{"id":3476,"date":"2021-08-23T10:22:58","date_gmt":"2021-08-23T13:22:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/?p=3476"},"modified":"2021-11-11T02:44:45","modified_gmt":"2021-11-11T05:44:45","slug":"a-mulher-que-mudou-para-sempre-a-microbiologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2021\/08\/23\/a-mulher-que-mudou-para-sempre-a-microbiologia\/","title":{"rendered":"A mulher que mudou para sempre a microbiologia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Este post foi escrito em conjunto com Vanessa Cappelle*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-background\" style=\"background-color:#f1ff54\"><strong><em>Angelina Fanny&nbsp;Eilshemius<\/em><\/strong><em>&nbsp;<\/em><strong><em>Hesse, uma estadunidense de ascend\u00eancia alem\u00e3, que viveu entre 1850 e 1934, deveria ter seu nome listado dentre os mais importantes para a microbiologia. Mas voc\u00ea provavelmente nunca ouviu falar dela. A mulher que contribuiu para a utiliza\u00e7\u00e3o do \u00e1gar no preparo de meios de cultura foi praticamente esquecida na hist\u00f3ria da microbiologia.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">QUANDO TUDO ERA <em>CHAOS <\/em>NA MICROBIOLOGIA\u2026<\/span><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quando pensamos na variedade de meios de cultura que existem hoje, pode ser at\u00e9 um pouco dif\u00edcil imaginar que no in\u00edcio da microbiologia crescer bact\u00e9rias em laborat\u00f3rio de forma a obtermos uma cultura pura era um grande desafio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/37CA14B3-DFA5-41CF-AF59-5B3DC7A247FE-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3521\" width=\"582\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/37CA14B3-DFA5-41CF-AF59-5B3DC7A247FE-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/37CA14B3-DFA5-41CF-AF59-5B3DC7A247FE-1-300x169.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/37CA14B3-DFA5-41CF-AF59-5B3DC7A247FE-1-768x432.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/37CA14B3-DFA5-41CF-AF59-5B3DC7A247FE-1-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/37CA14B3-DFA5-41CF-AF59-5B3DC7A247FE-1-678x381.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/37CA14B3-DFA5-41CF-AF59-5B3DC7A247FE-1.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 582px) 100vw, 582px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores conseguiam observar em microsc\u00f3pios bem rudimentares as diferentes formas de bact\u00e9rias, mas quando as cultivavam, era uma bagun\u00e7a! Era t\u00e3o complicado trabalhar com esses organismos que <strong>Carlos Lineu<\/strong>, o \u201cpai da classifica\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica\u201d, <strong>colocava as bact\u00e9rias em um grupo denominado&nbsp;<em>Chaos<\/em><\/strong>. Sem formas adequadas de t\u00e9cnicas que evitassem contamina\u00e7\u00e3o, ou que permitissem o isolamento e o crescimento de culturas puras, era dif\u00edcil realizar a identifica\u00e7\u00e3o das diferentes bact\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\">Esse <strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">processo de isolar e identificar bact\u00e9rias respons\u00e1veis por uma doen\u00e7a infecciosa<\/span><\/strong> \u00e9 de grande import\u00e2ncia na microbiologia e recebe o nome de <strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">Postulados de Koch<\/span><\/strong>. Eles&nbsp;foram inicialmente formulados por <strong>Friedrich Henle<\/strong>, e&nbsp;<strong>Robert Koch<\/strong> fez as adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que, em 1882, eles fossem publicados. E foi Koch, tamb\u00e9m, quem levou os cr\u00e9ditos no final das contas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/3-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3481\" width=\"585\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/3-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/3-300x169.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/3-768x432.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/3-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/3-678x381.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/3.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas Koch s\u00f3 conseguiu fazer seus experimentos e descrever bact\u00e9rias de grande import\u00e2ncia m\u00e9dica (como o bacilo da tuberculose e o vibri\u00e3o da c\u00f3lera) porque <strong>contava com uma equipe que criou novas t\u00e9cnicas para isolar efetivamente esses microrganismo<\/strong>s. Dentre eles, estavam <strong>Julius Richard Petri<\/strong>, inventor da placa de Petri, e os meios de crescimento s\u00f3lido de <strong>Walther Hesse<\/strong>. Menos celebrada do que os cientistas mencionados at\u00e9 aqui, <strong>uma das principais mentes criativas que mudou os rumos da microbiologia permanece amplamente desconhecida<\/strong>. O nome dela era <strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">Angelina Fanny Eilshemius Hesse<\/span><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\"><strong>FANNY HESSE, A MULHER QUE AJUDOU A DESFAZER O <em>CHAOS<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>Nascida em 1850, onde hoje est\u00e1 a cidade de New Jersey, nos Estados Unidos, e filha de um mercador alem\u00e3o, pouco <strong>sabemos sobre a hist\u00f3ria de Frau Fanny Hesse<\/strong>. Em 1874, ao mudar para a Alemanha, <strong>ela conheceu e se casou com o m\u00e9dico Walther Hesse<\/strong>. Al\u00e9m de m\u00e9dico, o sr. Hesse era cientista e apareceu em trabalhos de grandes nomes, incluindo Pasteur. E foi em <strong>1881 que ele come\u00e7ou a trabalhar nos laborat\u00f3rios de Robert Koch,<\/strong> em Berlim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3490\" width=\"539\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4-1-300x169.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4-1-768x432.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4-1-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4-1-678x381.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4-1.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 539px) 100vw, 539px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Lina Hesse acumulava as tarefas dom\u00e9sticas e a cria\u00e7\u00e3o de tr\u00eas filhos com o trabalho n\u00e3o remunerado no laborat\u00f3rio de Koch<\/strong>. Ela <strong>auxiliava o marido no preparo de meios de cultura<\/strong> para o crescimento bacteriano e na <strong>limpeza de vidrarias<\/strong> e equipamentos. Ex\u00edmia <strong>ilustradora cient\u00edfic<\/strong>a, tamb\u00e9m se dedicou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de aquarelas altamente precisas para ilustrar, por exemplo, cada fase de crescimento de bact\u00e9rias da microbiota intestinal para trabalhos que ele publicou.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que Frau Hesse tinha ampla experi\u00eancia com as t\u00e9cnicas laboratoriais e que acompanhava de perto os desafios e as necessidades das pesquisas de sua \u00e9poca. Ap\u00f3s tentativas mal sucedidas de cultivo de microrganismos em meios de cultura com gelatina, ela sugeriu ao <span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\"><strong>sr. Hesse que usasse \u00e1gar-\u00e1gar, um extrato de algas marinhas, como alternativa para obter meios de cultura mais est\u00e1veis<\/strong><\/span>. Diversos cientistas j\u00e1 haviam tentado atacar o problema de isolar culturas bacterianas puras, mas como utilizavam meios fluidos todas as tentativas foram infrut\u00edferas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/5-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3483\" width=\"540\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/5-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/5-1-300x169.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/5-1-768x432.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/5-1-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/5-1-678x381.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/5-1.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Hesse aprendeu sobre o \u00e1gar com familiares que viveram na Indon\u00e9sia, de onde o extrato de alga marinha se originava e era tradicionalmente usado como ingrediente para cozinhar, mantendo a textura de diversos preparos mesmo sob as altas temperaturas do Sudeste Asi\u00e1tico. Desde ent\u00e3o, ela utilizava o \u00e1gar como substituto da gelatina, reconhecendo toda a versatilidade deste agente gelificante no preparo de compotas e geleias de frutas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em 1882, ao publicar o cl\u00e1ssico artigo sobre o bacilo da tuberculose, Koch mencionou que usou \u00e1gar em vez de gelatina.<\/strong> Na primeira refer\u00eancia a esta melhoria t\u00e9cnica, que marcaria a microbiologia para sempre, <strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">Koch n\u00e3o deu cr\u00e9dito a Frau Hesse <\/span><\/strong>e nem mencionou o motivo que o levou a fazer essa substitui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Anos mais tarde, ap\u00f3s a morte de seu marido, Lina Hesse guardou e cuidou de todas as suas ilustra\u00e7\u00f5es e dos documentos do casal por anos, em respeito ao trabalho desenvolvido e as suas pr\u00f3prias contribui\u00e7\u00f5es para essa descoberta. Apesar de todo o esfor\u00e7o, tal contribui\u00e7\u00e3o jamais resultou em benef\u00edcio financeiro para a fam\u00edlia Hesse, que optou por n\u00e3o explor\u00e1-la comercialmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">POR QUE USAR AGAR FOI T\u00c3O REVOLUCION\u00c1RIO?<\/span><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o de Frau Hesse, o cultivo de microrganismos era realizado basicamente em alimentos como angu, clara de ovos coagulada, carne e fatias de batata. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter esquecido uma comida num potinho dentro da geladeira e viu como fica a situa\u00e7\u00e3o: um monte de coisa crescendo junta e um cheirinho nada agrad\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra op\u00e7\u00e3o que havia era usar gelatina no preparo do meio de cultura, mas \u00e9 um ingrediente muito inst\u00e1vel a altas temperaturas e que pode ser digerido por diversos microrganismos &#8211; o que tamb\u00e9m faz com que o meio se liquefa\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/Frau-Hesse-agar.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-3484\" width=\"539\" height=\"303\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O \u00e1gar, implementado por Hesse, \u00e9 muito est\u00e1vel e permanece s\u00f3lido mesmo a elevadas temperaturas (sua temperatura de fus\u00e3o \u00e9 de 80&nbsp;\u00baC). Al\u00e9m disso, outras caracter\u00edsticas permitem que ele seja adicionado aos meios de cultura:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>possui boa transpar\u00eancia quando em meios s\u00f3lidos ou semiss\u00f3lidos, permitindo uma boa identifica\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias;&nbsp;<\/li><li>n\u00e3o \u00e9 digerido pelos microrganismos;&nbsp;<\/li><li>n\u00e3o inibe o crescimento dos microrganismos;<\/li><li>possui rigidez adequada (\u00e9 r\u00edgido o suficiente para aguentar os processos de semeadura, mas n\u00e3o t\u00e3o r\u00edgido que afete as propriedades de difus\u00e3o de subst\u00e2ncias);&nbsp;<\/li><li>n\u00e3o reage com outros ingredientes adicionados nos meios (prote\u00ednas, a\u00e7\u00facares ferment\u00e1veis, por exemplo);&nbsp;<\/li><li>pode ser esteriliz\u00e1vel em autoclave (um equipamento que funciona como uma panela de press\u00e3o gigante).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/7-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3485\" width=\"544\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/7-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/7-300x169.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/7-768x432.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/7-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/7-678x381.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/7.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><br><strong>Existem v\u00e1rios meios de cultura diferentes, cada um com um objetivo espec\u00edfico<\/strong>\u2026 Alguns s\u00e3o <em>ricos nutricionalmente e permitem o crescimento de microrganismos muito exigentes<\/em>; outros, por sua vez, possuem <em>subst\u00e2ncias que favorecem ou impedem o crescimento de microrganismos espec\u00edficos<\/em>. Muitos levam no <em>nome alguns de seus ingredientes<\/em> (\u00c1gar Infus\u00e3o de C\u00e9rebro e Cora\u00e7\u00e3o, o \u00c1gar Batata, o \u00c1gar Bile-Esculina, o \u00c1gar Sangue)\u2026H\u00e1 aqueles que <em>indicam em seu nome o microrganismo para o qual o meio de&nbsp;cultura \u00e9 indicado<\/em> (\u00c1gar diferencial para&nbsp;<em>Aspergillus<\/em>, \u00c1gar&nbsp;<em>Brucella<\/em>, \u00c1gar m&nbsp;<em>Enterococcus<\/em>). <strong>E outros <em>trazem o nome de seus criadores<\/em><\/strong> como o \u00c1gar LB (Luria-Bertani), o \u00c1gar MRS (deMan, Rogosa e Sharpe), o \u00c1gar MacConkey, o \u00c1gar Mueller-Hinton\u2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parafraseando o que os historiadores Hitchens e Leikind escreveram no final de um artigo de 1939: <strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">ser\u00e1 que j\u00e1 n\u00e3o passou da hora de imortalizarmos a contribui\u00e7\u00e3o de Fanny Hesse e termos o \u201c\u00e1gar simples\u201d renomeado para \u201c\u00e1gar FH\u201d?<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">AS MULHERES E A CI\u00caNCIA<\/span><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Na \u00e9poca de Fanny Hesse, ser mulher e cientista era algo impens\u00e1vel.<\/strong> Embora atuasse ativamente no laborat\u00f3rio, ela permanecia invisibilizada. Ao longo da hist\u00f3ria da Ci\u00eancia, as microbiologistas v\u00eam realizando pesquisas inovadoras sem, contudo, receberem o mesmo reconhecimento e celebra\u00e7\u00e3o dedicados a cientistas homens, como Louis Pasteur e Robert Koch.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa postagem \u00e9 uma pequena homenagem a elas e a cientistas de outras \u00e1reas, que tiveram que superar obst\u00e1culos significativos para terem acesso a oportunidades que eram mais f\u00e1ceis a seus colegas homens, simplesmente por causa do seu g\u00eanero. <strong>Esses obst\u00e1culos se tornavam ainda maiores para cientistas mulheres e negras, que se deparam com a interseccionalidade de discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e ra\u00e7a dentro e fora do laborat\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 avan\u00e7amos muito! Quem viu Jaqueline Goes de Jesus, cientista brasileira que coordenou a equipe respons\u00e1vel pelo primeiro sequenciamento gen\u00e9tico do coronav\u00edrus, sendo homenageada pela Mattel, a fabricante das bonecas Barbie? A luta permanece em curso e vai al\u00e9m da representatividade. Afinal,<strong><span style=\"background-color:#0693e3\" class=\"tadv-background-color\"> <\/span><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">as inova\u00e7\u00f5es das mulheres cientistas espalham criatividade, oferecem novas perspectivas, prop\u00f5em diferentes quest\u00f5es e inauguram novas \u00e1reas de estudo<\/span><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/8-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3486\" width=\"541\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/8-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/8-300x169.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/8-768x432.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/8-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/8-678x381.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/8.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 541px) 100vw, 541px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:18% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4b439c07-3b6f-4716-b177-bc76811ec24d.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3500 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4b439c07-3b6f-4716-b177-bc76811ec24d.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2021\/08\/4b439c07-3b6f-4716-b177-bc76811ec24d-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#d0e8fb\">*<strong>Vanessa Cappelle<\/strong> \u00e9 bi\u00f3loga, mestre e doutora em Educa\u00e7\u00e3o (Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias) pela UFMG. Atualmente \u00e9 T\u00e9cnica em Assuntos Educacionais na Proex\/UFMG, editora adjunta do peri\u00f3dico Ensaio Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias. Al\u00e9m de tudo isso \u00e9 professora orientadora do Curso de Especializac\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias (CECI)!<br><br>Escrevemos juntos esse texto para a disciplina Hist\u00f3ria da Cultura Cient\u00edfica, do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (Amerek), da UFMG.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><strong><span style=\"color:#cf2e2e\" class=\"tadv-color\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agapakis, C. (2014). The Forgotten Woman Who Made Microbiology Possible. Popular Science. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.popsci.com\/blog-network\/ladybits\/forgotten-woman-who-made-microbiology-possible\/&gt;.&nbsp;Acesso em: 30 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Ayala-Nunez, V. (2020). Got agar? Say thanks to Angelina Hesse!. #FEMSMicroBlog. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/fems-microbiology.org\/femsmicroblog-got-agar-say-thanks-to-angelina-hesse\/&gt;. Acesso em: 30 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>FANNY HESSE. In: WIKIPEDIA: The free Encyclopedia. Wikimedia, 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fanny_Hesse\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fanny_Hesse<\/a>&gt;. Acesso em: 14 ago. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Hesse, W. (1992). Walther and Angelina Hesse &#8211; Early Contributors to Bacteriology. ASM News, 58(8), 425-428.<\/p>\n\n\n\n<p>Hitchens, A. P., &amp; Leikind, M. C. (1939). The Introduction of Agar-agar into Bacteriology. Journal of bacteriology, 37(5), 485\u2013493. https:\/\/doi.org\/10.1128\/jb.37.5.485-493.1939<\/p>\n\n\n\n<p>Kashani, M. (2020). 10 Women Microbiologists You Don\u2019t Know About, But Should. International Microorganism Day. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.internationalmicroorganismday.org\/ blog\/10-women-microbiologists-you-dont-know-about-but-should&gt;. Acesso em: 03 ago. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Mortimer, P. (2001). Koch\u2019s colonies and the culinary contribution of Fanny Hesse. Microbiology Today, 28, 136-137.Zimbro, M.J., Power, D., Miller, S.M., Wilson, G.E., &amp; Johnson, J.A. (2009). Difco\u2122 &amp; BBL\u2122 Manual: Manual of Microbiological Culture Media, 2ed. BD Diagnostic Systems. 700p.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#fbe6ac\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 conhece nossas redes sociais?&nbsp;<\/strong><br><strong>Siga a gente no<\/strong> <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/MeioDeCultura\/\" target=\"_blank\">Twitter<\/a>, no&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/meiodecultura.sbbr\" target=\"_blank\">Instagram<\/a>&nbsp;e no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/meiodecultura.sbbr\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>! <\/strong><br><strong>Ah! E se for fazer comprinhas na <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/amzn.to\/3ekAu2Q\" target=\"_blank\">Amazon<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/amzn.to\/3ekAu2Q\" target=\"_blank\">use nosso link<\/a>!<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este post foi escrito em conjunto com Vanessa Cappelle* Angelina Fanny&nbsp;Eilshemius&nbsp;Hesse, uma estadunidense de ascend\u00eancia alem\u00e3, que viveu entre 1850<\/p>\n","protected":false},"author":491,"featured_media":3497,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[279,274,8,11],"tags":[308,313,314,230,316,311,309,111,307,312,310,315],"class_list":["post-3476","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bacteriologia","category-divulgacao-cientifica","category-geral","category-microbiologia","tag-agar","tag-angelina-hesse","tag-fanny-hesse","tag-historia","tag-jaqueline-goes","tag-julius-petri","tag-lineu","tag-meio-de-cultura","tag-mulheres","tag-placa-de-petri","tag-robert-koch","tag-walther-hesse"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/491"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3476"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3594,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3476\/revisions\/3594"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3497"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}