{"id":1357,"date":"2010-01-21T13:22:13","date_gmt":"2010-01-21T15:22:13","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/meiodecultura\/2010\/01\/o-tal-meio-de-cultura\/"},"modified":"2010-01-21T13:22:13","modified_gmt":"2010-01-21T15:22:13","slug":"o-tal-meio-de-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2010\/01\/21\/o-tal-meio-de-cultura\/","title":{"rendered":"O tal \u201cmeio de cultura\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Corre por a\u00ed uma piadinha <span style=\"text-decoration:line-through\">i<\/span><em><span style=\"text-decoration:line-through\">nfame<\/span><\/em><span style=\"text-decoration:line-through\"> <\/span>que diz que a \u00fanica forma de cultura que os microbiologistas conhecem \u00e9 a cultura de bact\u00e9rias. \u00ac\u00ac\u201d Eu, geralmente, brinco dizendo que tamb\u00e9m existe cultura de fungos(!).<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 uma cultura de um microrganismo?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/906-xanthomonas-002aa.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-10\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/906-xanthomonas-002aa.jpg?w=300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p>Isso a\u00ed em cima, \u00e9 um exemplo de cultura bacteriana. Observe que s\u00f3 tem um tipo de bact\u00e9ria (essa coisa <span style=\"text-decoration:line-through\">meio nojenta<\/span> amarelada). Ela come\u00e7a como um aglomerado que vai ficando menos denso at\u00e9 formar pequenas col\u00f4nias redondinhas. Essas col\u00f4nias individuais s\u00e3o originadas, geralmente, de uma \u00fanica bact\u00e9ria que se multiplicou v\u00e1rias e v\u00e1rias vezes &#8211; e suas &#8220;filhas&#8221; tamb\u00e9m, e as filhas das filhas, tamb\u00e9m&#8230; e assim por diante. E por esse motivo \u00e9 que n\u00f3s conseguimos &#8220;ver as bact\u00e9rias&#8221; &#8211; s\u00f3 porque ali n\u00e3o tem uma, mas v\u00e1rias (na verdade milhares de) bact\u00e9rias amontoadas.<\/p>\n<p>E como \u00e9 que se faz para que essa bact\u00e9ria cres\u00e7a? Colocando-a num<span style=\"color:#99cc00\"><strong><em> <\/em><em><span style=\"color:#ffcc00\">Meio de Cultura<\/span><\/em><\/strong><\/span>! Um &#8220;meio de cultura&#8221; \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o nutriente [com a\u00e7\u00facares, vitaminas, amino\u00e1cidos, sais mineirais, dentre outros nutrientes] que os microbiologistas utilizam para crescer os microrganismos no laborat\u00f3rio. Ele pode ser l\u00edquido, semi s\u00f3lido ou s\u00f3lido &#8211; e seu uso depende do objetivo do pesquisador. O que garante a firmeza do meio \u00e9 uma subst\u00e2ncia extra\u00edda de algas, chamada \u00e1gar-\u00e1gar ou, simplesmente, \u00e1gar.<\/p>\n<p>As diferentes composi\u00e7\u00f5es do meio, permitem inclusive, que o cientista diferencie bact\u00e9rias de acordo com as caracter\u00edstica do metabolismo de cada uma.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><a href=\"http:\/\/meiodecultura.files.wordpress.com\/2010\/01\/agarmanitol.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/22_mannitolsaltagarculture.jpg\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/22_mannitolsaltagarculture.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/22_mannitolsaltagarculture-200x195.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/22_mannitolsaltagarculture-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/22_mannitolsaltagarculture-48x48.jpg 48w\" sizes=\"(max-width: 218px) 100vw, 218px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um exemplo muito interessante \u00e9 o da foto a\u00ed em cima! Este meio \u00e9 o \u00c1gar Hipert\u00f4nico Manitol, que possui uma concentra\u00e7\u00e3o muito elevada de sal, o que impede que a grande maioria das bact\u00e9rias cres\u00e7a. Ele \u00e9 utilizado na diferencia\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias do g\u00eanero <em>Staphylococcus<\/em> em dois grupos: 1) a esp\u00e9cie <em>Staphylococcus aureus<span style=\"font-style:normal\">; e 2) o grupo das esp\u00e9cies de <\/span>Staphylococcus <span style=\"font-style:normal\">que n\u00e3o s\u00e3o <\/span>S. aureus<\/em>. Isso \u00e9 poss\u00edvel, pois somente os <em>S. aureus <\/em>fermenta o manitol, acidificando o meio que de rosa passa para amarelo.<\/p>\n<p>Dois meios meios muito utilizados na pr\u00e1tica da microbiologia s\u00e3o o &#8220;\u00c1gar simples&#8221; e o &#8220;\u00c1gar Sabouraud&#8221;. Em geral esses dois meios s\u00e3o usados para o crescimento diferenciado de bact\u00e9rias e fungos. O primeiro, por ter pH neutro (7,0) e ser incubado em estufa a 37\u00b0 C favoroce o crescimento de bact\u00e9rias. Enquanto o segundo meio, por ter caracter\u00edsticas mais \u00e1cidas (pH ~ 6,0) e ser incubado em temperatura ambiente favorece o crescimento de fungos filamentosos e leveduras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/nova-imagem.png\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-24\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/nova-imagem.png?w=300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/nova-imagem.png 482w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/nova-imagem-300x290.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/nova-imagem-200x193.png 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/nova-imagem-24x24.png 24w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essa foto, tirada pela professora Vera L\u00facia dos Santos (ICB\/UFMG), foi de uma pr\u00e1tica que realizamos utilizando duas esp\u00e9cies diferentes de fungos. Observe que quando comparamos as culturas de bact\u00e9rias com as de fungos, vemos que as col\u00f4nias de bact\u00e9ria se apresentam como\u00a0pequenas col\u00f4nias de aspecto homog\u00eaneo. As col\u00f4nias as col\u00f4nias de fungos filamentosos, por outro lado, s\u00e3o\u00a0grandes, de aspecto filamentoso e irregular.<\/p>\n<blockquote><p>Em uma disciplina fizemos uma pr\u00e1tica com meios de cultura alternativos. Fizemos testes com diversos meios preparados com alimentos trazidos de casa e todos funcionaram muito bem. Foram utilizados frango, pa\u00e7oca, massa de p\u00e3o, frutas&#8230; Alguns meios favoreceram o crescimento de fungos, outros de bact\u00e9rias, mas no geral, houve um crescimento dos dois grupos de microrganismos.<\/p><\/blockquote>\n<p>E para terminar, o site <a href=\"http:\/\/www.microbialart.com\/\">Microbial Art<\/a> <em>(em ingl\u00eas) <\/em>tem uma galeria de imagens (como a que pode ser vista abaixo) no qual diversos cientistas e\/ou artistas utilizam microrganismos vivos [bacterias, fungos e protistas] para fazerem arte.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18\" aria-describedby=\"caption-attachment-18\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias.jpg?w=300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-620x620.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-200x200.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/praiadebacterias-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18\" class=\"wp-caption-text\">Foto do  Dr. Roger Tsien (ganhador do pr\u00eamio Nobel). Foram utilizadas bact\u00e9rias modificadas geneticamente para expressar prote\u00ednas fluorescentes.<\/figcaption><\/figure>\n<h5><span style=\"font-weight:normal\">[update, 22\/01\u00bb agrade\u00e7o ao amigo bi\u00f3logo e microbiologista Rodrigo de Oliveira, pelo alerta: &#8220;Vamos incentivar a bioseguran\u00e7a. Coloca uma luva naquela m\u00e3o segurando a cultura!&#8221; \u00a0 =S \u00a0 Pois \u00e9&#8230; #fail \u00a0 Mas, como a foto n\u00e3o \u00e9 minha, fica s\u00f3 o lembrete!]<\/span><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corre por a\u00ed uma piadinha infame que diz que a \u00fanica forma de cultura que os microbiologistas conhecem \u00e9 a<\/p>\n","protected":false},"author":491,"featured_media":11,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[26,27,82,111],"class_list":["post-1357","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-microbiologia","tag-arte","tag-bacterias","tag-fungos","tag-meio-de-cultura"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/01\/906-xanthomonas-002aa-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/491"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1357\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}