{"id":1345,"date":"2007-11-28T19:27:00","date_gmt":"2007-11-28T22:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/2007\/11\/evolutivamente-sexo-casual\/"},"modified":"2007-11-28T19:27:00","modified_gmt":"2007-11-28T22:27:00","slug":"evolutivamente-sexo-casual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/2007\/11\/28\/evolutivamente-sexo-casual\/","title":{"rendered":"Evolutivamente Sexo Casual"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R03wTTlvYSI\/AAAAAAAAAAU\/lRmUGx5N7vM\/s1600-h\/sex.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/sex1.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span>Por Marco A. C. Varella e <\/span><\/strong><strong><span>Jos\u00e9 H. B. P. Ferreira<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"justify\"><strong><span>Jos\u00e9 H. B. P. Ferreira \u00e9 Bi\u00f3logo Licenciado, Bacharel em Psicologia Experimental e mestrando <\/span><\/strong><strong><span>em Psicologia Experimental<\/span><\/strong><strong><span> no Instituto de Psicologia da USP.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span><\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size:14\"><\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Sexo casual, ou seja, o sexo sem envolvimento afetivo, tradicionalmente alvo das ci\u00eancias humanas, recentemente passou a ser estudado com o enfoque evolutivo, pois dada a sua relev\u00e2ncia direta na reprodu\u00e7\u00e3o, espera-se que as caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas envolvidas tenham sofrido press\u00f5es seletivas substanciais ao longo da evolu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Nos seus famosos estudos sobre sexualidade da d\u00e9cada de 50, Alfred Kinsey e colegas encontraram muitos praticantes, e grande varia\u00e7\u00e3o individual quanto \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es frente ao sexo casual. Eles nomearam essas motiva\u00e7\u00f5es de \u201corienta\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-sexual\u201d ou \u201cs\u00f3cio-sexualidade\u201d. Essa id\u00e9ia ficou esquecida na Psicologia at\u00e9 que, nos anos 90, Simpson e Gangestad conceitualizaram a s\u00f3cio-sexualidade como uma \u00fanica dimens\u00e3o cont\u00ednua da personalidade com os p\u00f3los caracterizados como <strong><em>irrestritos<\/em><\/strong> e <strong><em>restritos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><em>Irrestritos<\/em><\/strong> s\u00e3o pessoas com atitudes, comportamentos, fantasias e opini\u00f5es mais permissivas do que a m\u00e9dia populacional quanto ao sexo sem compromisso, j\u00e1 os <strong><em>restritos<\/em><\/strong> necessitam mais do que a m\u00e9dia populacional de envolvimento afetivo e amoroso pr\u00e9vio ao ato sexual. No popular, <strong><em>irrestritos<\/em><\/strong> separam mais sexo de amor do que <strong><em>restritos<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R03uuTlvYRI\/AAAAAAAAAAM\/tM9RTjp-X5o\/s1600-h\/sexo+casual.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/sexocasual.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Segundo a <strong><em>Teoria Evolucionista da Hist\u00f3ria de Vida<\/em><\/strong> de Roff e Stearns (1992), os seres humanos enfrentaram um grande dilema evolutivo quanto \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. Ou se alocava a maioria dos esfor\u00e7os (energia, tempo, recursos), que s\u00e3o finitos, em procurar o maior n\u00famero poss\u00edvel de parceiros &#8211; conquist\u00e1-los e fazer sexo -, ou se investia mais em manter um parceiro, fazer amor, assegurar fidelidade e investir nos filhos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A s\u00f3cio-sexualidade descreve justamente a varia\u00e7\u00e3o individual nas disposi\u00e7\u00f5es, facilidades e propens\u00f5es para solucionar esse dilema, demonstrando que cada indiv\u00edduo possui e pode utilizar toda uma gama de estrat\u00e9gias reprodutivas dependendo da oportunidade e das circunst\u00e2ncias situacionais. Segundo a <strong><em>Teoria das Estrat\u00e9gias Sexuais<\/em><\/strong> (1993), a solu\u00e7\u00e3o voltada para a conquista \u00e9 a estrat\u00e9gia reprodutiva de curto prazo, e a voltada a assegurar um parceiro e investir nos filhos \u00e9 a estrat\u00e9gia reprodutiva de longo prazo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size:0\"><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A primeira fonte de varia\u00e7\u00e3o individual na s\u00f3cio-sexualidade \u00e9 a diferen\u00e7a entre homens e mulheres. Segundo a <strong><em>Teoria do Investimento Parental de Trivers<\/em><\/strong> (1972), o sexo que, fisiologicamente, tiver mais energia, tempo e recursos voltados para investir na prole ter\u00e1 sua solu\u00e7\u00e3o do dilema reprodutivo mais voltado para a estrat\u00e9gia de longo prazo. Ent\u00e3o, j\u00e1 que as mulheres <em>a priori<\/em> t\u00eam o alto custo com gametas maiores, gesta\u00e7\u00e3o e lacta\u00e7\u00e3o, elas ser\u00e3o, em m\u00e9dia, mais <em>restritas<\/em> do que homens.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">Outra fonte de varia\u00e7\u00e3o individual \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, apontada em um estudo com 4.901 g\u00eameos australianos. Eles demonstraram maior igualdade na escolha da estrat\u00e9gia s\u00f3cio-sexual, nos homozig\u00f3ticos do que nos dizig\u00f3ticos de mesmo sexo e de sexo diferente, controlando os que foram criados juntos e separados. Outra fonte de varia\u00e7\u00e3o s\u00e3o os n\u00edveis de masculiniza\u00e7\u00e3o; argumenta-se que a varia\u00e7\u00e3o na orienta\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-sexual seja um subproduto do n\u00edvel de andr\u00f3genos pr\u00e9-natais, e que as pessoas mais masculinas (expostas a um maior n\u00edvel de andr\u00f3genos), seriam mais <strong><em>irrestritas<\/em>.<\/strong> E outra fonte \u00e9 a do estilo de apego amoroso, onde o <span lang=\"PT\">mediador da s\u00f3cio-sexualidade seria o contexto de cria\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia, em que o estilo de apego inseguro \u00e0 m\u00e3e levaria a uma pessoa ser <strong><em>irrestrita<\/em><\/strong>.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">\u00a0<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R039tjlvYTI\/AAAAAAAAAAc\/pjTSyS82gmI\/s1600-h\/sexo.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/sexo.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">Em abril de 2005, publicou-se o maior estudo j\u00e1 feito sobre s\u00f3cio-sexualidade. Ao todo, foram entrevistadas 14.059 pessoas, em seis continentes, dez ilhas, 26 l\u00ednguas e 48 na\u00e7\u00f5es, inclusive no Brasil. As principais conclus\u00f5es foram:<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">1- A varia\u00e7\u00e3o na s\u00f3cio-sexualidade entre as culturas parece ser adaptativamente ajustada a pelo menos dois aspectos da ecologia local, propor\u00e7\u00e3o homem\/mulher e as condi\u00e7\u00f5es para cria\u00e7\u00e3o dos filhos: culturas com menos mulheres s\u00e3o mais <em>restritas<\/em>, e culturas com menos homens s\u00e3o mais <em>irrestritas<\/em>, pois o poder de escolha \u00e9 do sexo mais raro; culturas com ambientes mais desfavor\u00e1veis reprodutivamente (altas taxas de mortalidade e desnutri\u00e7\u00e3o infantil) demandam um maior cuidado biparental, logo, s\u00e3o mais <em>restritas<\/em>.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">2- A diferen\u00e7a prevista entre os sexos existe e \u00e9 universal, em todo o mundo homens s\u00e3o em m\u00e9dia mais voltados para o sexo casual do que mulheres.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">3- Essa diferen\u00e7a entre os sexos foi maior nas culturas em que o ambiente reprodutivo era mais exigente, mas foi reduzida a n\u00edveis moderados nas culturas com mais igualdade pol\u00edtica e econ\u00f4mica entre os sexos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A abordagem evolutiva sobre a sexualidade humana tem vantagens por ter grande<strong> <\/strong>abrang\u00eancia, constata\u00e7\u00e3o emp\u00edrica inter-cultural, parcim\u00f4nia e habilidade de gerar novas predi\u00e7\u00f5es. A s\u00f3cio-sexualidade \u00e9 cada vez mais estudada e debatida, e est\u00e1 em franca amplia\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Abordar o sexo casual em suas bases gen\u00e9ticas, filogen\u00e9ticas e adaptativas, s\u00f3 traz explica\u00e7\u00f5es sobre o como as coisas \u201cs\u00e3o\u201d, n\u00e3o sobre como \u201cdevem ser\u201d. O fato de homens serem mais propensos n\u00e3o diminui a culpa de nenhum homem que trai sua mulher, pois essas propens\u00f5es n\u00e3o implicam em um fatalismo incontrol\u00e1vel. Assim, o objetivo dos cientistas \u00e9 entender melhor nossa esp\u00e9cie e n\u00e3o dar diretrizes morais de conduta.<strong><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Adaptado da nossa publica\u00e7\u00e3o original na revista PSIQUE Ci\u00eancia &amp; Vida, ano I n\u00ba 9<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas: <\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"justify\"><span lang=\"EN-US\">BAILEY, J. M., DUNNE, M. P., KIRK, K. M., ZHU, G. &amp; MARTIN N. G. Do individual Differences in Sociosexuality Represent Genetic or Environmentally Contigent Strategies? Evidence From the Australian Twin Registry<strong>.<\/strong> <strong>Journal of Personality and Social Psychology<\/strong>, 2000, v. 78, n. 3, p. 537-545.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\"><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\">BELSKY, J., STEINBERG, L. &amp; DRAPER, P. Childhood experience, interpersonal development, and reproductive strategy: an evolutionary theory of socialization. <strong>Child development<\/strong>, 1991, v. 62, p. 647-670.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\"><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\">BUSS D. M. Sexual strategies theory: Historical Origins and Current Status. <strong>The Journal of Sex Research<\/strong><em>,<\/em> 1998,<em> <\/em>v. 35, p. 19-31.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\"><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\">MIKACH, S. M. &amp; BAILEY, J. M. What distinguishes women with unusually high numbers of sex partners? <strong>Evolution and Human Behavior<\/strong>, 1999, v. 20, p. 141-150.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"FR\"><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"FR\">SCHMITT, D. P. et al. <\/span><span lang=\"EN-US\">Sociosexuality from Argentina to Zimbabwe: a 48-nation study of sex, culture and strategies of human mating<em>. <\/em><strong>Behavioral and Brain Sciences<\/strong><em>, <\/em>2005, v. 28, p. 247-275.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\"><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\">SIMPSON, J. A. &amp; GANGESTAD, S. W. (1991). Individual differences in sociosexuality: evidence for convergent and discriminant validity. <strong>Journal of Personality and Social Psychology<\/strong>, v. 60, n 6, p. 870-883.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marco A. C. Varella e Jos\u00e9 H. B. P. Ferreira Jos\u00e9 H. B. P. 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