{"id":26,"date":"2008-02-23T22:18:00","date_gmt":"2008-02-24T01:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/2008\/02\/dica-de-livro-a-tripla-helice\/"},"modified":"2008-02-23T22:18:00","modified_gmt":"2008-02-24T01:18:00","slug":"dica-de-livro-a-tripla-helice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/2008\/02\/23\/dica-de-livro-a-tripla-helice\/","title":{"rendered":"Dica de Livro &#8211; A Tripla H\u00e9lice"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DG8ltezHI\/AAAAAAAAANo\/CIH2zvGvwL0\/s1600-h\/a+tr\u00c3\u00adpla+h\u00c3\u00a9lice.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/a+tr%C3%ADpla+h%C3%A9lice1.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DHIVtezII\/AAAAAAAAANw\/h7YJbwEXnrQ\/s1600-h\/Lewontin2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/Lewontin2.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div>Nascido em 1929, geneticista renomado de Harvard e aluno do memor\u00e1vel T. Dobzhansky, <a href=\"http:\/\/www.kli.ac.at\/theorylab\/AuthPage\/L\/LewontinRC.html\">Richard Lewontin <\/a>p\u00f5e em xeque vis\u00f5es simplistas sobre gen\u00e9tica e evolu\u00e7\u00e3o, ataca o determinismo gen\u00e9tico e ressalta a complexidade dos processos biol\u00f3gicos advindos das inter-rela\u00e7\u00f5es entre gene, organismo e ambiente. A Tripla H\u00e9lice \u00e9 um livro curto e direto, composto de quatro cap\u00edtulos, fruto de confer\u00eancias que deu em Mil\u00e3o e acrescido do \u00faltimo cap\u00edtulo. Escrito em linguagem simples e envolvente e oferecendo racioc\u00ednios complexos seu livro permite uma leitura interessante e proveitosa para todos da \u00e1rea biol\u00f3gica atentos aos modos como sua ci\u00eancia vem sendo feita, patrocinada, ensinada e divulgada.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DHzFtezJI\/AAAAAAAAAN4\/13Oijdxg4E0\/s1600-h\/dna+c\u00c3\u00b3smico.gif\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: right;margin: 0px 0px 10px 10px;width: 235px;cursor: hand;height: 271px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/dnacC3B3smico.png\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"297\" \/><\/a><\/div>\n<p>No primeiro cap\u00edtulo, <strong>Gene e Organismo<\/strong>, Lewontin faz uma profunda an\u00e1lise das inter-rela\u00e7\u00f5es entre gene e organismo na forma\u00e7\u00e3o do fen\u00f3tipo durante o desenvolvimento e condena a separa\u00e7\u00e3o entre ambos. Ele ressalta os perigos das met\u00e1foras na ci\u00eancia, esclarece mal-entendidos mais comuns sobre DNA, gene e genoma e relativiza a import\u00e2ncia do seq\u00fcenciamento do genoma humano dizendo que os genes s\u00e3o apenas uma parte, n\u00e3o isolada do ambiente, do desenvolvimento do organismo.<\/p>\n<div>\n<a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DIKltezKI\/AAAAAAAAAOA\/bPxjkz-aR6k\/s1600-h\/zoom+dna+replica\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DIKltezKI\/AAAAAAAAAOA\/bPxjkz-aR6k\/s320\/zoom+dna+replica%C3%A7%C3%A3o.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Para Lewontin, a linguagem metaf\u00f3rica \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 ci\u00eancia, por\u00e9m \u00e9 muito perigosa j\u00e1 que \u00e9 comum confundirmos a met\u00e1fora com o objeto de pesquisa. Por isso, endossa a frase de que \u201co pre\u00e7o da met\u00e1fora \u00e9 a eterna vigil\u00e2ncia\u201d-. O foco de sua vigil\u00e2ncia desse cap\u00edtulo \u00e9 desconstruir a no\u00e7\u00e3o pretensiosa de que \u00e9 poss\u00edvel prever o organismo atrav\u00e9s da seq\u00fc\u00eancia do DNA, de que o genoma humano seq\u00fcenciado \u00e9 saber \u201co que \u00e9\u201d ser humano, de que o DNA \u00e9 \u201cauto-replicante\u201d num sentido de auto-sufici\u00eancia, de que o DNA sozinho \u201cproduz\u201d novas prote\u00ednas e que em isolado a seq\u00fc\u00eancia do DNA \u00e9 o \u201csanto graal\u201d da Biologia.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DIkVtezLI\/AAAAAAAAAOI\/tE385GeYsYA\/s1600-h\/epigenesis_Preformation1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/epigenesis_Preformation1.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div>Na busca das ra\u00edzes dessas concep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas, Lewontin chega \u00e0 filosofia da ci\u00eancia, \u00e0 etimologia e \u00e0 metodologia em gen\u00e9tica humana. Em Descartes ele identifica nossa tend\u00eancia em dar mais valor epistemol\u00f3gico ao objeto do que em suas inter-rela\u00e7\u00f5es internas e externas. No debate pr\u00e9-moderno sobre a gera\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, em que pr\u00e9-formacionistas e epigenistas buscavam explicar o desenvolvimento, ele identifica resqu\u00edcios de pr\u00e9-formacionismo na supervaloriza\u00e7\u00e3o do gene como a \u201ccausa\u201d do organismo. At\u00e9 a origem da palavra desenvolvimento tem marcas pr\u00e9-formacionistas, pois sua raiz \u00e9 a mesma para o processo de revela\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica. Nesse sentido, o filme fotogr\u00e1fico j\u00e1 cont\u00e9m todos os elementos da foto e a seq\u00fc\u00eancia gen\u00e9tica j\u00e1 cont\u00e9m todas as \u201cinforma\u00e7\u00f5es\u201d do organismo. Assim como no processo de revela\u00e7\u00e3o, os banhos qu\u00edmicos d\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o aparecimento da foto, o ambiente \u00e9 visto apenas como dando as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, normais, para o aparecimento do organismo durante o processo de desenvolvimento ontogen\u00e9tico.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DI91tezMI\/AAAAAAAAAOQ\/DgFoH4DLLjE\/s1600-h\/dna+e+feto.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/dna+e+feto.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a> As metodologias cient\u00edficas dispon\u00edveis tamb\u00e9m influenciam as concep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas envolvendo genes e desenvolvimento. A gen\u00e9tica humana usa muito as muta\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas como m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia de um gene no desenvolvimento. Mas apenas a minoria das muta\u00e7\u00f5es \u00e9 do tipo dr\u00e1stico e o efeito mutado \u00e9 facilmente tido como \u201ccausado\u201d apenas pelo gene mutado. A Biologia Experimental \u00e9 limitada em manipular uma causa por meio de grandes muta\u00e7\u00f5es, o que faz com que os bi\u00f3logos experimentais confundam as limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas dos experimentos com as explica\u00e7\u00f5es corretas dos fen\u00f4menos. E isso leva ao pensamento de que toda a diferen\u00e7a individual est\u00e1 nos genes.<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DJZ1tezNI\/AAAAAAAAAOY\/oiNjZ6QRreM\/s1600-h\/dna_infograph1.gif\" data-rel=\"lightbox-image-6\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/dna_infograph1.png\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div>Na verdade o desenvolvimento ontogen\u00e9tico \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o singular entre genes, a seq\u00fc\u00eancia temporal dos ambientes externos e eventos aleat\u00f3rios, que \u00e9 o ru\u00eddo do desenvolvimento. Essa intera\u00e7\u00e3o singular entre gene e ambiente \u00e9 tal que o ordenamento dos fen\u00f3tipos n\u00e3o apresenta nenhuma correspond\u00eancia com nenhum ordenamento a priori dos gen\u00f3tipos e dos ambientes em separado. E essa n\u00e3o correspond\u00eancia ainda \u00e9 complexificada pelo ru\u00eddo do desenvolvimento.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DKJVtezOI\/AAAAAAAAAOg\/RI3EBkZxVz0\/s1600-h\/22+darwin+gal\u00c3\u00a3.gif\" data-rel=\"lightbox-image-7\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/22+darwin+gal%C3%A3.gif\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div>No segundo cap\u00edtulo, <strong>Organismo e Ambiente<\/strong>, Lewontin analisa o pensamento adaptacionista, sua origens hist\u00f3ricas e ressalta as inter-rela\u00e7\u00f5es entre organismo e ambiente condenando a separa\u00e7\u00e3o entre ambos e descontruindo o papel passivo do organismo frente ao ambiente. Darwin, ao inaugurar o pensamento evolucionista por meio a sele\u00e7\u00e3o natural, fez uma separa\u00e7\u00e3o entre processos internos e externos. A varia\u00e7\u00e3o individual \u00e9 fruto de processos internos independentes e a sele\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de processos externos independentes. Essa distin\u00e7\u00e3o foi importante, pois desmistificou o holismo obscurantista entre org\u00e2nico e inorg\u00e2nico existente na \u00e9poca, mas n\u00e3o nos ajuda mais agora.<\/div>\n<div>\n<a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DKwltezPI\/AAAAAAAAAOo\/iAPJ_txoEpw\/s1600-h\/castor.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-8\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"float: right;margin: 0px 0px 10px 10px;width: 232px;cursor: hand;height: 149px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/castor.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"140\" \/><\/a>Os ecos dessa concep\u00e7\u00e3o inicial s\u00e3o encontrados em met\u00e1foras para a adapta\u00e7\u00e3o como a que o organismo prop\u00f5e e o ambiente disp\u00f5e, que o organismo faz conjecturas e o ambiente as refuta, ou ainda a que o ambiente lan\u00e7a problemas e os organismos lan\u00e7am solu\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias. A id\u00e9ia err\u00f4nea subjacente a essas concep\u00e7\u00f5es \u00e9 que o ambiente de um organismo \u00e9 casualmente independente dele e que as altera\u00e7\u00f5es ambientais s\u00e3o aut\u00f4nomas e desconectadas com as altera\u00e7\u00f5es na pr\u00f3pria esp\u00e9cie. Para Lewontin o processo evolutivo real \u00e9 mais captado pelo processo de constru\u00e7\u00e3o, o que torna mais ativa a participa\u00e7\u00e3o do organismo nas suas press\u00f5es seletivas.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DLEltezQI\/AAAAAAAAAOw\/3H2jXlO6IsU\/s1600-h\/ambiente+sem+nos.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-9\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DLEltezQI\/AAAAAAAAAOw\/3H2jXlO6IsU\/s320\/ambiente+sem+nos.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"265\" \/><\/a>Segundo Lewontin, n\u00e3o existe organismo sem ambiente assim como n\u00e3o existe ambiente sem organismo. H\u00e1 uma confus\u00e3o cl\u00e1ssica entre o fato da exist\u00eancia do mundo f\u00edsico externo ao organismo que continuaria a existir na sua aus\u00eancia e a afirma\u00e7\u00e3o de que os ambientes existem sem e independente dos organismos. Os ambientes n\u00e3o s\u00e3o simples condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, s\u00e3o os espa\u00e7os funcionais definidos pelas atividades dos pr\u00f3prios organismos. Os organismos determinam os aspectos do mundo exterior que s\u00e3o relevantes para eles e constroem ativamente um mundo a sua volta, promovendo um processo constante de altera\u00e7\u00e3o ambiental na medida em que as condi\u00e7\u00f5es relevantes se tornam parte de seu ambiente.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DL7FtezRI\/AAAAAAAAAO4\/PCy-IErKlgo\/s1600-h\/Man_as_machine.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-10\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"float: right;margin: 0px 0px 10px 10px;width: 177px;cursor: hand;height: 354px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/Man_as_machine.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"359\" \/><\/a>No terceiro cap\u00edtulo, <strong>Partes e Todos, Causas e Efeitos<\/strong>, Lewontin aponta as dificuldades da aplica\u00e7\u00e3o das explica\u00e7\u00f5es anal\u00edtico-mecanicistas aos seres vivos, ressalta as singularidades e complexidades dos processos biol\u00f3gicos e integra as inter-rela\u00e7\u00f5es de gene e ambiente com as de organismo e ambiente. O \u00eaxito oportunista do modelo anal\u00edtico de Descartes levou a uma concep\u00e7\u00e3o simplista das rela\u00e7\u00f5es entre partes e todos e entre causas e efeitos. E quando \u00e9 aplicado ao estudo dos organismos o modelo \u201cm\u00e1quina\u201d apresenta dificuldades advindas da incompatibilidade entre sua simplifica\u00e7\u00e3o e as caracter\u00edsticas singulares dos seres vivos.<\/div>\n<div>Os seres vivos possuem tamanho intermedi\u00e1rio entre o micro-cosmo e o macro- cosmo, s\u00e3o internamente heterog\u00eaneos de maneiras relevantes para suas fun\u00e7\u00f5es vitais e entram em rela\u00e7\u00f5es causais complexas com outros sistemas heterog\u00eaneos. Dadas essas caracter\u00edsticas a separa\u00e7\u00e3o entre causa e efeito se torna problem\u00e1tica, pois o organismo \u00e9 um nexo de um grande n\u00famero de for\u00e7as internas e externas fracamente determinantes, sendo nenhuma dominante, e n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico e \u00f3bvio modo de dividir um organismo em \u201c\u00f3rg\u00e3os\u201d apropriados para a an\u00e1lise causal de fun\u00e7\u00f5es diferentes. Al\u00e9m disso, os processos org\u00e2nicos apresentam uma conting\u00eancia hist\u00f3rica que impede explica\u00e7\u00f5es e generaliza\u00e7\u00f5es universalistas.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DMgltezSI\/AAAAAAAAAPA\/NckIGzzGt4Y\/s1600-h\/tripla+h\u00c3\u00a9lice+figura.JPG\" data-rel=\"lightbox-image-11\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/tripla+h%C3%A9lice+figura.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>As rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas entre <strong>Gene, Organismo e Ambiente<\/strong>, <strong>os elementos da Tripla H\u00e9lice<\/strong>, s\u00e3o ressaltadas. Os organismos n\u00e3o est\u00e3o codificados nos seus genes porque o ambiente em que o desenvolvimento ocorre tem que ser considerado. E o ambiente est\u00e1 codificado nos genes do organismo uma vez que as atividades do organismo \u00e9 que constr\u00f3i o ambiente. Ent\u00e3o gene e ambiente causam o organismo via desenvolvimento, genes e organismos causam o ambiente via ecologia e organismo e ambiente co-evoluem causando as press\u00f5es seletivas sobre os genes.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DM2VtezTI\/AAAAAAAAAPI\/VPgqDDhPanA\/s1600-h\/Lewontin1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-12\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/Lewontin1.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>No capitulo final, <strong>Dire\u00e7\u00f5es no Estudo da Biologia<\/strong>, Lewontin menospreza as alternativas ao reducionismo vindas da f\u00edsica, ressalta as caracter\u00edsticas \u00fanicas dos sistemas vivos e fecha com um otimismo para futuras pesquisas e descobertas na Biologia. Frequentemente cientistas de diversas \u00e1reas n\u00e3o biol\u00f3gicas reconhecem que o modelo \u201cm\u00e1quina\u201d fracassou para explicar a vida. O problema \u00e9 que eles assumem que uma solu\u00e7\u00e3o melhor deve vir de fora como da f\u00edsica, sem perceberem que o modelo falha justamente por n\u00e3o compreender os seres vivos em seus pr\u00f3prios termos. As tentativas nesse sentido mais famosas s\u00e3o a da aplica\u00e7\u00e3o da teoria da cat\u00e1strofe, da teoria do caos, e da complexidade aos organismos vivos.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DNH1tezUI\/AAAAAAAAAPQ\/1GGw7cZwv-Y\/s1600-h\/mutation.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-13\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/mutation.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Os sistemas biol\u00f3gicos s\u00e3o sistemas abertos internamente heterog\u00eaneos e hist\u00f3ricos. De sua caracter\u00edstica aberta adv\u00e9m a flexibilidade universal dos limites entre o interior e o exterior. E de sua heterogeneidade interna adv\u00e9m que a forma \u00e9 requisito para entender as fun\u00e7\u00f5es e da\u00ed o perigo de fazer extrapola\u00e7\u00f5es de exemplos convenientes para toda a Biologia, como no caso das muta\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas como modelo para compreender \u201co papel\u201d dos genes.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R8DO4FtezVI\/AAAAAAAAAPY\/SiUdK5cX5vA\/s1600-h\/biologycollage.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-14\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"float: right;margin: 0px 0px 10px 10px;width: 327px;cursor: hand;height: 223px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/biologycollage.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"217\" \/><\/a>Nos cap\u00edtulos anteriores Lewontin vigilantemente ressaltou e ilustrou aspectos que para ele s\u00e3o bem conhecidos, em algum n\u00edvel da consci\u00eancia, por todos os bi\u00f3logos. A Biologia n\u00e3o precisa de novas leis e novos princ\u00edpios explicativos, mas necessita de uma compreens\u00e3o menos simplista e mais integrativa de seus processos segundo suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas singulares. Apresentar e desconstruir os vi\u00e9ses e as simplifica\u00e7\u00f5es das concep\u00e7\u00f5es sobre gene, organismo e ambiente e incorporar os novos conceitos \u00e0s metodologias de pesquisa foram as maneira encontradas por Lewontin para que novos conhecimentos sejam incorporados \u00e0 estrutura das explica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas.<\/div>\n<div><strong>\u201cA Tripla H\u00e9lice \u2013 Gene, Organismo e Ambiente\u201d Richard Lewontin. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2002.<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido em 1929, geneticista renomado de Harvard e aluno do memor\u00e1vel T. Dobzhansky, Richard Lewontin p\u00f5e em xeque vis\u00f5es simplistas sobre gen\u00e9tica e evolu\u00e7\u00e3o, ataca o determinismo gen\u00e9tico e ressalta a complexidade dos processos biol\u00f3gicos advindos das inter-rela\u00e7\u00f5es entre gene, organismo e ambiente. 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