{"id":574,"date":"2021-09-01T21:10:27","date_gmt":"2021-09-02T00:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/?p=574"},"modified":"2021-09-07T15:58:45","modified_gmt":"2021-09-07T18:58:45","slug":"mariangela-gualtieri-e-a-traducao-do-poema-a-esta-hora-da-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/2021\/09\/01\/mariangela-gualtieri-e-a-traducao-do-poema-a-esta-hora-da-noite\/","title":{"rendered":"Mariangela Gualtieri e a tradu\u00e7\u00e3o do poema \u201cA esta hora da noite\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right\">Geraldo de Oliveira All\u00f3 Netto<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Luciano de Oliveira<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Nirvana Dornelles<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Simone Maria Losso<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Cl\u00e1udia Tavares Alves<\/p>\n<figure id=\"attachment_575\" aria-describedby=\"caption-attachment-575\" style=\"width: 451px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-575\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2021\/09\/gualtieri.jpg\" alt=\"\" width=\"451\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2021\/09\/gualtieri.jpg 451w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2021\/09\/gualtieri-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-575\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Dino Ignani<br \/>Fonte: https:\/\/www.artribune.com\/arti-performative\/teatro-danza\/2012\/10\/cio-che-ci-rende-umani-secondo-mariangela-gualtieri\/<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mariangela Gualtieri nasceu em 1951, em Cesena, It\u00e1lia. Importante poeta e escritora contempor\u00e2nea, \u00e9 tamb\u00e9m atriz, dramaturga, formada em Arquitetura pela IUAV de Veneza. Fundou, em 1983, o Teatro Valdoca, junto ao diretor Cesare Ronconi, onde atua como dramaturga e int\u00e9rprete. Gualtieri j\u00e1 venceu v\u00e1rios pr\u00eamios liter\u00e1rios e publicou diversas colet\u00e2neas de poemas, entre elas, <em>Antenata<\/em> (Crocetti Editore, 1992), <em>Fuoco centrale e altre poesie per il teatro<\/em> (Einaudi, 2003), <em>Senza polvere senza peso<\/em> (Einaudi, 2006), <em>Bestia di gioia<\/em> (Einaudi, 2010),<em> Le giovane parole <\/em>(Einaudi, 2015), e sua mais recente publica\u00e7\u00e3o, <em>Quando non morivo<\/em> (Einaudi, 2019). Em suas obras, tanto po\u00e9ticas quanto teatrais, refor\u00e7a repetidas vezes o aspecto de \u201cinadequa\u00e7\u00e3o da palavra\u201d e assume suas influ\u00eancias, como Dante Alighieri, Amelia Rosselli, Dylan Thomas, entre outros poetas e escritores, os quais aparecem citados frequentemente em suas entrevistas e declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tais influ\u00eancias tamb\u00e9m ficam evidentes no poema \u201cIn quest\u2019ora della sera\u201d, apresentado aqui em tradu\u00e7\u00e3o para portugu\u00eas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. O texto est\u00e1 repleto de intertextualidades e representa, por meio de seus pr\u00f3prios versos, uma esp\u00e9cie de agradecimento e homenagem a todos os poetas, fil\u00f3sofos e mestres que antecederam sua escrita, firmando ainda o prop\u00f3sito de estar aberto a todos os que venham complement\u00e1-lo posteriormente, seguindo o que diz o verso: \u201cpelo fato de que este poema \u00e9 inexaur\u00edvel e n\u00e3o chegar\u00e1 nunca ao \u00faltimo verso\u201d. Por extens\u00e3o, podemos dizer que nesse poema testemunhamos Gualtieri transformando a linguagem po\u00e9tica no pr\u00f3prio tecido de que \u00e9 feita a exist\u00eancia humana e vice-versa.<\/p>\n<p>O alicerce principal deste poema parece ser \u201cOutro Poema dos Dons\u201d, de Jorge Lu\u00eds Borges<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, que segue, por sua vez, a estrutura do C\u00e2ntico das Criaturas de S\u00e3o Francisco de Assis. Escrito provavelmente em torno do ano de 1224, tal c\u00e2ntico expressa a experi\u00eancia espiritual pelo louvor a Deus atrav\u00e9s de suas criaturas. No poema de Gualtieri, esse louvor se transforma em agradecimento \u00e0s coisas simples que nos s\u00e3o dadas, aos sentimentos que nos engrandecem e aos grandes mestres que nos permitem vislumbrar, pela poesia, esses momentos epif\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Outras intertextualidades igualmente presentes s\u00e3o menos expl\u00edcitas, como \u00e9 o caso do verso \u201csono tornate le lucciole\u201d, referindo-se provavelmente ao ensaio \u201cL\u2019articolo delle lucciole\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, de Pier Paolo Pasolini. H\u00e1 tamb\u00e9m uma refer\u00eancia ao poema \u201cSe l\u2019anima\u201d, de Amelia Rosselli<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><sup>, <\/sup>retomado no verso \u201cSe l&#8217;anima scende dal suo gradino, la terra muore\u201d. Finalmente, \u00e9 poss\u00edvel recuperar uma men\u00e7\u00e3o a um conto de Dino Buzzati, \u201cInviti Superflui<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><a href=\"https:\/\/d.docs.live.net\/aff1cea4dd786bf9\/Documentos\/UFSC%20ITALIANO\/2020-2\/Pr%C3%A1tica%20de%20Tradu%C3%A7%C3%A3o\/Tradu%C3%A7%C3%A3o%20para%20Revista\/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20do%20Poema%20de%20Gualtieri.docx#_ftn2\">\u201d<\/a>, pelo verso \u201cper il bene dell\u2019amicizia, quando si dicono cose stupide e care\u201d<em>. <\/em>O poema termina ainda com uma vers\u00e3o do verso que encerra o Para\u00edso, da <em>Divina Com\u00e9dia<\/em>, de Dante Alighieri, visto aqui como \u201cper l\u2019amor che se move il sole e l\u2019altre stelle. \/ E muove tutto in noi\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia de tradu\u00e7\u00e3o coletiva do poema, os problemas apareceram das mais variadas formas, como em todo processo tradut\u00f3rio no qual se pretende promover a circula\u00e7\u00e3o de um texto fora de sua cultura de partida. Primeiramente, \u00e9 importante destacar que, por se tratar de um trabalho feito a muitas m\u00e3os, foi necess\u00e1rio mediar as escolhas de cada tradutor sem deixar de considerar, como menciona Rosemary Arrojo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, que \u201ch\u00e1 (&#8230;) um outro autor a habitar o texto traduzido\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, as dificuldades come\u00e7aram logo nos primeiros versos, devido \u00e0 express\u00e3o \u201cringraziare desidero\u201d, refr\u00e3o central que sintetiza todo o tema do poema. Embora \u201cdesidero ringraziare\u201d e \u201cdesejo agradecer\u201d sejam as formas mais usuais, tanto em italiano como em portugu\u00eas, optamos por manter na tradu\u00e7\u00e3o a ordem original das palavras, ou seja, \u201cagradecer desejo\u201d, procurando assim preservar a invers\u00e3o \u2013 que entendemos refletir o estilo e a escolha da autora \u2013 e a intertextualidade com a ordem sint\u00e1tica presente no poema de Borges.<\/p>\n<p>Outro dilema recorrente que exemplifica como o tradutor est\u00e1 sempre diante de uma escolha refere-se \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o do verbo <em>essere<\/em>. As diferen\u00e7as entre estado permanente (verbo <em>ser<\/em>) e estado n\u00e3o permanente (verbo <em>estar<\/em>), no portugu\u00eas, s\u00e3o marcadas, diferentemente do italiano. Por isso, na tradu\u00e7\u00e3o, as escolhas se tornaram mais sutis e quase subjetivas, considerando que, na plenitude de um momento, como seria poss\u00edvel definir se somos ou apenas estamos?<\/p>\n<p>Vale destacar ainda que os diversos exemplos de intertextualidade, mencionados anteriormente, atuaram tamb\u00e9m como ponto de apoio para algumas das op\u00e7\u00f5es de tradu\u00e7\u00e3o, visto que determinadas frases ou express\u00f5es j\u00e1 possu\u00edam tradu\u00e7\u00f5es para o portugu\u00eas publicadas e, por isso, buscamos consult\u00e1-las e mant\u00ea-las quando poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Considerando, finalmente, que a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma entre todas as leituras poss\u00edveis de um texto, apresentamos, a seguir, o resultado da nossa leitura e do nosso processo tradut\u00f3rio:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u201cA esta hora da noite\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A esta hora da noite<\/p>\n<p>deste ponto do mundo<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Agradecer desejo o divino<\/em><\/p>\n<p><em>labirinto das causas e dos efeitos<\/em><\/p>\n<p><em>pela diversidade das criaturas<\/em><\/p>\n<p><em>que comp\u00f5em este universo singular<\/em><\/p>\n<p><em>agradecer desejo<\/em><\/p>\n<p><em>pelo amor, que nos faz ver os outros<\/em><\/p>\n<p><em>como os v\u00ea a divindade <\/em><\/p>\n<p><em>pelo p\u00e3o e pelo sal<\/em><\/p>\n<p><em>pelo mist\u00e9rio da rosa<\/em><\/p>\n<p><em>que esbanja cor e n\u00e3o a v\u00ea<\/em><\/p>\n<p><em>pela arte da amizade<\/em><\/p>\n<p><em>pelo \u00faltimo dia de S\u00f3crates<\/em><\/p>\n<p><em>pela linguagem, que pode simular a sabedoria<\/em><\/p>\n<p><em>eu agradecer desejo<\/em><\/p>\n<p><em>pela coragem e pela felicidade dos outros<\/em><\/p>\n<p><em>pela p\u00e1tria sentida nos jasmins<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>e pelo esplendor do fogo<\/em><\/p>\n<p><em>que nenhum ser humano pode olhar<\/em><\/p>\n<p><em>sem um estupor antigo<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>e pelo mar<\/p>\n<p>que \u00e9 o mais pr\u00f3ximo e o mais doce<\/p>\n<p>entre todos os Deuses<\/p>\n<p>agradecer desejo<\/p>\n<p>porque voltaram os vaga-lumes<\/p>\n<p>e por n\u00f3s<\/p>\n<p>por quando somos ardentes e leves<\/p>\n<p>por quando somos alegres e gratos<\/p>\n<p>pela beleza das palavras<\/p>\n<p>natureza abstrata de Deus<\/p>\n<p>pela escrita e pela leitura<\/p>\n<p>que nos fazem explorar a n\u00f3s mesmos e o mundo<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>pela quietude da casa<\/p>\n<p>pelas crian\u00e7as que s\u00e3o<\/p>\n<p>nossas divindades dom\u00e9sticas<\/p>\n<p>pela alma, porque se descer de seu degrau<\/p>\n<p>a terra morre<\/p>\n<p>pelo fato de ter uma irm\u00e3<\/p>\n<p>agradecer desejo por todos aqueles<\/p>\n<p>que s\u00e3o pequenos, l\u00edmpidos e livres<\/p>\n<p>pela antiga arte do teatro, quando<\/p>\n<p>ainda re\u00fane os vivos e os nutre<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>pela intelig\u00eancia do amor<\/p>\n<p>pelo vinho e sua cor<\/p>\n<p>pelo \u00f3cio com sua espera por nada<\/p>\n<p>pela beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>eu agradecer desejo pelas faces do mundo<\/p>\n<p>que s\u00e3o v\u00e1rias e muitas s\u00e3o ador\u00e1veis<\/p>\n<p>por quando \u00e0 noite<\/p>\n<p>se dorme abra\u00e7ado<\/p>\n<p>por quando somos atenciosos e apaixonados<\/p>\n<p>pela aten\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea da alma<\/p>\n<p>por todas as bibliotecas do mundo<\/p>\n<p>por sentir-se bem entre aqueles que leem<\/p>\n<p>pelos nossos mestres grandiosos<\/p>\n<p>por quem ao longo dos s\u00e9culos tem raciocinado em n\u00f3s<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>pelo bem da amizade<\/p>\n<p>quando se dizem coisas est\u00fapidas e ternas<\/p>\n<p>por todos os beijos de amor<\/p>\n<p>pelo amor que nos torna destemidos<\/p>\n<p>pelo contentamento, o entusiasmo, a embriaguez<\/p>\n<p>pelos mortos nossos<\/p>\n<p>que fazem da morte um lugar habitado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Agradecer desejo<\/p>\n<p>porque sobre esta terra existe a m\u00fasica<\/p>\n<p>pela m\u00e3o direita e pela m\u00e3o esquerda<\/p>\n<p>e seu \u00edntimo acordo<\/p>\n<p>por quem \u00e9 indiferente \u00e0 notoriedade<\/p>\n<p>pelos c\u00e3es, pelos gatos<\/p>\n<p>seres fraternos cheios de mist\u00e9rio<\/p>\n<p>pelas flores<\/p>\n<p>e a secreta vit\u00f3ria que celebram<\/p>\n<p>pelo sil\u00eancio e seus muitos dons<\/p>\n<p>pelo sil\u00eancio que talvez seja a maior li\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>pelo sol, nosso antepassado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Eu agradecer desejo<\/p>\n<p>por Borges<\/p>\n<p><em>por Whitman e Francisco de Assis<\/em><\/p>\n<p>por Hopkins, por Herbert<\/p>\n<p><em>porque j\u00e1 escreveram este poema,<\/em><\/p>\n<p><em>pelo fato de que este poema \u00e9 inexaur\u00edvel<\/em><\/p>\n<p><em>e n\u00e3o chegar\u00e1 nunca ao \u00faltimo verso<\/em><\/p>\n<p><em>e muda conforme os homens.<\/em><\/p>\n<p><em>Agradecer desejo<\/em><\/p>\n<p><em>pelos minutos que precedem o sono,<\/em><\/p>\n<p><em>pelos \u00edntimos dons que n\u00e3o enumero<\/em><\/p>\n<p><em>pelo sono e pela morte<\/em><\/p>\n<p><em>estes dois tesouros ocultos.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>E enfim agradecer desejo<\/p>\n<p>pela grande pot\u00eancia do antigo amor<\/p>\n<p>pelo amor que move o sol e as outras estrelas.<\/p>\n<p>E move tudo em n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u201cIn quest\u2019ora della sera\u201d<\/strong><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>In quest\u2019ora della sera<\/p>\n<p>da questo punto del mondo<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Ringraziare desidero il divino<\/em><\/p>\n<p><em>labirinto delle cause e degli effetti<\/em><\/p>\n<p><em>per la diversit\u00e0 delle creature<\/em><\/p>\n<p><em>che compongono questo universo singolare<\/em><\/p>\n<p><em>ringraziare desidero<\/em><\/p>\n<p><em>per l\u2019amore, che ci fa vedere gli altri<\/em><\/p>\n<p><em>come li vede la divinit\u00e0<\/em><\/p>\n<p><em>per il pane e per il sale<\/em><\/p>\n<p><em>per il mistero della rosa<\/em><\/p>\n<p><em>che prodiga colore e non lo vede<\/em><\/p>\n<p><em>per l\u2019arte dell\u2019amicizia<\/em><\/p>\n<p><em>per l\u2019ultima giornata di Socrate<\/em><\/p>\n<p><em>per il linguaggio, che pu\u00f2 simulare la sapienza<\/em><\/p>\n<p><em>io ringraziare desidero<\/em><\/p>\n<p><em>per il coraggio e la felicit\u00e0 degli altri<\/em><\/p>\n<p><em>per la patria sentita nei gelsomini<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>e per lo splendore del fuoco<\/em><\/p>\n<p><em>che nessun umano pu\u00f2 guardare<\/em><\/p>\n<p><em>senza uno stupore antico<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>e per il mare<\/p>\n<p>che \u00e8 il pi\u00f9 vicino e il pi\u00f9 dolce<\/p>\n<p>fra tutti gli D\u00e8i<\/p>\n<p>ringraziare desidero<\/p>\n<p>perch\u00e9 sono tornate le lucciole<\/p>\n<p>e per noi<\/p>\n<p>per quando siamo ardenti e leggeri<\/p>\n<p>per quando siamo allegri e grati<\/p>\n<p>per la bellezza delle parole<\/p>\n<p>natura astratta di Dio<\/p>\n<p>per la scrittura e la lettura<\/p>\n<p>che ci fanno esplorare noi stessi e il mondo<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>per la quiete della casa<\/p>\n<p>per i bambini che sono<\/p>\n<p>nostre divinit\u00e0 domestiche<\/p>\n<p>per l\u2019anima, perch\u00e9 se scende dal suo gradino<\/p>\n<p>la terra muore<\/p>\n<p>per il fatto di avere una sorella<\/p>\n<p>ringraziare desidero per tutti quelli<\/p>\n<p>che sono piccoli, limpidi e liberi<\/p>\n<p>per l\u2019antica arte del teatro, quando<\/p>\n<p>ancora raduna i vivi e li nutre<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>per l\u2019intelligenza d\u2019amore<\/p>\n<p>per il vino e il suo colore<\/p>\n<p>per l\u2019ozio con la sua attesa di niente<\/p>\n<p>per la bellezza tanto antica e tanto nuova<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>io ringraziare desidero per le facce del mondo<\/p>\n<p>che sono varie e molte sono adorabili<\/p>\n<p>per quando la notte<\/p>\n<p>si dorme abbracciati<\/p>\n<p>per quando siamo attenti e innamorati<\/p>\n<p>per l\u2019attenzione<\/p>\n<p>che \u00e8 la preghiera spontanea dell\u2019anima<\/p>\n<p>per tutte le biblioteche del mondo<\/p>\n<p>per quello stare bene fra gli altri che leggono<\/p>\n<p>per i nostri maestri immensi<\/p>\n<p>per chi nei secoli ha ragionato in noi<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>per il bene dell\u2019amicizia<\/p>\n<p>quando si dicono cose stupide e care<\/p>\n<p>per tutti i baci d\u2019amore<\/p>\n<p>per l\u2019amore che rende impavidi<\/p>\n<p>per la contentezza, l\u2019entusiasmo, l\u2019ebrezza<\/p>\n<p>per i morti nostri<\/p>\n<p>che fanno della morte un luogo abitato.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ringraziare desidero<\/p>\n<p>perch\u00e9 su questa terra esiste la musica<\/p>\n<p>per la mano destra e la mano sinistra<\/p>\n<p>e il loro intimo accordo<\/p>\n<p>per chi \u00e8 indifferente alla notoriet\u00e0<\/p>\n<p>per i cani, per i gatti<\/p>\n<p>esseri fraterni carichi di mistero<\/p>\n<p>per i fiori<\/p>\n<p>e la segreta vittoria che celebrano<\/p>\n<p>per il silenzio e i suoi molti doni<\/p>\n<p>per il silenzio che forse \u00e8 la lezione pi\u00f9 grande<\/p>\n<p>per il sole, nostro antenato.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Io ringraziare desidero<\/p>\n<p>per Borges<\/p>\n<p><em>per Whitman e Francesco d\u2019Assisi<\/em><\/p>\n<p>per Hopkins, per Herbert<\/p>\n<p><em>perch\u00e9 scrissero gi\u00e0 questa poesia,<\/em><\/p>\n<p><em>per il fatto che questa poesia \u00e8 inesauribile<\/em><\/p>\n<p><em>e non arriver\u00e0 mai all\u2019ultimo verso<\/em><\/p>\n<p><em>e cambia secondo gli uomini.<\/em><\/p>\n<p><em>Ringraziare desidero<\/em><\/p>\n<p><em>per i minuti che precedono il sonno,<\/em><\/p>\n<p><em>per gli intimi doni che non enumero<\/em><\/p>\n<p><em>per il sonno e la morte<\/em><\/p>\n<p><em>quei due tesori occulti.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>E infine ringraziare desidero<\/p>\n<p>per la gran potenza d\u2019antico amor<\/p>\n<p>per l\u2019amor che se move il sole e l\u2019altre stelle.<\/p>\n<p>E muove tutto in noi.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o realizada no \u00e2mbito das atividades da disciplina \u201cPr\u00e1tica de Tradu\u00e7\u00e3o\u201d, ministrada entre fevereiro e maio de 2021, sob supervis\u00e3o da Prof<sup>a<\/sup>. Cl\u00e1udia Tavares Alves, na Universidade Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Cf. <em>El Oltro, El Mismo<\/em> (1964). Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.literatura.us\/borges\/elotro.html\">www.literatura.us\/borges\/elotro.html<\/a>, consulta em: 11 jun. 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Cf. <em>Scritti corsari<\/em> (1975).\u00a0 O ensaio tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.corriere.it\/speciali\/pasolini\/potere.html\">https:\/\/www.corriere.it\/speciali\/pasolini\/potere.html<\/a>, consulta em: 11 jun. 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Cf. <em>Variazioni beliche<\/em> (1964). O poema est\u00e1 dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/ameliarosselli.blogspot.com\/2008\/12\/archivio-rosselli.html\">https:\/\/ameliarosselli.blogspot.com\/2008\/12\/archivio-rosselli.html<\/a>, consulta em: 11 jun. 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Cf. <em>La Boutique del mistero<\/em> (1968). Um trecho do conto est\u00e1 dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/tomascipriani.it\/inviti-superflui-dino-buzzati\/\">http:\/\/tomascipriani.it\/inviti-superflui-dino-buzzati\/<\/a>, consulta em: 11 jun. 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> ARROJO, Rosemary. <em>Tradu\u00e7\u00e3o, desconstru\u00e7\u00e3o e psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, 1993, p. 80.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> In: <em>Le giovani parole<\/em>. Turim: Einaudi, 2015, pp. 115-117.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[5,34,223,33,224,35,222,28,48],"class_list":["post-574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-literatura","tag-literatura-italiana","tag-mariangela-gualtieri","tag-poesia","tag-poesia-de-mulheres","tag-poesia-italiana","tag-pratica-de-traducao","tag-traducao","tag-traducao-literaria"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=574"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":591,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/574\/revisions\/591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcapaginas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}