{"id":36,"date":"2008-03-23T19:42:00","date_gmt":"2008-03-23T22:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/2008\/03\/dois-niveis-de-causacao-duas-biologias\/"},"modified":"2008-03-23T19:42:00","modified_gmt":"2008-03-23T22:42:00","slug":"dois-niveis-de-causacao-duas-biologias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo\/2008\/03\/23\/dois-niveis-de-causacao-duas-biologias\/","title":{"rendered":"Dois N\u00edveis de Causa\u00e7\u00e3o, Duas Biologias"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bj5xinLII\/AAAAAAAAAak\/rl2zd3b4CMs\/s1600-h\/ultimate+anda+proximate+causation.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/marcoevolutivo2\/wp-content\/uploads\/sites\/292\/2011\/08\/ultimateandaproximatecausation1.png\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>As teorias que as ci\u00eancias utilizam para compreender o mundo incluem mecanismos. Um mecanismo pode ser caracterizado como um conjunto de processos materiais por meio dos quais causas se conectam de modo que produzem um fen\u00f4meno natural. Os mecanismos s\u00e3o propostos pelas teorias como processos que est\u00e3o por tr\u00e1s dos fen\u00f4menos que vemos na natureza e as ci\u00eancias tipicamente explicam um determinado fen\u00f4meno elucidando o mecanismo que o produz (Meyer &amp; El-Hani, 2005).<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-berBinLBI\/AAAAAAAAAZs\/OEla-Dp1qW0\/s1600-h\/n\u00c3\u00adveis+de+causa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-berBinLBI\/AAAAAAAAAZs\/OEla-Dp1qW0\/s400\/n%C3%ADveis+de+causa%C3%A7%C3%A3o.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Existem dois tipos b\u00e1sicos de mecanismos em diferentes n\u00edveis de causa\u00e7\u00e3o que podem ser usados para explicar fen\u00f4menos biol\u00f3gicos e, por conseguinte, dois tipos de explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que pode ser oferecidas a perguntas do tipo <strong>\u201cPor qu\u00ea?\u201d.<\/strong> Os n\u00edveis de causa\u00e7\u00e3o distinguem-se por explicar fen\u00f4menos biol\u00f3gicos em termos de mecanismos que atuam em escalas temporais pr\u00f3ximas ou distantes de sua ocorr\u00eancia (Meyer &amp; El-Hani, 2005). Essa foi a base que Mayr (1998) utilizou para propor uma distin\u00e7\u00e3o entre dois grandes ramos da Biologia, a Biologia das causas pr\u00f3ximas ou mecanicista, e a Biologia das causas distais ou hist\u00f3rica (Mayr, 1998, 2005).<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bgChinLDI\/AAAAAAAAAZ8\/lFXgjRs8-_8\/s1600-h\/causa+imediata.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/causa+imediata.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"107\" height=\"159\" \/><\/a> A Biologia mecanicista lida com a fisiologia e bioqu\u00edmica do funcionamento de todas as atividades de organismos vivos, sobretudo com todos os processos celulares e gen\u00f4micos. Em \u00faltima est\u00e2ncia tais processos de funcionamento podem ser explicados de maneira puramente mecanicista por qu\u00edmica e f\u00edsica.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bggxinLEI\/AAAAAAAAAaE\/xEBOKqVqIAY\/s1600-h\/causa+final.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/files\/2011\/08\/causa+final.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><br \/>\nA Biologia hist\u00f3rica lida com todos os aspectos que abrangem a evolu\u00e7\u00e3o. O conhecimento hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para a explica\u00e7\u00e3o de um processo de funcionamento puramente mecanicista. No entanto, \u00e9 indispens\u00e1vel para a explica\u00e7\u00e3o de todos os aspectos do mundo vivo que envolvem a dimens\u00e3o do tempo hist\u00f3rico (Mayr, 2005).<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bixRinLHI\/AAAAAAAAAac\/x0V4Yb3Uah8\/s1600-h\/migratory+birds.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp0.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bixRinLHI\/AAAAAAAAAac\/x0V4Yb3Uah8\/s200\/migratory+birds.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-biixinLGI\/AAAAAAAAAaU\/BpCA3uC18HQ\/s1600-h\/migration+map.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-biixinLGI\/AAAAAAAAAaU\/BpCA3uC18HQ\/s320\/migration+map.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Ao perguntarmos por que determinada esp\u00e9cie de ave do hemisf\u00e9rio norte inicia sua migra\u00e7\u00e3o anual em determinada data, podemos obter duas respostas distintas e igualmente v\u00e1lidas, segundo os dois n\u00edveis de causa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>Uma delas nos dir\u00e1 que a dura\u00e7\u00e3o do dia, ao atingir um valor cr\u00edtico, desencadeia uma resposta hormonal e neurol\u00f3gica que inicia a migra\u00e7\u00e3o. A outra trar\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre como a resposta hormonal e neurol\u00f3gica veio a existir, e nos dir\u00e1 que a esp\u00e9cie adaptou-se \u00e0 varia\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-buixinLNI\/AAAAAAAAAbM\/2YI3u6JVwa0\/s1600-h\/c\u00c3\u00a9rebro+de+p\u00c3\u00a1ssaro.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-6\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-buixinLNI\/AAAAAAAAAbM\/2YI3u6JVwa0\/s200\/c%C3%A9rebro+de+p%C3%A1ssaro.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>sazonal da disponibilidade de alimento sincronizando seu deslocamento com as esta\u00e7\u00f5es do ano. O que se deu pela reduzida mortalidade das variedades que possu\u00edam mecanismos hormonais e neurol\u00f3gicos com maior sensibilidade para a pista ecol\u00f3gica sazonal de migra\u00e7\u00e3o (Ferreira, 2003).<\/div>\n<div>Dadas as diferen\u00e7as de enfoques, os dois campos da Biologia diferem na natureza das discuss\u00f5es mais frequentes. Em ambos os campos se fazem perguntas de tipo <strong>\u201cO qu\u00ea?\u201d<\/strong> para obter fatos necess\u00e1rios para a an\u00e1lise.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bn7xinLJI\/AAAAAAAAAas\/xm_kng3PS-0\/s1600-h\/sistema+respirat\u00c3\u00b3rio.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-7\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bn7xinLJI\/AAAAAAAAAas\/xm_kng3PS-0\/s400\/sistema+respirat%C3%B3rio.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Por\u00e9m, a Biologia mecanicista explica <strong>por qu\u00ea<\/strong> um fen\u00f4meno ocorre principalmente por meio de uma resposta a uma pergunta sobre <strong>como<\/strong> ele ocorre (Meyer &amp; El-Hani, 2005). Esse enfoque \u00e9 centrado na descri\u00e7\u00e3o causal do mecanismo respons\u00e1vel. Em uma escala de tempo reduzida, descrever parece perigosamente com explicar, mas se alargarmos temporalmente os fen\u00f4menos veremos cada vez mais a necessidade da busca pela raz\u00e3o de exist\u00eancia do que foi descrito (Ferreira, 2003).<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bpgBinLKI\/AAAAAAAAAa0\/tGJP_fbWA2I\/s1600-h\/fun\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o+evolutiva+sacos+a\u00c3\u00a9reos.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-8\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bpgBinLKI\/AAAAAAAAAa0\/tGJP_fbWA2I\/s400\/fun%C3%A7%C3%A3o+evolutiva+sacos+a%C3%A9reos.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div>Enquanto que a Biologia hist\u00f3rica explica <strong>por qu\u00ea<\/strong> um fen\u00f4meno ocorre por meio de uma resposta a uma pergunta sobre <strong>para qu\u00ea<\/strong> ele ocorre, ou seja, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 centrada na raz\u00e3o de sua exist\u00eancia. A forma da resposta da Biologia hist\u00f3rica \u00e0 pergunta \u201cPor qu\u00ea?\u201d remete ao valor adaptativo e \u00e0 hist\u00f3ria filogen\u00e9tica do grupo em quest\u00e3o.<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bq2hinLLI\/AAAAAAAAAa8\/oDthF-4M-T4\/s1600-h\/girafa+evolu\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-9\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp1.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bq2hinLLI\/AAAAAAAAAa8\/oDthF-4M-T4\/s320\/girafa+evolu%C3%A7%C3%A3o.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>Mesmo que seja poss\u00edvel descrever, em incompar\u00e1veis microdetalhes, todos os fatos causais da hist\u00f3ria de todas as girafas que j\u00e1 viveram no mundo, a menos que se suba um ou dois n\u00edveis e pergunte <strong>\u201cPor qu\u00ea?\u201d<\/strong> \u2013 ca\u00e7ando as raz\u00f5es endossadas pela M\u00e3e Natureza -, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel explicar as regularidades manifestadas, tais como o pesco\u00e7o comprido das girafas (Dennett, 1995).<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bsGBinLMI\/AAAAAAAAAbE\/AZGE06HuHA0\/s1600-h\/arvore+da+vida.bmp\" data-rel=\"lightbox-image-10\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_Ah5gXiT86Wg\/R-bsGBinLMI\/AAAAAAAAAbE\/AZGE06HuHA0\/s400\/arvore+da+vida.bmp\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div>At\u00e9 no n\u00edvel molecular n\u00e3o se pode fazer Biologia sem se perguntar quais as raz\u00f5es daquilo que est\u00e1 sendo estudado. \u00c9 preciso perguntar <strong>\u201cPor qu\u00ea?\u201d.<\/strong> Darwin n\u00e3o mostrou que n\u00e3o devemos fazer tais perguntas, ele nos mostrou como respond\u00ea-las. Darwin explica um mundo de causas distais com um princ\u00edpio que \u00e9, sem d\u00favida, mecanicista por\u00e9m no fundo totalmente independente de significado e prop\u00f3sito (Dennett, 1995).<\/div>\n<div>Os dois n\u00edveis de causa\u00e7\u00e3o e as duas Biologias n\u00e3o est\u00e3o hierarquicamente estruturadas, s\u00e3o independentes e de um grande valor heur\u00edstico para uma vis\u00e3o integrada de qualquer aspecto da Biologia. Apesar dessa poss\u00edvel independ\u00eancia, \u00e9 no tr\u00e2nsito entre esses n\u00edveis de causa\u00e7\u00e3o, em termos de reflex\u00f5es integradoras, que se encontra uma contribui\u00e7\u00e3o especialmente \u00fatil para a produ\u00e7\u00e3o de novas hip\u00f3teses e de novos entendimentos, pois eles representam um arcabou\u00e7o te\u00f3rico e metodol\u00f3gico coerente e complementar para o estudo dos fen\u00f4menos biol\u00f3gicos.<\/div>\n<p><strong><\/strong><br \/>\n<strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\nDennet, D. C. (1995). A Perigosa Id\u00e9ia de Darwin: a evolu\u00e7\u00e3o e os significados da vida. Rio de Janeiro: Rocco.<br \/>\nFerreira, M. A. (2003). A Teleologia na Biologia Contempor\u00e2nea. Scientiae Studia, v. 1, 2: 183-93.<br \/>\nMayr, E. (1998). O desenvolvimento do pensamento biol\u00f3gico. Bras\u00edlia: Unb.<br \/>\nMayr, E. (2005). Biologia, Ci\u00eancia \u00danica. S\u00e3o Paulo:Companhia das Letras.<br \/>\nMeyer, D. &amp; El-Hani, C. N. (2005). Evolu\u00e7\u00e3o: o sentido da biologia. S\u00e3o Paulo: UNESP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As teorias que as ci\u00eancias utilizam para compreender o mundo incluem mecanismos. Um mecanismo pode ser caracterizado como um conjunto de processos materiais por meio dos quais causas se conectam de modo que produzem um fen\u00f4meno natural. 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