{"id":435,"date":"2020-02-04T20:59:13","date_gmt":"2020-02-04T23:59:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=435"},"modified":"2020-02-04T21:07:08","modified_gmt":"2020-02-05T00:07:08","slug":"lancamento-do-e-book-oficinas-de-imaginacao-e-escrita-para-a-educacao-em-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2020\/02\/04\/lancamento-do-e-book-oficinas-de-imaginacao-e-escrita-para-a-educacao-em-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento do e-book &#8220;Oficinas de imagina\u00e7\u00e3o e escrita para a educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O grupo de pesquisa <em>N\u00f3s-Outros: linguagem, mem\u00f3ria e direitos humanos<\/em> acaba de publicar, coordenado pela professora Daniela Palma, do IEL\/UNICAMP, um material did\u00e1tico que visa orientar a abordagem de Direitos Humanos em aulas de L\u00edngua Portuguesa dos Ensinos M\u00e9dio e Fundamental II. Trata-se do e-book <strong>Oficinas de imagina\u00e7\u00e3o e escrita para a educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos<\/strong>, dispon\u00edvel para download gratuitamente no site institucional do projeto (link no final do texto).<\/p>\n<p>Esse material est\u00e1 dividido em 5 oficinas de escrita, organizadas ao redor de 5 eixos tem\u00e1ticos principais que tratam de uma s\u00e9rie de direitos: o direito \u00e0 moradia; o direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o e \u00e0 identidade cultural; o direito \u00e0 migra\u00e7\u00e3o; o direito \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 natureza; e o direito ao luto. Por meio de um processo de imers\u00e3o em cada um desses temas, a ideia \u00e9 mobilizar a leitura de uma grande variedade de textos e a aprecia\u00e7\u00e3o de outras produ\u00e7\u00f5es culturais, como m\u00fasicas, document\u00e1rios e filmes, de forma a estimular, em momentos apropriados, os alunos e as alunas a escrever suas principais impress\u00f5es em sua &#8220;Caderneta de escritor(a)&#8221;. O objetivo \u00e9 que essas anota\u00e7\u00f5es constituam progressivamente um importante acervo de refer\u00eancias e reflex\u00f5es para que, ao final de cada unidade, os\/as estudantes estejam preparados para se dedicar a uma proposta de produ\u00e7\u00e3o de texto mais extensa.<\/p>\n<p>Assim est\u00e1 estruturada a Oficina 2, &#8220;Dos fios que tran\u00e7am uma hist\u00f3ria: liberdade de express\u00e3o, identidade cultural e autoestima&#8221;, por exemplo, que ir\u00e1 se centrar na import\u00e2ncia dos cabelos para discutir a liberdade de express\u00e3o e de identidade cultural \u00e0 que cada pessoa tem direito. Os alunos e as alunas ser\u00e3o ent\u00e3o expostos a uma s\u00e9rie de leituras de aproxima\u00e7\u00e3o ao tema que ir\u00e3o percorrer, ao longo de \u00e9pocas e territ\u00f3rios diversos, a rela\u00e7\u00e3o de cada povo com os seus cabelos. Dessa forma descobriremos que, no Antigo Egito, por exemplo, os cortes de cabelo estavam relacionados \u00e0 hierarquia e ao g\u00eanero de quem os portava; ou ainda que as tran\u00e7as <em>nag\u00f4<\/em>, ou de raiz, presentes at\u00e9 hoje na cultura brasileira, remetem \u00e0 maneira como homens e mulheres iorub\u00e1s arrumavam seus cabelos h\u00e1 muitos s\u00e9culos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_436\" aria-describedby=\"caption-attachment-436\" style=\"width: 303px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-436 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/02\/Cabelo-1.jpg\" alt=\"\" width=\"303\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/02\/Cabelo-1.jpg 303w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/02\/Cabelo-1-296x300.jpg 296w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/02\/Cabelo-1-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/02\/Cabelo-1-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/02\/Cabelo-1-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2020\/02\/Cabelo-1-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-436\" class=\"wp-caption-text\">Orna Wachman\/Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essa contextualiza\u00e7\u00e3o culminar\u00e1 em uma densa reflex\u00e3o sobre como uma simples parte do nosso corpo representa, na verdade, uma s\u00e9rie de possibilidades (ou impossibilidades) de manifestarmos social, pol\u00edtica e religiosamente nossa pr\u00f3pria identidade. A parte escrita, ao final dessa unidade, se dedicar\u00e1 ent\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de textos que reflitam sobre essas quest\u00f5es por meio de duas possibilidades: a escrita de um roteiro ou a escrita de uma can\u00e7\u00e3o. Caber\u00e1 ao professor ou \u00e0 professora a escolha de abordar apenas uma ou as duas propostas em sala de aula.<\/p>\n<p>Vale notar que todas as oficinas possuem orienta\u00e7\u00f5es para guiar os professores e as professoras durante a utiliza\u00e7\u00e3o do material, mas h\u00e1 tamb\u00e9m um grande apelo \u00e0 autonomia dos alunos e das alunas para que eles\/elas possam construir o conhecimento de forma cr\u00edtica ao longo de todas as leituras e produ\u00e7\u00f5es escritas. Al\u00e9m disso, as unidades contam ainda com gloss\u00e1rios para palavras mais espec\u00edficas ou complicadas, al\u00e9m de diversas sugest\u00f5es para aprofundamento sobre cada tema, o que garante um maior suporte para compreens\u00e3o dos pontos abordados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental dizer que todo o material se volta \u00e0 import\u00e2ncia de imaginar e narrar. Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar que um dos motivos que nos fazem gostar de ler ou assistir filmes \u00e9 justamente o fato de essas produ\u00e7\u00f5es nos permitirem ter contato com experi\u00eancias que, vivendo nossas pr\u00f3prias vidas, n\u00e3o ser\u00edamos capazes de ter? E ser\u00e1 que, estabelecendo esse contato com as experi\u00eancias de vida de outras pessoas, poder\u00edamos ter mais consci\u00eancia e respeito pelas diferen\u00e7as? \u00c9 nesse caminho que o livro aposta. Tanto pelo contato com narrativas produzidas por outras pessoas, quanto pelo est\u00edmulo de narrar as pr\u00f3prias experi\u00eancias por meio das propostas de escrita, h\u00e1 ao longo de todas as unidades um refor\u00e7o da ideia de que &#8220;pensar pela imagina\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia do outro \u00e9 fundamentalmente a possibilidade de construir invers\u00f5es de perspectiva&#8221;, segundo trecho da introdu\u00e7\u00e3o &#8220;Direitos Humanos em aulas de escrita: apontamentos e orienta\u00e7\u00f5es&#8221;. Ali\u00e1s, uma dica preciosa: as p\u00e1ginas iniciais que antecedem as oficinas s\u00e3o um conte\u00fado excelente para nos aprofundarmos em quest\u00f5es que envolvem conceitualmente os temas abordados; vale a pena demorar-se na apresenta\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o do material, bem como na rica bibliografia sugerida! Esse momento anterior \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do material em sala de aula \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade de os professores e as professoras terem um panorama mais completo e geral de como as oficinas se organizam, al\u00e9m de compreenderem em quais pilares te\u00f3ricos se sustentam as unidades.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, podemos dizer que \u00e9 pelo contato com a experi\u00eancia narrada por outra pessoa que alunos e alunas ser\u00e3o educados a observar o mundo \u00e0 sua volta e a olhar para si mesmos e mesmas enquanto sujeitos de experi\u00eancias que tamb\u00e9m s\u00e3o ressignificadas quando colocadas em perspectiva. E assim, de forma intuitiva e sens\u00edvel, mas tamb\u00e9m orientada por atividades pensadas para tal fim, \u00e9 poss\u00edvel trabalhar conte\u00fados referentes aos Direitos Humanos a partir da conscientiza\u00e7\u00e3o de que esses direitos dizem respeito aos pr\u00f3prios alunos e alunas e aos demais seres humanos com quem compartilhamos o mundo. Aprimorar a percep\u00e7\u00e3o do outro \u00e9 um excelente caminho para entendermos n\u00f3s mesmos\/as e, em uma esp\u00e9cie de ciclo de rea\u00e7\u00f5es, todo mundo ganha quando estamos mais conscientes de quem somos, do lugar que ocupamos e com quem dividimos nossas viv\u00eancias. Parece que nos \u00faltimos tempos uma parte de n\u00f3s anda se esquecendo disso, mas sempre vale a pena lembrar: \u00e9 em contato com o que sou, com o que somos, e com o que os outros s\u00e3o que nos tornamos, finalmente, um pouco mais humanos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vamos l\u00e1, ao trabalho! E n\u00e3o se esque\u00e7a de compartilhar esse e-book com mais educadores, para que ele possa viajar cada vez mais longe. Obrigada!<\/p>\n<p>* Para download gratuito do e-book <strong>Oficinas de imagina\u00e7\u00e3o e escrita para a educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos<\/strong> e demais publica\u00e7\u00f5es do grupo N\u00f3s-Outros: <a href=\"http:\/\/www2.iel.unicamp.br\/nosoutros\/publicacoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www2.iel.unicamp.br\/nosoutros\/publicacoes\/<\/a><\/p>\n<p>* Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre o grupo de pesquisa N\u00f3s-Outros: <a href=\"http:\/\/dgp.cnpq.br\/dgp\/espelhogrupo\/527218\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/dgp.cnpq.br\/dgp\/espelhogrupo\/527218<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo de pesquisa N\u00f3s-Outros: linguagem, mem\u00f3ria e direitos humanos acaba de publicar, coordenado pela professora Daniela Palma, do IEL\/UNICAMP, um material did\u00e1tico que visa orientar a abordagem de Direitos Humanos em aulas de L\u00edngua Portuguesa dos Ensinos M\u00e9dio e Fundamental II. 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