{"id":1267,"date":"2012-04-30T22:02:33","date_gmt":"2012-05-01T01:02:33","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/massacritica\/?p=1267"},"modified":"2012-04-30T22:02:33","modified_gmt":"2012-05-01T01:02:33","slug":"pare-de-dizer-aos-alunos-para-estudar-para-os-exames","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/massacritica\/2012\/04\/30\/pare-de-dizer-aos-alunos-para-estudar-para-os-exames\/","title":{"rendered":"Pare de dizer aos alunos para estudar para os exames"},"content":{"rendered":"<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o autorizada do texto \u00b4<a href=\"http:\/\/chronicle.com\/article\/Stop-Telling-Students-to-Study\/131622\/\">Stop Telling Students to Study for Exams<\/a>\u00b4<br \/>\nEscrito por David Jaffee.<\/em><\/p>\n<p>Entre os problemas existentes nos campi universit\u00e1rios de hoje est\u00e1 o fato que os alunos estudam para os exames e professores os incentivam a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Eu imagino que muitos membros do corpo docente est\u00e3o chocados com esta afirma\u00e7\u00e3o e consideram uma forma de heresia acad\u00eamica. Se existe uma coisa, eles argumentar\u00e3o, \u00e9 que os alunos n\u00e3o estudam o suficiente para os exames; se eles o fizessem, o sistema educacional produziria melhores resultados. Mas esta frase simples e familiar &#8211; &#8220;estude para os exames&#8221; &#8211; que \u00e9 amplamente considerada um sinal de pr\u00e1tica acad\u00eamica respons\u00e1vel, na verdade encoraja nos estudantes comportamentos e disposi\u00e7\u00f5es que trabalham contra o prop\u00f3sito maior da aprendizagem e desenvolvimento intelectual humano.  Ao inv\u00e9s de dizer aos alunos para estudar para os exames, devemos dizer para estudar para aprender e compreender.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma atitude do estudante que mais lamentam todos os docentes, \u00e9 o instrumentalismo. Esta \u00e9 a vis\u00e3o que voc\u00ea vai para a faculdade para obter um diploma para conseguir um emprego para ganhar dinheiro para ser feliz. Da mesma forma, voc\u00ea faz este curso para alcan\u00e7ar este objetivo, e voc\u00ea faz o trabalho de casa e l\u00ea o material para passar no curso de gradua\u00e7\u00e3o para obter o diploma. Tudo \u00e9 um meio para chegar a um fim. Nada \u00e9 um fim em si mesmo. N\u00e3o h\u00e1 prop\u00f3sito maior.<\/p>\n<p>Quando dizemos aos estudantes para estudarem para os exames ou, mais especificamente, para estudarem para irem bem no exame, n\u00f3s refor\u00e7amos fortemente esta forma de pensar. Enquanto professores queixam-se de forma consistente sobre o instrumentalismo, nosso comportamento e todo o sistema o incentiva e facilita.<\/p>\n<p>Por um lado, dizemos aos estudantes para valorizar o aprendizado pelo valor do aprendizado; por outro, dizemos a eles que \u00e9 melhor saber isto ou aquilo, ou que \u00e9 melhor anotar, ou que \u00e9 melhor ler o livro, porque estar\u00e1 no pr\u00f3ximo exame; se eles n\u00e3o fizerem tais coisas, que eles pagar\u00e3o o pre\u00e7o do fracasso acad\u00eamico. Isto comunica aos estudantes que o processo de investiga\u00e7\u00e3o intelectual, explora\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, e de adquirir conhecimento s\u00e3o puramente instrumentais para garantir sucesso na pr\u00f3xima avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Perante isto tudo, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que os alunos constantemente nos perguntam se isto ou aquilo estar\u00e1 no exame, ou se eles realmente precisa saber tal texto para o pr\u00f3ximo teste, ou &#8211; a pergunta mais recorrente do primeiro encontro do per\u00edodo escolar &#8211; &#8220;O exame final \u00e9 cumulativo&#8221;?<\/p>\n<p>Este sistema disfuncional atinge o seu auge com o exame \u00b4final\u00b4 cumulativo. N\u00f3s vamos ainda mais longe comemorando este sagrado ritual acad\u00eamico reservando uma especialmente projetada &#8220;semana de exames&#8221; no final de cada per\u00edodo escolar. Este exerc\u00edcio coletivo de sadismo encoraja os estudantes a enfiar tudo o que eles acham que precisam &#8220;saber&#8221; (temporariamente, para o exame) em seus c\u00e9rebros, privando-se do sono e de atividades de lazer, terminar (ou mais provavelmente, finalmente come\u00e7ar) os trabalhos finais, e a memorizar uma montanha de informa\u00e7\u00f5es. Embora este exerc\u00edcio tradicional possa preparar os estudantes para as lutas de inevit\u00e1veis aborrecimentos que enfrentar\u00e3o como adultos, seu valor como um processo de aprendizagem \u00e9 duvidoso.<\/p>\n<p>De acordo com aqueles que estudam a ci\u00eancia da aprendizagem humana, esta ocorre somente quando h\u00e1 a reten\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia. Reten\u00e7\u00e3o envolve a capacidade de realmente lembrar o que foi presumivelmente  &#8220;aprendido&#8221; mais de duas semanas al\u00e9m do fim do per\u00edodo escolar.  Transfer\u00eancia \u00e9 a capacidade de usar e aplicar esse conhecimento para a posterior compreens\u00e3o e an\u00e1lise. Com base nessa defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 muita aprendizagem ocorrendo em cursos universit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Uma raz\u00e3o \u00e9 que aprender \u00e9 igualado a estudar para os exames e, que para muitos estudantes, estudar para os exames significa &#8220;encher a cabe\u00e7a&#8221;. Uma crescente quantidade de literatura cient\u00edfica consistentemente mostra que encher a cabe\u00e7a &#8211; por memoriza\u00e7\u00e3o de curta dura\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o contribui para a reten\u00e7\u00e3o ou transfer\u00eancia. Pode, contudo, resultar em rendimento positivo em curto prazo conforme medido pela pontua\u00e7\u00e3o nos exames. Ent\u00e3o, enquanto tivermos exames que determinam uma grande parte da nota em um curso, os estudantes ir\u00e3o se dedicar aos exames, e haver\u00e1 bem pouco aprendizado. <\/p>\n<p>Uma indica\u00e7\u00e3o deste n\u00e3o-aprendizado generalizado \u00e9 a permanente perplexidade dos docentes que n\u00e3o conseguem entender porque os estudantes n\u00e3o sabem isto ou aquilo, apesar de ter sido &#8220;abordado&#8221; anteriormente ou em uma disciplina pr\u00e9-requisito. A raz\u00e3o pela qual eles n\u00e3o sabem \u00e9 porque n\u00e3o aprenderam. Abordar um conte\u00fado n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que aprend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Em vez disso, como podemos estruturar a avalia\u00e7\u00e3o dos nossos alunos deve envolver duas abordagens essenciais: avalia\u00e7\u00e3o formativa e avalia\u00e7\u00e3o aut\u00eantica. Usadas em conjunto elas podem nos levar a um ambiente de aprendizagem mais sadio que evita exames com alto impacto e dedica\u00e7\u00e3o intermitente.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es formativas permitem que os alunos tanto desenvolvam as suas capacidades e quanto avaliem seu progresso. Neste sentido, eles combinam ensino e aprendizagem com a avalia\u00e7\u00e3o. Estas t\u00e9cnicas s\u00e3o algumas vezes chamadas de avalia\u00e7\u00e3o em aula, e n\u00e3o requerem avalia\u00e7\u00e3o formal mas uma oportunidade para os estudantes, que ap\u00f3s completarem um exerc\u00edcio ou tarefa, para ver no que foram bem e onde precisam melhorar.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o aut\u00eantica implica dar aos alunos oportunidades para demonstrar suas habilidades em um contexto do mundo real. Idealmente, o desempenho do aluno \u00e9 avaliado n\u00e3o na capacidade de memorizar ou recitar termos e defini\u00e7\u00f5es, mas a capacidade de usar o repert\u00f3rio de ferramentas disciplinares &#8211; sejam elas teorias, conceitos, ou princ\u00edpios &#8211; para analisar e resolver um problema real que podem enfrentar como profissionais no campo.<\/p>\n<p>Este tipo de abordagem da avalia\u00e7\u00e3o resulta em um &#8220;livro aberto&#8221; como uma ferramenta da qual os estudantes possam recorrer. Julgamento profissional ou disciplinar baseia-se na capacidade de selecionar a ferramenta certa e aplic\u00e1-la efetivamente. Se houver qualquer prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 baseada em uma revis\u00e3o das avalia\u00e7\u00f5es formativas que precederam a avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso tudo tem um sentido educacional, e algumas faculdades mais esclarecidas, embora n\u00e3o necessariamente adotem essas abordagens de avalia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que os exames finais n\u00e3o significam melhora no aprendizado do aluno. Professores de Harvard, por exemplo, agora podem escolher se querem aplicar exames finais, e um n\u00famero crescente de professores est\u00e3o usando t\u00e9cnicas alternativas.<\/p>\n<p>Mas isso dificilmente \u00e9 suficiente. O sistema educativo est\u00e1 desesperado por um novo modelo, e o ensino superior \u00e9 o melhor lugar para come\u00e7ar, porque professores de n\u00edvel superior t\u00eam mais flexibilidade para experimentar formas alternativas de t\u00e9cnicas pedag\u00f3gicas, do que os professores prim\u00e1rios e secund\u00e1rios. Podemos usar essas oportunidades para fazer a diferen\u00e7a na maneira como os alunos estudam, aprendem e compreendem.<\/p>\n<p>Sim, o nosso mantra de &#8220;estudar para os exames&#8221; criou e alimentou um monstro, mas n\u00e3o \u00e9 tarde demais para mat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Veja o texto original em<br \/>\n<a href=\"http:\/\/chronicle.com\/article\/Stop-Telling-Students-to-Study\/131622\/\">http:\/\/chronicle.com\/article\/Stop-Telling-Students-to-Study\/131622\/<br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradu\u00e7\u00e3o autorizada do texto \u00b4Stop Telling Students to Study for Exams\u00b4 Escrito por David Jaffee. Entre os problemas existentes nos campi universit\u00e1rios de hoje est\u00e1 o fato que os alunos estudam para os exames e professores os incentivam a faz\u00ea-lo. 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