{"id":430,"date":"2020-01-14T14:54:54","date_gmt":"2020-01-14T17:54:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=430"},"modified":"2020-01-14T14:54:54","modified_gmt":"2020-01-14T17:54:54","slug":"minicontos-e-minicontos-digitais-potencialidades-do-genero-para-o-desenvolvimento-dos-letramentos-e-dos-multiletramentos-por-matheus-bueno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2020\/01\/14\/minicontos-e-minicontos-digitais-potencialidades-do-genero-para-o-desenvolvimento-dos-letramentos-e-dos-multiletramentos-por-matheus-bueno\/","title":{"rendered":"Minicontos e Minicontos Digitais: Potencialidades do G\u00eanero para o Desenvolvimento dos Letramentos e dos Multiletramentos, por Matheus Bueno"},"content":{"rendered":"<p>Matheus Bueno se formou em Letras, na Unicamp, com a monografia &#8220;Minicontos e Minicontos Digitais: Potencialidades do G\u00eanero para o Desenvolvimento dos Letramentos e dos Multiletramentos&#8221;, sob a orienta\u00e7\u00e3o da Profa. Roxane Rojo. O texto a seguir \u00e9 uma s\u00edntese de sua pesquisa, na qual ele abordou as rela\u00e7\u00f5es entre multiletramentos e minicontos, impressos e digitais. Muito obrigada, Matheus, por sua colabora\u00e7\u00e3o ao blog Marca P\u00e1ginas. E boa leitura!<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Minicontos e Minicontos Digitais: Potencialidades do G\u00eanero para o Desenvolvimento dos Letramentos e dos Multiletramentos, por Matheus Bueno<\/strong><\/p>\n<p><strong>PRA COME\u00c7O DE CONVERSA<\/strong><\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: nos dias de hoje vivemos em um mundo cada vez mais urbanizado, globalizado e altamente tecnologizado. As novas Tecnologias Digitais de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 ou TDIC, como costumamos nomear \u2013 s\u00e3o, com efeito, uma presen\u00e7a inevit\u00e1vel em nosso cotidiano e v\u00eam transformando nossas maneiras de ser e estar no mundo, nossas maneiras de comunica\u00e7\u00e3o e, principalmente, nossas maneiras de <strong>ler<\/strong> e <strong>escrever<\/strong>. Mas por que ocorrem tantas mudan\u00e7as importantes no campo da leitura e da escrita? Isso se deve ao fato de que, na contemporaneidade, as novas tecnologias e as novas possibilidades digitais dispon\u00edveis n\u00e3o s\u00f3 facilitam a circula\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de textos, como tamb\u00e9m fazem surgir novos tipos de textos \u2013 ou novos modos dos textos \u2013; textos que n\u00e3o s\u00e3o apenas verbais, est\u00e1ticos e impressos, mas que agora s\u00e3o digitais, colaborativos, interativos, hipertextuais e, sobretudo, multissemi\u00f3ticos, ou seja, compostos por uma multiplicidade de semioses (linguagens) para al\u00e9m do verbal escrito ou oral, como a linguagem imag\u00e9tica (imagens est\u00e1ticas ou em movimento), sonora (m\u00fasica, efeitos sonoros etc.), digital (como objetos 3D, por exemplo) e muitas outras. A grande quest\u00e3o \u00e9: para que possamos compreender, interpretar e produzir esses novos textos digitais multissemi\u00f3ticos, precisamos desenvolver novas habilidades\/compet\u00eancias de leitura e escrita, ou melhor, precisamos desenvolver novas pr\u00e1ticas de letramento que, na atualidade, tornam-se multiletramentos. Se o conceito de letramento refere-se \u00e0s variadas pr\u00e1ticas sociais em que a l\u00edngua escrita e o ler e o escrever est\u00e3o envolvidos \u2013 tomar um \u00f4nibus ou solicitar uma carona por aplicativos de transporte, assistir ao notici\u00e1rio pela TV ou acessar as not\u00edcias pelos sites de redes sociais, escrever um bilhete ou mandar uma mensagem instant\u00e2nea pelo <em>Whatsapp<\/em>, todas essas s\u00e3o pr\u00e1ticas em que a leitura e a escrita se fazem presentes, por exemplo \u2013, poderemos perceber que as novas tecnologias contempor\u00e2neas fazem emergir novos tipos de texto que nos demandam novos letramentos, letramentos que, hoje, n\u00e3o s\u00e3o somente o letramento da letra (do verbal, das palavras), mas tamb\u00e9m o letramento das m\u00faltiplas linguagens (ou multiletramentos).<\/p>\n<p><strong>E A ESCOLA?<\/strong><\/p>\n<p>Se as escolas s\u00e3o por excel\u00eancia as mais importantes ag\u00eancias de letramento \u2013 como afirma a pesquisadora Angela Kleiman (2007)[1] \u2013, ou seja, se as escolas s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es que deveriam promover os letramentos a fim de formar alunos letrados que se apoderem criticamente dos usos sociais da l\u00edngua escrita, como ent\u00e3o os col\u00e9gios contempor\u00e2neos poderiam se apropriar dos novos textos multissemi\u00f3ticos em circula\u00e7\u00e3o dentro e fora do ciberespa\u00e7o com o intuito de desenvolver os (multi)letramentos dos estudantes, tornando-os cidad\u00e3os cr\u00edticos capazes de participar efetivamente das pr\u00e1ticas sociais exigidas pelo mundo tecnol\u00f3gico contempor\u00e2neo? Em aulas de l\u00edngua portuguesa \u2013 disciplina respons\u00e1vel por discutir l\u00edngua(gem) e literatura \u2013,\u00a0 como exercitar os letramentos e multiletramentos utilizando g\u00eaneros verbais impressos e g\u00eaneros digitais? Em verdade, quais s\u00e3o as potencialidades pedag\u00f3gicas desses textos digitais? Com o objetivo de responder tais quest\u00f5es, elencamos em nossa pesquisa o miniconto verbal impresso e o miniconto digital multissemi\u00f3tico como objetos principais de an\u00e1lise: acreditamos que os minicontos \u2013 estritamente verbais e tamb\u00e9m os digitais, frutos dos tempos hipermodernos \u2013, por mobilizarem conte\u00fado verbal e n\u00e3o verbal e constitu\u00edrem-se como g\u00eaneros liter\u00e1rios, s\u00e3o \u00f3timos exemplares desses novos textos que podem colaborar para o desenvolvimento dos letramentos, letramentos liter\u00e1rios e multiletramentos dos aprendizes, permitindo que os estudantes exercitem principalmente <strong>capacidades e habilidades de frui\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o e leitura cr\u00edtica<\/strong> e que, de certo modo, possam ainda experimentar tamb\u00e9m outras esferas sociais de circula\u00e7\u00e3o dos textos, das ideias e das pr\u00e1ticas letradas; no caso em quest\u00e3o, a esfera art\u00edstico-liter\u00e1ria e a esfera de pr\u00e1ticas de letramento liter\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>MINICONTOS E MINICONTOS DIGITAIS: BREVES, MAS PODEROSOS<\/strong><\/p>\n<p>Os minicontos come\u00e7am a surgir no s\u00e9culo XX e s\u00e3o o resultado de um processo de miniaturiza\u00e7\u00e3o do conto, como defende o estudioso Marcelo Spalding (2008)[2]. A partir dos anos 1960, depois que o escritor guatemalteco Augusto Monterroso (1921\u20132003) publicou <strong>O dinossauro<\/strong> \u2013 considerado por muitos como o miniconto mais famoso do mundo, possuindo apenas sete palavras! \u2013, o g\u00eanero em quest\u00e3o come\u00e7a a ganhar notoriedade, popularizando-se ainda mais na passagem do s\u00e9culo XX para o XXI.<\/p>\n<figure id=\"attachment_431\" aria-describedby=\"caption-attachment-431\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-431\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Quando-acordou-o-dinossauro-ainda-estava-la\u0301._-1024x513.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Quando-acordou-o-dinossauro-ainda-estava-la\u0301._-1024x513.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Quando-acordou-o-dinossauro-ainda-estava-la\u0301._-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Quando-acordou-o-dinossauro-ainda-estava-la\u0301._-768x385.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Quando-acordou-o-dinossauro-ainda-estava-la\u0301._-1536x770.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Quando-acordou-o-dinossauro-ainda-estava-la\u0301._.jpg 1650w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-431\" class=\"wp-caption-text\">Miniconto &#8220;O dinossauro&#8221;, de Augusto Monterroso<\/figcaption><\/figure>\n<p>Poder\u00edamos caracterizar o miniconto como um texto contempor\u00e2neo extremamente curto e conciso. Mesmo que n\u00e3o exista consenso entre os especialistas sobre o tamanho m\u00e1ximo ou m\u00ednimo que uma microfic\u00e7\u00e3o deveria ter, \u00e9 fato que os minicontos unifr\u00e1sicos, de apenas uma frase, s\u00e3o de longe os mais interessantes de serem lidos, pois, apesar de breves, tais textos ainda possuem grandes cargas de narratividade e significa\u00e7\u00e3o, impactando os leitores intensamente. S\u00e3o textos que podem tematizar m\u00faltiplos assuntos e contar diferentes tipos de hist\u00f3rias, mas que s\u00e3o majoritariamente conhecidos por sua natureza mais \u201c\u00e1cida\u201d, irreverente, inusitada, amb\u00edgua e provocadora. Segundo a Pequena Po\u00e9tica do Miniconto, publicada tamb\u00e9m por Spalding em 2007[3], a <strong>concis\u00e3o<\/strong> \u2013 a representa\u00e7\u00e3o de um momento-chave da trama \u2013, a <strong>narratividade<\/strong> \u2013 a capacidade de o miniconto contar uma hist\u00f3ria \u2013, a <strong>exatid\u00e3o<\/strong> \u2013 a utiliza\u00e7\u00e3o minuciosa das palavras \u2013, a <strong>abertura<\/strong> \u2013 a grande quantidade de impl\u00edcitos, espa\u00e7os em branco e lacunas narrativas que devem ser preenchidas pelos leitores conforme seus conhecimentos de mundo e suas experi\u00eancias (as aberturas s\u00e3o os elementos que convidam o leitor \u00e0 a\u00e7\u00e3o e por isso poderiam ser consideradas a qualidade mais instigante das microfic\u00e7\u00f5es), e o <strong>efeito<\/strong> \u2013 a possibilidade de o miniconto provocar fortes reflex\u00f5es e sentimentos em quem os l\u00ea \u2013 seriam as caracter\u00edsticas fundamentais do g\u00eanero.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos minicontos digitais, o interessante \u00e9 observar como o g\u00eanero miniconto, antes estritamente verbal, est\u00e1tico e impresso, adentra o ciberespa\u00e7o e, na atualidade, valendo-se das possibilidades tecnol\u00f3gicas e digitais contempor\u00e2neas, torna-se agora um g\u00eanero digital, colaborativo, interativo e principalmente multissemi\u00f3tico, compondo projetos de <strong>literatura digital<\/strong>. Ao se manifestarem como literatura digital, ou seja, ao serem elaborados segundo as potencialidades oferecidas pelas TDIC, os minicontos digitais passam a nos oferecer novas est\u00e9ticas textuais (novos textos com novas apar\u00eancias) e tamb\u00e9m novas e diferentes experi\u00eancias de leitura e frui\u00e7\u00e3o, reivindicando assim novos leitores\/autores que saibam explorar as ferramentas de navega\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o da web (PAGNAN, 2017)[4] e estejam aptos a compreender textos multissemi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de exemplo, poder\u00edamos citar o projeto de literatura digital intitulado <strong>Minicontos Coloridos<\/strong>. Organizado por Marcelo Spalding, o site convida o leitor-internauta a pintar seus pr\u00f3prios minicontos a partir da combina\u00e7\u00e3o de tr\u00eas diferentes cores (vermelho, verde e azul). Ap\u00f3s misturar as tonalidades conforme crit\u00e9rios pessoais, o leitor \u00e9 levado a uma nova p\u00e1gina que revela n\u00e3o s\u00f3 a cor resultante de sua combina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m um miniconto verbal escrito que se relaciona de algum modo \u00e0 cor gerada. O projeto em quest\u00e3o \u00e9 atrativo por dois motivos: al\u00e9m de nos proporcionar uma nova experi\u00eancia de leitura \u2013 uma experi\u00eancia interativa realmente marcante que permite que os visitantes \u201cbrinquem\u201d de pintar enquanto leem \u2013, o site tamb\u00e9m nos oferece novas experi\u00eancias est\u00e9ticas e de frui\u00e7\u00e3o na medida em que conecta e aproxima textos e cores, promovendo o exerc\u00edcio de uma leitura \u201csinest\u00e9sica\u201d em que os leitores devem analisar a maneira como as cores podem adicionar, refor\u00e7ar ou alterar os sentidos das microfic\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, ao visitar o site idealizado por Spalding, os leitores devem analisar como o conte\u00fado verbal (os minicontos escritos) e o conte\u00fado n\u00e3o verbal (as cores) se relacionam, pois s\u00f3 atrav\u00e9s desta an\u00e1lise poder\u00e3o interpretar as hist\u00f3rias dos microtextos, acessar as informa\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas e completar as lacunas narrativas deixadas pelos minicontistas. Voc\u00ea consegue perceber como os multiletramentos \u2013 a leitura das m\u00faltiplas linguagens \u2013 s\u00e3o importantes para que o leitor experimente e mergulhe de fato na proposta digital dos Minicontos Coloridos?<\/p>\n<figure id=\"attachment_432\" aria-describedby=\"caption-attachment-432\" style=\"width: 770px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-432\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Miniconto-colorido-final.jpg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Miniconto-colorido-final.jpg 770w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Miniconto-colorido-final-300x129.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/01\/Miniconto-colorido-final-768x331.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-432\" class=\"wp-caption-text\">Exemplo de miniconto colorido, de Marcos de Andrade<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>POTENCIALIDADES PEDAG\u00d3GICAS<\/strong><\/p>\n<p>Sinteticamente, poder\u00edamos concluir dizendo que trabalhar com minicontos (verbais impressos e digitais multissemi\u00f3ticos) em sala de aula \u00e9 uma empreitada interessante porque as microfic\u00e7\u00f5es proporcionam o desenvolvimento de nossas compet\u00eancias leitoras. No que diz respeito ao amadurecimento dos (multi)letramentos dos estudantes, o miniconto seria um relevante instrumento educacional uma vez que exige do leitor sofisticadas habilidades de leitura e clama por uma participa\u00e7\u00e3o ativo-responsiva, ou seja, solicita um posicionamento ativo\/cr\u00edtico do aluno e permite que ele exercite muitas capacidades de leitura, como <strong>a ativa\u00e7\u00e3o de conhecimento de mundo<\/strong> \u2013 capacidade essencial para o entendimento dos minicontos, pois s\u00f3 atrav\u00e9s desse resgate de saberes o leitor poder\u00e1 completar as aberturas da hist\u00f3ria \u2013; <strong>a an\u00e1lise dos elementos lingu\u00edsticos<\/strong> (palavras, sinais de pontua\u00e7\u00e3o, figuras de linguagens etc.) que comp\u00f5em o texto e funcionam ao mesmo tempo como itens est\u00e9ticos e tamb\u00e9m como micropistas textuais que guiam o leitor at\u00e9 as interpreta\u00e7\u00f5es mais coerentes; <strong>a formula\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses e de infer\u00eancias<\/strong> (dedu\u00e7\u00f5es e entendimentos sobre a trama); <strong>a elabora\u00e7\u00e3o de aprecia\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e de posicionamentos cr\u00edticos<\/strong> como uma forma de responder ao texto \u2013 o leitor gosta (ou n\u00e3o gosta) da hist\u00f3ria? Por qu\u00ea? Ele percebe as cr\u00edticas e provoca\u00e7\u00f5es realizadas pelos minicontistas? Concorda com elas? \u2013; e, claro, <strong>a interpreta\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas linguagens<\/strong>, no caso dos minicontos digitais.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos letramentos liter\u00e1rios, cremos que os minicontos (impressos e digitais) s\u00e3o cativantes textos contempor\u00e2neos que poderiam introduzir a literatura nas salas de aula de maneira divertida e atrativa, ampliando o repert\u00f3rio e as pr\u00e1ticas liter\u00e1rias dos estudantes e fazendo com que se sintam motivados a ler mais dentro e tamb\u00e9m fora das telas. Por serem t\u00e3o provocativos e retratarem temas t\u00e3o diversos, levar os minicontos at\u00e9 as aulas de l\u00edngua portuguesa tamb\u00e9m seria uma forma de os alunos descobrirem mais sobre o mundo e sobre si mesmos, desenvolvendo assim suas subjetividades. Sendo o miniconto um g\u00eanero extremamente breve, acreditamos ainda que introduzi-lo na escola e garantir sua leitura em sala de aula \u2013 ou seja, garantir que os alunos \u201cdegustem\u201d diretamente as obras \u2013 seriam tarefas que poderiam ser facilmente realizadas pelas institui\u00e7\u00f5es, sem o pretexto de que os textos liter\u00e1rios s\u00e3o muito longos para que possam ser lidos pelos alunos dentro do espa\u00e7o e tempo escolares.<\/p>\n<p><strong>DICAS DE LEITURA<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Minicontos Impressos<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li><strong>Os cem menores contos brasileiros do s\u00e9culo<\/strong> (Ateli\u00ea Editorial, 2004, organizado por Marcelino Freire<\/li>\n<li><strong>Ah, \u00e9?<\/strong> (Editora Record, 1994), de Dalton Trevisan.<\/li>\n<li><strong>Adeus conto de fadas<\/strong> (Editora 7 Letras, 2006), de Leonardo Brasiliense<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"2\">\n<li>Minicontos Digitais<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li><strong>Dois Palitos<\/strong> (2010), de Samir Mesquita. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.samirmesquita.com.br\/doispalitos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.samirmesquita.com.br\/doispalitos.html<\/a>&gt;<\/li>\n<li><strong>18:30<\/strong> (2011), de Samir Mesquita. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.samirmesquita.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.samirmesquita.com.br\/<\/a>&gt;<\/li>\n<li><strong>Minicontos Coloridos<\/strong> (2013), organizado por Marcelo Spalding. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.literaturadigital.com.br\/minicontoscoloridos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.literaturadigital.com.br\/minicontoscoloridos\/<\/a>&gt;<\/li>\n<li><strong>Literatura Digital<\/strong> (site que compila textos te\u00f3ricos sobre o tema e tamb\u00e9m diversos projetos de literatura digital dispon\u00edveis hoje na web). Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.literaturadigital.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.literaturadigital.com.br\/<\/a>&gt;<strong style=\"font-size: 1rem\">\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>[1] KLEIMAN, Angela B. Letramento e suas implica\u00e7\u00f5es para o ensino de l\u00edngua materna. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 32, n. 53, p. 1-25, Dezembro, 2007. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/online.unisc.br\/seer\/index.php\/signo\/article\/viewFile\/242\/196\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/online.unisc.br\/seer\/index.php\/signo\/article\/viewFile\/242\/196<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>[2] SPALDING, Marcelo. Os cem menores contos brasileiros do s\u00e9culo e a reinven\u00e7\u00e3o do miniconto na literatura brasileira contempor\u00e2nea. 2008. 81p. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado &#8211; Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS, 2008.<\/p>\n<p>[3] SPALDING, Marcelo. Pequena po\u00e9tica do miniconto. Digestivo Cultural. 2007. Dispon\u00edvel em :&lt;<a href=\"https:\/\/www.digestivocultural.com\/colunistas\/coluna.asp?codigo=2196&amp;titulo=Pequena_poetica_do_miniconto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.digestivocultural.com\/colunistas\/coluna.asp?codigo=2196&amp;titulo=Pequena_poetica_do_miniconto<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>[4] PAGNAN, Celso Leopoldo. Literatura digital: an\u00e1lise de ciberpoemas. Travessias, Cascavel, PR, Campus de Cascavel\/Unioeste &#8211; Universidade Estadual do Oeste do Paran\u00e1, v. 11, n. 3, p. 308-325, Setembro\/Dezembro, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Bueno se formou em Letras, na Unicamp, com a monografia &#8220;Minicontos e Minicontos Digitais: Potencialidades do G\u00eanero para o Desenvolvimento dos Letramentos e dos Multiletramentos&#8221;, sob a orienta\u00e7\u00e3o da Profa. Roxane Rojo. O texto a seguir \u00e9 uma s\u00edntese de sua pesquisa, na qual ele abordou as rela\u00e7\u00f5es entre multiletramentos e minicontos, impressos e &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2020\/01\/14\/minicontos-e-minicontos-digitais-potencialidades-do-genero-para-o-desenvolvimento-dos-letramentos-e-dos-multiletramentos-por-matheus-bueno\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Minicontos e Minicontos Digitais: Potencialidades do G\u00eanero para o Desenvolvimento dos Letramentos e dos Multiletramentos, por Matheus Bueno&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[27,7,25,26,53,23,4],"tags":[147,10,146,144,148,149,150,141,151,142,143,11,145],"class_list":["post-430","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artes","category-em-sala-de-aula","category-humanidades","category-linguagem","category-literatura","category-pesquisas-de-graduacao","category-sugestao-de-leitura","tag-contos","tag-educacao","tag-ensino","tag-letramentos","tag-literatura-brasileira","tag-literatura-contemporanea","tag-literatura-digital","tag-miniconto","tag-miniconto-colorido","tag-miniconto-digital","tag-multiletramentos","tag-sala-de-aula","tag-textos-multisemioticos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=430"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":433,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/430\/revisions\/433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}