{"id":1719,"date":"2012-02-02T08:50:17","date_gmt":"2012-02-02T11:50:17","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/meiodecultura\/?p=1719"},"modified":"2012-02-02T08:50:17","modified_gmt":"2012-02-02T11:50:17","slug":"esta-se-instaurando-o-caos-a-polemica-do-influenza-h5n1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2012\/02\/02\/esta-se-instaurando-o-caos-a-polemica-do-influenza-h5n1\/","title":{"rendered":"Est\u00e1 se instaurando o caos: a pol\u00eamica do influenza H5N1"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1728\" aria-describedby=\"caption-attachment-1728\" style=\"width: 196px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/fluChicken.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-1728 \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/fluChicken.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/fluChicken.jpg 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/fluChicken-266x300.jpg 266w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/fluChicken-177x200.jpg 177w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1728\" class=\"wp-caption-text\">Depois do porco, \u00e9 a vez da galinha!<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma not\u00edcia que h\u00e1 algumas semanas vem sendo debatida com fervores l\u00e1 fora (leia-se nos Estados Unidos), mas que por aqui (e me parece que na Europa tamb\u00e9m) mal tem se falado, refere-se ao estado atual da pesquisa com o v\u00edrus da gripe avi\u00e1ria &#8211; o influenza H5N1. Vale a pena ressaltar que esse virus n\u00e3o \u00e9 novo, em 2005 ele j\u00e1 havia dado o ar da sua gra\u00e7a e gerado uma onda de p\u00e2nico (voc\u00ea deve se lembrar de galinhas sendo queimadas aos montes na \u00c1sia).<\/p>\n<p>O grande problema que desencadeou essa discuss\u00e3o acalourada deve-se ao resultado dos experimentos conduzidos por dois grupos independentes, um americano e outro holand\u00eas. O fato \u00e9 que o H5N1 &#8211; ainda de baixa transmiss\u00e3o ave-humano &#8211; ap\u00f3s uma combina\u00e7\u00e3o de poucas muta\u00e7\u00f5es induzidas pelos cientistas por meio da transmiss\u00e3o sucessiva for\u00e7ada entre fur\u00f5es, passou a ser capaz de ser transmitido por via a\u00e9rea entre esses animais.<\/p>\n<p>Pode parecer bobagem num primeiro momento, mas v\u00e1rias etapas s\u00e3o necess\u00e1rias para que o virus complete seu ciclo em um ser humano. Inicialmente o v\u00edrus que se multiplica apenas nas galinhas deve ser capaz de romper a barreira espec\u00edfica e ser capaz de ser transmitido para um ser humano &#8211; e, nele estabeler um nicho de infec\u00e7\u00e3o, ou seja, ele deve ser capaz de se reproduzir. Isso, contudo n\u00e3o garante que o v\u00edrus ser\u00e1 capaz de ser transmitido entre dois seres humanos distintos.<\/p>\n<p><span style=\"text-align: center\">OK. E o que a transmiss\u00e3o entre os fur\u00f5es tem a ver com a transmiss\u00e3o entre pessoas. Na verdade esse \u00e9 o grande &#8220;X&#8221; da quest\u00e3o. Os cientistas demonstraram que \u00e9 relativamente f\u00e1cil (apenas 5 muta\u00e7\u00f5es) para que o v\u00edrus seja capaz de ser transmitido por via a\u00e9rea entre os mustel\u00eddeos, e agora h\u00e1 a grande d\u00favida se esse mesmo v\u00edrus seria capaz de tamb\u00e9m infectar os seres humanos.<\/span><\/p>\n<p>Como n\u00e3o custa repetir, vou ressaltar que<strong> os resultados desse experimentos n\u00e3o mostram que as mesmas muta\u00e7\u00f5es teriam o mesmo efeito em seres humanos<\/strong> \u2013 eles somente nos mostram que a obten\u00e7\u00e3o de transmissibilidade por aerossol nesse modelo animal \u00e9 relativamente f\u00e1cil.<\/p>\n<p>O NSABB (\u00f3rg\u00e3o estadunidense de bioseguran\u00e7a), a ONU e diversos cientistas que temem poss\u00edveis desencadeamentos indesej\u00e1veis dessas pesquisas utilizam como argumento n\u00e3o s\u00f3 o risco de um vazamento do v\u00edrus e a poss\u00edvel emerg\u00eancia de uma nova epidemia global, como tamb\u00e9m a possibilidade de bioterroristas utilizarem os dados das pesquisas e promoverem um ataque r\u00e1pido e muito eficaz.<\/p>\n<p>Por outro, o lado que defende a continuidade da pesquisa utiliza argumentos muito parecidos, mas o utilizam o vi\u00e9s de que devemos compreender a biologia desse v\u00edrus para que possamos evitar uma poss\u00edvel epidemia natural que venha a surgir &#8211; e que j\u00e1 \u00e9 temida h\u00e1 certo tempo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/h5n1.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/h5n1-620x440.png\" alt=\"\" width=\"496\" height=\"352\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;color: #3366ff\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Entendendo a figura:<\/strong><\/span><\/span><span style=\"color: #3366ff\"> O v\u00edrus Influenza H5N1 \u00e9 capaz de ser transmitido de ave para ave. Alguns casos de transmiss\u00e3o ave-ser humano j\u00e1 foram descritos &#8212; por\u00e9m n\u00e3o h\u00e1, ainda, relato de transmiss\u00e3o humano-humano. Os pol\u00eamicos experimentos consistiram na transmiss\u00e3o do virus de ave para os fur\u00f5es. De in\u00edcio a transmiss\u00e3o fur\u00e3o-fur\u00e3o s\u00f3 ocorria de forma for\u00e7ada, at\u00e9 que ap\u00f3s algumas muta\u00e7\u00f5es o v\u00edrus foi capaz de infectar outros fur\u00f5es por via a\u00e9rea e de forma expont\u00e2nea. As setas em verde mostram as rotas de transmiss\u00e3o j\u00e1 estabelecidas (sejam elas artificiais ou naturais), as setas em vermelho mostram as poss\u00edveis vias de trasmiss\u00e3o que s\u00e3o temidas para o desencadeamento de uma epidemia &#8212; o texto na figura mostra os agurmentos a favor ou contra a continuidade dos estudos com o H5N1.<\/span><\/p>\n<p>Em meio a tanta discuss\u00e3o, os cientistas decidiram por uma tr\u00e9gua nas pesquisas por 60 dias. O virologista argentino Daniel Perez, em entrevista \u00e0 <a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2012\/01\/parada-estrategica\">Ci\u00eancia Hoje<\/a>, mostra-se favor\u00e1vel \u00e0 publica\u00e7\u00e3o integral dos dados, e justifica-se: &#8220;N\u00e3o podemos dar oportunidade ao v\u00edrus para mudar sem que estejamos preparados&#8221;. O pesquisador ainda completa dizendo que &#8220;A pesquisa, no entanto, deve ser norteada pelos fatos, n\u00e3o pelo medo&#8221;. &#8211; <a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2012\/01\/parada-estrategica\">Confira a reportagem de Marcelo Garcia, na \u00edntegra, no site da Ci\u00eancia Hoje<\/a>.<\/p>\n<p>O grande temor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esse v\u00edrus est\u00e1 no fato de que mais da metade das as pessoas que foram internadas por causa dessa gripe morreram. O problema \u00e9 que esse dado n\u00e3o nos mostra o real poder de letalidade do v\u00edrus &#8211; considerado em cerca de 60%, mas que est\u00e1, aparentemente, superestimado. Isso ocorre porque essa taxa foi considerada apenas as pessoas internadas. Assim, quando olhamos dessa forma, estamos considerando que qualquer pessoa que foi infectada pelo v\u00edrus, vai desenvolver um quadro grave, indo parar num hospital. Acontece por\u00e9m que o n\u00famero de pessoas infectadas pode ser bem maior. Dados epidemiol\u00f3gicos, por exemplo, sugerem que at\u00e9 6% da popula\u00e7\u00e3o rural asi\u00e1tica possa ter se infectado com alguma cepa do v\u00edrus de forma assintom\u00e1tica &#8211; o que faria essa essa taxa de mortalidade &gt;50% cair drasticamente.<\/p>\n<p>O sensacionalismo midi\u00e1tico mostrou claramente sua cara no editorial do The New York Times, no dia 8 de janeiro de 2012 que teve como t\u00edtulo \u201c<a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2012\/01\/08\/opinion\/sunday\/an-engineered-doomsday.html\">An Engineered Doomsday<\/a>\u201d [Um Apocalipse Projetado]. Uma an\u00e1lise desse texto pode ser vista n<a href=\"http:\/\/www.virology.ws\/2012\/01\/09\/n-y-times-h5n1-ferret-research-should-not-have-been-done\">o blog do professor Racaniello (em ingl\u00eas)<\/a>.<\/p>\n<p>Estamos de olho para acompanhar os rumos que essa discuss\u00e3o est\u00e1 tomando&#8230;<\/p>\n<p>Apesar de todo o bafaf\u00e1 que est\u00e1 rolando, o conselho que eu daria a voc\u00ea \u00e9:<\/p>\n<figure id=\"attachment_1722\" aria-describedby=\"caption-attachment-1722\" style=\"width: 307px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/Dont-Panic.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1722\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/Dont-Panic.jpg\" alt=\"\" width=\"307\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/Dont-Panic.jpg 307w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/Dont-Panic-300x230.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/Dont-Panic-200x153.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 307px) 100vw, 307px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1722\" class=\"wp-caption-text\">...pelo menos por enquanto!<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\" style=\"text-align: left\">\n<dl>\n<dt><strong>Alguns textos recomendados:<\/strong><\/dt>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2012\/01\/parada-estrategica\">Perda estrat\u00e9gica (Ci\u00eancia Hoje)<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.virology.ws\/2011\/12\/06\/ferreting-out-influenza-h5n1\"> Ferreting out influenza H5N1 (Virology Blog)<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.virology.ws\/2012\/01\/03\/should-we-fear-avian-h5n1-influenza\">Should we fear avian H5N1 influenza? (Virology Blog) <\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.virology.ws\/2012\/01\/25\/h5n1-facts-not-fear\">H5N1 facts, not fear (Virology Blog)<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.virology.ws\/2012\/01\/09\/n-y-times-h5n1-ferret-research-should-not-have-been-done\">N.Y. Times: H5N1 ferret research should not have been done (Virology Blog)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma not\u00edcia que h\u00e1 algumas semanas vem sendo debatida com fervores l\u00e1 fora (leia-se nos Estados Unidos), mas que por<\/p>\n","protected":false},"author":491,"featured_media":1728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[11,16],"tags":[70,87,89,96,100,121,132,146,164],"class_list":["post-1719","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-microbiologia","category-saude","tag-epidemia","tag-gripe-aviaria","tag-h5n1","tag-infeccao","tag-influenza","tag-mutacao","tag-patogenicidade","tag-recombinacao","tag-virus"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2012\/02\/fluChicken.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/491"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1719\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}