{"id":419,"date":"2019-10-02T10:10:13","date_gmt":"2019-10-02T13:10:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=419"},"modified":"2019-10-11T16:16:38","modified_gmt":"2019-10-11T19:16:38","slug":"uma-conversa-com-vera-lucia-de-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2019\/10\/02\/uma-conversa-com-vera-lucia-de-oliveira\/","title":{"rendered":"As mulheres dos estudos liter\u00e1rios: uma conversa com Vera L\u00facia de Oliveira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>atravessar<\/em><em>\u00a0cada corpo<br \/>\ntocar o espesso do osso<br \/>\nque \u00e9 nosso e do outro<br \/>\nestar onde se padece<br \/>\ncom f\u00faria de paci\u00eancia<br \/>\nestar onde se lavra uma horta<br \/>\nonde se lava uma roupa<br \/>\nonde se reza e se cura uma dor<br \/>\nestar onde se nasce e onde se fenece<br \/>\ne ser nesse morar e estar nesse morrer<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Vera L\u00facia de Oliveira, em <em>Minha l\u00edngua ro\u00e7a o mundo<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 um ano conheci pessoalmente Vera L\u00facia de Oliveira, durante o encontro do Mulherio das Letras Europa. Ali conheci seu comprometimento com o Mulherio das Letras, mas tamb\u00e9m sua poesia, sua atua\u00e7\u00e3o como professora e pesquisadora, seu empenho pol\u00edtico. Essa conversa surge ent\u00e3o a partir desse encontro e da admira\u00e7\u00e3o que tenho por seu trabalho. Ela \u00e9 uma das mulheres dos Estudos Liter\u00e1rios que nos inspiram for\u00e7a e coragem.<\/p>\n<p>Vera L\u00facia \u00e9 poeta e publicou, entre diversas obras em portugu\u00eas e em italiano, o livro <em>A chuva nos ru\u00eddos <\/em>(vencedor do Pr\u00eamio de Poesia da Academia Brasileira de Letras de 2005) e seu livro mais recente, <em>Minha l\u00edngua ro\u00e7a o mundo<\/em>, de 2018. Tamb\u00e9m \u00e9 docente e pesquisadora da Universidade de Perugia (UNIPG), na It\u00e1lia, e publicou ensaios acad\u00eamicos, entre eles sua tese de doutorado, que deu origem ao livro <em>Poesia, mito e hist\u00f3ria no Modernismo brasileiro<\/em>, de 2002. \u00c9 ainda organizadora de diversas antologias publicadas no Brasil e na It\u00e1lia e tradutora de poesia brasileira para a l\u00edngua italiana.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_421\" aria-describedby=\"caption-attachment-421\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-421 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLuciaMulheroi.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLuciaMulheroi.jpg 960w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLuciaMulheroi-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLuciaMulheroi-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-421\" class=\"wp-caption-text\">Vera L\u00facia de Oliveira durante Encontro do Mulherio das Letras Europa 2018 [fonte: acervo].<\/figcaption><\/figure><strong>Marca P\u00e1ginas:<\/strong> Vera, n\u00f3s nos conhecemos em um encontro do Mulherio das Letras na Europa, em 2018. Nessa ocasi\u00e3o, voc\u00ea fez uma apresenta\u00e7\u00e3o muito interessante sobre o surgimento do Mulherio, refletindo sobre quais eram as inten\u00e7\u00f5es do projeto e como ele foi se organizando desde o in\u00edcio. Voc\u00ea poderia explicar para o Marca P\u00e1ginas o que \u00e9 o Mulherio das Letras e contar um pouco da hist\u00f3ria de como ele foi criado no Brasil?<\/p>\n<p><strong>Vera L\u00facia:<\/strong> Essa pergunta requer um ensaio para respond\u00ea-la e tenho um texto publicado com o t\u00edtulo \u201cO Mulherio das Letras\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, onde tento tra\u00e7ar os elementos de novidade desse movimento, que \u00e9 um dos fen\u00f4menos culturais mais singulares e interessantes da atualidade brasileira. Nasceu quase espontaneamente, a partir de uma considera\u00e7\u00e3o informal feita pela escritora Maria Val\u00e9ria Rezende, de que as mulheres que atuam no mundo das letras no pa\u00eds deveriam se unir mais e trabalhar em conjunto, j\u00e1 que continuam a ser discriminadas em amplos setores da sociedade. De fato, a maior parte das obras liter\u00e1rias publicadas pelas grandes editoras, s\u00e3o de escritores e os pr\u00eamios liter\u00e1rios s\u00e3o quase sempre atribu\u00eddos aos mesmos, e raramente as colegas mulheres conseguem os mesmos espa\u00e7os e a mesma visibilidade, n\u00e3o obstante a qualidade das obras de autoria feminina. Foi, portanto, a partir dessa constata\u00e7\u00e3o que nasceu a ideia de organizar um evento em Jo\u00e3o Pessoa, cidade em que vive Maria Val\u00e9ria Rezende, evento que pudesse congregar as escritoras e as mulheres em geral que atuam no mundo das letras. Ele foi um grande sucesso e isso fez com que rapidamente essa rede de mulheres intelectuais, professoras, editoras, ilustradoras, jornalistas, artistas pl\u00e1sticas, compositoras, etc., encontrassem, no grupo \u201cMulherio das Letras\u201d, um canal de comunica\u00e7\u00e3o, de troca de ideias e experi\u00eancias, de publica\u00e7\u00f5es. Hoje h\u00e1 muitos grupos, tamb\u00e9m regionais, como o Mulherio das Letras de S\u00e3o Paulo, de Bras\u00edlia, do Paran\u00e1, e assim por diante, onde as mulheres se unem para promover eventos de interesse e import\u00e2ncia, como o que realizamos em Perugia, em outubro de 2018.<\/p>\n<p><strong>Marca P\u00e1ginas: <\/strong>Hoje, vemos de fato que o Mulherio das Letras cresceu muito e ganhou novos espa\u00e7os para al\u00e9m do Brasil. Seus desdobramentos est\u00e3o presentes na Europa, nos Estados Unidos, entre outros lugares. Como voc\u00ea entende essa expans\u00e3o do projeto?<\/p>\n<p><strong>Vera L\u00facia:<\/strong> Entendo essa r\u00e1pida expans\u00e3o por uma exig\u00eancia que as mulheres tinham de formar uma rede de contatos e interc\u00e2mbios. N\u00f3s aqui na Europa, por exemplo, estamos de certa forma isoladas. Inseridas, sim, nos v\u00e1rios pa\u00edses, mas distantes do Brasil. Somos estrangeiras aqui e todas n\u00f3s vivemos experi\u00eancias similares, de inicial dificuldade de inser\u00e7\u00e3o nas respectivas realidades culturais, de estranhamento, \u00e0s vezes de nostalgia e solid\u00e3o, \u00e0s vezes simplesmente de vontade de falar com algu\u00e9m na pr\u00f3pria l\u00edngua. Ent\u00e3o, esse segundo encontro (o primeiro se realizou em 2017, em Paris) deu muito certo, para mim foi intenso e bonito e conheci mulheres batalhadoras, que est\u00e3o fazendo e acontecendo onde quer que estejam. Escrevem, publicam, organizam feiras liter\u00e1rias, fundam editoras, s\u00e3o realmente ativas.<\/p>\n<p><strong>Marca P\u00e1ginas: <\/strong>Voc\u00ea \u00e9 poeta e tamb\u00e9m docente na Universidade de Perugia, ou seja, duas atua\u00e7\u00f5es bastante relacionadas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica em ambientes liter\u00e1rios e acad\u00eamicos. Enquanto mulher, de que maneira voc\u00ea acha que seu g\u00eanero impactou e impacta nas suas rela\u00e7\u00f5es profissionais?<\/p>\n<p><strong>Vera L\u00facia:<\/strong> No meu caso, at\u00e9 hoje nunca me senti discriminada como mulher no ambiente de trabalho aqui na It\u00e1lia. Mas, com certeza, em outros contextos, sim, muitas vezes at\u00e9 no dia a dia, com certas piadinhas sobre o g\u00eanero feminino que todas conhecemos.<\/p>\n<p>No Brasil, no entanto, sinto que h\u00e1 mais misoginia e machismo e que a falta de respeito \u00e9 sentida at\u00e9 andando na rua, com homens que se sentem no direito de fazer coment\u00e1rios sobre como nos vestimos. Quando era adolescente, e t\u00edmida, tinha horror desses coment\u00e1rios e um dia dei com a bolsa na cabe\u00e7a de um jovem que, al\u00e9m do coment\u00e1rio, me tocou o seio. Voltei-me na hora e bati a bolsa com tanta for\u00e7a na cabe\u00e7a que ele saiu at\u00e9 meio zonzo. Desde aquele dia, aprendi a me defender nessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da escrita, sinto que para uma mulher \u00e9 mais dif\u00edcil, porque o mundo das letras ainda \u00e9 predominantemente masculino. \u00c9 dif\u00edcil ver uma mulher reitora, por exemplo, ou diretora de jornal.<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_420\" aria-describedby=\"caption-attachment-420\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-420 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia-96x96.jpg 96w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2019\/10\/VeraLucia.jpg 1291w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-420\" class=\"wp-caption-text\">Vera L\u00facia de Oliveira [Fonte: acervo].<\/figcaption><\/figure><strong>Marca P\u00e1ginas: <\/strong>A experi\u00eancia de dar aulas sobre literatura brasileira e portuguesa em uma universidade estrangeira certamente tamb\u00e9m \u00e9 um tema muito interessante. Como docente e pesquisadora, o que voc\u00ea teria a dizer sobre a recep\u00e7\u00e3o da literatura brasileira no exterior atualmente?<\/p>\n<p><strong>Vera L\u00facia:<\/strong> Gosto muito do meu trabalho, gosto da pesquisa e da rela\u00e7\u00e3o com os alunos. Na verdade, desde pequena queria ser escritora e comecei a escrever cedo. Mas entendi que \u00e9 muito dif\u00edcil viver de literatura e ainda mais se o g\u00eanero que se escolhe \u00e9 o po\u00e9tico. Ent\u00e3o, pensei que a forma mais inteligente de ficar no mundo da escrita, de ser escritora, era escolher um tipo de trabalho que me deixasse pr\u00f3xima \u00e0 literatura. Optei pelo ensino universit\u00e1rio, onde aprendi e aprendo muito todos os dias. Al\u00e9m disso, vivendo longe do Brasil, ensinar cultura e literatura brasileira \u00e9 como estar pr\u00f3xima ao meu universo, onde re\u00fano dois mundos, ali\u00e1s tr\u00eas, porque ensino tamb\u00e9m literatura portuguesa. Estou dentro e fora, ao mesmo tempo, desses pa\u00edses, e tenho por isso uma dupla perspectiva.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 recep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode pensar que na It\u00e1lia todos conhe\u00e7am nossos escritores. Sabem pouco e, sobretudo nos \u00faltimos anos, depois do chocante impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o Brasil perdeu prest\u00edgio. Durante os governos Lula e Dilma o Brasil era not\u00edcia nos jornais, porque o pa\u00eds cresceu, a economia se expandiu, havia a presen\u00e7a do governo em encontros internacionais, a proje\u00e7\u00e3o era enorme. Isso fez com que aumentasse o interesse pela l\u00edngua portuguesa e pela literatura do nosso pa\u00eds, o n\u00famero de alunos cresceu, as universidades italianas passaram a oferecer mais bolsas para os estudantes daqui, porque, de fato, o mercado come\u00e7ou a pedir profissionais na \u00e1rea luso-brasileira. Agora, perdemos tudo isso, infelizmente. \u00c0s vezes percebo que quem vive no Brasil n\u00e3o tem a percep\u00e7\u00e3o do que perdemos em termos de interesse e prest\u00edgio no exterior. Claramente isso teve um impacto, porque os alunos diminu\u00edram em praticamente todos os pa\u00edses europeus e come\u00e7aram a cortar cadeiras de ensino de literatura brasileira.<\/p>\n<p><strong>Marca P\u00e1ginas: <\/strong>Minha \u00faltima pergunta \u00e9, na verdade, uma pergunta que tenho feito a mim mesma e, por isso, gostaria de criar aqui uma troca de pontos de vista. S\u00e3o tempos dif\u00edceis no mundo e, sobretudo, no Brasil. A ascens\u00e3o de um governo conservador e despreparado politicamente para assumir essa responsabilidade nos deixa bastante preocupadas com o rumo do nosso pa\u00eds. Al\u00e9m disso, vemos na It\u00e1lia e em outros pa\u00edses exemplos dessa mesma onda de conservadorismo retr\u00f3grado. Na sua opini\u00e3o, enquanto poeta e professora, o que \u00e9 poss\u00edvel se fazer em um momento como esse? Voc\u00ea acredita no poder de esclarecimento e transforma\u00e7\u00e3o que a educa\u00e7\u00e3o e a literatura possuem?<\/p>\n<p><strong>Vera L\u00facia:<\/strong> Como disse acima e voc\u00ea mesma confirma, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa e no momento o nosso trabalho \u00e9 ainda mais dif\u00edcil. Os universit\u00e1rios s\u00e3o alunos que se informam mais e \u00e9 necess\u00e1rio falar de forma aberta e cr\u00edtica sobre o que acontece em nosso pa\u00eds. Por outro lado, entendo que a literatura tem um fundamental papel humanizador e ler os nossos escritores contempor\u00e2neos \u00e9 ler o Brasil. Fa\u00e7o o meu trabalho com responsabilidade e sei que podemos fazer muito no sentido de incentivar os alunos a desenvolver o senso cr\u00edtico, a ver mais, a se interessar mais pelo mundo, a se dedicar e a estudar os fen\u00f4menos que nos envolvem, porque o mundo hoje \u00e9 de fato um corpo em que tudo est\u00e1 interligado. O que acontece no Brasil tem reflexo aqui na It\u00e1lia, o que acontece na \u00c1frica tem reflexo no Brasil, e assim por diante, n\u00e3o se pode mais falar de fen\u00f4menos isolados. A onda conservadora retr\u00f3grada, como voc\u00ea bem define, \u00e9 contagiosa. Claramente, ela \u00e9 fruto de um poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, que cerceia e censura, nos faz perder direitos adquiridos, discrimina, simplifica a vis\u00e3o de mundo das pessoas, tenta anular as diferen\u00e7as ou v\u00ea-las como algo que deve ser extirpado. Um intelectual tem que estar presente, destrin\u00e7ar esses mecanismos de exclus\u00e3o e repress\u00e3o.<\/p>\n<p>* Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre Vera L\u00facia de Oliveira: &lt;<a href=\"http:\/\/www.veraluciadeoliveira.it\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.veraluciadeoliveira.it<\/a>&gt;.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8220;O Mulherio das Letras&#8221;. Em Revista de Letras Norte@mentos, Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop, vol. 11, 2018, pp. 47-61. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/sinop.unemat.br\/projetos\/revista\/index.php\/norteamentos\/article\/view\/3252\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/sinop.unemat.br\/projetos\/revista\/index.php\/norteamentos\/article\/view\/3252<\/a>&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>atravessar\u00a0cada corpo tocar o espesso do osso que \u00e9 nosso e do outro estar onde se padece com f\u00faria de paci\u00eancia estar onde se lavra uma horta onde se lava uma roupa onde se reza e se cura uma dor estar onde se nasce e onde se fenece e ser nesse morar e estar nesse &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2019\/10\/02\/uma-conversa-com-vera-lucia-de-oliveira\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;As mulheres dos estudos liter\u00e1rios: uma conversa com Vera L\u00facia de Oliveira&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[22,7,24,25,26,53,20,54],"tags":[73,139,32,137,55,70,15,33,140,138],"class_list":["post-419","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica-literaria","category-em-sala-de-aula","category-eventos-literarios","category-humanidades","category-linguagem","category-literatura","category-mulheres-na-literatura","category-politica-e-resistencia","tag-brasil","tag-docencia","tag-extensao","tag-italia","tag-mulheres-na-literatura","tag-mulherio-das-letras","tag-pesquisa","tag-poesia","tag-universidade","tag-vera-lucia-de-oliveira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=419"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":426,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419\/revisions\/426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}