{"id":34,"date":"2008-03-09T11:35:00","date_gmt":"2008-03-09T14:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/2008\/03\/somos-dominados-por-genes-ou-por-mal-entendidos\/"},"modified":"2008-03-09T11:35:00","modified_gmt":"2008-03-09T14:35:00","slug":"somos-dominados-por-genes-ou-por-mal-entendidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/2008\/03\/09\/somos-dominados-por-genes-ou-por-mal-entendidos\/","title":{"rendered":"Somos dominados por genes ou por mal-entendidos?"},"content":{"rendered":"<div><strong>Por Isabella Bertelli Cabral dos Santos e Marco Ant\u00f4nio Corr\u00eaa Varella.<\/strong><\/div>\n<div>Isabella Bertelli Cabral dos Santos \u00e9 graduanda em Psicologia pela USP e bolsista em Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica pelo CNPq em Psicologia Experimental. Possui o blog <a href=\"http:\/\/www.cienciaemente.blogspot.com\/\">Cient\u00edfica Mente <\/a>e \u00e9 minha namorada.<\/div>\n<div><em><\/em><\/div>\n<div><em><\/em><\/div>\n<div><em><\/em><\/div>\n<div><em>A livre interpreta\u00e7\u00e3o dos estudos formulados \u00e0 luz da Psicologia Evolucionista tem provocado uma s\u00e9rie de id\u00e9ias equivocadas acerca do comportamento humano e da pr\u00f3pria disciplina.<\/em><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9PtsisNnyI\/AAAAAAAAATI\/1GI1vHCqVYI\/s1600-h\/what-is-ep.gif\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/what-is-ep.png\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"172\" \/><\/a>A Psicologia Evolucionista \u00e9 uma \u00e1rea recente que tem enriquecido a investiga\u00e7\u00e3o dos processos psicol\u00f3gicos e promovido o entendimento de in\u00fameros aspectos do comportamento humano. Como em toda ci\u00eancia, existem muitas cr\u00edticas pertinentes a ela. Contudo, grande parte das controv\u00e9rsias com freq\u00fc\u00eancia decorre de preconceitos e mal-entendidos por parte de pesquisadores de outras \u00e1reas, divulgadores cient\u00edficos e do p\u00fablico em geral. \u00c9 comum resultarem interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas, comumente veiculadas pela m\u00eddia, a partir de estudos realizados sob essa linha te\u00f3rica.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9PvMSsNnzI\/AAAAAAAAATQ\/1b7XKPsu0Mc\/s1600-h\/gene+da+matem\u00c3\u00a1tica.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9PvMSsNnzI\/AAAAAAAAATQ\/1b7XKPsu0Mc\/s320\/gene+da+matem%C3%A1tica.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter visto manchetes como \u201cA linguagem \u00e9 inata\u201d, \u201cInfidelidade est\u00e1 nos genes\u201d, \u201cM\u00e3es n\u00e3o teriam amor aos filhos, e sim \u00e0 sua heran\u00e7a gen\u00e9tica\u201d, s\u00f3 para citar alguns exemplos. Ou provavelmente j\u00e1 leu alguma mat\u00e9ria sobre a evolu\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre homens e mulheres e achou tudo uma grande bobagem, pois isso nada tem a ver com genes, e sim com a cultura. Dizer que existem aspectos comportamentais herdados parece uma tentativa de naturalizar as diferen\u00e7as e, portanto, de justific\u00e1-las. Mas ser\u00e1 que \u00e9 isso mesmo?<\/div>\n<p>Teste seus conhecimentos sobre a Psicologia Evolucionista descobrindo o que ela <strong>n\u00e3o \u00e9.<\/strong><\/p>\n<div><strong>A Psicologia Evolucionista&#8230;<\/strong><\/div>\n<ul>\n<li><strong>&#8230; n\u00e3o diz que comportamentos adaptativos est\u00e3o presentes no nascimento.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><strong><\/strong><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9Pv_CsNn0I\/AAAAAAAAATY\/Gf3KuUFsJWg\/s1600-h\/bebes.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/bebes.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a> Essa vis\u00e3o inatista extrema n\u00e3o faz sentido nem para as adapta\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas. Beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos n\u00e3o t\u00eam dentes, barba ou seios, o que n\u00e3o implica em dizer que \u201caprendemos\u201d a ter dentes, barba ou seios. Esses s\u00e3o produtos da evolu\u00e7\u00e3o e isso inclui sua matura\u00e7\u00e3o e desenvolvimento tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, eles se desenvolvem no per\u00edodo em que promovem sua vantagem adaptativa: no caso dos dentes, depois do desmame, e no caso de barba e seios, na puberdade. O mesmo argumento \u00e9 v\u00e1lido para o desenvolvimento de comportamentos humanos como gostar do sexo oposto e ajudar parentes. N\u00e3o \u00e9 porque nascemos sem interesse em escolher parceiros amorosos que forma\u00e7\u00e3o de casais em humanos n\u00e3o envolve instinto algum;<\/div>\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que nosso comportamento \u00e9 geneticamente determinado.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9PxXisNn1I\/AAAAAAAAATg\/CxMikg077zY\/s1600-h\/Times+sociobiology.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/Times+sociobiology.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div>Genes n\u00e3o s\u00e3o deterministas implac\u00e1veis como no caso das ervilhas de Mendel. A express\u00e3o dos genes durante o desenvolvimento do sistema nervoso e durante o funcionamento de nosso c\u00e9rebro muda constantemente em resposta a acontecimentos fora de nosso corpo. Os genes prov\u00eaem os mecanismos para a experi\u00eancia porque constroem os dispositivos cognitivos que nos capacitam a obter informa\u00e7\u00f5es do ambiente. Temos propens\u00f5es gen\u00e9ticas para aprendermos facilmente a falar em uma idade muito precoce, mas se n\u00e3o tivermos contato com falantes n\u00f3s n\u00e3o aprendemos a falar. O que n\u00e3o implica em n\u00e3o sermos capazes de aprender outras l\u00ednguas em outras idades. N\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o nascemos falando portugu\u00eas que a linguagem n\u00e3o envolve predisposi\u00e7\u00f5es cognitivas, assim como n\u00e3o \u00e9 porque temos propens\u00f5es cognitivas para aprender a linguagem quando crian\u00e7as que n\u00e3o aprenderemos outros idiomas em outras idades;<\/div>\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que n\u00e3o temos flexibilidade comportamental.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9PyuysNn2I\/AAAAAAAAATo\/FPmnYkpzOis\/s1600-h\/bebe+computador.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/bebe+computador.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Ter adapta\u00e7\u00f5es mentais n\u00e3o significa dizer que sempre faremos e agiremos do mesmo jeito. Pense em computadores. Imagine qual computador \u00e9 mais flex\u00edvel e faz mais coisas diferentes e de forma variada: aquele que n\u00e3o tem quase nenhum programa instalado e tem muita mem\u00f3ria livre, ou aquele que j\u00e1 vem com muitos programas instalados? \u00c9 claro que o mais flex\u00edvel \u00e9 aquele com mais programas diferentes instalados. Para o comportamento \u00e9 a mesma coisa. Parece contra-intuitivo falar que se fossemos t\u00e1bulas rasas n\u00e3o ter\u00edamos quase nenhuma flexibilidade comportamental. Mas ao pensar nos computadores fica claro que quanto mais m\u00f3dulos mentais tivermos, mais flex\u00edvel e pluralista ser\u00e1 nosso comportamento. Dizer que temos um programa de edi\u00e7\u00e3o de texto ricamente instalado n\u00e3o implica em dizer que independente do que for digitado sempre sair\u00e1 o mesmo texto da impressora;<\/div>\n<ul>\n<li><strong>&#8230; n\u00e3o diz que comportamentos s\u00e3o adapta\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P0NysNn3I\/AAAAAAAAATw\/SBgIFcTzcyQ\/s1600-h\/impressora.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/impressora.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div>Comportamentos podem ser adaptativos, mas n\u00e3o herdamos diretamente comportamentos especificamente codificados ou programados. N\u00f3s herdamos as estruturas cognitivas, ou m\u00f3dulos mentais, que s\u00e3o as adapta\u00e7\u00f5es referentes ao comportamento. E s\u00e3o os m\u00f3dulos mentais na sua intera\u00e7\u00e3o com o ambiente em que vivemos que produzem comportamentos dentro de cada contexto cultural. Voltando ao paralelo do computador, o que \u00e9 herdado, ou seja, o que vem de f\u00e1brica n\u00e3o \u00e9 o texto impresso, mas sim o programa de edi\u00e7\u00e3o de textos. Portanto, o foco n\u00e3o recai sobre o comportamento manifesto, mas sim nas estruturas cognitivas que o geraram;<\/div>\n<ul>\n<li><strong>&#8230; n\u00e3o diz que n\u00e3o precisamos aprender nada.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P1aisNn5I\/AAAAAAAAAUA\/QsNVAmZc_Mk\/s1600-h\/m\u00c3\u00a3e+ensina+filho.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-6\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/mC3A3eensinafilho.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"111\" height=\"109\" \/><\/a>Pensar que instinto e aprendizagem s\u00e3o coisas opostas, excludentes ou inversamente proporcionais \u00e9 um erro muito comum. Trata-se do velho debate inato x aprendido. Justamente porque temos instintos \u00e9 que somos capazes de aprender. N\u00e3o somos umas esp\u00e9cie que aprende muito por que temos menos instintos, mas sim por que temos muitos. Os m\u00f3dulos mentais s\u00e3o abertos e \u00e1vidos por informa\u00e7\u00f5es ambientais. Portanto, \u00e9 pela via do aprendizado que manifestamos nossa natureza, e pela via da natureza que temos as propens\u00f5es <a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P1yisNn6I\/AAAAAAAAAUI\/BvEj5RZUV1U\/s1600-h\/word.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-7\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/word.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"170\" \/><\/a>para aprender conte\u00fados culturais e assim participar do mundo social. No paralelo do computador \u00e9 f\u00e1cil perceber que at\u00e9 o programa de edi\u00e7\u00e3o de texto est\u00e1 preparado para aprender, pois inserimos novos tipos de fontes, novas figuras. O programa aprende at\u00e9 palavras novas, se as adicionamos ao dicion\u00e1rio. E isso possibilita inclusive a impress\u00e3o de mais textos diferentes, a partir de um \u00fanico programa;<\/p>\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que a cultura n\u00e3o \u00e9 importante.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P3OisNn7I\/AAAAAAAAAUQ\/GnuE7Mam63g\/s1600-h\/espet\u00c3\u00a1culo+etinogr\u00c3\u00a1fico.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-8\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/espet%C3%A1culo+etinogr%C3%A1fico.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Como a Psicologia Evolucionista reconhece que temos muitos m\u00f3dulos mentais, que s\u00e3o abertos e calibr\u00e1veis, ou seja, pl\u00e1sticos e male\u00e1veis pelo ambiente, e ainda, especializados em gerar e processar conte\u00fados culturais, segundo sua perspectiva, o ser humano \u00e9 biologicamente cultural. A cultura n\u00e3o \u00e9 algo antinatural alheio \u00e0 biologia humana. A cultura \u00e9 parte essencial da natureza humana, influencia e \u00e9 influenciada por nossas adapta\u00e7\u00f5es mentais. Portanto, a diversidade cultural n\u00e3o \u00e9 a prova de que o comportamento humano independe de adapta\u00e7\u00f5es mentais, mas sim de que nossas adapta\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o ricamente voltadas para os contextos culturais em que crescemos;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que as pessoas s\u00e3o id\u00eanticas nos comportamentos.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P39SsNn8I\/AAAAAAAAAUY\/o1dNSo3hCtE\/s1600-h\/clones+Homer.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-9\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/clonesHomer.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Assim como todas as pessoas t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o, dois pulm\u00f5es, dois olhos e um est\u00f4mago, todas as pessoas t\u00eam as mesmas adapta\u00e7\u00f5es cognitivas. A hist\u00f3ria de vida e o contexto ecol\u00f3gico-cultural de cada pessoa influencia seus \u00f3rg\u00e3os, o que faz com que esportistas tenham cora\u00e7\u00e3o e pulm\u00f5es diferentes de fumantes. Assim como as adapta\u00e7\u00f5es mentais de cada pessoa tamb\u00e9m s\u00e3o fruto de uma intera\u00e7\u00e3o \u00fanica com seu ambiente, o que torna cada pessoa \u00fanica. Mesmo que duas pessoas brasileiras tenham as mesmas adapta\u00e7\u00f5es mentais voltadas ao aprendizado da linguagem, e tenham o mesmo contexto cultural da l\u00edngua portuguesa, elas podem ter sotaques e g\u00edrias diferentes segundo as regi\u00f5es espec\u00edficas em que cresceram. E isso n\u00e3o \u00e9 a prova de que elas n\u00e3o t\u00eam adapta\u00e7\u00f5es mentais igualmente, mas sim de que suas adapta\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o abertas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ambiental que varia de regi\u00e3o pra regi\u00e3o;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que comportamentos adaptativos est\u00e3o fora de nosso controle.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P4sCsNn9I\/AAAAAAAAAUg\/KS8N3Rh5wHY\/s1600-h\/medo.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-10\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/medo.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"131\" height=\"131\" \/><\/a>A Sele\u00e7\u00e3o Natural moldou filogeneticamente adapta\u00e7\u00f5es mentais que geram tanto comportamentos adaptativos mais control\u00e1veis \u2013 como a detec\u00e7\u00e3o de trapaceiros e a escolha de parceiros \u2013, quanto os mais incontrol\u00e1veis \u2013 como os medos. Decis\u00f5es r\u00e1pidas frente a riscos reais de morte, assim como medo de cobra ou de altura, s\u00e3o em geral mais incontrol\u00e1veis, j\u00e1 que uma informa\u00e7\u00e3o ambiental e<a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P5dysNn-I\/AAAAAAAAAUo\/fURvD9GEAyQ\/s1600-h\/medo+altura.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-11\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/medo+altura.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>spec\u00edfica potencialmente letal dispara a rea\u00e7\u00e3o adaptativa. Mas o fato de serem adaptativos e pouco control\u00e1veis n\u00e3o implica a impossibilidade de agirmos de modo a minimizar seus efeitos negativos. Saber qual informa\u00e7\u00e3o ambiental influencia o aparecimento de tal comportamento \u2013 como ver uma cobra ou olhar para baixo na roda gigante \u2013 aumenta nossas chances de controlar por antecipa\u00e7\u00e3o nossas tend\u00eancias incontrol\u00e1veis;<\/p>\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que todo comportamento atual \u00e9 adaptativo.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9P7BysNn_I\/AAAAAAAAAUw\/wS_1O2c8tYE\/s1600-h\/ambiente+ancestral.png\" data-rel=\"lightbox-image-12\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/ambiente+ancestral.png\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"338\" \/><\/a>Nossos m\u00f3dulos mentais foram selecionados no ambiente ancestral, ou seja, no ambiente de nossa adaptabilidade evolutiva e n\u00e3o no ambiente moderno e tecnol\u00f3gico atual. Ent\u00e3o, pelo vi\u00e9s da Psicologia Evolucionista muitos de nossos comportamentos atuais s\u00e3o compreendidos como n\u00e3o adaptados, por estarmos deslocados de nosso ambiente natural. Alguns comportamentos que eram adaptativos no ambiente ancestral atualmente podem n\u00e3o ser, a exemplo de comer doces e gordura em excesso. No ambiente ancestral era adaptativo acumularmos o m\u00e1ximo poss\u00edvel de calorias em uma \u00fanica refei\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o havia abund\u00e2ncia de alimentos tal como ocorre hoje. Outros exemplos v\u00e3o no sentido oposto. \u00c9 o caso da pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas. Fomos selecionados em um momento em que faz\u00edamos grande quantidade de exerc\u00edcios f\u00edsicos, pois o modo de locomo\u00e7\u00e3o era andar. Contudo, hoje, no ambiente urbano, sobretudo, h\u00e1 dispon\u00edveis facilidades como os v\u00e1rios tipos de ve\u00edculos e at\u00e9 mesmo dispositivos como as escadas rolantes que auxiliam a locomo\u00e7\u00e3o humana. Isso implica em pouca mobilidade f\u00edsica e acaba gerando riscos para a sa\u00fade;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que as adapta\u00e7\u00f5es s\u00e3o perfeitas<\/strong>.<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9hKcSsNoAI\/AAAAAAAAAU4\/clqwP_lGbTw\/s1600-h\/programadora+cega.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-13\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><\/a><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9hNFisNoBI\/AAAAAAAAAVA\/G28QbP2odyw\/s1600-h\/natural+selection.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-14\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/natural+selection.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"342\" height=\"164\" \/><\/a>Mesmo se estiv\u00e9ssemos em nosso ambiente ancestral vivendo como ca\u00e7adores-coletores nossas adapta\u00e7\u00f5es mentais seriam fal\u00edveis e imperfeitas. Se a sele\u00e7\u00e3o natural mantivesse um perfeito medo de cobras de modo a que as pessoas jamais sa\u00edssem de suas casas, seriam drasticamente reduzidos os casos de mortes por picada de cobra. No entanto, haveria um custo alto a pagar: a capacidade explorat\u00f3ria humana seria inexistente, o que resultari<a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PHSBinK1I\/AAAAAAAAAYM\/tpkOgVYyue8\/s1600-h\/relojoeiro+cego.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-15\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/relojoeiro+cego.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>a em falta de alimento, e conseq\u00fcentemente nos levaria \u00e0 morte. As adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o perfeitas porque se fossem muito eficazes seus custos ultrapassariam seus benef\u00edcios \u00e0 sobreviv\u00eancia e \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as press\u00f5es seletivas s\u00e3o cegas quanto a um objetivo final a ser atingido futuramente pela adapta\u00e7\u00e3o. Sendo assim, o modo como um problema adaptativo foi solucionado pela sele\u00e7\u00e3o natural, ou seja pelo relojoeiro cego, quase nunca equivale \u00e0quele pelo qual um engenheiro o solucionaria, partindo do zero e pensando em simplicidade, efici\u00eancia e economia. Somado a este fato, n\u00e3o se pode esquecer que as adapta\u00e7\u00f5es nunca s\u00e3o exatamente iguais dentro da popula\u00e7\u00e3o, ou seja, mesmo se ela tiver atingido um n\u00edvel \u00f3timo, este n\u00edvel ser\u00e1 melhor para alguns do que para outros, pois sempre existe uma varia\u00e7\u00e3o individual, que \u00e9 a mat\u00e9ria-prima da evolu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<ul>\n<li><strong>&#8230; n\u00e3o diz que h\u00e1 genes para o ego\u00edsmo.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9hNmisNoCI\/AAAAAAAAAVI\/jMRLRI6kJwc\/s1600-h\/gene+ego\u00c3\u00adsta.png\" data-rel=\"lightbox-image-16\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/geneegoC3ADsta.png\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>A abordagem do gene ego\u00edsta n\u00e3o \u00e9 uma abordagem molecular para o ego\u00edsmo. O gene ego\u00edsta n\u00e3o \u00e9 \u201caquilo\u201d que pessoas ego\u00edstas t\u00eam. Muito menos a teoria diz que todos os genes t\u00eam desejos conscientes ego\u00edstas, como se eles s\u00f3 \u201cpensassem\u201d em si pr\u00f3prios. Os genes n\u00e3o possuem desejos conscientes. Eles simplesmente se auto-replicam. Aqueles que n\u00e3o se auto-replicaram n\u00e3o sobreviveram e n\u00e3o est\u00e3o representados hoje. O padr\u00e3o de auto-replica\u00e7\u00e3o cega produz resultados que por vezes s\u00e3o interpretados como se determinados genes tivessem interesse em ser mais representados nas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Tais genes n\u00e3o \u201ct\u00eam\u201d realmente esse interesse, mas agem cegamente como se tivessem. Trata-se de uma analogia com os interesses humanos. Usa-se a voz ativa e coloca-se inten\u00e7\u00e3o pessoal onde n\u00e3o h\u00e1;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que as pessoas inconscientemente visam aumentar a replica\u00e7\u00e3o de seus genes nas gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R9hOqCsNoDI\/AAAAAAAAAVQ\/g8SEBdkRa-o\/s1600-h\/sucesso+reprodutivo.png\" data-rel=\"lightbox-image-17\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/sucesso+reprodutivo.png\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"155\" \/><\/a>Confundir os interesses dos genes com os das pessoas \u00e9 uma das principais confus\u00f5es feitas com a Psicologia Evolucionista. Exemplo: \u201cO adult\u00e9rio n\u00e3o pode ser uma estrat\u00e9gia para propagar os genes ego\u00edstas, pois os ad\u00falteros tomam provid\u00eancias contraceptivas\u201d. O desejo sexual e o desejo de ter filhos n\u00e3o s\u00e3o uma estrat\u00e9gia das pessoas para propagarem seus genes. S\u00e3o uma estrat\u00e9gia das pessoas para obter os prazeres do sexo e os prazeres de <a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PIFRinK2I\/AAAAAAAAAYU\/Tlt2chMJFac\/s1600-h\/prazer+de+comer.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-18\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/prazerdecomer.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>serem pais, e esses prazeres s\u00e3o a estrat\u00e9gia dos genes para propagarem-se nos filhos. Gene ego\u00edsta n\u00e3o implica em uma pessoa que faz tudo pensando em seus genes. As pessoas n\u00e3o pensam no que seria melhor pra seus genes, elas simplesmente comem pelo prazer de comer, pra matar a fome e por qualquer outra cren\u00e7a e desejo. J\u00e1 os genes modelaram o desejo de comer quando se replicaram em pessoas que se alimentavam bem e conseq\u00fcentemente sobreviviam e reproduziam. O interesse dos genes e o interesse das pessoas est\u00e3o separados por diferen\u00e7as gigantescas em unidades de tempo. O interesse pessoal \u00e9 pautado pelo hoje, ontem, amanh\u00e3, m\u00eas que vem, vida toda, enquanto o interesse do gene \u00e9 pautado pela persist\u00eancia de press\u00f5es adaptativas em sucessivas gera\u00e7\u00f5es no ambiente ancestral ao longo de milh\u00f5es de anos;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<ul><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PIyhinK3I\/AAAAAAAAAYc\/omn8YhYdjVk\/s1600-h\/liberdade.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-19\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/liberdade.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o diz que n\u00e3o somos livres. <\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Como voc\u00ea p\u00f4de perceber, n\u00f3s vivemos em uma unidade de tempo mais r\u00e1pida que a de nossos genes. Isso implica em n\u00e3o sermos dominados e controlados por eles. Somos livres para escolher n\u00e3o comer doces, se assim quisermos, e livres para seguir o prop\u00f3sito de n\u00e3o ter filhos, se assim o desejamos, livres para abdicar do sexo e at\u00e9 da pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Temos esses pequenos vi\u00e9ses herdados em comer doce, ter filhos, praticar sexo e sobreviver, o que torna mais prov\u00e1vel realizarmos tudo isso e mais dif\u00edcil resistir a esses comportamentos, por sermos herdeiros de ancestrais que sobreviveram a ponto de deixar descendentes. Tais propens\u00f5es foram moldadas no ambiente ancestral e n\u00e3o no atual. Ent\u00e3o somos livres para fazermos o que bem entendermos agora com nosso corpo e com nossa mente.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o \u00e9 sexista ou machista.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PJeBinK4I\/AAAAAAAAAYk\/A-PUk5yLi6A\/s1600-h\/machismo+n\u00c3\u00a3o+\u00c3\u00a9+estilo.png\" data-rel=\"lightbox-image-20\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/machismo+n%C3%A3o+%C3%A9+estilo.png\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>A Psicologia Evolucionista vem descobrindo muitas diferen\u00e7as psicol\u00f3gicas in\u00e9ditas entre homens e mulheres. Essas descobertas t\u00eam gerado confus\u00e3o e muitos apregoam ser esta uma teoria baseada em machismo ou sexismo. Essa confus\u00e3o vem de tr\u00eas problemas: Primeiro, a generaliza\u00e7\u00e3o ing\u00eanua. Assim, dizer que os homens s\u00e3o, em m\u00e9dia, maiores que as mulheres n\u00e3o significa que todos os homens sejam mais altos do que todas as mulheres. Dizer que as mulheres t\u00eam mais flu\u00eancia verbal que os homens n\u00e3o quer dizer que todos os homens sejam praticamente mudos. Depois vem <a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PJ0BinK5I\/AAAAAAAAAYs\/JlcaOqXFdyU\/s1600-h\/machismo+\u00c3\u00a9+droga.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-21\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/machismoC3A9droga.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>o preconceito. O preconceito ocorre quando ingenuamente julgamos a priori uma pessoa pela m\u00e9dia dos atributos de seu grupo. Dizer que homens t\u00eam mais facilidade para a localiza\u00e7\u00e3o espacial n\u00e3o habilita ningu\u00e9m a destratar, desmerecer ou desqualificar uma mulher por seu modo de dirigir. Finalmente vem a confus\u00e3o entre diferen\u00e7a e desigualdade. Nenhuma diferen\u00e7a anat\u00f4mica ou mental entre homens e mulheres implica qualquer julgamento de valor. Todos os seres humanos devem, por princ\u00edpio, ter iguais direitos e oportunidades. N\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre sermos diferentes e termos garantias de igualdade de direitos;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230; n\u00e3o embasa julgamentos morais, nem justifica nossas a\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PKTxinK6I\/AAAAAAAAAY0\/Er3i9hi1KY8\/s1600-h\/fal\u00c3\u00a1cia+naturalista.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-22\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/falC3A1cianaturalista.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Confundir explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas com recomenda\u00e7\u00f5es ou justificativas morais \u00e9 o erro mais perigoso, por seu forte conte\u00fado emocional. \u00c9 conhecido como fal\u00e1cia naturalista e implica numa nivela\u00e7\u00e3o equivocada entre o \u201c\u00e9\u201d das explica\u00e7\u00f5es descritivas e o \u201cdeve ser\u201d das recomenda\u00e7\u00f5es morais. Enquanto cientistas \u2013 cientes de que todo conhecimento tem um grau de incerteza \u2013 usam o verbo \u201cdever\u201d no sentido de \u201chaver uma probabilidade de\u201d para explicar a previs\u00e3o de uma possibilidade, como na frase \u201cSe existirem componentes herd\u00e1veis na propens\u00e3o ao estupro e se alguns estupros tiverem gerado filhos, ent\u00e3o deve ter havido uma press\u00e3o seletiva favorecendo as propens\u00f5es envolvidas no estupro\u201d; Outras pessoas ouvem o verbo \u201cdeve\u201d no sentido de \u201cser moralmente prefer\u00edvel\u201d e acusam esses pesquisadores de estar justificando, ou naturalizando um ato brutal e criminoso, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. N\u00e3o somos escravos das adapta\u00e7\u00f5es mentais, uma vez que a pr\u00f3pria sele\u00e7\u00e3o por flexibilidade de repert\u00f3rio conforme o contexto favorece um controle consciente dos nossos comportamentos, como a infidelidade. E, sendo um ato consciente, ele n\u00e3o isenta a culpabilidade daqueles que, ao satisfazerem seus desejos irresponsavelmente, exp\u00f5em parceiros a danos \u00e0 sa\u00fade pelo sexo desprotegido e \u00e0 confian\u00e7a pela trai\u00e7\u00e3o. Nossas propens\u00f5es mentais n\u00e3o s\u00e3o desculpa para nenhum ato danoso;<\/p>\n<p><strong>Causas apontadas<\/strong><br \/>\nPor que esses mal-entendidos acontecem com tanta freq\u00fc\u00eancia? Provavelmente n\u00e3o existe uma resposta \u00fanica. Diferentes explica\u00e7\u00f5es foram dadas, n\u00e3o necessariamente excludentes.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PL3RinK7I\/AAAAAAAAAY8\/7bbTsm_YOpU\/s1600-h\/id\u00c3\u00a9ia.png\" data-rel=\"lightbox-image-23\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/id%C3%A9ia.png\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><br \/>\nA <strong>primeira<\/strong> fonte de explica\u00e7\u00e3o foca a causa dos mal-entendidos em nossos pr\u00f3prios <strong>padr\u00f5es cognitivos de processamento de informa\u00e7\u00f5es.<\/strong> Temos a tend\u00eancia a simplificar qualquer informa\u00e7\u00e3o para reduzir a demanda por recursos cognitivos e um forte desejo de gerar previs\u00f5es a partir de casos espec\u00edficos, o que nos faz incorrer na generaliza\u00e7\u00e3o. Quando esses padr\u00f5es cognitivos s\u00e3o usados na tentativa de entender a rela\u00e7\u00e3o entre gene, ambiente e comportamento, facilmente ca\u00edmos nas supersimplifica\u00e7\u00f5es como \u201cgene gay\u201d ou \u201cgene da felicidade\u201d, na tentativa de se aplicar o modelo mendeliano, que \u00e9 simples, ao comportamento, que n\u00e3o o \u00e9. O desenvolvimento ontogen\u00e9tico \u00e9 uma complexa intera\u00e7\u00e3o singular entre genes, seq\u00fc\u00eancia temporal dos ambientes externos e eventos aleat\u00f3rios. Por isso, ainda n\u00e3o foi desenvolvido um modelo did\u00e1tico para descrever a influ\u00eancia gen\u00e9tica no comportamento de forma l\u00f3gica, como no modelo mendeliano, em que um gene \u00e9 igual a uma caracter\u00edstica.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PO2hinK9I\/AAAAAAAAAZM\/tk-UwHd0zuA\/s1600-h\/girafas.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-24\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PO2hinK9I\/AAAAAAAAAZM\/tk-UwHd0zuA\/s320\/girafas.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Outra<\/strong> fonte de mal-entendidos envolve a aparente simplicidade da teoria da evolu\u00e7\u00e3o. A facilidade de apreender o conceito de sele\u00e7\u00e3o natural leva as pessoas a pensar que entenderam completamente a evolu\u00e7\u00e3o depois de um r\u00e1pido contato com a teoria. Saber o modo darwinista de explicar o tamanho do pesco\u00e7o da girafa n\u00e3o garante pleno entendimento do evolucionismo, principalmente quando aplicado ao comportamento humano.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PN7RinK8I\/AAAAAAAAAZE\/TXm7fLeqSTo\/s1600-h\/DArwinsmo+social.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-25\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PN7RinK8I\/AAAAAAAAAZE\/TXm7fLeqSTo\/s400\/DArwinsmo+social.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div>Isso contribuiu para o aparecimento de abusos que se seguiram ao surgimento da teoria da evolu\u00e7\u00e3o, pautados em mal-entendidos. Nessa \u00e9poca, a teoria de Darwin ainda n\u00e3o contava com a gen\u00e9tica, com estudos sobre comportamentos sociais de animais, com an\u00e1lises de custos e benef\u00edcios para as adapta\u00e7\u00f5es e nem com estudos sobre a cogni\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o permitia um arcabou\u00e7o te\u00f3rico adequado para o entendimento do comportamento humano sob bases evolutivas.<\/div>\n<div>Al\u00e9m disso, a cren\u00e7a na pretensa neutralidade da ci\u00eancia e o entusiasmo de sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade gerou abusos sociais. Um grande abuso, que comprometeu a reputa\u00e7\u00e3o do evolucionismo perante as ci\u00eancias humanas, foi o caso do darwinismo social por suas extrapola\u00e7\u00f5es equivocadas de id\u00e9ias ditas evolutivas, mas que eram, no fundo, colonialistas, capitalistas selvagens, fascistas e racistas.<\/div>\n<div>A rea\u00e7\u00e3o a esses abusos foi o surgimento de uma longa tradi\u00e7\u00e3o de nega\u00e7\u00e3o da natureza humana nas Ci\u00eancias Sociais do s\u00e9c. XX e um isolamento <a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PSDRinK-I\/AAAAAAAAAZU\/m0UioVos5wo\/s1600-h\/determina\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es+comportamentais.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-26\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PSDRinK-I\/AAAAAAAAAZU\/m0UioVos5wo\/s320\/determina%C3%A7%C3%B5es+comportamentais.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>conceitual, em que se considerava tudo o que envolvesse genes e comportamento como err\u00f4neo e contr\u00e1rio \u00e0 liberdade. Surgiu da\u00ed a id\u00e9ia de que a causalidade biol\u00f3gica \u00e9 determinista e ruim, enquanto a causalidade ambiental preserva o livre-arb\u00edtrio, e, portanto, \u00e9 boa. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido coment\u00e1rios pejorativos sobre a &#8220;biologiza\u00e7\u00e3o&#8221; do comportamento e qu\u00e3o &#8220;determinista&#8221;, &#8220;fatalista&#8221; e &#8220;ing\u00eanua&#8221; \u00e9 a vis\u00e3o biol\u00f3gica do comportamento humano.<\/div>\n<p><strong>Valores morais e condi\u00e7\u00e3o animal<\/strong><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-RTQhinLAI\/AAAAAAAAAZk\/8VzC81b971U\/s1600-h\/olho+homem+chimp.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-27\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-RTQhinLAI\/AAAAAAAAAZk\/8VzC81b971U\/s320\/olho+homem+chimp.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>No \u00e2mago de todas essas controv\u00e9rsias sempre esteve um grande temor humano: o de ser apenas mais um animal. Igualarmos-nos aos animais \u00e9 muito dif\u00edcil, pois sempre nos sentimos o \u00e1pice da cria\u00e7\u00e3o divina, feitos \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Darwin abalou essa cren\u00e7a, provendo uma explica\u00e7\u00e3o para a nossa origem nos mesmos termos da origem dos outros animais e dos outros seres vivos. Se somos apenas animais, ent\u00e3o, nada mais \u00e9 sagrado? Onde ficaria embasada a moral, como o n\u00e3o matar\u00e1s? O medo do desmoronamento dos valores morais sagrados andou lado a lado com a resist\u00eancia \u00e0s id\u00e9ias evolucionistas.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-PUFRinK_I\/AAAAAAAAAZc\/-gEhPRel5oc\/s1600-h\/Revolu\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o+Copernico+e+Darwin.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-28\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/RevoluC3A7C3A3oCopernicoeDarwin.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Quando Cop\u00e9rnico nos tirou de centro do Universo a rea\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi de nega\u00e7\u00e3o. Com o tempo, aprendemos que a esfera moral n\u00e3o \u00e9 diretamente dedut\u00edvel da esfera factual. Hoje convivemos muito bem sendo uma poeirinha c\u00f3smica na periferia na via L\u00e1ctea e mantendo sentimentos morais. O mesmo deve acontecer com a Revolu\u00e7\u00e3o Darwinista quando entendermos humildemente nossa igual posi\u00e7\u00e3o na natureza. Entendermos que n\u00f3s fazemos parte da natureza, somos animais, somos parentes de todo ser vivo: lactobacilo vivo, tripanossomo, champignon, br\u00f3colis e baleia. N\u00e3o somos o \u201c\u00e1pice\u201d da vida, pois n\u00e3o existe animal superior ou inferior, j\u00e1 que o formato da evolu\u00e7\u00e3o da vida na Terra n\u00e3o \u00e9 uma escada e sim uma \u00e1rvore em que cada ser vivo existente \u00e9 o melhor de seu ramo.<\/div>\n<p align=\"justify\">Agora que sabemos algumas causas dos preconceitos e mal-entendidos e sabemos como resolv\u00ea-los, fa\u00e7a um teste: busque not\u00edcias sobre ci\u00eancia que envolvam genes, comportamento e psicologia evolucionista e veja se consegue identificar algum mal-entendido. Ser\u00e1 mesmo que depois de ler esse texto voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 \u201cvacinado\u201d contra os mal-entendidos? Voc\u00ea agora sabe dizer o que est\u00e1 errado quando se fala em linguagem e infidelidade inatas? Voc\u00ea ainda acha que estudar diferen\u00e7as entre homens e mulheres na perspectiva evolucionista \u00e9 dar base moral para a domina\u00e7\u00e3o masculina? Considera mesmo que o fato de sermos animais nos torna escravos dos nossos genes?<\/p>\n<div>Esperamos que <strong>n\u00e3o<\/strong>, e que a partir de agora voc\u00ea seja um leitor <strong>mais atento e cr\u00edtico<\/strong>, com esclarecimentos essenciais para entender a nova ci\u00eancia Psicologia Evolucionista e assim se beneficiar do valor de suas explica\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div><strong>Lembre-se que Psicologia Evolucionista tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9&#8230;<\/strong><\/div>\n<ul>\n<li>\n<div><strong>&#8230;Psicologia Evolucion\u00e1ria,<\/strong> pois esta \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o err\u00f4nea do ingl\u00eas Evolutionary Psychology.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div><strong>&#8230;Psicologia Evolutiva,<\/strong> pois essa terminologia designa a Psicologia do Desenvolvimento. A teoria em que a Psicologia Evolucionista se embasa \u00e9 evolutiva, logo a disciplina \u00e9 evolucionista. Segundo um artigo que padroniza as tradu\u00e7\u00f5es dos termos em ingl\u00eas da \u00e1rea de Etologia publicado em 2002 por Yamamoto e Ades, Evolutionary Psychology no Brasil \u00e9 Psicologia Evolucionista.<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\nBUSSAB, V. S. H.; RIBEIRO, F. J. L. Biologicamente cultural. In M. M. P. RODRIGUES; L. SOUZA; M. F. Q. FREITAS (Orgs.). Psicologia: Reflex\u00f5es (in)pertinentes. S\u00e3o Paulo: Casa do Psic\u00f3logo, 1998.<br \/>\nLEWONTIN, R. <a href=\"http:\/\/marcoevolutivo.blogspot.com\/2008\/02\/dica-de-livro-tripla-hlice.html\">A Tripla H\u00e9lice<\/a>\u2013 Gene, Organismo e Ambiente. Companhia das Letras, 2002.<br \/>\nMEYER, D.; EL-HANI, C. N. Evolu\u00e7\u00e3o: o sentido da biologia. S\u00e3o Paulo: UNESP, 2005.<br \/>\nOTTA, E.; RIBEIRO, F. J. L.; BUSSAB, V. S. R. (2003). Inato versus adquirido: Persist\u00eancia de uma dicotomia. Revista de Ci\u00eancias Humanas. Florian\u00f3polis, 2003. 34, 283-311.<br \/>\nPINKER, S. T\u00e1bula rasa. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2004.<br \/>\nRIDLEY, M. <a href=\"http:\/\/cienciaemente.blogspot.com\/2008\/01\/dica-de-livro-o-que-nos-faz-humanos.html\">O que nos faz humanos.<\/a> Rio de Janeiro: Record, 2004.<\/p>\n<div><strong>Vers\u00e3o melhorada do texto &#8220;A Era dos Mal-Entendidos&#8221; publicado no <a href=\"http:\/\/marcoevolutivo.blogspot.com\/2008\/01\/psicologia-evolucionista-edio-especial.html\">Especial Psiqu\u00e8 Psicologia Evolucionista<\/a>, ano II, n\u00ba 6.<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Isabella Bertelli Cabral dos Santos e Marco Ant\u00f4nio Corr\u00eaa Varella. Isabella Bertelli Cabral dos Santos \u00e9 graduanda em Psicologia pela USP e bolsista em Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica pelo CNPq em Psicologia Experimental. Possui o blog Cient\u00edfica Mente e \u00e9 minha namorada. A livre interpreta\u00e7\u00e3o dos estudos formulados \u00e0 luz da Psicologia Evolucionista tem provocado uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":479,"featured_media":35,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[6,25,27,41],"tags":[],"class_list":["post-34","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antropocentrismo","category-genes-e-ambiente","category-inato-e-aprendido","category-psicologia-evolucionista"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/479"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}