u00e9 o livro mais recente,&nbsp;<em>Tre donne: una storia d\u2019amore e disamore<\/em>, de 2017, \u00e9 poss\u00edvel observar a presen\u00e7a de protagonistas femininas enfrentando as dificuldades de fazer parte de um mundo pouco simp\u00e1tico \u00e0 sua exist\u00eancia. Al\u00e9m dessa preocupa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Maraini, a qual compreende romances, contos, poemas, pe\u00e7as de teatro, roteiros e livros infantis, a escritora italiana tamb\u00e9m se dedica ao tema em sua produ\u00e7\u00e3o ensa\u00edstica. Assim, em \u201cPorque as mulheres se rebelam hoje em dia\u201d (1973), deparamo-nos com suas reflex\u00f5es n\u00e3o ficcionalizadas sobre as mulheres na sociedade italiana dos anos de 1970. Esse texto, publicado em resposta ao escritor Goffredo Parise, ocupou um lugar privilegiado no grande jornal italiano Corriere della Sera. A coluna em que circulou, Tribuna Aperta, era reservada a importantes escritores-intelectuais da \u00e9poca e, nesse sentido, a publica\u00e7\u00e3o do texto de Maraini cumpre um papel significativo ao ocupar esse espa\u00e7o com as discuss\u00f5es sobre o feminismo. N\u00f3s que hoje o lemos, \u00e0 dist\u00e2ncia de mais de 40 anos, reconhecemos ali as marcas dos movimentos feministas dos anos 1960 e 1970, que tratavam quest\u00f5es de sexualidade, ra\u00e7a e classe social de maneira menos cr\u00edtica e n\u00e3o interseccional, como faz o feminismo contempor\u00e2neo. Por\u00e9m, ainda \u00e9 poss\u00edvel vermos ressoadas em nosso pr\u00f3prio tempo e em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds muitas dessas mesmas quest\u00f5es que Maraini apresenta, ainda que ressignificadas por reflex\u00f5es diversas e novos debates.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Porque as mulheres se rebelam hoje em dia (1973)<\/strong>&nbsp;[1]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se eu fizesse um discurso do tipo: \u201cOh, os oper\u00e1rios, mas que tanto eles t\u00eam para protestar? Eu conhe\u00e7o um oper\u00e1rio, um belo rapaz loiro de olhos azuis, cheio de orgulho e de coragem, que trabalha suas 8 horas di\u00e1rias sem reclamar tanto. Tem um Fiat Seiscento, se veste com certa eleg\u00e2ncia, vai ao cinema quando quer, nas f\u00e9rias de ver\u00e3o vai \u00e0 praia. \u00c9 feliz. Conhe\u00e7o outro que trabalha como mec\u00e2nico, \u00e9 bonito, jovem, cheio de vida, trabalha muito sim, mas da\u00ed no domingo veste uma cal\u00e7a jeans, uma camisa florida e vai para o jogo carregando seu r\u00e1dio de pilha e sua vitrola port\u00e1til. Tem at\u00e9 um Honda. \u00c9 verdade que para consegui-lo teve que fazer alguma maracutaia, mas n\u00e3o grande coisa. E n\u00e3o perdeu sua virilidade, seu orgulho, seu bom humor. Esses s\u00e3o os oper\u00e1rios que conhe\u00e7o, modernos, independentes, nada de ficar choramingando, fazendo pose ou romantizando. Acima de tudo, eles n\u00e3o t\u00eam o complexo do explorado. Vivem bem, s\u00e3o s\u00e9rios, sabem rir, sabem se divertir, sabem tamb\u00e9m trabalhar, mas sem reclamar. E se eles se prostituem, isso os torna mais atraentes. Ao contr\u00e1rio dos outros, que resmungam, protestam, se juntam e se fazem eternamente de v\u00edtimas. Que chatice!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se eu fizesse um discurso desse tipo, todos diriam que eu sou uma ap\u00e1tica pol\u00edtica[2]&nbsp;da pior esp\u00e9cie, diriam que vejo os problemas sociais de forma pessoal. E certamente me acusariam de ter um racioc\u00ednio \u201cfeminino\u201d, isto \u00e9, irracional e particularista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois esse mesmo discurso sobre os oper\u00e1rios que fa\u00e7o como hip\u00f3tese, Goffredo Parise faz de verdade, falando das mulheres. De maneira particularista e irracional, com a mesma indiferen\u00e7a tranquila em rela\u00e7\u00e3o ao conjunto do problema. Estou me referindo ao artigo intitulado \u201cFemminismo\u201d[3], publicado aqui neste jornal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse discurso de Parise \u00e9, infelizmente, muito comum entre os homens de todas as classes sociais. Frequentemente os escuto julgar de maneira decisiva: \u201cQual a necessidade do feminismo? Voc\u00eas j\u00e1 s\u00e3o praticamente iguais a n\u00f3s homens. Fa\u00e7am o que quiserem, se comportem como preferirem, que mais voc\u00eas est\u00e3o pedindo? Veja, eu sou mais feminista do que voc\u00eas. Eu amo as mulheres, as reverencio, as estimo, at\u00e9 as venero. Mas, por favor, n\u00e3o fa\u00e7am tanto alarde, n\u00e3o comecem a ideologizar porque isso estraga voc\u00eas. Voc\u00eas ficam instantaneamente feias e chatas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Parise, que h\u00e1 algum tempo escolheu o papel de defensor do contra, soubesse qu\u00e3o comum \u00e9 esse discurso, talvez ele ficasse um pouco mais constrangido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminismo \u00e9 algo muito mais complicado e mais profundo do que aquele \u201ccuidado para n\u00e3o engordar\u201d a que ele se refere. O feminismo n\u00e3o nasce de uma gen\u00e9rica lamenta\u00e7\u00e3o pelas pr\u00f3prias desgra\u00e7as. Todos t\u00eam suas pr\u00f3prias desgra\u00e7as e \u00e9 importante saber guard\u00e1-las pra si mesmo. Mas nesse caso se trata de algo muito mais grave. Trata-se de metade da humanidade ter estado em situa\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o por milhares de anos nas sociedades patriarcais que existiram ao longo da hist\u00f3ria. E a sociedade atual n\u00e3o \u00e9 menos patriarcal do que as outras, apesar da sua aparente \u201cliberalidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"438\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/12\/Manifestazione.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-331\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/12\/Manifestazione.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/12\/Manifestazione-300x212.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Manifesta\u00e7\u00e3o na It\u00e1lia, nos anos 1970: &#8220;Para uma maternidade livre, aborto livre&#8221;.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato de hoje existirem mulheres aparentemente independentes e livres que talvez mandem em seus maridos n\u00e3o significa que a submiss\u00e3o segundo os homens tenha acabado. A liberdade n\u00e3o \u00e9 um fato individual. E uma mulher n\u00e3o pode ser livre enquanto outros milhares de mulheres est\u00e3o em estado de submiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se torna menor. A grande maioria das sociedades desse mundo n\u00e3o teriam ido em frente se n\u00e3o tivessem vivido \u00e0 custa de milh\u00f5es de donas de casa que se matam de trabalhar 12 horas por dia sem remunera\u00e7\u00e3o de nenhum tipo, sem assist\u00eancia m\u00e9dica, sem nem ao menos o reconhecimento social pelo trabalho que fazem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A essa altura poderiam dizer: se est\u00e1 t\u00e3o ruim assim, por que todas essas mulheres n\u00e3o protestam, n\u00e3o se rebelam? Por que continuam ali bondosas e contentes, satisfeitas consigo mesmas e com o mundo? A resposta \u00e9 que a opress\u00e3o criou na mulher uma forma nociva de passividade e fatalismo. A mulher n\u00e3o nasce passiva, mas se torna, para se adequar a um modelo de comportamento social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os opressores, no entanto, encontraram um \u00f3timo sistema para aprisionar a mulher \u00e0 sua pr\u00f3pria opress\u00e3o ao transformar sua passividade em dado fisiol\u00f3gico, em natureza. Enquanto a mulher n\u00e3o entender que sua passividade \u00e9 um resultado hist\u00f3rico e n\u00e3o um destino natural, ela n\u00e3o se libertar\u00e1 da sua \u201cinferioridade\u201d psicol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o ao homem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o quer dizer que a mulher deva se masculinizar. Uma mulher-macho \u00e9 a imita\u00e7\u00e3o ruim de um homem. Ela deve simplesmente se tornar um ser humano completo, munida de rela\u00e7\u00f5es com o mundo, as quais s\u00e3o necess\u00e1rias para se estar dentro, e n\u00e3o fora, da hist\u00f3ria. Recusar a passividade n\u00e3o significa recusar o amor ou a do\u00e7ura. Pelo contr\u00e1rio, recusar a passividade significa desejar que a do\u00e7ura seja uma escolha, n\u00e3o uma imposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O amor, segundo os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o da mulher, \u00e9 algo vivido em duas pessoas, com o mesmo empenho e a mesma participa\u00e7\u00e3o, recusando a agressividade de uma das partes e a aquiesc\u00eancia da outra; recusando a oposi\u00e7\u00e3o tradicional ativo-passivo, s\u00e1dico-masoquista, fazer-ser feito etc. O amor, como se entende hoje, se parece muito com uma agress\u00e3o, com uma apropria\u00e7\u00e3o, com uma ofensa do homem \u00e0 mulher. \u00c9 por isso que muitas mulheres sens\u00edveis e orgulhosas recusam o orgasmo, e se tornam fr\u00edgidas. \u00c9 uma recusa impl\u00edcita do amor como uma forma de \u201cse render\u201d \u00e0 brutalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o da mulher querem fazer renascer na mulher o sentimento de integridade humana. Querem que a mulher deixe de se considerar um ser incompleto, passivo, fr\u00e1gil, dispon\u00edvel, mutilado. Um ser humano pela metade, em resumo, de acordo com o conceito freudiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ao mesmo tempo recusam o modelo \u201cmasculino\u201d tradicional. N\u00e3o \u00e9 imitando o homem que a mulher vai se libertar, mas sim tomando consci\u00eancia da sua realidade hist\u00f3rica, social e psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se fica livre da opress\u00e3o fingindo que ela n\u00e3o existe, como acontece com muitas mulheres que fizeram carreira no mundo dos homens e odeiam ouvir falar dos problemas da emancipa\u00e7\u00e3o feminina. Elas \u201cconseguiram\u201d, ent\u00e3o pensam que a tarefa acaba por a\u00ed. Mas a liberdade, como dito antes, n\u00e3o \u00e9 algo privado. Nenhuma mulher \u00e9 realmente livre enquanto h\u00e1 outras mulheres em estado de servid\u00e3o. Somos mulheres. Somos diferentes porque tivemos uma hist\u00f3ria diferente. Mas a nossa diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma vergonha. \u00c9 a nossa realidade, da qual devemos partir em cada reivindica\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de creches, igualdade salarial, remunera\u00e7\u00e3o para as donas de casa. \u00c9 uma quest\u00e3o de aprender a ver com os pr\u00f3prios olhos os pr\u00f3prios problemas. \u00c9 uma quest\u00e3o de falar com a pr\u00f3pria voz. De pensar com a pr\u00f3pria cabe\u00e7a. Para isso, \u00e9 importante se isolar e se organizar por conta pr\u00f3pria. N\u00e3o por \u00f3dio aos homens ou por desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em que os homens dominam. Mas para nos acostumarmos com o ato de pensar sobre nossa pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E sobre aquilo que Parise disse, que as mulheres n\u00e3o seriam uma classe, se ele tivesse refletido um pouco mais teria percebido que isso \u00e9 muito mais complexo, confuso e menos claro do que geralmente se pensa. Porque \u00e9 verdade que existem as mulheres pobres e as mulheres ricas, mas \u00e9 raro que as mulheres ricas, at\u00e9 mesmo as muito ricas, sejam ricas por conta pr\u00f3pria. Em geral, s\u00e3o ricas por causa dos maridos ou dos pais. Ou seja, as mulheres usufruem da riqueza sem de fato produzi-la. Em outras palavras, s\u00e3o sustentadas e, portanto, n\u00e3o s\u00e3o livres. O pr\u00f3prio Parise escreve a prop\u00f3sito de uma delas: \u201cSeu \u00fanico privil\u00e9gio \u00e9 ser genialmente uma puta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mulheres burguesas vivem essa estranha contradi\u00e7\u00e3o: tem dinheiro \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o o possuem de verdade. H\u00e1 algo de rid\u00edculo, de irreal, de absurdo na mulher burguesa rica. Tudo o que ela faz ou diz soa sempre falso. E por qu\u00ea? O rid\u00edculo vem do fato de que ela usufrui do poder sem compartilhar desse poder; antes, permanece decisivamente exclu\u00edda dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mulher pobre, a mulher do povo, nunca \u00e9 rid\u00edcula porque sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, ainda que limitada, \u00e9 real. Porque mesmo ela, assim como seu marido, produz. A mulher burguesa que n\u00e3o faz nada e vive sustentada pelo marido \u00e9 um absurdo social, uma aliena\u00e7\u00e3o viva. V\u00eam da\u00ed suas neuroses. Da\u00ed a falsidade do seu intelectualismo, quando ele existe, que incomoda justamente os verdadeiros intelectuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se fala em classe, no que diz respeito \u00e0s mulheres, se entende essa situa\u00e7\u00e3o particular em que, sejam mulheres pobres, sejam mulheres ricas, ambas t\u00eam em comum a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a um homem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que existam mulheres que pela for\u00e7a do car\u00e1ter ou pela \u201cgenialidade de puta\u201d saibam dominar seus maridos, apesar da depend\u00eancia econ\u00f4mica, porque s\u00e3o \u201cmais bonitas, mais sens\u00edveis, mais inteligentes, mais elegantes, em uma palavra muito mais \u2018simp\u00e1ticas\u2019, mesmo se o marido for um coitado\u201d, como escreve Parise, isso n\u00e3o muda nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 mesmo entre os escravos, houve quem cativasse o cora\u00e7\u00e3o do patr\u00e3o e acabasse conseguindo o que queria. Mas fazer isso n\u00e3o acabava com a escravid\u00e3o, nem com a sua, nem com a dos outros escravos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 prov\u00e1vel que a essa altura Parise me diga que sou uma fan\u00e1tica, uma chata, que seria melhor eu ficar quieta porque estou parecendo ing\u00eanua e \u201cpasionaria\u201d[4].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E eu lhe responderia que \u00e9 essa ingenuidade e essa passionalidade que quero reivindicar como algumas das melhores caracter\u00edsticas femininas, que devem ser cultivadas e n\u00e3o reprimidas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/12\/WhatsApp-Image-2018-12-08-at-22.50.10-768x1024.jpeg\" alt=\" \" class=\"wp-image-329\" width=\"384\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/12\/WhatsApp-Image-2018-12-08-at-22.50.10-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/12\/WhatsApp-Image-2018-12-08-at-22.50.10-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2018\/12\/WhatsApp-Image-2018-12-08-at-22.50.10.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption><br>Encontro com Dacia Maraini: &#8220;Lectio su letteratura e giornalismo&#8221;, em dezembro de 2018.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[1]&nbsp;Publicado no jornal Corriere della Sera, em 10 de julho de 1973. Est\u00e1 recolhido tamb\u00e9m na colet\u00e2nea&nbsp;<em>Giornalismo Italiano 1968-2001<\/em>, na cole\u00e7\u00e3o I Meridiani (organiza\u00e7\u00e3o de Franco Contorbia; Mil\u00e3o: Mondadori, 2009) [nota da tradutora].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[2]&nbsp;Em italiano, Maraini utiliza o termo&nbsp;<em>qualunquista<\/em>. Historicamente, o&nbsp;<em>qualunquismo&nbsp;<\/em>est\u00e1 relacionado ao movimento autodenominado apol\u00edtico posterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial, o qual pretendia se desvincular tanto do fascismo, quanto do comunismo, defendendo a possibilidade de uma posi\u00e7\u00e3o indiferente e ap\u00e1tica politicamente das pessoas comuns. No vocabul\u00e1rio cotidiano, passou a referenciar negativamente aqueles que, pela desconfian\u00e7a nos meios pol\u00edticos e institucionais, acabam se aproximando a posicionamentos conservadores [nota da tradutora].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[3]&nbsp;\u201cFemminismo\u201d foi publicado por Goffredo Parise no jornal Corriere della Sera, em 20 de maio de 1973 [nota da tradutora].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[4]&nbsp;La Pasionaria foi o pseud\u00f4nimo utilizado pela ativista antifascista espanhola Dolores Ib\u00e1rruri (1895-1989). O termo passou a ser utilizado na l\u00edngua italiana para referenciar mulheres de luta, atuantes em atividades pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas [nota da tradutora].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[Publicado pelo blog Pontes Outras:&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Tradu\u00e7\u00e3o feita para o blog Pontes Outras:&nbsp;https:\/\/pontesoutras.wordpress.com\/2018\/12\/09\/porque-as-mulheres-se-rebelam-hoje-em-dia-1973-de-dacia-maraini-traduzido-por-claudia-t-alves\/ (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/pontesoutras.wordpress.com\/2018\/12\/09\/porque-as-mulheres-se-rebelam-hoje-em-dia-1973-de-dacia-maraini-traduzido-por-claudia-t-alves\/\" target=\"_blank\">https:\/\/pontesoutras.wordpress.com\/2018\/12\/09\/porque-as-mulheres-se-rebelam-hoje-em-dia-1973-de-dacia-maraini-traduzido-por-claudia-t-alves\/<\/a> ]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dacia Maraini (Fiesole, 1936) sempre esteve atenta \u00e0s quest\u00f5es feministas de seu tempo. Desde o primeiro romance,&nbsp;L\u2019et\u00e0 del malessere, publicado em 1963, at\u00e9 o livro mais recente,&nbsp;Tre donne: una storia d\u2019amore e disamore, de 2017, \u00e9 poss\u00edvel observar a presen\u00e7a de protagonistas femininas enfrentando as dificuldades de fazer parte de um mundo pouco simp\u00e1tico \u00e0 &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2018\/12\/09\/porque-as-mulheres-se-rebelam-hoje-em-dia-de-dacia-maraini-traducao-de-claudia-alves\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Porque as mulheres se rebelam hoje em dia, de Dacia Maraini (tradu\u00e7\u00e3o de Cl\u00e1udia Alves)&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[22,24,25,26,53,20,21,4,18],"tags":[85,81,83,84,82,34,55,48],"class_list":["post-328","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica-literaria","category-eventos-literarios","category-humanidades","category-linguagem","category-literatura","category-mulheres-na-literatura","category-pesquisas-de-pos-graduacao","category-sugestao-de-leitura","category-traducao","tag-anos-setenta","tag-dacia-maraini","tag-ensaismo","tag-escrita-jornalistica","tag-feminismo","tag-literatura-italiana","tag-mulheres-na-literatura","tag-traducao-literaria"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=328"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":348,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328\/revisions\/348"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}