{"id":492,"date":"2010-07-27T11:18:22","date_gmt":"2010-07-27T14:18:22","guid":{"rendered":"http:\/\/meiodecultura.wordpress.com\/?p=492"},"modified":"2010-07-27T11:18:22","modified_gmt":"2010-07-27T14:18:22","slug":"diga-me-o-que-comes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2010\/07\/27\/diga-me-o-que-comes\/","title":{"rendered":"Diga-me o que comes, que te direi quem \u00e9s"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600\"><strong>AQUECIMENTO&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cImagine-se sendo servido de uma comida ex\u00f3tica que, devido a sua natureza estranha, n\u00e3o pode ser comida utilizando-se utens\u00edlios convencionais. Agora, imagine que uma pessoa nativa (do mesmo local de origem da estranha comida) lhe fornece um artefato que lhe permitir\u00e1 comer o alimento sem esfor\u00e7o \u2013 como, por exemplo, uma comida enlatada e um abridor de latas\u201d.<\/p>\n<p>Agora volte \u00e0 realidade e, com aquela situa\u00e7\u00e3o em mente, atente-se ao seguinte caso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/notrocketscience\/files\/2010\/04\/Sushi.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/notrocketscience\/files\/2010\/04\/Sushi.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"182\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600\"><strong>O CASO&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Hehermann <em>et al<\/em> estavam estudando a bact\u00e9ria marinha <em>Zobellia galactanivorans<\/em>, quando identificaram uma nova classe de enzimas (porfiranases) que degradam um grupo de carboidratos complexos (as porfiranas). Esses carboidratos s\u00e3o encontrados, por exemplo, na alga <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nori\">nori<\/a> (do g\u00eanero <em>Porphyra<\/em>) que \u00e9 utilizada na prepara\u00e7\u00e3o do famoso sushi!<\/p>\n<p>Os pesquisadores resolveram ent\u00e3o procurar em bases de dados outras bact\u00e9rias que tamb\u00e9m possu\u00edssem as porfiranases, ou seja,\u00a0as enzimas que degradam porfiranas. E eles encontraram mais 6! Mas, curiosamente, uma n\u00e3o era bact\u00e9ria marinha como a <em>Z. galactanivorans<\/em>&#8230; mas uma esp\u00e9cie encontrada na microbiota de seres humanos! E, mais especificamente, de japoneses.<\/p>\n<p>O nome dessa bact\u00e9ria \u00e9 <em>Bacteroides plebeius<\/em>. Mas o que isso tem de t\u00e3o interessante?<\/p>\n<p>Analisando o genoma de esp\u00e9cies de bact\u00e9rias pr\u00f3ximas \u00e0 <em>B. plebeius<\/em>, os cientistas conclu\u00edram que essa enzima n\u00e3o estava presente em nenhuma das bact\u00e9rias parentes da dita bact\u00e9ria.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff6600\"><strong>OS MECANISMOS ENVOLVIDOS&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Pera\u00ed. Como essa bact\u00e9ria ent\u00e3o conseguiu essa enzima? O que os autores do artigo prop\u00f5em \u00e9 que tenha sido atrav\u00e9s de um mecanismo que chamamos de &#8220;<span style=\"text-decoration: underline\">transfer\u00eancia horizontal (ou lateral) de genes<\/span>&#8220;. Isso significa que uma bact\u00e9ria pode adquirir genes de outras bact\u00e9rias que n\u00e3o sejam suas ancestrais diretas!<\/p>\n<blockquote>\n<ul>\n<li>A transfer\u00eancia horizontal de genes seria como se\u00a0 uma pessoa que tem olhos azuis se aproximasse de voc\u00ea e, gentilmente, te passase os &#8220;genes-olhos-azuis&#8221;. Voc\u00ea, ent\u00e3o, \u00a0intenalizaria esses genes e&#8230; (supresa!) voc\u00ea passa a ter olhos azuis&#8221;!<\/li>\n<li>Esse mecanismo de transfer\u00eancia g\u00eanica \u00e9 um dos culpados para dissemina\u00e7\u00e3o da <a href=\"scienceblogs.com.br\/meiodecultura\/2010\/05\/09\/o-que-nao-me-mata\/\">resist\u00eancia bacteriana \u00e0 antibi\u00f3ticos<\/a> e, consequentemente, do surgimento de linhagem multirresistentes como o MRSA (<em>Staphylococcus aureus <\/em>resistente \u00e0 meticilina &#8211; e a mais um monte de antibi\u00f3ticos)<\/li>\n<li>J\u00e1 a\u00a0transfer\u00eancia <span style=\"text-decoration: underline\">vertical<\/span> de genes, \u00e9 a que acontece com a gente: herdamos os genes dos nossos pais, nossos ascendentes diretos.)<\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote>\n<p>Em outras palavras, isso significaria que genes da bact\u00e9ria marinha <em>Zobellia galactanivorans<\/em> (do in\u00edcio do post, e que se alimenta de algas que s\u00e3o utilizadas na fabrica\u00e7\u00e3o do sushi) acabam (via sushi) chegando ao intestino dos japoneses. Ali, as bact\u00e9rias da microbiota (<em>Bacteroides plebeius<\/em>) se apropriaram de alguns genes (no caso, o da enzima porfiranase) que permitem \u00e0s bact\u00e9rias se alimentarem de mais uma fonte de alimento!<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/notrocketscience\/2010\/04\/07\/gut-bacteria-in-japanese-people-borrowed-sushi-digesting-genes-from-ocean-bacteria\/\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/notrocketscience\/files\/2010\/04\/Zobellia_journey_seaweed_su.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"127\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #ff6600\"><strong>E DA\u00cd&#8230;?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Para verificarem se era um evento comum, os pesquisadores examinaram as bact\u00e9rias intestinais de 13 volut\u00e1rios japoneses em busca de porfiranases. E acharam pelo menos 7 enzimas do mesmo tipo, al\u00e9m de outras 6 com papel semelhante. Al\u00e9m do microbiona dos &#8220;japas&#8221;, 18 americanos tamb\u00e9m foram analisados, e em nenhum o gene foi encontrado.<\/p>\n<p>As enzimas humanas n\u00e3o digerem muitos dos polissacar\u00eddeos vegetais e, assim, eles passam ao final do tubo digest\u00f3rio onde, ali, as bact\u00e9rias da microbiota (j\u00e1 falei sobre isso\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/meiodecultura\/2010\/02\/16\/100-trilhoes\/\">AQUI<\/a> e <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/meiodecultura\/2010\/02\/17\/microbiota-ii\/\">AQUI<\/a>) fornecer\u00e3o uma ajudinha. Isso acontece, pois essas bact\u00e9rias obt\u00e9m energia degradando polissacar\u00eddeos da dieta do seu hospedeiro. Agora, com esse estudo, temos a evid\u00eancia de que os alguns japoneses possuem uma ajudinha extra para digerir, com maior efici\u00eancia, o sushi &#8211; enquanto n\u00f3s, meros ocidentais, nos contentamos em eliminar a alga sem digeri-la.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 muito relevante ressaltarmos que h\u00e1 tempos fala-se na possibilidade de a microbiota intestinal trocar genes com microrganismos do ambiente. Mas isso era apenas uma hip\u00f3tese prov\u00e1vel, mas nunca demonstrada&#8230; at\u00e9 este paper.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sabemos que um dos indiv\u00edduos da pesquisa, foi uma bebezinha que, com certeza, ainda n\u00e3o comeu sushi em grandes quantidades, mas que apresenta em seu microbioma, os genes da porfiranase. O que isso significa? Se eu disser que sua m\u00e3e tamb\u00e9m possui bact\u00e9rias que produzem a enzima fica mais claro? Sim&#8230; Transmiss\u00e3o m\u00e3e-filha da microbiota!<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o sabemos quando ocorreu esta transfer\u00eancia de genes. Acredito que j\u00e1 tenha algum tempo, por dois amplos motivos: 1) \u00e9 um processo raro de acontecer e; 2) antes as algas n\u00e3o eram esterilizadas, e hoje passam por processos de cozimento e preparo que podem dificultar ainda mais o processo.<\/p>\n<p>Apesar disso, essa descoberta nos d\u00e1 uma ideia de como a microbiota pode ter se adaptado durante \u00a0as altera\u00e7\u00f5es na dieta humana &#8211; ou mesmo como a pr\u00f3pria microbiota pode direcionado a evolu\u00e7\u00e3o humana &#8211; de forma a, com o passar do tempo, podemos obter um melhor aproveitamento nutricional da nossa alimenta\u00e7\u00e3o.\u00a0Podemos, ent\u00e3o, pensar como nossos h\u00e1bitos alimentares contempor\u00e2neos est\u00e3o colocando em teste nossa microbiota, direcionando o microbioma humano a um novo padr\u00e3o para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Na pr\u00f3xima vez que voc\u00ea der uma bicadinha em um alimento diferente, pense nos microrganismos que podem estar ali, que voc\u00ea ir\u00e1 provavelmente ingerir e que, possivelmente, estar\u00e3o fornecendo novas ferramentas aos seus 100 trilh\u00f5es de amigos microsc\u00f3picos!&#8221;<\/p>\n<p>Ah, e ent\u00e3o!? Conseguiu fazer a rela\u00e7\u00e3o com o textinho do in\u00edcio da postagem?<\/p>\n<p><span style=\"color: #339966\"><strong>ARTIGOS<\/strong><\/span><br \/>\n<span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2Fnature08937&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Transfer+of+carbohydrate-active+enzymes+from+marine+bacteria+to+Japanese+gut+microbiota&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=464&amp;rft.issue=7290&amp;rft.spage=908&amp;rft.epage=912&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2Fnature08937&amp;rft.au=Hehemann%2C+J.&amp;rft.au=Correc%2C+G.&amp;rft.au=Barbeyron%2C+T.&amp;rft.au=Helbert%2C+W.&amp;rft.au=Czjzek%2C+M.&amp;rft.au=Michel%2C+G.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CMicrobiology\">Hehemann, J., Correc, G., Barbeyron, T., Helbert, W., Czjzek, M., &amp; Michel, G. (2010). Transfer of carbohydrate-active enzymes from marine bacteria to Japanese gut microbiota <span style=\"font-style: italic\">Nature, 464<\/span> (7290), 908-912 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/nature08937\" rev=\"review\">10.1038\/nature08937<\/a><\/span><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature+Reviews+Microbiology&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2Fnrmicro2372&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Environmental+microbiology%3A+You+are+what+you+eat&amp;rft.issn=1740-1526&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=8&amp;rft.issue=6&amp;rft.spage=387&amp;rft.epage=387&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2Fnrmicro2372&amp;rft.au=Jermy%2C+A.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CMicrobiology\">Jermy, A. (2010). Environmental microbiology: You are what you eat <span style=\"font-style: italic\">Nature Reviews Microbiology, 8<\/span> (6), 387-387 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/nrmicro2372\" rev=\"review\">10.1038\/nrmicro2372<\/a><\/span><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Nature&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1038%2F464837a&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Microbiology%3A+Genetic+pot+luck&amp;rft.issn=0028-0836&amp;rft.date=2010&amp;rft.volume=464&amp;rft.issue=7290&amp;rft.spage=837&amp;rft.epage=838&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Fdoifinder%2F10.1038%2F464837a&amp;rft.au=Sonnenburg%2C+J.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CMicrobiology\">Sonnenburg, J. (2010). Microbiology: Genetic pot luck <span style=\"font-style: italic\">Nature, 464<\/span> (7290), 837-838 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/464837a\" rev=\"review\">10.1038\/464837a<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #339966\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/quimicaviva\/2010\/04\/algas_de_sushis_so_sao_digerid.php\">Algas de sushis s\u00f3 s\u00e3o digeridas por japoneses<\/a> &#8211; no Qu\u00edmica Viva<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/oamigodewigner.blogspot.com\/2010\/04\/do-fundo-do-oceano-para-o-sushi-e-do.html\">Do fundo do oceano para o sushi, e do sushi para o fundo do est\u00f4mago<\/a> &#8211; n&#8217;O amigo de Wigner<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/notrocketscience\/2010\/04\/07\/gut-bacteria-in-japanese-people-borrowed-sushi-digesting-genes-from-ocean-bacteria\/\">Gut bacteria in Japanese people borrowed sushi-digesting genes from ocean bacteria<\/a> &#8211; no Not Exactly Rocket Science<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.wired.com\/wiredscience\/2010\/04\/sushi-guts\/#more-20252\">Gut Bacteria Give Super Seaweed-Digestion Power to Japanese<\/a> &#8211; no Wired Science<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AQUECIMENTO&#8230; \u201cImagine-se sendo servido de uma comida ex\u00f3tica que, devido a sua natureza estranha, n\u00e3o pode ser comida utilizando-se utens\u00edlios<\/p>\n","protected":false},"author":491,"featured_media":1360,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[27,54,66,75,80,112,116,153,155],"class_list":["post-492","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-microbiologia","tag-bacterias","tag-comensais","tag-ecologia-microbiana","tag-evolucao","tag-flora-intestinal","tag-metabolismo","tag-microbiota","tag-sushi","tag-transferencia-horizontal-de-genes"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2011\/12\/rb2_large_gray.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/491"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/492\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}